{"id":20013,"date":"2007-12-10T15:28:51","date_gmt":"2007-12-10T15:28:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20013"},"modified":"2007-12-10T15:28:51","modified_gmt":"2007-12-10T15:28:51","slug":"democracia-e-sistema-publico-de-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20013","title":{"rendered":"Democracia e Sistema P\u00fablico de Comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Para o jornalista Eugenio Bucci, ex-presidente da Radiobr&aacute;s, entre 2003 e 2007, e atual professor visitante do Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados da USP, quase todos os meios p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil ainda s&atilde;o verdadeiros feudos de governantes, que os utilizam para a promo&ccedil;&atilde;o pessoal e de seus grupos pol&iacute;ticos. Isso s&oacute; pode mudar com mais debates e maior esclarecimento da popula&ccedil;&atilde;o sobre o assunto. Na entrevista a seguir, Bucci fala dos projetos de cria&ccedil;&atilde;o de uma nova TV estatal, condena os gastos com propaganda governamental, que n&atilde;o teriam nenhuma utilidade al&eacute;m da promo&ccedil;&atilde;o dos donos do poder, e faz uma recomenda&ccedil;&atilde;o: &#39;O governo deve ficar longe da media&ccedil;&atilde;o de debates p&uacute;blicos.&#39;<\/em> <\/p>\n<p>* <\/p>\n<p><strong>Como o sr. v&ecirc; a montagem de uma nova rede de radiodifus&atilde;o p&uacute;blica, a TV Brasil? Ela &eacute; necess&aacute;ria?<br \/><\/strong>Vou responder em dois n&iacute;veis. Um conceitual e outro mais pr&aacute;tico. Conceitualmente, uma democracia precisa de uma forma de radiodifus&atilde;o que n&atilde;o seja comercial. O espa&ccedil;o p&uacute;blico, se dominado por formas de comunica&ccedil;&atilde;o apenas comerciais, corre o risco de n&atilde;o ter como dar vaz&atilde;o a temas que n&atilde;o s&atilde;o economicamente interessantes, a conte&uacute;dos economicamente invi&aacute;veis. Um exemplo: se a TV Cultura, de S&atilde;o Paulo, ficar presa apenas &agrave;quilo que &eacute; lucrativo, jamais vai ter programas com orquestras sinf&ocirc;nicas. Esse g&ecirc;nero de m&uacute;sica n&atilde;o tem muito apoio. Enfim, &eacute; necess&aacute;ria uma complementaridade entre o p&uacute;blico e o comercial.<\/p>\n<p><strong>E a quest&atilde;o de ordem pr&aacute;tica?<br \/><\/strong>N&atilde;o vejo sentido em perseguir um sonho de TV p&uacute;blica. &Eacute; preciso que se trabalhe pela constru&ccedil;&atilde;o de um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o que conjugue r&aacute;dio, TV e, sobretudo, internet. O sonho da TV p&uacute;blica &eacute; um sonho de 50 anos atr&aacute;s, quando a Europa sai da Segunda Guerra debatendo de que forma o espa&ccedil;o p&uacute;blico poderia ser protegido da coloniza&ccedil;&atilde;o promovida pelo mercado e pelo capital. Um dos principais focos do debate em torno da nova emissora p&uacute;blica &eacute; o temor do controle e da manipula&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do. Quando algu&eacute;m fala no risco de manipula&ccedil;&atilde;o ou de uso pol&iacute;tico da comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no Brasil, eu digo que isso n&atilde;o &eacute; um risco, mas a regra. Sempre aconteceu. Tradicionalmente, as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de radiodifus&atilde;o s&atilde;o uma esp&eacute;cie de reserva ecol&oacute;gica do patrimonialismo. Um patrimonialismo simb&oacute;lico, porque os governantes n&atilde;o se apropriam das coisas que est&atilde;o l&aacute;, mas fazem com que elas trabalhem pela sua promo&ccedil;&atilde;o pessoal. Quando comecei a tomar contato com esses lugares, percebi a exist&ecirc;ncia de uma enorme quantidade de gente contratada sem concurso, por causa de afinidades pol&iacute;ticas, n&atilde;o por compet&ecirc;ncia. <\/p>\n<p><strong>Esse comportamento &eacute; generalizado nas televis&otilde;es mantidas pelos Estados? <br \/><\/strong>Quase todos os Estados da Federa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m hoje a sua rede institucional de comunica&ccedil;&atilde;o, com