{"id":20139,"date":"2008-01-08T18:18:58","date_gmt":"2008-01-08T18:18:58","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20139"},"modified":"2008-01-08T18:18:58","modified_gmt":"2008-01-08T18:18:58","slug":"alternativas-da-tv-aberta-na-era-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20139","title":{"rendered":"Alternativas da TV aberta na era digital"},"content":{"rendered":"<p> \t \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t                <\/p>\n<p>Passagem de ano serve normalmente para efeitos fiscais e para que as pessoas que estejam frustradas com seus pr&oacute;prios desempenhos possam fazer promessas de ajustamento que jamais ser&atilde;o cumpridas. Mas poucos anos ter&atilde;o sido t&atilde;o importantes quanto este que come&ccedil;a agora no que diz respeito &agrave; possibilidade de renova&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o e, mais do que isso, de toda a express&atilde;o audiovisual do pa&iacute;s. Isso ocorre n&atilde;o pela troca do calend&aacute;rio, mas pelo extraordin&aacute;rio somat&oacute;rio de conquistas tecnol&oacute;gicas e mudan&ccedil;as de h&aacute;bitos dos consumidores do produto audiovisual que acontecem neste momento.<\/p>\n<p>A aposentadoria da era da televis&atilde;o massiva, por exemplo, passa a ser bem vis&iacute;vel. Demorou mais do que se esperava porque at&eacute; h&aacute; bem pouco tempo seria dif&iacute;cil imaginar a decad&ecirc;ncia um modelo de televis&atilde;o aberta que j&aacute; precisou de 65% ou 70% do mercado para viabilizar suas produ&ccedil;&otilde;es e chegou com freq&uuml;&ecirc;ncia a passar dos 85%. Pois &quot;massivo&quot;, em televis&atilde;o aberta brasileira, hoje quer dizer 30%.<\/p>\n<p>Se Gl&oacute;ria Maria cai do Fant&aacute;stico porque o programa despencou para 21%, a culpa obviamente n&atilde;o &eacute; da apresentadora, nem de qualquer outra pessoa que esteja construindo a atra&ccedil;&atilde;o. A culpa &eacute; dos novos tempos. O programa j&aacute; flutuou acima dos 70%, mas isso n&atilde;o tornar&aacute; a acontecer, simplesmente porque o mundo mudou. S&atilde;o novos tempos irrevers&iacute;veis em que o p&uacute;blico procura outras alternativas para ver televis&atilde;o, mas sobretudo sai em busca de alternativas mais modernas &agrave; pr&oacute;pria televis&atilde;o.<\/p>\n<p>Isso &eacute; muito bom para a sociedade. A televis&atilde;o est&aacute; colhendo o que plantou &ndash; e 2008 ser&aacute; um ano de grandes colheitas. O mote de que o p&uacute;blico &eacute; burro e o conte&uacute;do que lhe &eacute; ofertado tem que ser nivelado por baixo n&atilde;o encontra respaldo em qualquer dado cient&iacute;fico. Ele &eacute; agressivo, est&uacute;pido, pernicioso e preconceituoso em rela&ccedil;&atilde;o a toda a sociedade. No Brasil, preconceito contra ra&ccedil;a, cor, sexo ou religi&atilde;o pode levar o ofensor &agrave; cadeia. Mas preconceito que engloba tudo isso, n&atilde;o. Durante muitos anos, a televis&atilde;o se viu livre para afirmar que p&uacute;blico &eacute; gado &ndash; e induziu sua audi&ecirc;ncia a agir como tal, livrando-se de qualquer tra&ccedil;o de auto-estima.<\/p>\n<p><strong>Foto no museu<\/strong><\/p>\n<p>O espectador tornou-se mesmo robotizado, incapaz de exprimir seu gosto porque o que ele conhecia da televis&atilde;o era o que a televis&atilde;o lhe ofertava. O que o meio espelhava n&atilde;o era a sociedade que estava fora dos est&uacute;dios, mas os construtores da programa&ccedil;&atilde;o, que estavam dentro deles. A burrice que justificava o baixo n&iacute;vel, enfim, n&atilde;o estava em quem via televis&atilde;o, e sim em quem a fazia.