{"id":20151,"date":"2007-12-30T00:00:00","date_gmt":"2007-12-30T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20151"},"modified":"2007-12-30T00:00:00","modified_gmt":"2007-12-30T00:00:00","slug":"o-melhor-e-o-pior-das-comunicacoes-em-2007","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20151","title":{"rendered":"O melhor e o pior das comunica\u00e7\u00f5es em 2007"},"content":{"rendered":"<p>Comecemos pelo lado positivo: 2007 foi um ano de expressiva inclus&atilde;o digital para o Brasil. Quatro segmentos das comunica&ccedil;&otilde;es e da tecnologia digital contribu&iacute;ram de forma especial para esse resultado: telefonia m&oacute;vel, banda larga, internet e computador popular. <\/p>\n<p>O celular superou todas as expectativas, com uma expans&atilde;o de quase 20% este ano. Com o desempenho, a rede brasileira deve quebrar a barreira dos 120 milh&otilde;es de celulares em servi&ccedil;o &#8211; n&uacute;mero que coloca o Pa&iacute;s em quinto lugar no mundo, atr&aacute;s apenas de China, Estados Unidos, &Iacute;ndia e R&uacute;ssia. Al&eacute;m disso, a telefonia m&oacute;vel d&aacute; o salto tecnol&oacute;gico para a terceira gera&ccedil;&atilde;o (3G), ap&oacute;s o leil&atilde;o de freq&uuml;&ecirc;ncias que injetou quase R$ 6 bilh&otilde;es no saco sem fundo do Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>A banda larga teve expans&atilde;o not&aacute;vel em 2007 e fechar&aacute; o ano com quase 8 milh&otilde;es de acessos. Ali&aacute;s, o Brasil praticamente dobrou o n&uacute;mero de usu&aacute;rios de alta velocidade nos &uacute;ltimos 24 meses. O grande motor dessa expans&atilde;o foram os novos projetos das concession&aacute;rias de telefonia &#8211; Embratel, Oi, Telef&ocirc;nica e Brasil Telecom &#8211; com suas ofertas de novas solu&ccedil;&otilde;es do tipo triple play, ou seja, em pacotes de telefonia, banda larga e TV por assinatura. Com isso, a internet j&aacute; alcan&ccedil;a 40 milh&otilde;es de usu&aacute;rios em todo o Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Em todos os avan&ccedil;os registrados, n&atilde;o h&aacute; nenhuma contribui&ccedil;&atilde;o ou m&eacute;rito do governo, pois o sucesso do celular, da banda larga e da internet tem sido resultado exclusivo do trabalho e dos investimentos das operadoras privadas. A &uacute;nica &aacute;rea beneficiada por a&ccedil;&otilde;es positivas do governo do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva foi a do computador popular, em que a isen&ccedil;&atilde;o de impostos estimulou fortemente a aquisi&ccedil;&atilde;o da primeira m&aacute;quina. <\/p>\n<p>A venda de computadores port&aacute;teis ( laptops) este ano dever&aacute; crescer 27% em rela&ccedil;&atilde;o a 2006 e, pela primeira vez, vai superar o total de computadores de mesa (desktops) comercializados. O pre&ccedil;o dos port&aacute;teis caiu a menos da metade em apenas um ano.<\/p>\n<p><strong>Frustra&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><br \/>A TV digital nipo-brasileira estreou no dia 2 de dezembro apenas na Grande S&atilde;o Paulo. N&atilde;o h&aacute; muito que comemorar com a inaugura&ccedil;&atilde;o de um sistema ainda incompleto, sem decodificadores a pre&ccedil;os acess&iacute;veis no mercado, sem o middleware Ginga, sem interatividade e sem mobilidade. S&oacute; as emissoras de TV fizeram sua parte, investindo em equipamentos e tecnologia. Mesmo assim, faltam programas e conte&uacute;dos em alta defini&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Inaugurar obra inacabada &eacute; puro a&ccedil;odamento populista. A TV aberta, por ser uma paix&atilde;o nacional, mereceria mais seriedade. Lula parece n&atilde;o perceber que, nas condi&ccedil;&otilde;es atuais, sem projeto industrial e sem pre&ccedil;os acess&iacute;veis, a TV digital continuar&aacute; sendo, ainda por muitos anos, privil&eacute;gio da classe AA &#8211; a elite que o presidente tanto critica, embora tamb&eacute;m dela fa&ccedil;a parte.