{"id":20150,"date":"2008-01-01T00:00:00","date_gmt":"2008-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20150"},"modified":"2008-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2008-01-01T00:00:00","slug":"tiroteio-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20150","title":{"rendered":"Tiroteio digital"},"content":{"rendered":"<p>Informa&ccedil;&otilde;es sobre televis&atilde;o digital s&atilde;o imprecisas e propaganda, &agrave;s vezes, enganosa<\/p>\n<p>Nesse assunto de televis&atilde;o digital &eacute; preciso muito cuidado porque o fogo est&aacute; cruzado. As informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o imprecisas e a propaganda, &agrave;s vezes, enganosa. Mesmo no b&ecirc;-&aacute;-b&aacute; dos jornais e revistas, nas tentativas de esclarecimento com quadros de perguntas mais comuns, as respostas s&atilde;o confusas, quando n&atilde;o erradas ou mal-ordenadas.<\/p>\n<p>No Brasil, n&oacute;s costumamos querer tudo para hoje e as coisas n&atilde;o acontecem assim. Vamos, portanto, devagar com o andor. Acho que uma vis&atilde;o simples e objetiva pode ajudar a entender a novidade. Primeiro, vamos deixar claro que a televis&atilde;o digital &eacute; apenas um avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico e n&atilde;o uma revolu&ccedil;&atilde;o. A grade das emissoras, ou seja, a programa&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; exatamente a mesma na televis&atilde;o anal&oacute;gica e na televis&atilde;o digital. Continua tudo igual. Depois, &eacute; colocar na cabe&ccedil;a que a televis&atilde;o atual ficar&aacute; no ar por mais dez anos. <\/p>\n<p>O nosso sistema &eacute; h&iacute;brido, mistura do japon&ecirc;s com aperfei&ccedil;oamentos brasileiros, o que complica um pouco a hist&oacute;ria. Mesmo assim, creio que a escolha foi um passo acertado do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, porque o sistema &eacute; tecnicamente melhor e vai poder, aos poucos, acrescentar algumas inova&ccedil;&otilde;es. O mais importante &eacute; que haver&aacute; um n&uacute;mero de canais livres para permitir a entrada de novos parceiros na televis&atilde;o comercial. Tomara que o minist&eacute;rio n&atilde;o sente em cima desse assunto e licite logo esses canais para tornar o digital mais atraente, al&eacute;m da simples melhora do sinal e da portabilidade.<\/p>\n<p>Mas, vejam bem, essa hist&oacute;ria de que a tev&ecirc; digital pega em qualquer lugar, no &ocirc;nibus, nos carros, no celular, n&atilde;o &eacute; bem verdade. Em t&uacute;neis e locais de pouco sinal, n&atilde;o pega nada. Depender&aacute; da coloca&ccedil;&atilde;o progressiva de retransmissores nesses locais. N&atilde;o pega em qualquer celular. Ele precisar&aacute; ter caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas para receber televis&atilde;o. No come&ccedil;o tamb&eacute;m n&atilde;o haver&aacute; interatividade que se possa chamar de di&aacute;logo. Os conversores que est&atilde;o no mercado n&atilde;o est&atilde;o prontos para isso e o software brasileiro, o Ginga, ainda est&aacute; em desenvolvimento. Vai demorar um pouco.<\/p>\n<p>Mesmo assim, interatividade plena, de m&atilde;o dupla, s&oacute; para quem estiver conectado com as emissoras atrav&eacute;s de linha telef&ocirc;nica, cabo ou internet sem fio. E, como diz o ministro H&eacute;lio Costa, os conversores est&atilde;o caros demais. &Eacute; melhor ficar na sua e aguardar. No momento n&atilde;o se est&aacute; perdendo nada. O impacto do digital &eacute; muito menor do que a mudan&ccedil;a de preto e branco para cores, e, para quem j&aacute; recebe uma boa imagem, vai ser dif&iacute;cil notar a diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p>O que n&atilde;o se est&aacute; dizendo &eacute; que o digital pode pegar ou n&atilde;o em alguns lugares. Diferentemente do anal&oacute;gico, que pode pegar bem, mal ou mais ou menos, o digital pega bem ou n&atilde;o pega nada. No Brasil temos 50 milh&otilde;es de aparelhos anal&oacute;gicos, e a televis&atilde;o