<\/p>\n<p>Mas a internet come&ccedil;ou a mudar tudo. Sugeriu a possibilidade de outras op&ccedil;&otilde;es. Tornou poss&iacute;vel ao usu&aacute;rio buscar o que ele desejava, e n&atilde;o ser obrigado a seguir um card&aacute;pio estupidificante. Em menos de dez anos, criou uma sociedade mais informada que qualquer outra no passado. Abriu a possibilidade de novas gera&ccedil;&otilde;es exigirem alguma coisa da m&iacute;dia que est&atilde;o consumindo, em vez de se deixarem levar, passivamente, para um processo de lobotomia.<\/p>\n<p>Os jovens ca&iacute;ram fora da televis&atilde;o, tal como a conhecemos hoje, e os filhos desses jovens v&atilde;o um dia lhes agradecer por isso. A s&iacute;ndrome da <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/A_Cauda_Longa\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">cauda longa<\/a> se confirmou e a sociedade cada vez mais busca a sua praia. A televis&atilde;o, que por tanto tempo tratou seu p&uacute;blico como um bando de ot&aacute;rios, v&ecirc;-se agora na conting&ecirc;ncia de ser ela mesma a ot&aacute;ria dos novos tempos. Se neste instante for feita uma fotografia do que ela oferece a esse p&uacute;blico, essa foto estar&aacute; em breve estampada num museu, servindo para que as novas gera&ccedil;&otilde;es riam um pouco e debochem da ingenuidade de seus pais.<\/p>\n<p><strong>A garotada que n&atilde;o &eacute; gado<\/strong><\/p>\n<p>Uma forma de transferir responsabilidades &eacute; agarrar-se &agrave; id&eacute;ia de que a TV det&eacute;m ainda o monop&oacute;lio da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual e insistir que as teles, por exemplo, cometem crime ao seguir este caminho. Esta &eacute; a segunda grande transforma&ccedil;&atilde;o que os pr&oacute;ximos dias nos reservam. Produzir e difundir audiovisual n&atilde;o &eacute; mais privil&eacute;gio de ningu&eacute;m. Imaginar que seja equivale a dizer-se capaz de impedir a tempestade.<\/p>\n<p>A tempestade da web TV, ali&aacute;s, &eacute; a terceira das grandes transforma&ccedil;&otilde;es que o brasileiro estar&aacute; experimentando em sua nova rela&ccedil;&atilde;o com a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual. A TV que vinha pelo ar, pelo cabo ou por sat&eacute;lite j&aacute; est&aacute; em cada computador. N&atilde;o &eacute;, a rigor, a mesma TV. S&atilde;o mais de 3 mil canais, que muito em breve ser&atilde;o 30 mil, que cada usu&aacute;rio pode acessar agora mesmo. Quem tem banda larga de 1 MB vendida no Brasil vai achar que a qualidade n&atilde;o &eacute; perfeita. Mas na Europa, no Jap&atilde;o e nos EUA a oferta desses servi&ccedil;os est&aacute; hoje em mais de 20 MB. A imagem que vem pela rede em nada difere da que vem por qualquer dos caminhos que morrem no receptor de TV.<\/p>\n<p>A TV por protocolo internet, ali&aacute;s, n&atilde;o vem apenas pela web. Vem tamb&eacute;m pela linha telef&ocirc;nica, atrav&eacute;s dos servi&ccedil;os de IPTV, que v&atilde;o tirar proveito da grande capilaridade montada pelos provedores de telefonia fixa. Caber&aacute; a eles, &eacute; claro, decidir se ir&atilde;o repicar o que a TV tem sugerido a seu p&uacute;blico &ndash; ou se olhar&atilde;o para a garotada mais esperta, mais informada, que decidiu n&atilde;o ser gado e ir atr&aacute;s da sua turma.