{"id":20092,"date":"2007-12-18T18:00:26","date_gmt":"2007-12-18T18:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20092"},"modified":"2014-09-07T02:54:44","modified_gmt":"2014-09-07T02:54:44","slug":"pesquisa-revela-que-emissoras-ultrapassam-limite-de-publicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20092","title":{"rendered":"Pesquisa revela que emissoras ultrapassam limite de publicidade"},"content":{"rendered":"<p>Qualquer um que use o controle remoto para &ldquo;zapear&rdquo; entre os canais de TV aberta pode facilmente identificar o excesso de propaganda. Apesar de o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es limitar ao m&aacute;ximo de 25% do tempo de programa&ccedil;&atilde;o a quantidade de publicidade que pode ser veiculada por emissoras de televis&atilde;o, n&atilde;o s&atilde;o raros os canais que se dedicam exclusivamente ao com&eacute;rcio eletr&ocirc;nico.<\/p>\n<p>A equipe do Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o acompanhou 24 horas da programa&ccedil;&atilde;o de quatro canais de televis&atilde;o aberta de S&atilde;o Paulo: Rede Brasileira de Informa&ccedil;&atilde;o &ndash; RBI (canal 14 UHF), MixTV(canal 16), PlayTV (canal 21) e ShopTour (canal 46). A pesquisa confirma que todos estes canais violam a legisla&ccedil;&atilde;o, ultrapassando o tempo m&aacute;ximo de publicidade permitido.<\/p>\n<p>Em alguns casos, h&aacute; leil&otilde;es de j&oacute;ias e tapetes. Em outros, s&atilde;o horas ininterruptas de comerciais com apresentadores animados &ldquo;entrevistando&rdquo; gerentes de lojas de todos os tipos, que ainda oferecem descontos especiais para os &ldquo;espectadores&rdquo;. E h&aacute;, ainda, os programas de at&eacute; 30 minutos que apresentam um &uacute;nico produto &ndash; um grill, um aparelho de gin&aacute;stica, uma c&acirc;mera digital. Ao final, claro, o n&uacute;mero do servi&ccedil;o de tele-vendas.<\/p>\n<p>Traduzindo em n&uacute;meros, o monitoramento indicou que 62,5% da programa&ccedil;&atilde;o da RBI &eacute; dedicada ao com&eacute;rcio eletr&ocirc;nico. S&atilde;o 15 horas di&aacute;rias de comerciais dos mais variados produtos e servi&ccedil;os e 9 horas de programas religiosos, um programa de &ldquo;not&iacute;cias&rdquo; de uma hora e meia, com entrevistas, e videoclipes musicais &ldquo;emprestados&rdquo; da MixTV. <\/p>\n<p>A MixTV, por sua vez, divide sua programa&ccedil;&atilde;o entre atra&ccedil;&otilde;es caracterizadas como de &ldquo;varejo&rdquo; e &ldquo;jovem&rdquo;. A faixa batizada &ldquo;jovem&rdquo; ocupa menos de 10% do conte&uacute;do da emissora e consiste, basicamente, em programas de videoclipes. <\/p>\n<p>J&aacute; a PlayTV veicula cerca de dez horas di&aacute;rias de programas comerciais, ultrapassando, portanto, em quatro horas o limite estabelecido para publicidade. Os demais programas &ndash; basicamente videoclipes musicais, desenhos animados e programas religiosos &ndash; s&atilde;o ainda intercalados por comerciais. Ou seja, a viola&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda maior.<\/p>\n<p>O mais expl&iacute;cito e conhecido caso, por&eacute;m, &eacute; do canal ShopTour, com programa&ccedil;&atilde;o composta exclusivamente por publicidade. O sinal da emissora atinge cerca de 50 munic&iacute;pios de 10 estados brasileiros. A empresa veicula desde 1987 programas de vendas em diversas emissoras e, em seu canal pr&oacute;prio, oferece para o espectador 24h de comerciais. <\/p>\n<p><strong>A&ccedil;&atilde;o na Justi&ccedil;a<\/p>\n<p><\/strong>RBI, ShopTour e MixTV s&atilde;o alvo de uma A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica (ACP) que exige adequa&ccedil;&atilde;o destes canais, que operam na televis&atilde;o aberta de S&atilde;o Paulo, &agrave;s exig&ecirc;ncias previstas na lei. A A&ccedil;&atilde;o foi apresentada &agrave; Justi&ccedil;a Federal pelo Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social como parte da campanha &ldquo;Concess&otilde;es de R&aacute;dio e TV: Quem manda &eacute; voc&ecirc;&rdquo;. A campanha prop&otilde;e a amplia&ccedil;&atilde;o da fiscaliza&ccedil;&atilde;o e a puni&ccedil;&atilde;o imediata dos concession&aacute;rios que n&atilde;o cumpram os requisitos m&iacute;nimos estabelecidos em lei.<\/p>\n<p>Dentro deste princ&iacute;pio, a ACP questiona a omiss&atilde;o do Poder Executivo em fiscalizar as emissoras paulistas e pede a adequa&ccedil;&atilde;o dos canais ao limite m&aacute;ximo estabelecido pelo C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es para a publicidade comercial. &ldquo;Queremos que elas se adaptem ao que manda a Lei, mas, caso n&atilde;o fa&ccedil;am isso, devem ter a concess&atilde;o cassada, j&aacute; que n&atilde;o est&atilde;o cumprindo os requisitos para a explora&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o&rdquo;, afirma Br&aacute;ulio Santos Ara&uacute;jo, advogado que representa as entidades.