{"id":20144,"date":"2008-01-04T00:00:00","date_gmt":"2008-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20144"},"modified":"2008-01-04T00:00:00","modified_gmt":"2008-01-04T00:00:00","slug":"a-tv-publica-e-os-esportes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20144","title":{"rendered":"A TV p\u00fablica e os esportes"},"content":{"rendered":"<p>Se havia d&uacute;vidas com rela&ccedil;&atilde;o ao risco de utiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o, elas foram desfeitas com as recentes declara&ccedil;&otilde;es do relator da Medida Provis&oacute;ria (MP) 398, que autoriza sua cria&ccedil;&atilde;o, deputado Wagner Pinheiro (PT-BA). Entre as medidas que ele pretende incluir em seu parecer, uma obriga as emissoras privadas de televis&atilde;o a ceder &#8211; sem nenhum custo &#8211; &agrave; TV Brasil, que &eacute; vinculada &agrave; Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e est&aacute; no ar desde 2 de dezembro, os direitos de transmiss&atilde;o de eventos de que participem equipes esportivas representando o Pa&iacute;s cuja exclusividade tenham comprado, mas n&atilde;o queiram exibir. <\/p>\n<p>Segundo Pinheiro, essa medida tem por objetivo impedir uma pr&aacute;tica bastante comum nas principais emissoras brasileiras. Em grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo, a Ta&ccedil;a Libertadores e os campeonatos mundiais de v&ocirc;lei e basquete, as maiores redes do Pa&iacute;s compram os direitos de transmiss&atilde;o de todos os jogos apenas para impedir que as redes concorrentes o fa&ccedil;am, prevenindo-se assim contra eventual perda de audi&ecirc;ncia. Pela proposta do relator, quando a emissora n&atilde;o quiser levar ao ar o jogo cujos direitos de transmiss&atilde;o comprou, ele ser&aacute; transmitido pela TV Brasil. E, se n&atilde;o quiser ceder os direitos, ser&aacute; obrigada a fazer a transmiss&atilde;o. <\/p>\n<p>&quot;Transmiss&atilde;o esportiva &eacute; um drama no Brasil. Os caras compram os campeonatos e n&atilde;o passam. Compram para boicote deles, mas t&ecirc;m de entregar para o p&uacute;blico ver&quot;, diz Pinheiro. Al&eacute;m do &quot;confisco&quot; de eventos esportivos, o relator pretende obrigar as emissoras privadas a incluir a TV Brasil em seus pacotes de TV a cabo e estabelecer limites mais r&iacute;gidos para os patroc&iacute;nios culturais, sob a justificativa de evitar o que classifica como forma disfar&ccedil;ada de publicidade comercial. &quot;Uma coisa &eacute; colocar &#39;apoio cultural da Caixa Econ&ocirc;mica Federal&#39;; outra coisa &eacute; dizer &#39;apoio da Caixa Econ&ocirc;mica Federal, onde suas aplica&ccedil;&otilde;es rendem mais&#39;. Isso &eacute; an&uacute;ncio&quot;, conclui. <\/p>\n<p>Para aumentar os recursos da TV Brasil e assegurar autonomia financeira, o relator tamb&eacute;m quer incluir em seu parecer o repasse autom&aacute;tico de parte do Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde; es (Fistel) para o caixa da Empresa Brasileira de Comunica&ccedil;&atilde;o. E pretende ainda criar o cargo de &quot;ouvidor&quot; da TV p&uacute;blica, assegurando- lhe o direito de contar com alguns minutos di&aacute;rios na programa&ccedil;&atilde;o da TV Brasil. <\/p>\n<p>A maioria dessas medidas configura uma ileg&iacute;tima tentativa de interfer&ecirc;ncia no &acirc;mbito da iniciativa privada em mat&eacute;ria de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, e deixa claro o enviesamento pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico que est&aacute; por tr&aacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de uma televis&atilde;o p&uacute;blica no Pa&iacute;s. O relator do projeto de cria&ccedil;&atilde;o da TV Brasil, por exemplo, age como se ignorasse que quase todos os grandes eventos esportivos internacionais resultam de investimentos cuidadosamente planejados por empresas das mais variadas &aacute;reas e setores. Ou seja, s&atilde;o empreendimentos cujo faturamento tem de cobrir custos de produ&ccedil;&atilde;o e remunerar acionistas. O mesmo acontece com as TVs a cabo. Tamb&eacute;m s&atilde;o empreendimentos privados, motivo pelo qual n&atilde;o faz sentido a pretens&atilde;o de que &quot;carreguem&quot; a programa&ccedil;&atilde;o da TV p&uacute;blica. <\/p>\n<p>Em boa hora a oposi&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a se mobilizar para rejeitar a MP 398. &quot;Essa MP cria muita desconfian&ccedil;a. J&aacute; tentaram controlar os jornalistas, a produ&ccedil;&atilde;o de cinema e, agora, criam uma televis&atilde;o p&uacute;blica por medida provis&oacute;ria. Qual &eacute; a urg&ecirc;ncia? Por que n&atilde;o um projeto de lei para ser debatido&quot;, diz o l&iacute;der do PSDB na C&acirc;mara, deputado Antonio Carlos Pannunzio. &quot;&Eacute; o tipo de gasto sup&eacute;rfluo, ao lado da cria&ccedil;&atilde;o de milhares de novos cargos&quot;, afirma o l&iacute;der do Democratas no Senado, Jos&eacute; Agripino. Os dois partidos j&aacute; entraram com uma A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalida de no Supremo Tribunal Federal, alegando que n&atilde;o h&aacute; nem urg&ecirc;ncia nem relev&acirc;ncia que justifique a cria&ccedil;&atilde;o da TV Brasil por medida provis&oacute;ria. <\/p>\n<p>Em diversas ocasi&otilde;es, o presidente Lula afirmou que a TV Brasil n&atilde;o seria &quot;chapa branca&quot; nem seria utilizada para proselitismo pol&iacute;tico e partid&aacute;rio. O enviesamento ideol&oacute;gico das propostas que o relator da MP 398 pretende nela incluir com apoio da base governista, contudo, n&atilde;o leva em considera&ccedil;&atilde;o as palavras de Lula. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se havia d&uacute;vidas com rela&ccedil;&atilde;o ao risco de utiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o, elas foram desfeitas com as recentes declara&ccedil;&otilde;es do relator da Medida Provis&oacute;ria (MP) 398, que autoriza sua cria&ccedil;&atilde;o, deputado Wagner Pinheiro (PT-BA). 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