{"id":20132,"date":"2008-01-07T00:00:00","date_gmt":"2008-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20132"},"modified":"2008-01-07T00:00:00","modified_gmt":"2008-01-07T00:00:00","slug":"as-relacoes-entre-esfera-publica-e-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20132","title":{"rendered":"As rela\u00e7\u00f5es entre esfera p\u00fablica e democracia"},"content":{"rendered":"<p><em>Professora assistente da Universidade Federal de Sergipe e doutoranda no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia Sociais da Universidade Federal da Bahia, Messiluce da Rocha Hansen tem conseguido alcan&ccedil;ar, nos &uacute;ltimos sete anos, patamares de prest&iacute;gio na comunidade acad&ecirc;mica dos estudos das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/p>\n<p>Tendo publicado em 2007 seu primeiro livro, &ldquo;Esfera p&uacute;blica, democracia e jornalismo&rdquo;, Messiluce Hansen tem experi&ecirc;ncia na &aacute;rea de Teoria Pol&iacute;tica Contempor&acirc;nea, atuando principalmente nos temas que envolvem cidadania e representa&ccedil;&otilde;es sociais.<\/p>\n<p>Em entrevista para o Boletim de Not&iacute;cias da Rede Eptic, a professora fala sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre liberdade de imprensa e democracia, destaca o processo de monopoliza&ccedil;&atilde;o das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o e defende a pluralidade de discurso na esfera p&uacute;blica. Messiluce trata ainda do surgimento da rede p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, abordando o panorama do mercado de televis&atilde;o, e revela que a TV p&uacute;blica pode proporcionar maior participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. Confira na &iacute;ntegra a conversa:<\/em><br \/><strong><br \/>*<\/p>\n<p>Em seu livro &#8211; Esfera P&uacute;blica, Democracia e Jornalismo -, a senhora estabelece uma estreita liga&ccedil;&atilde;o entre liberdade de imprensa e democracia. Como se estabelece a rela&ccedil;&atilde;o entre liberdade de empresa e liberdade de imprensa?<br \/><\/strong>&Eacute; preciso fazer uma pequena contextualiza&ccedil;&atilde;o, salientando, mesmo que de forma bastante breve e superficial, a rela&ccedil;&atilde;o que h&aacute; entre o modelo de democracia liberal e capitalismo. Existe, no pr&oacute;prio nascedouro da imprensa profissional, uma estreita rela&ccedil;&atilde;o entre as liberdades civis, entendidas como liberdades de express&atilde;o, de opini&atilde;o e de reuni&atilde;o, a contesta&ccedil;&atilde;o ao poder vigente e a pr&oacute;pria defesa que a burguesia faz do modelo de democracia liberal, incorporando tamb&eacute;m os elementos do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista.<\/p>\n<p>H&aacute; uma &ecirc;nfase tamb&eacute;m na liberdade de empresa, que &eacute; a liberdade que as pessoas t&ecirc;m de trabalharem e produzirem o capital. Isso tem gerado confus&atilde;o no tratamento da liberdade de imprensa, porque muitas vezes se confunde liberdade de imprensa, que &eacute; uma liberdade institucional ancorada nas liberdades civis, com a liberdade de empresa, que &eacute; a liberdade para atuar no mercado.&nbsp;Percebe-se, sobretudo a partir da d&eacute;cada de 60, um processo de monopoliza&ccedil;&atilde;o das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, onde o setor de comunica&ccedil;&atilde;o vai ser, n&atilde;o apenas dominado por empresas capitalistas, mas tamb&eacute;m por um n&uacute;mero cada vez mais restrito de empresas de comunica&ccedil;&atilde;o. Isso constr&oacute;i um modelo social bastante complexo e, do ponto de vista democr&aacute;tico das liberdades democr&aacute;ticas e civis, &eacute; preocupante, porque se trata de uma amea&ccedil;a significativa a um dos elementos fundamentais da democracia, que &eacute; a liberdade de express&atilde;o e de opini&atilde;o, e &agrave; presen&ccedil;a de uma pluralidade de discursos na esfera p&uacute;blica.<\/p>\n<p>A import&acirc;ncia dessa pluralidade de discurso na esfera p&uacute;blica &eacute; a exist&ecirc;ncia de uma diversidade de abordagens, de discursos ideol&oacute;gicos que permitam que as pessoas que consomem informa&ccedil;&atilde;o pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa possam formar, de maneira cr&iacute;tica e aut&ocirc;noma, a sua opini&atilde;o. &Eacute; preocupante quando se tem um quadro em que as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o capitalistas dominam limitam o que pode ser difundido e divulgado na esfera p&uacute;blica.