<\/p>\n<p>Os resultados do levantamento feito pelo Observat&oacute;rio n&atilde;o surpreendem, j&aacute; que as pr&oacute;prias emissoras em suas p&aacute;ginas de Internet explicitam suas infra&ccedil;&otilde;es e a deturpa&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es que deveriam cumprir como prestadoras de um servi&ccedil;o p&uacute;blico. &ldquo;Nem com muito esfor&ccedil;o &eacute; poss&iacute;vel considerar que informar pre&ccedil;os de tapetes e an&eacute;is seja atender &agrave;s finalidades do artigo 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o, muito menos que isso seja prestar um servi&ccedil;o de interesse p&uacute;blico&rdquo;, afirma Ara&uacute;jo. O artigo citado pelo advogado determina que as emissoras s&atilde;o obrigadas a priorizar conte&uacute;dos educativos, culturais e informativos em sua programa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Invers&atilde;o de valores<\/p>\n<p><\/strong>MixTV, RBI e a PlayTV (esta &uacute;ltima rede ligada ao Grupo Bandeirantes), veiculam, em meio &agrave; programa&ccedil;&atilde;o comercial, programas direcionados ao p&uacute;blico jovem. S&atilde;o videoclipes musicais, games, esportes e at&eacute; desenhos animados intercalados &agrave; venda de im&oacute;veis, carros, produtos de beleza, roupas e servi&ccedil;os diversos.<\/p>\n<p>Segundo Ana Bock, presidente do Conselho Federal de Psicologia, a programa&ccedil;&atilde;o voltada para a venda fortalece valores que promovem rela&ccedil;&otilde;es sociais guiadas pela id&eacute;ia de consumo. &ldquo;Estamos ajudando a constituir sujeitos que tudo compram, tudo consomem, tudo descartam&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>A psic&oacute;loga F&aacute;tima Nassif, do Conselho Regional de Psicologia de S&atilde;o Paulo e da Rede Paulista pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o e da Cultura, alerta para a influ&ecirc;ncia da m&iacute;dia na forma&ccedil;&atilde;o da subjetividade de crian&ccedil;as e adolescentes. &ldquo;A propaganda influencia o comportamento infantil e, em certa medida, juvenil&rdquo;, destaca. <\/p>\n<p>F&aacute;tima aponta que a deturpa&ccedil;&atilde;o de valores incentivada pelo culto ao consumo pode gerar transtornos complicados nas rela&ccedil;&otilde;es familiares e de amizade destes indiv&iacute;duos. Ela relaciona, como exemplo, o crescimento nos casos de anorexia e bulimia em jovens &agrave; ditadura da beleza veiculada nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;Consideramos esses mercados eletr&ocirc;nicos um abuso total e um desvirtuamento da fun&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es&rdquo;, diz F&aacute;tima, que tamb&eacute;m integra a Campanha pela &Eacute;tica na TV. Ela destaca o car&aacute;ter p&uacute;blico do servi&ccedil;o prestado pelas emissoras que, de acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, devem priorizar a promo&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, da arte e da cultura.<\/p>\n<p><strong>Omiss&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Com uma legisla&ccedil;&atilde;o defasada em rela&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do, a limita&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; publicidade &eacute; um dos poucos crit&eacute;rios que podem ser, de imediato, usados no monitoramento das concess&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o. De acordo com o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, cabe ao Pode Executivo, no caso, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, fazer a fiscaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A assessoria do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es confirma que &ldquo;todas as a&ccedil;&otilde;es punitivas sobre publicidade est&atilde;o na lei&rdquo;, no entanto, quando questionada sobre a omiss&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o em fiscalizar o descumprimento desta lei, silencia. Procurada repetidas vezes para dar um posicionamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa, a assessoria de imprensa do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o atendeu &agrave;s solicita&ccedil;&otilde;es da reportagem. <\/p>\n<p>A pesquisa realizada com as quatro emissoras ser&aacute; anexada &agrave; A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica protocolada em 5 de outubro. Apesar de n&atilde;o constar no documento apresentado, o canal PlayTV apresentou viola&ccedil;&otilde;es similares aos demais &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o e ainda pode ser inserido na A&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">O processo corre com o n&uacute;mero 2007.61.00.028088-0. Para visualizar a &iacute;ntegra do documento, clique <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18205\">aqui<\/a> .<\/p>\n<p>* Colaborou Mariana Pires.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Equipe do Observat\u00f3rio acompanhou 24 horas da programa\u00e7\u00e3o de quatro canais de televis\u00e3o aberta de S\u00e3o Paulo e confirmou que todos eles ultrapassam o tempo m\u00e1ximo de publicidade permitido pela legisla\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[393],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20092"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20092"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20092\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27799,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20092\/revisions\/27799"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}