{"id":20146,"date":"2008-01-01T00:00:00","date_gmt":"2008-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20146"},"modified":"2008-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2008-01-01T00:00:00","slug":"acordo-minicom-teles-um-presente-de-grego-para-o-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20146","title":{"rendered":"Acordo Minicom-teles: um presente de grego para o governo"},"content":{"rendered":"<p>Quando come&ccedil;aram a pipocar as primeiras not&iacute;cias sobre o interesse do governo em utilizar a rede de fibras da Eletronet como backbone (backhaul) para levar internet aos mais de 90% de munic&iacute;pios do pa&iacute;s que nem sonham com banda larga, pensei aqui com os meus bot&otilde;es: ser&aacute; que a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, vai ter coragem de desmascarar a dupla Minicom\/Anatel e abrir a caixa-preta da comunica&ccedil;&atilde;o de dados para desencalhar a grana do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde; o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde; es (FUST)?<\/p>\n<p>Novas emo&ccedil;&otilde;es surgiram quando o coronel Oliva Neto, ex-secret&aacute;rio nacional de Assuntos Estrat&eacute;gicos, come&ccedil;ou a falar para todo mundo que o governo pretendia adotar por aqui o modelo open reach, igual ao da Inglaterra. Neste modelo, uma grande concession&aacute;ria &eacute; respons&aacute;vel pelo fornecimento da infra-estrutura de transporte das informa&ccedil;&otilde;es de telecomunica&ccedil;&otilde; es, em &acirc;mbito nacional e internacional, de forma ison&ocirc;mica e neutra em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; concorr&ecirc;ncia para todas as prestadoras locais de quaisquer modalidades de servi&ccedil;os de telecom, n&atilde;o importando se for telefonia, comunica&ccedil;&atilde;o de dados, sinais de r&aacute;dio e TV, sinais de fuma&ccedil;a etc. Pensei: &quot;Caramba! Parece que a Dilma e o coronel Oliva v&atilde;o fazer reaparecer o Sistema Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde; es (SNT)&quot;, o servi&ccedil;o de troncos criado em 1962 pela lei 4.117 com a finalidade de interligar as redes locais das quase 1.200 operadoras de telefonia existentes naquela &eacute;poca e que, apesar da sua import&acirc;ncia estrat&eacute;gica para a soberania do pa&iacute;s, fo i fraudulentamente &quot;desaparecido&quot; do mapa em 1997 pelos prepostos da Telefonica e da MCI nomeados por Fernando Henrique para as presid&ecirc;ncias da Telebr&aacute;s e da Embratel, respectivamente.<br \/><strong><br \/>Cartel de concession&aacute;rias<\/strong><\/p>\n<p>Apesar do nome oficial de servi&ccedil;o de troncos, por causa do di&acirc;metro dos antigos cabos interurbanos de telefonia, o SNT constituiu a rede p&uacute;blica de longa dist&acirc;ncia, a espinha dorsal de todos os servi&ccedil;os p&uacute;blicos de telecomunica&ccedil;&otilde; es do Brasil, que foi implementada com muuuiiiitos bilh&otilde;es de cruzeiros, cruzados e reais provenientes do finado Fundo Nacional das Telecomunica&ccedil;&otilde; es, de tarifas p&uacute;blicas, dos contratos de planos de expans&atilde;o da telefonia e at&eacute; do Tesouro Nacional. Um patrim&ocirc;nio p&uacute;blico formado por milhares de quil&ocirc;metros de fibras &oacute;pticas, centros de comuta&ccedil;&atilde;o, cabos submarinos, sat&eacute;lites e mais uma monte de outros penduricalhos high-tech.