<\/p>\n<p>A rela&ccedil;&atilde;o que eu fa&ccedil;o entre a liberdade de imprensa e a liberdade de empresa &eacute; exatamente a partir de um posicionamento cr&iacute;tico. Atualmente, se observarmos tratados internacionais que abordam a quest&atilde;o da liberdade de informa&ccedil;&atilde;o e liberdade de comunica&ccedil;&atilde;o, perceberemos que elas se ap&oacute;iam em elementos da democracia liberal, na defesa dos princ&iacute;pios e valores capitalista, defendendo livre fluxo da mercadoria informa&ccedil;&atilde;o, sem atentar, por exemplo, para um aspecto fundamental, que &eacute; a liberdade de comunica&ccedil;&atilde;o. Esta, com uma base muito mais social, abrindo tamb&eacute;m uma perspectiva para a participa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas dos setores capitalistas da comunica&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m daqueles setores n&atilde;o privados da comunica&ccedil;&atilde;o, dos setores da sociedade civil.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, o aspecto que eu poderia pontuar &eacute; exatamente essa quest&atilde;o de que hoje h&aacute; uma defesa, inclusive dentro das normas vigentes, da liberdade de empresa, e que essa liberdade de empresa n&atilde;o garante a efetiva liberdade de express&atilde;o, de opini&atilde;o, de manifesta&ccedil;&atilde;o na sociedade complexa como a nossa.<\/p>\n<p><strong>A senhora ressalta em seus textos que os canais sociais de publicidade s&atilde;o uma das principais arenas de conflitos travadas a n&iacute;veis simb&oacute;licos e acabam desenvolvendo uma distribui&ccedil;&atilde;o desigual do poder. N&oacute;s podemos relacionar esse evento &agrave; decad&ecirc;ncia da esfera p&uacute;blica?<\/strong><br \/>A tese da decad&ecirc;ncia da esfera p&uacute;blica foi uma tese desenvolvida pelo Habermas, ainda na d&eacute;cada de 60, em um livro cl&aacute;ssico dele, &ldquo;A Estrutura&ccedil;&atilde;o da Esfera P&uacute;blica Burguesa&rdquo;, onde ele falava que a vig&ecirc;ncia dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa e a ind&uacute;stria cultural teriam contribu&iacute;do para o esvaziamento normativo da esfera p&uacute;blica. Nesse sentido, a opini&atilde;o j&aacute; n&atilde;o era formada pelo conjunto da sociedade em uma discuss&atilde;o p&uacute;blica e racional, ela teria se transmudado numa opini&atilde;o constru&iacute;da de cima para baixo, imposta pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa.<\/p>\n<p>Posteriormente, Habermas reviu essa quest&atilde;o, porque sua tese inicial n&atilde;o lidava com a pr&oacute;pria complexidade da esfera p&uacute;blica e a complexidade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa. Isso porque ele n&atilde;o entrava na min&uacute;cia, por exemplo, da presen&ccedil;a de sistemas p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&atilde;o, r&aacute;dios e TVs p&uacute;blicas, nem dos canais de comunica&ccedil;&atilde;o alternativos da sociedade civil, as chamada r&aacute;dios livres. Ele n&atilde;o avaliou os detalhes da pequena imprensa diante de um quadro dominado pelas grandes corpora&ccedil;&otilde;es. H&aacute; ainda uma presen&ccedil;a marcante dos movimentos sociais e seu trabalho na constru&ccedil;&atilde;o de uma opini&atilde;o p&uacute;blica informada e cr&iacute;tica.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, a partir desse marco, que se coloca a partir da d&eacute;cada de 80, quando Habermas vai adotar uma teoria mais pragm&aacute;tica da sua teoria da a&ccedil;&atilde;o comunicativa, ele rev&ecirc; seu pr&oacute;prio conceito de esfera p&uacute;blica, que passa a ser visto como redes de esferas p&uacute;blicas, abarcando a esfera p&uacute;blica institucional do Estado, a esfera p&uacute;blica da sociedade civil propriamente dita, onde est&atilde;o inclu&iacute;dos os movimentos sociais, e a esfera p&uacute;blica formada pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa.<\/p>\n<p>Esses tr&ecirc;s modelos de esfera p&uacute;blica se interconectam. Para que o movimento social consiga ganhar visibilidade, ele precisa estabelecer press&atilde;o sobre a esfera p&uacute;blica midi&aacute;tica, de forma que o seu discurso ganhe resson&acirc;ncia social. Mas, n&atilde;o importa apenas a ele ganhar resson&acirc;ncia social e ganhar legitimidade frente &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica. Eles tamb&eacute;m precisam pressionar a esfera p&uacute;blica do Estado formal, pois &eacute; nessa esfera que eles v&atilde;o ter suas demandas atendidas, seja em a&ccedil;&otilde;es do executivo ou a&ccedil;&otilde;es do legislativo. Nesse aspecto, os canais sociais de publicidade s&atilde;o importantes porque far&atilde;o com que as quest&otilde;es pol&ecirc;micas da sociedade possam ser problematizadas.