r&aacute;dio e televis&atilde;o. E em quase todos &eacute; comum o uso pol&iacute;tico-partid&aacute;rio do conte&uacute;do do que veiculam a favor do governo. &Eacute; a tradi&ccedil;&atilde;o. Portanto, se existe um risco hoje no Brasil, &eacute; o de mudar esse quadro. Essas institui&ccedil;&otilde;es precisam de transpar&ecirc;ncia, de profissionalismo, de rigor administrativo &#8211; mais do que de recursos. O seu conte&uacute;do deve ser comprometido com o direito de informa&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o, n&atilde;o servir de caixa de resson&acirc;ncia ou de linha auxiliar de promo&ccedil;&atilde;o pessoal dos governantes. <\/p>\n<p><strong>A Cultura de S&atilde;o Paulo se encaixa nesse padr&atilde;o? <br \/><\/strong>Sempre existem exce&ccedil;&otilde;es. A TV Cultura &eacute; respons&aacute;vel pelas melhores produ&ccedil;&otilde;es da TV p&uacute;blica no Brasil. <\/p>\n<p><strong>Por qu&ecirc;? <br \/><\/strong>Porque teve momentos de autonomia de gest&atilde;o, de independ&ecirc;ncia. A TV Cultura tem um conselho com garantias formais de autonomia. Embora seja vulner&aacute;vel a press&otilde;es do governo, esse conselho, pelas suas regras de funcionamento, pela maneira como &eacute; organizado, consegue ser independente. A Cultura &eacute; talvez o melhor exemplo que n&oacute;s temos hoje de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no Brasil. <\/p>\n<p><strong>Do que viu at&eacute; agora, acha que a cria&ccedil;&atilde;o da nova rede est&aacute; sendo conduzida de forma correta?<br \/><\/strong>&Eacute; evidente que existe a amea&ccedil;a de manipula&ccedil;&atilde;o. Mas se ela tiver &#8211; como est&aacute; prometido &#8211; um conselho realmente independente, sem uma pauta governamental, &eacute; poss&iacute;vel que no futuro o Pa&iacute;s ganhe com isso. Essa possibilidade n&atilde;o est&aacute; fechada. Vamos esperar. <\/p>\n<p><strong>Como v&ecirc; a introdu&ccedil;&atilde;o de an&uacute;ncios publicit&aacute;rios na programa&ccedil;&atilde;o da Cultura?<br \/><\/strong>Acho um erro, uma concess&atilde;o est&eacute;tica e pr&aacute;tica &agrave; l&oacute;gica da comunica&ccedil;&atilde;o comercial. A TV p&uacute;blica n&atilde;o deveria veicular an&uacute;ncios de mercadorias e de servi&ccedil;os como qualquer outra TV comercial. Poderia veicular apoios institucionais, uma f&oacute;rmula consagrada em v&aacute;rios lugares do mundo. <\/p>\n<p><strong>Ainda a TV Brasil: a id&eacute;ia de sua cria&ccedil;&atilde;o ganhou corpo com as acusa&ccedil;&otilde;es, feitas pelo PT, de que a m&iacute;dia distorceu fatos &#8211; especialmente na cobertura do mensal&atilde;o e do dossi&ecirc; Vedoin &#8211; para prejudicar o governo. Em mais de uma ocasi&atilde;o, falou-se na necessidade de uma contracorrente na &aacute;rea de informa&ccedil;&otilde;es. Como v&ecirc; isso?<br \/><\/strong>Essa &eacute; a pior raz&atilde;o do mundo para se construir uma m&iacute;dia p&uacute;blica. Ela &eacute; necess&aacute;ria n&atilde;o porque a comunica&ccedil;&atilde;o comercial seja de m&aacute; ou de boa qualidade, mas por ser de outra natureza. <\/p>\n<p><strong>Acha que a m&iacute;dia errou na cobertura dos epis&oacute;dios citados?<br \/><\/strong>Existiram momentos de infelicidade na cobertura, mas o pior erro n&atilde;o aconteceu.<\/p>\n<p><strong>Qual seria?<br \/><\/strong>N&atilde;o ter feito a cobertura. Podem ter acontecido distor&ccedil;&otilde;es, preconceitos, julgamentos, mas foi no interior de um movimento correto na sua ess&ecirc;ncia, que &eacute; informar o p&uacute;blico. A imprensa cumpriu seu dever de apurar, informar e levantar o debate, permitindo que as partes se manifestassem. Nos debates internos, nos setores de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, mais de uma vez eu disse: vamos tomar mais cuidado nas restri&ccedil;&otilde;es &agrave; imprensa, porque, se dependesse de n&oacute;s, da Radiobr&aacute;s e das outras emissoras p&uacute;blicas, o Pa&iacute;s n&atilde;o teria ficado sabendo do que aconteceu. As nossas ferramentas de cobertura na &eacute;poca chegaram atrasadas