{"id":20112,"date":"2007-12-17T00:00:00","date_gmt":"2007-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20112"},"modified":"2007-12-17T00:00:00","modified_gmt":"2007-12-17T00:00:00","slug":"democracia-e-comunicacao-39-anos-depois-do-ai-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20112","title":{"rendered":"Democracia e Comunica\u00e7\u00e3o: 39 anos depois do AI-5"},"content":{"rendered":"<p>Dia 13 de dezembro de 1968, uma sexta-feira. Foi nesse dia que a ditadura empresarial-militar decretou o infame AI-5, suspendendo as garantias individuais mais b&aacute;sicas e legalizando a opress&atilde;o do Estado. A tortura foi efetivada como sistema de controle. Ser comunista era sin&ocirc;nimo de bandido.<\/p>\n<p>N&atilde;o sejamos inocentes. O golpe n&atilde;o veio para acabar com o &quot;socialismo&quot; de Jango. Ele veio, como demonstra Ren&eacute; Dreifuss em seu cl&aacute;ssico &quot;1964: A Conquista do Estado&quot;, para facilitar a implanta&ccedil;&atilde;o das multinacionais no pa&iacute;s. As medidas socialistas de Jango eram: aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo, reforma agr&aacute;ria, controle sobre as remessas de lucros, etc. Nada que os pa&iacute;ses capitalistas n&atilde;o fazem\/fizeram. Os militares foram apenas os testas-de-ferro, que toparam fazer o servi&ccedil;o sujo para que certos empres&aacute;rios ganhassem muito dinheiro, ontem e hoje.<\/p>\n<p>Vale lembrar que as corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia apoiaram o golpe e a ditadura que sequestrou, torturou e matou milhares de brasileiros. Not&iacute;cias eram omitidas ou distorcidas conforme os interesses dos pol&iacute;ticos e empres&aacute;rios que se beneficiavam com o controle do Estado. Enquanto isso, setores estrat&eacute;gicos foram abandonados, como Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de. Outros foram perigosamente submetidos aos interesses estadunidenses, como Energia, Comunica&ccedil;&otilde;es e Transportes, al&eacute;m das pr&oacute;prias For&ccedil;as Armadas.<\/p>\n<p>O Brasil de hoje &eacute; resultado direto do autoritarismo decretado pelo AI-5. Trinta e nove anos depois, pouco mudou. O modelo continua concentrador de renda, exportador e extremamente violento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s classes subalternizadas. A disputa pela CPMF deixa isso bastante claro, seja por aquilo que explicita, seja pelas implica&ccedil;&otilde;es omitidas. O PT, que antes era contra a tarifa, agora &eacute; a favor. Diz que o povo n&atilde;o pode ficar sem os 40 bilh&otilde;es da arrecada&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o caso de perguntar: e antes, podia? J&aacute; PFL e PSDB, criadores do imposto, agora votam contra. Ou seja, as grandes iniciativas de que o pa&iacute;s precisa s&atilde;o substitu&iacute;das por essa pequeneza pol&iacute;tica t&atilde;o hip&oacute;crita quanto infame. Objetivamente falando, o que dizer de um presidente que envia carta ao presidente do Congresso garantindo que a CPMF seria usada na Sa&uacute;de, como se esta j&aacute; n&atilde;o fosse sua destina&ccedil;&atilde;o legal? Por que n&atilde;o inverter a problem&aacute;tica e jogar com a sinceridade, presidente? &Eacute; preciso ser um estadista para afirmar, e cumprir, que em nome da Constitui&ccedil;&atilde;o, temos abandonar o super&aacute;vit prim&aacute;rio porque o povo n&atilde;o pode morrer nas filas dos hospitais. Os especuladores podem esperar, eles j&aacute; possuem muitos milh&otilde;es de d&oacute;lares.<\/p>\n<p>Na verdade, o AI-5 nunca foi revogado. Enquanto existirem 72 milh&otilde;es de brasileiros em situa&ccedil;&atilde;o de &quot;inseguran&ccedil;a alimentar&quot;, conforme divulgou o IBGE no ano passado, a mem&oacute;ria daquela sexta-feira 13 voltar&aacute; a assombrar o povo brasileiro. Enquanto o sal&aacute;rio m&iacute;nimo for a quarta parte do m&iacute;nimo necess&aacute;rio para sobreviver, n&atilde;o se pode dizer que o trabalhador brasileiro tem suas garantias individuais preservadas. Enquanto m&iacute;seros 26% compreenderem aquilo que l&ecirc;em, os golpistas de 64 estar&atilde;o no comando do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Para come&ccedil;ar a reverter esse estado de coisas, &eacute; preciso democratizar a m&iacute;dia no Brasil. Os avan&ccedil;os ser&atilde;o sempre t&iacute;midos e insuficientes enquanto a esquerda n&atilde;o encarar a disputa das representa&ccedil;&otilde;es. &Eacute; preciso entender que a m&iacute;dia, hoje, &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o com maior poder de produ&ccedil;&atilde;o de subjetividades. H&aacute; outras, como a escola, a universidade, a fam&iacute;lia e etc., mas a m&iacute;dia &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o mais poderosa porque atravessa todas as outras. E produzir subjetividades significa nada menos do que determinar formas de sentir, agir e viver. E votar. Enquanto o pa&iacute;s for dominado por uma m&iacute;dia de direita, brutalmente concentrada e a servi&ccedil;o da explora&ccedil;&atilde;o do povo, estaremos sempre em desvantagem. Por outro lado, se conseguirmos viabilizar novas formas de comunicar, fiscalizar a destina&ccedil;&atilde;o das verbas p&uacute;blicas de publicidade e exigir que elas sejam igualmente distribu&iacute;das e garantir acesso &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o a todos os setores da sociedade, conseguiremos avan&ccedil;ar exponencialmente em todas as nossas batalhas.<\/p>\n<p>Ou a esquerda entra de cabe&ccedil;a na luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, ou ser&aacute; esmagada pelas for&ccedil;as do capital. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 13 de dezembro de 1968, uma sexta-feira. Foi nesse dia que a ditadura empresarial-militar decretou o infame AI-5, suspendendo as garantias individuais mais b&aacute;sicas e legalizando a opress&atilde;o do Estado. A tortura foi efetivada como sistema de controle. Ser comunista era sin&ocirc;nimo de bandido. N&atilde;o sejamos inocentes. 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