<\/p>\n<p>H&aacute; uma resolu&ccedil;&atilde;o consensual do conflito, que pode gerar ou n&atilde;o a&ccedil;&otilde;es na esfera p&uacute;blica do Estado. &Eacute; isso que vai interessar aos movimentos sociais e &agrave; sociedade civil organizada. Mas acho que o principal fator a salientar &eacute; que a esfera p&uacute;blica n&atilde;o decaiu, n&atilde;o est&aacute; morta. Ela mudou, se complexificou. Para entender a sua complexidade, &eacute; preciso entender tanto a complexidade do sistema midi&aacute;tico, nas suas subdivis&otilde;es; o papel efetivo da sociedade civil e dos movimentos sociais no processo de luta constante pela democracia e a complexidade do pr&oacute;prio Estado e a necessidade que este tem para se manter democr&aacute;tico.<\/p>\n<p><strong>Quais as rela&ccedil;&otilde;es entre o p&uacute;blico e o privado no mercado de televis&atilde;o no Brasil? Como a senhora observa os processo de implanta&ccedil;&atilde;o de um modelo p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o no pa&iacute;s?<br \/><\/strong>&Eacute; preciso notar que vivemos um per&iacute;odo em que h&aacute; o surgimento de uma nova plataforma digital, que tem possibilitado um maior acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o necessariamente jornal&iacute;stica, filtradas pelo jornalismo, mas tamb&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es que a pr&oacute;pria sociedade organizada passa a oferecer de forma direta. O problema &eacute; que o acesso &agrave; Internet ainda &eacute; muito restrito no Brasil. Atinge esferas restritas da classe m&eacute;dia, que tem poder aquisitivo para consumir esses produtos e para ter acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para isso.<\/p>\n<p>Um elemento fundamental &eacute; que a maioria das informa&ccedil;&otilde;es sobre a pol&iacute;tica &eacute; difundida pela TV. E n&oacute;s, no Brasil, tivemos um modelo de televis&atilde;o dominado pelo modelo comercial. Nosso modelo de televis&atilde;o &eacute; um modelo de concess&atilde;o p&uacute;blica, mas essa concess&atilde;o p&uacute;blica &eacute; concedida a empresas privadas que desempenham esse papel, um papel fundamental na democracia, porque eles t&ecirc;m o papel de manter essa rela&ccedil;&atilde;o entre a esfera do Estado e a sociedade como um todo.<\/p>\n<p>&Eacute; interessante notar, por exemplo, o surgimento agora dessa discuss&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o de uma rede p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; mais um fator que traz novos elementos para se refletir sobre a oferta de informa&ccedil;&atilde;o na nossa sociedade, porque no modelo aberto de TV p&uacute;blica, a sociedade civil tem uma maior participa&ccedil;&atilde;o, seja na coordena&ccedil;&atilde;o dessa institui&ccedil;&atilde;o, no controle de institui&ccedil;&atilde;o, ou seja, na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. Isso vai fazer com que aquele aspecto fundamental do funcionamento de uma esfera p&uacute;blica possa realmente come&ccedil;ar a ganhar novos nativos.<\/p>\n<p>Pode-se haver uma situa&ccedil;&atilde;o em que a entrada de uma rede p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o, somada &agrave; rede j&aacute; estatal de comunica&ccedil;&atilde;o e &agrave; rede comercial de comunica&ccedil;&atilde;o, possa ampliar os espectros dos discursos e das informa&ccedil;&otilde;es que circulam na nossa sociedade. Isso vai fazer com que, pelo menos em tese, o cidad&atilde;o possa ter acesso a uma gama mais diversificada de enfoques sobre os acontecimentos. Este &eacute; um elemento fundamental porque a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um instrumento fundamental para a forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o individual e para a forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica de uma forma cr&iacute;tica, de uma forma aut&ocirc;noma, e &eacute; atrav&eacute;s dessa opini&atilde;o que n&oacute;s vamos, enquanto cidad&atilde;os, tomar decis&otilde;es importantes sobre os destinos de nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, o grande elemento &eacute; ver como vai se configurar esse quadro, de que essa esfera p&uacute;blica midi&aacute;tica possa agora contar com um novo integrante que venha trazer uma maior diversidade para essa esfera de publicidade, que &eacute; a esfera p&uacute;blica midi&aacute;tica. No processo de licita&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV, um elemento que &eacute; fundamental &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o local e a regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; um que, se as ag&ecirc;ncias respons&aacute;veis e o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es fossem levar a rigor, poderia levar inclusive a uma suspens&atilde;o de uma concess&atilde;o, j&aacute; que a maioria das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o regionalizam a sua produ&ccedil;&atilde;o. A principal justificativa dada pelas grandes redes &eacute; que n&atilde;o haveria capital humano qualificado para produzir esse conte&uacute;do, o que pode ser facilmente contestado pelo crescimento do n&uacute;mero de cursos superiores na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o apenas de jornalismo, mas tamb&eacute;m da publicidade, rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, etc.