<\/p>\n<p>Como contrapartida &agrave; escolha da tecnologia digital, vale relembrar, o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, disse, no ano passado, haver negociado e conseguido do Jap&atilde;o uma grande ind&uacute;stria de semicondutores, a ser instalada no Brasil. De l&aacute; para c&aacute;, sil&ecirc;ncio total. Onde est&aacute; a ind&uacute;stria? O gato comeu.<\/p>\n<p>A expectativa do ministro, de que o padr&atilde;o nipo-brasileiro seria adotado por muitos pa&iacute;ses na Am&eacute;rica Latina, tamb&eacute;m n&atilde;o se concretizou. At&eacute; aqui, nenhum pa&iacute;s aderiu. Nenhunzinho.<\/p>\n<p><strong>Retrocesso<br \/><\/strong><br \/>A pior das not&iacute;cias deste ano &eacute;, sem d&uacute;vida, a decis&atilde;o do presidente Lula de ressuscitar as estatais Telebr&aacute;s e Eletronet. Na contram&atilde;o da hist&oacute;ria, elas s&oacute; aumentam o risco de inefici&ecirc;ncia, empreguismo e corrup&ccedil;&atilde;o no governo. <\/p>\n<p>Compare, leitor, o desempenho da velha estatal com os resultados do setor privatizado. Ao longo de 25 anos, a Telebr&aacute;s investiu cerca de R$ 40 bilh&otilde;es, instalando o total de 24,5 milh&otilde;es de acessos telef&ocirc;nicos, entre fixos e m&oacute;veis. As operadoras privadas, em apenas nove anos, investiram quase quatro vezes mais, R$ 150 bilh&otilde;es, e implantaram cinco vezes mais acessos (147 milh&otilde;es). <\/p>\n<p>A tentativa de escolha do r&aacute;dio digital tem sido um fiasco. O ministro H&eacute;lio Costa insiste em apoiar uma tecnologia ainda cheia de problemas, o padr&atilde;o Iboc, da norte-americana Ibiquity. E ainda prop&otilde;e a associa&ccedil;&atilde;o de uma ind&uacute;stria brasileira com essa empresa, com recursos p&uacute;blicos.<\/p>\n<p><strong>Sem lei<br \/><\/strong><br \/>Do ponto de vista institucional, o maior problema das comunica&ccedil;&otilde;es brasileiras continua sendo a legisla&ccedil;&atilde;o obsoleta. O Brasil precisa, com urg&ecirc;ncia, de uma lei geral moderna, capaz de harmonizar os diversos segmentos das comunica&ccedil;&otilde;es. A sobreviv&ecirc;ncia da velha estrutura legal da radiodifus&atilde;o, ainda baseada num cap&iacute;tulo do velho C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde; es, de 1962, interessa apenas ao governo e aos benefici&aacute;rios do chamado coronelismo eletr&ocirc;nico.<\/p>\n<p>Em algumas circunst&acirc;ncias, contudo, o interesse pol&iacute;tico n&atilde;o respeita nem a lei obsoleta, como no caso do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, que obteve a terceira concess&atilde;o de uma emissora de TV aberta no Estado de S&atilde;o Paulo. Conforme determina o decreto-lei 236, de 1967, em vigor, nenhum grupo ou pessoa f&iacute;sica pode ter mais do que duas concess&otilde;es no mesmo Estado.Uma prova de que a f&eacute; n&atilde;o apenas remove montanhas, mas at&eacute; barreiras legais. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comecemos pelo lado positivo: 2007 foi um ano de expressiva inclus&atilde;o digital para o Brasil. 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