<\/p>\n<p>At&eacute; julho de 1997, por determina&ccedil;&atilde;o expressa da lei 4.117, o SNT era operado em regime de monop&oacute;lio pela Embratel. A carrier, na &eacute;poca estatal, al&eacute;m de realizar as interconex&otilde;es de longa dist&acirc;ncia da telefonia, tamb&eacute;m explorava os servi&ccedil;os p&uacute;blicos de telex, de repeti&ccedil;&atilde;o de sinais de r&aacute;dio e TV, de esta&ccedil;&otilde;es costeiras, de transmiss&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de sat&eacute;lites, assim como os servi&ccedil;os p&uacute;blicos de transmiss&atilde;o de dados nas modalidades de comuta&ccedil;&atilde;o por circuitos (ex. redes Transdata e Interdata) e comuta&ccedil;&atilde;o por pacotes (ex. redes Renpac e internet). Todos os servi&ccedil;os de dados da Embratel eram prestados atrav&eacute;s da Rede Nacional de Transmiss&atilde;o de Dados (RNTD), que &eacute; parte integrante do SNT.<\/p>\n<p>Diante da necessidade imperiosa de o governo manter o SNT sob seu controle, at&eacute; por quest&otilde;es de seguran&ccedil;a nacional, o art. 207 da lei 9.472 (LGT) determinou expressamente que, at&eacute; o dia 17\/09\/97, a Embratel deveria pleitear a celebra&ccedil;&atilde;o de contrato de concess&atilde;o para explorar o servi&ccedil;o de troncos. Por&eacute;m, ignorando a lei, os prepostos da Telefonica e da MCI, em parceria com os lobistas da revis&atilde;o constitucional de 1993 que passaram a comandar a Anatel, tiveram a brilhante id&eacute;ia de, ao inv&eacute;s da rede de troncos, outorgarem &agrave; Embratel uma concess&atilde;o fajuta para explora&ccedil;&atilde;o de &quot;servi&ccedil;os de STFC de longa dist&acirc;ncia&quot;. <\/p>\n<p>Isto resultou que, na aus&ecirc;ncia de uma concession&aacute;ria espec&iacute;fica para oper&aacute;-lo, o SNT acabasse sendo capturado por um cartel de quatro grandes concession&aacute;rias do STFC, que passou a utilizar as redes p&uacute;blicas para explora&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em regime privado, cobrando os pre&ccedil;os que bem entendesse, como no caso das redes IP da RNTD, que respondem por cerca de 90% do tr&aacute;fego internet no Brasil e cujos pre&ccedil;os para os usu&aacute;rios finais chegam a ficar at&eacute; quatro vezes acima daqueles praticados em outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p><strong>Cinco provid&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p>Nas minhas divaga&ccedil;&otilde;es, os supostos planos da Casa Civil se tornaram claros ap&oacute;s os coment&aacute;rios de que a Telebr&aacute;s iria ser reativada, pois como a lei 5.792\/72 e o decreto 74.379\/74 est&atilde;o em pleno vigor, a empresa ainda &eacute; a concession&aacute;ria geral dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de telecomunica&ccedil;&otilde; es. Desta forma, imaginei que a ministra Dilma iria arrumar um jeito de fazer com que o ministro H&eacute;lio Costa tomasse logo as seguintes provid&ecirc;ncias, que v&ecirc;m sendo empurradas com a barriga pelo Minicom desde a publica&ccedil;&atilde;o da LGT, em julho de 1997:<\/p>\n<p>1. Exigir que a Embratel finalmente celebre contrato de concess&atilde;o para explorar industrialmente a rede de troncos e suas conex&otilde;es internacionais (SNT), conforme determina expressamente o art. 207 da LGT, de forma a fazer com que a empresa volte a desempenhar as suas fun&ccedil;&otilde;es originais de fornecedora de infra-estrutura da rede p&uacute;blica de transporte para todas as prestadoras de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde; es. Vale destacar que a exist&ecirc;ncia da concession&aacute;ria do servi&ccedil;o de troncos &eacute; essencial para assegurar a opera&ccedil;&atilde;o integrada das redes p&uacute;blicas de telecomunica&ccedil;&otilde; es em &acirc;mbito nacional e internacional, nos termos do art. 146 da LGT. Isso porque, nos casos de lit&iacute;gios insol&uacute;veis entre prestadoras, sempre haver&aacute; a possibilidade de o governo determinar, em nome do interesse p&uacute;blico, que as redes locais sejam interconectadas &quot;na marra&quot; atrav&eacute;s das centrais de comuta&ccedil;&atilde;o da rede de troncos.