<\/p>\n<p>Um outro elemento &eacute; que as empresas cabe&ccedil;as de rede, como o SBT e a Rede Globo, que s&atilde;o empresas privadas, acabam centralizando suas produ&ccedil;&otilde;es nos seus pr&oacute;prios eixos, nas suas regi&otilde;es sedes no Sudeste, a depender de onde a empresa esteja fixada, o que leva a uma vis&atilde;o muitas vezes deturpada e desigual da riqueza cultural brasileira. A multiculturalidade brasileira n&atilde;o ganha efetivamente express&atilde;o na nossa produ&ccedil;&atilde;o cultural, especialmente a televisada, e quando ganha, muitas vezes &eacute; de forma estereotipadas.<\/p>\n<p><strong>Como a comunidade acad&ecirc;mica pode contribuir no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>A comunidade acad&ecirc;mica pode contribuir de v&aacute;rias formas. Uma delas &eacute; atrav&eacute;s da pesquisa, conhecendo a realidade e, quando poss&iacute;vel, diagnosticando essa realidade, onde o aspecto de gerar conhecimento &eacute; fundamental. Uma outra forma &eacute; na qualifica&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra, j&aacute; que os professores atuam na forma&ccedil;&atilde;o da pessoa que ir&aacute; trabalhar no mercado de comunica&ccedil;&atilde;o, visando uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade, com uma &ecirc;nfase na &eacute;tica, na responsabilidade civil e social, trabalhando com a criatividade. A academia tem a possibilidade de, n&atilde;o apenas diagnosticar o presente, mas tamb&eacute;m de tra&ccedil;ar bases para o futuro, de trazer elementos que colocam a academia em um papel fundamental de gerar conhecimento e de capacitar as futuras gera&ccedil;&otilde;es para atuar nesse mercado.<\/p>\n<p>Do ponto de vista dos estudantes de Comunica&ccedil;&atilde;o, o primeiro aspecto &eacute; tornar-se um sujeito cr&iacute;tico, tornar-se um cidad&atilde;o cr&iacute;tico ativo. Se voc&ecirc;, em sua base, &eacute; um cidad&atilde;o cr&iacute;tico ativo, voc&ecirc; ser&aacute; tamb&eacute;m um jornalista cr&iacute;tico. &Eacute; claro que h&aacute; restri&ccedil;&otilde;es do mercado, mas a criatividade tamb&eacute;m nos ajuda a vislumbrar novos espa&ccedil;os de atua&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o sejam na m&iacute;dia comercial. H&aacute; uma crescente necessidade da sociedade de ter assessores de comunica&ccedil;&atilde;o qualificados, a exemplo das ONG&rsquo;s, a exemplo dos movimentos sociais, e &eacute; interessante notar como esses setores est&atilde;o se profissionalizando e buscando tamb&eacute;m profissionais para que possam estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o mais efetiva com a sociedade. Ent&atilde;o, n&oacute;s fazemos aquele retorno aos canais sociais de publicidade, que h&aacute; uma necessidade tamb&eacute;m de maior qualifica&ccedil;&atilde;o da sociedade civil para atuar em uma sociedade complexa, que depende de comunica&ccedil;&atilde;o, que depende de informa&ccedil;&atilde;o de qualidade, porque &eacute; atrav&eacute;s dessa visibilidade que os movimentos sociais da sociedade civil v&atilde;o legitimar as suas demandas, legitimar os seus discursos. Eu acho que um aspecto fundamental nessa discuss&atilde;o &eacute; a contribui&ccedil;&atilde;o que a academia pode dar, na gera&ccedil;&atilde;o de conhecimento, na prospec&ccedil;&atilde;o de futuros poss&iacute;veis de uma esfera p&uacute;blica mais ativa, de meios de comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;ticos.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><em>Colabora&ccedil;&atilde;o: Joanne Mota (graduanda do curso de Radialismo da UFS e bolsista de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do Obscom)<\/em> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;A liberdade de empresa n\u00e3o garante a efetiva liberdade de express\u00e3o&#8217;. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[587],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20132"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20132\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}