<\/p>\n<p>Entre os instrumentos que poder&atilde;o encorajar mecanismos mais modernos do usu&aacute;rio se relacionar com o produto audiovisual que consome, v&atilde;o entrar agora as modifica&ccedil;&otilde;es na estrutura da TV por assinatura no pa&iacute;s. Tal coisa &eacute; devida &agrave; sociedade desde que a TV por assinatura se instalou no pa&iacute;s, h&aacute; 16 anos. A vota&ccedil;&atilde;o do PL 29\/2007 ficou para 2008, ano em que ter&atilde;o in&iacute;cio tamb&eacute;m as discuss&otilde;es para uma nova lei de comunica&ccedil;&atilde;o de massa. O relator Jorge Bittar (PT-RJ) apresentar&aacute; em fevereiro o substitutivo final a esse PL, que poder&aacute; sofrer mais de 100 emendas. &Eacute; inevit&aacute;vel, por&eacute;m, que tanto as programadoras quanto as operadoras tenham que assumir compromissos com a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual brasileira, coisa da qual sempre estiveram livres.<\/p>\n<p>O projeto prev&ecirc; cotas para a produ&ccedil;&atilde;o nacional (50% em canais brasileiros, 10% em canais estrangeiros), o que pode ser aprimorado fazendo-se o que h&aacute; muito deveria ter sido feito: estendendo-se cotas para o volume total de programa&ccedil;&atilde;o ofertado pela operadora.<\/p>\n<p><strong>Procurando quem fale sua l&iacute;ngua<\/strong><\/p>\n<p>A ABTA (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TV por Assinatura) reagiu, sustentando que o p&uacute;blico vai pagar pelo que n&atilde;o quer ver. Contudo, isso &eacute; precisamente o que acontece agora. A TV por assinatura no Brasil teve um desempenho p&iacute;fio nesse tempo todo (acaba de atingir os 5 milh&otilde;es de assinantes) justamente por ter sido montada tendo as operadoras como n&uacute;cleo, e n&atilde;o os produtores de conte&uacute;do.<\/p>\n<p>O fato &eacute; que o p&uacute;blico, quanto mais jovem for, menos gostar&aacute; que lhe digam o que ele deve ver e mais buscar&aacute; seus nichos de interesse. Nesse particular, a TV aberta brasileira se comporta hoje como um perfeito d&eacute;bil mental. &Eacute; o Tio Sukita de toda uma gera&ccedil;&atilde;o que optou pelo iPod, pelo UGC, que foi explorar a cauda longa.<\/p>\n<p>Esta gera&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o acha que tem que ver a mesma novela para se sentir parte da sociedade. O que ela acredita &eacute; que ver a mesma coisa que todo mundo &eacute; mico, que a sua participa&ccedil;&atilde;o na sociedade consiste em ir atr&aacute;s do que lhe parece melhor, mais afinado com os seus gostos e os seus princ&iacute;pios.<\/p>\n<p>Se algu&eacute;m a trata como retardada mental, ela simplesmente vira as costas e vai procurar quem fale a sua l&iacute;ngua. H&aacute; quatro anos, 70% dos brasileiros n&atilde;o tinham essa possibilidade. Hoje s&atilde;o 20%. Antes que 2008 acabe, ser&atilde;o muito menos.<\/p>\n<p>Agora, a televis&atilde;o brasileira tem duas alternativas. A primeira &eacute; mudar radicalmente para trazer de volta um p&uacute;blico que se tornou muit&iacute;ssimo mais qualificado. A outra &eacute; definhar na pasmaceira enquanto os outros meios ocupam o seu lugar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passagem de ano serve normalmente para efeitos fiscais e para que as pessoas que estejam frustradas com seus pr&oacute;prios desempenhos possam fazer promessas de ajustamento que jamais ser&atilde;o cumpridas. 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