<\/p>\n<p>2. Extinguir a concess&atilde;o para servi&ccedil;os de STFC de longa dist&acirc;ncia da Embratel, pois, al&eacute;m da LGT n&atilde;o prever a sua exist&ecirc;ncia, essa concess&atilde;o impede que sejam imputadas obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde; o e continuidade das redes de longa dist&acirc;ncia para a concession&aacute;ria do servi&ccedil;o de troncos e, conseq&uuml;entemente, que as verbas do FUST sejam utilizadas na expans&atilde;o do backbone IP da RNTD para levar a rede internet a todos os munic&iacute;pios do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>3. Determinar a cria&ccedil;&atilde;o de novas subsidi&aacute;rias Telebr&aacute;s, espec&iacute;ficas para explora&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&atilde;o de dados, que dever&atilde;o assumir a opera&ccedil;&atilde;o das redes IP metropolitanas da RNTD, ora sob dom&iacute;nio ilegal das concession&aacute;rias do STFC, que as est&atilde;o explorando clandestinamente.<\/p>\n<p>4. Alterar o Plano Geral de Outorgas para fazer constar a exist&ecirc;ncia da concession&aacute;ria do servi&ccedil;o de troncos e definir as &aacute;reas de concess&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&atilde;o de dados.<\/p>\n<p>5. Criar Planos de Metas de Universaliza&ccedil;&atilde; o espec&iacute;ficos para o servi&ccedil;o de troncos e para os servi&ccedil;os p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&atilde;o de dados que contenham metas detalhadas para o atendimento das institui&ccedil;&otilde;es benefici&aacute;rias dos recursos do FUST (incisos V a VIII do art. 5&ordm; da lei 9.998\/00) e priorizem o atendimento &agrave;s comunidades remotas.<br \/><strong><br \/>Taxas de fiscaliza&ccedil;&atilde;o ilegais<\/strong><\/p>\n<p>Mas, para que as coisas realmente entrem nos eixos na &aacute;rea de telecom, ser&aacute; necess&aacute;rio que o Poder Executivo publique o decreto com o Regulamento Geral dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde; es (Livro III da LGT), assim como os regulamentos espec&iacute;ficos para o STFC, SMP e SCM, ora artificialmente regidos por meras minutas de propostas de regulamentos aprovadas por resolu&ccedil;&otilde;es da Anatel que, nos termos da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, da LGT e da lei 9.649\/98, n&atilde;o possuem qualquer valor legal. Obviamente, o regulamento geral dever&aacute; estabelecer regras claras para as interconex&otilde;es entre as redes das prestadoras locais e a rede de troncos do SNT, tanto para a telefonia de longa dist&acirc;ncia quanto para os servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o de dados.<\/p>\n<p>Por for&ccedil;a do art. 150 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, o Executivo tamb&eacute;m ter&aacute; de enviar ao Congresso um projeto de lei propondo o estabelecimento dos valores que ser&atilde;o cobrados pelas concess&otilde;es, permiss&otilde;es ou autoriza&ccedil;&otilde;es para a explora&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde; es, assim como ter&aacute; de propor altera&ccedil;&otilde;es na lei 9.691\/98 para incluir os valores das taxas de instala&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o de esta&ccedil;&otilde;es do SMP e do SCM, que n&atilde;o constam na referida lei, de forma a acabar de vez com as arbitrariedades que est&atilde;o sendo praticadas pela Anatel, como no caso dos fornecedores de conex&otilde;es internet Wi-Fi que, para &quot;legalizarem&quot; as suas atividades, s&atilde;o obrigados a pagar 9 mil reais por autoriza&ccedil;&otilde;es do ainda inexistente Servi&ccedil;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia (SCM), al&eacute;m de taxas de fiscaliza&ccedil;&atilde;o (TFIs e TFEs), que jamais poderiam incidir sobre equipamentos de radia&ccedil;&atilde;o restrita aderentes ao padr&atilde;o IEEE 