s&oacute; estar&aacute; totalmente digitalizada quando todos esses aparelhos forem substitu&iacute;dos por novos. E &eacute; bom que se saiba que os chamados conversores, caixinhas ou, tecnicamente, set-top boxes recebem os sinais de televis&atilde;o digital e os transformam em sinais anal&oacute;gicos. Portanto, quem tem aparelho comum vai pegar digital do ar, mas vai ver anal&oacute;gico em casa. Digital de verdade, s&oacute; comprando um aparelho pronto para essa tecnologia. E, para quem comprou recentemente um LCD ou plasma, &eacute; preciso verificar se o aparelho est&aacute; pronto para o nosso sistema. A maioria n&atilde;o est&aacute;.<\/p>\n<p>E quem tem cabo ou tev&ecirc; por assinatura? A&iacute; a encrenca &eacute; maior. Novas caixas dever&atilde;o ser disponibilizadas com entrada e sa&iacute;da digital. Quem tem cabo digital, hoje, e pensa que est&aacute; vendo televis&atilde;o digital: n&atilde;o est&aacute;. Digital &eacute; apenas o transporte do sinal pelo cabo. No televisor entra anal&oacute;gico mesmo. E a t&atilde;o falada alta defini&ccedil;&atilde;o? Digital &eacute; uma coisa e alta defini&ccedil;&atilde;o &eacute; outra. Tem mesmo que ter um televisor HD prontinho para isso e, se n&atilde;o tiver conversor embutido, haver&aacute; a necessidade de adquirir um mais completo, que n&atilde;o seja apenas o b&aacute;sico.<\/p>\n<p>Ainda &eacute; necess&aacute;rio ver se a oferta de programas pelas emissoras compensar&aacute; o investimento. De qualquer forma, a televis&atilde;o digital far&aacute;, do ponto de vista formal, que as produ&ccedil;&otilde;es sejam mais caprichadas. Cen&aacute;rios, figurinos, maquilagem e ilumina&ccedil;&atilde;o v&atilde;o exigir mais cuidados. Sem falar no som que, utilizando um sistema dolby de v&aacute;rios canais, precisar&aacute; de um processamento especial de capta&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em compensa&ccedil;&atilde;o, corremos o risco de que os produtores se apaixonem pela forma e deixem de lado o conte&uacute;do, onde deveria estar a verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o. Eventos como o futebol, esportes em geral e o carnaval, por exemplo, v&atilde;o se beneficiar do digital e muito mais com a alta defini&ccedil;&atilde;o, mas tudo vai custar caro para produzir. Os investimentos maiores, no entanto, ficar&atilde;o por conta dos transmissores. Contando as geradoras e repetidoras em opera&ccedil;&atilde;o no Brasil, ser&aacute; necess&aacute;rio trocar mais de 8 mil transmissores. Cada um custar&aacute; entre US$ 500 mil e US$ 2,5 milh&otilde;es. &Eacute; coisa para bilh&otilde;es de d&oacute;lares. Quem vai pagar essa conta? O mercado publicit&aacute;rio n&atilde;o ser&aacute;. As emissoras do interior n&atilde;o t&ecirc;m essa grana. Como se v&ecirc;, ficar&aacute; caro para os telespectadores e muito mais caro para as emissoras.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o h&aacute; outro caminho, pois a ind&uacute;stria de televisores ir&aacute; tirar o p&eacute; do acelerador na produ&ccedil;&atilde;o de aparelhos anal&oacute;gicos. Eles, os fabricantes de televisores, ser&atilde;o os maiores beneficiados pela mudan&ccedil;a. Pois ter&atilde;o chance de vender mais em um mercado atualmente saturado de televisores. Noventa e cinco por cento dos lares brasileiros t&ecirc;m televis&atilde;o e a reposi&ccedil;&atilde;o &eacute; lenta. Enfim, o mercado, como sempre, &eacute; que vai determinar o ritmo das mudan&ccedil;as. Vamos de digital? Vamos, mas com calma. N&atilde;o h&aacute; pressa e tem muita bala perdida para todos os lados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informa&ccedil;&otilde;es sobre televis&atilde;o digital s&atilde;o imprecisas e propaganda, &agrave;s vezes, enganosa Nesse assunto de televis&atilde;o digital &eacute; preciso muito cuidado porque o fogo est&aacute; cruzado. As informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o imprecisas e a propaganda, &agrave;s vezes, enganosa. 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