802.11.x, considerados como eletrodom&eacute;sticos de livre uso pela popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Cora&ccedil;&otilde;es e votos<\/strong><\/p>\n<p>O fato &eacute; que enquanto a Anatel n&atilde;o levar uma &quot;enquadrada&quot; parecida com aquela que o ministro Jobim aplicou na Anac, nada impede que a autarquia, em mais um daqueles muitos del&iacute;rios em que se imagina como sendo um quarto poder da Rep&uacute;blica, invente de cobrar taxas pela utiliza&ccedil;&atilde;o de controles remotos de TV, telefones sem fio, controles de port&otilde;es de garagens, fornos microondas e demais equipamentos vendidos em supermercados que operam em freq&uuml;&ecirc;ncias p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Assim, apenas cumprindo e fazendo o Minicom cumprir a legisla&ccedil;&atilde;o existente, Dilma Rousseff acabaria com a farra do cartel que se apoderou do Sistema Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde; es, o que incentivaria a entrada de novos investidores e a livre concorr&ecirc;ncia no mercado de telecom, especialmente nos servi&ccedil;os de redes IP. Afinal, como a LGT estabelece em seu art. 69 que a telefonia &eacute; uma modalidade de servi&ccedil;o diferente da comunica&ccedil;&atilde;o de dados e determina expressamente, em seu art. 86, que concession&aacute;rias de servi&ccedil;os p&uacute;blicos de telecomunica&ccedil;&otilde; es devem explorar exclusivamente a modalidade de servi&ccedil;o objeto de suas concess&otilde;es, isto resultaria na transfer&ecirc;ncia imediata das redes IP metropolitanas para as novas subsidi&aacute;rias Telebr&aacute;s e o fim dos monop&oacute;lios dos servi&ccedil;os de conex&otilde;es internet baseadas na tecnologia DSL. Permitiria tamb&eacute;m ao governo utilizar o backbone da Embratel e as redes IP metropolitanas para promover a inclus&atilde;o digital com recursos do FUST, sem precisar negociar ou dar s atisfa&ccedil;&otilde;es a empres&aacute;rios.<\/p>\n<p>Imagino que, pela postura irrepreens&iacute;vel demonstrada at&eacute; aqui na chefia da Casa Civil, a ministra Dilma realmente v&aacute; fazer isso, at&eacute; para conquistar os cora&ccedil;&otilde;es (e votos para a sua candidatura &agrave; Presid&ecirc;ncia em 2010) dos milh&otilde;es de cidad&atilde;os que continuam barrados do baile da internet.<\/p>\n<p><strong>Um servi&ccedil;o bizarro<\/strong><\/p>\n<p>Por&eacute;m, existe o problema da banda podre da &aacute;rea de telecom que &#8211; ap&oacute;s ter conseguido abafar com sucesso o esc&acirc;ndalo dos grampos do BNDES; a conta tucana de 150 milh&otilde;es de d&oacute;lares; a opera&ccedil;&atilde;o carnaval da PF; e duas CPIs &#8211; continua a&iacute;, firme e forte, pronta para cumprir as determina&ccedil;&otilde;es do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es vital&iacute;cio que, desde o dia 30\/7\/199, comanda o setor diretamente de sua sala localizada na capital paulista, auxiliado por alguns ex-conselheiros da Anatel.<\/p>\n<p>S&oacute; para variar, os caras est&atilde;o armando um novo cambalacho para entregar os servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o de dados (e a grana) do FUST &agrave;s concession&aacute;rias de telefonia. Contando nos dedos, esta &eacute; a terceira vez que eles tentam a mesma coisa (brasileiro n&atilde;o desiste nunca&#8230;). Na primeira tentativa, em 2001, a Anatel pegou carona em dois estranhos decretos do governo Fernando Henrique Cardoso que estabeleciam metas de universaliza&ccedil;&atilde; o gen&eacute;ricas para supostos &quot;servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde; es&quot; (decretos 3.753\/01 e 3.754\/01) e promoveu uma licita&ccedil;&atilde;o de cartas marcadas para transformar as concession&aacute;rias do STFC em fornecedoras tanto dos servi&ccedil;os de redes IP &#8211; de 290 mil computadores para 13 mil escolas p&uacute;blicas. A maracutaia acabou suspensa pela justi&ccedil;a gra&ccedil;as &agrave; interven&ccedil;&atilde;o dos deputados S&eacute;rgio Miranda e Walter Pinheiro, por viola&ccedil;&atilde;o &agrave; lei de diretrizes or&ccedil;ament&aacute;rias (LDO).<\/p>\n<p>Na segunda tentativa, que rolou em 2003, j&aacute; no governo Lula, a autarquia inventou o bizarro &quot;Servi&ccedil;o de Comunica&ccedil;&otilde;es Digitais &#8211; SCD&quot;, que serviria para interligar &quot;algo&quot; a inexistentes &quot;provedores de acesso a redes digitais de informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; internet&quot; que, na realidade, eram apenas uma fachada para ocultar o &quot;desaparecido&quot; servi&ccedil;o de troncos. Ap&oacute;s ter causado muito bate-boca entre a Anatel e diversas entidades indignadas com a tentativa do governo em querer engan&aacute;-las, a proposta de cria&ccedil;&atilde;o do SCD foi descartada pelo Minicom em 2004.<\/p>\n<p><strong>Uma sangria de R$ 6 bilh&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>Agora, parece que a banda podre perdeu o respeito de vez, ao passar por cima de dois ac&oacute;rd&atilde;os do TCU (1107\/2003 e 2.148\/2005), para tentar obter do presidente Lula a publica&ccedil;&atilde;o de um decreto estabelecendo metas de universaliza&ccedil;&atilde; o de backbones IP para as concession&aacute;rias de telefonia fixa, metas que, por lei, deveriam ser imputadas &agrave; concession&aacute;ria do servi&ccedil;o de troncos.<\/p>\n<p>Talvez a parte mais indigesta do novo cambalacho seja a alega&ccedil;&atilde;o cretina de que &quot;55 mil escolas localizadas em &aacute;reas urbanas receber&atilde;o, gratuitamente, acesso &agrave; internet por 18 anos&quot;. Que &quot;gratuidade&quot; &eacute; essa, prezado cara-p&aacute;lida? Aquela simp&aacute;tica vov&oacute; da foto do telefone que era exibida no site da ag&ecirc;ncia mandou avisar que, ao imputar ilegalmente metas de universaliza&ccedil;&atilde; o de redes IP para as concession&aacute;rias de telefonia atrav&eacute;s de decreto, o governo dar&aacute; a elas o direito de utilizarem as verbas do FUST para cobertura das parcelas de custos que n&atilde;o puderem ser recuperadas com a explora&ccedil;&atilde;o eficiente dos servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>Como gratuidades costumam representar 100% de custo e 0% de retorno financeiro e Milton Friedman nos ensinou que &quot;n&atilde;o existe almo&ccedil;o gr&aacute;tis&quot;, certamente boa parte do custo dessa &quot;caridade&quot; ser&aacute; coberta pelo chap&eacute;u alheio das tarifas p&uacute;blicas do STFC, via subs&iacute;dio cruzado e o restante, &eacute; &oacute;bvio, sair&aacute; das tetas do FUST. Segundo a vov&oacute;, em tese, a sangria dos cofres p&uacute;blicos poder&aacute; chegar at&eacute; 6 bilh&otilde;es de reais, grana mais que suficiente para espalhar fibras &oacute;pticas para tudo que &eacute; canto e, de quebra, comprar um monte de equipamentos WiMAX, para serem instalados em todas as cidades nas quais o DSL n&atilde;o for economicamente vi&aacute;vel.<\/p>\n<p><strong>&quot;Plano B&quot; para o monop&oacute;lio<\/strong><\/p>\n<p>Resumo da &oacute;pera: ap&oacute;s ter oligopolizado ilegalmente os servi&ccedil;os de redes IP nos grandes centros, o cartel das concession&aacute;rias do STFC agora quer estender os oligop&oacute;lios at&eacute; as pequenas e m&eacute;dias cidades, &quot;deletando&quot; de vez a concorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O lado ir&ocirc;nico dessa encrenca &eacute; que tudo come&ccedil;ou em 2004, quando a Anatel estava com o SCD pronto para enfiar pela goela da popula&ccedil;&atilde;o e dependia apenas de a WorldCom vender o controle da Embratel para as tr&ecirc;s concession&aacute;rias locais do STFC. Com isso, a fraude do servi&ccedil;o de troncos estaria consumada e o cartel, a partir de ent&atilde;o formado por apenas tr&ecirc;s empresas, assumiria o controle total sobre o SNT e todos n&oacute;s estar&iacute;amos agora ferrados e mal-pagos, convivendo com os tradicionais oligop&oacute;lios do STFC somados ao novo monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o de dados. A&iacute;, veio o Carlos Slim (Telmex), comprou a Embratel e colocou &aacute;gua no chope das pobrezinhas, obrigando-as a partir para um &quot;plano B&quot;, representado pela atual maracutaia, na qual as redes da Eletronet e da Petrobras ser&atilde;o utilizadas como backbone, no lugar das redes IP da Embratel, para realizarem o sonho do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es vital&iacute;cio, de finalmente consolidar o ansiado monop&oacute;lio dos servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o de dados.<\/p>\n<p><strong>Grandes emo&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>Surge ent&atilde;o a pergunta que n&atilde;o quer calar: se quase todo mundo j&aacute; sabe que as concession&aacute;rias de telefonia, incluindo a Embratel, est&atilde;o utilizando ilegalmente as redes p&uacute;blicas do SNT para explorar servi&ccedil;os em regime privado, para que a Anatel e o Minicom insistem em agir feito uma dupla de estelionat&aacute;rios- sorvet&otilde;es, bolando esses trambiques idiotas que s&oacute; servem para desmoraliz&aacute;-los ainda mais perante a popula&ccedil;&atilde;o? A vov&oacute; do telefone est&aacute; louca para saber qual &eacute; a m&aacute;gica que impede o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, a Corregedoria Geral da Uni&atilde;o e o Congresso Nacional de enxergar esse elefante fedorento estacionado na sala de estar do Minicom.<\/p>\n<p>Duvido que a ministra Dilma Rousseff embarque nessa canoa furada, que poder&aacute; at&eacute; expor o presidente Lula a um esc&acirc;ndalo ainda pior do que o dos mensal&otilde;es, j&aacute; que muitas entidades representativas, tanto de usu&aacute;rios quanto de empresas de telecom, profundamente irritados com esta nova tentativa do governo em faz&ecirc;-los de trouxas, pretendem pegar pesado em suas retalia&ccedil;&otilde;es. Tem gente falando em crime de concuss&atilde;o e estelionato, assim como existem os que pretendem denunciar o ministro H&eacute;lio Costa ao Congresso por crime de responsabilidade e por a&iacute; vai. Em suma, se ao menos uma dessas entidades resolver procurar o Minist&eacute;rio P&uacute;blico para bater de frente contra o Minicom, certamente vai voar pena para todo lado porque vai ser dif&iacute;cil algu&eacute;m explicar, de forma convincente, o motivo da Embratel n&atilde;o ter pleiteado a concess&atilde;o do servi&ccedil;o de troncos at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>Sei n&atilde;o, mas&#8230; 2008 promete come&ccedil;ar com grandes emo&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea de telecom.<\/p>\n<p>Fonte: Observat&oacute;rio da Imprensa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando come&ccedil;aram a pipocar as primeiras not&iacute;cias sobre o interesse do governo em utilizar a rede de fibras da Eletronet como backbone (backhaul) para levar internet aos mais de 90% de munic&iacute;pios do pa&iacute;s que nem sonham com banda larga, pensei aqui com os meus bot&otilde;es: ser&aacute; que a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20146\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Acordo Minicom-teles: um presente de grego para o governo<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[595],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20146"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20146\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}