a esse evento. Depois n&oacute;s fizemos uma elogiada cobertura, com mais de 3.500 mat&eacute;rias veiculadas pela Ag&ecirc;ncia Brasil sobre o mensal&atilde;o, mas &eacute; important&iacute;ssimo registrar que n&atilde;o foi a cobertura da Radiobr&aacute;s que levantou o tema. Foi a imprensa comercial. <\/p>\n<p><strong>O governo precisa de meios para defender suas causas? <br \/><\/strong>O governo deve ficar longe da fun&ccedil;&atilde;o de mediar o debate p&uacute;blico. Uma das garantias do funcionamento democr&aacute;tico reside justamente nesse ponto: governo governa, mas n&atilde;o faz a media&ccedil;&atilde;o do debate p&uacute;blico. Ele n&atilde;o deve ter uma emissora que ponha em pauta aquilo que lhe interesse. <\/p>\n<p><strong>O senhor tem se dedicado a estudar a internet. <\/strong><strong>Acha que ela deve substituir os atuais meios de comunica&ccedil;&atilde;o, como os jornais?<br \/><\/strong>A internet deveria ser comparada mais &agrave; rede el&eacute;trica do que a um meio de comunica&ccedil;&atilde;o propriamente dito. Ela transforma informa&ccedil;&atilde;o em energia el&eacute;trica, abastecendo todos os pontos. N&atilde;o &eacute; um meio de comunica&ccedil;&atilde;o, mas um ambiente para v&aacute;rios meios &#8211; a m&iacute;dia escrita, a publicidade, games. Voc&ecirc; tem ali todo tipo de interconex&atilde;o, de aproxima&ccedil;&atilde;o entre p&oacute;los diferentes, por meios diferentes. &Eacute; um ambiente, e nesse sentido n&atilde;o disputa com outros meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Como v&ecirc; a quest&atilde;o da confiabilidade das informa&ccedil;&otilde;es numa rede que aceita e redistribui tudo?<br \/><\/strong>Essa &eacute; quest&atilde;o mais fascinante. O cidad&atilde;o come&ccedil;a a se perguntar cada vez mais, e com raz&atilde;o, em quem confiar? Est&atilde;o surgindo respostas novas. De um lado ele tende a buscar selos de responsabilidade tradicionais &#8211; e a&iacute; os jornais saem na frente, assegurando posi&ccedil;&otilde;es, com a garantia de que a informa&ccedil;&atilde;o foi apurada e trabalhada, sem a contamina&ccedil;&atilde;o de interesses comerciais, governamentais ou de grupos de influ&ecirc;ncias. Por outro lado, existem solu&ccedil;&otilde;es inovadoras. Um exemplo &eacute; a Wikipedia, enciclop&eacute;dia elaborada anonimamente e cada vez mais mencionada como uma fonte confi&aacute;vel de informa&ccedil;&atilde;o. A internet traz essas possibilidades que antes n&atilde;o estavam postas. De qualquer maneira, o problema da credibilidade &eacute; nevr&aacute;lgico.<\/p>\n<p><strong>Na Radiobr&aacute;s, o senhor foi pressionado por petistas a dar uma cor mais partid&aacute;ria &agrave; cobertura dos fatos, numa situa&ccedil;&atilde;o que levaria &agrave; partidariza&ccedil;&atilde;o de um &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico. Acha que o PT confunde partido com governo e Estado?<br \/><\/strong>Essa confus&atilde;o &eacute; outra tradi&ccedil;&atilde;o perversa da pol&iacute;tica brasileira. Est&aacute; longe de ter sido inventada pelo PT. Em outras &eacute;pocas, ela foi mais grave, porque envolvia partido, governo, Estado e fam&iacute;lias, com oligarquias que prevaleciam dentro e fora do governo, agindo como poder p&uacute;blico, dominando meios de comunica&ccedil;&atilde;o supostamente privados, numa promiscuidade tenebrosa. A vacina contra isso &eacute; o esclarecimento da opini&atilde;o p&uacute;blica &#8211; por mais iluminista que pare&ccedil;a a formula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Como v&ecirc; os gastos governamentais com propaganda?<br \/><\/strong>Isso &eacute; no m&iacute;nimo muito discut&iacute;vel. Em primeiro lugar porque raramente algumas dessas pe&ccedil;as de publicidade governamental s&atilde;o realmente de utilidade p&uacute;blica. Quase sempre a utilidade p&uacute;blica &eacute; um pretexto, para que fique um rescaldo de imagem positiva do governo. N&atilde;o se fala o nome do governante, mas se inventa um logotipo comercial, uma marca para aquela administra&ccedil;&atilde;o &#8211; sempre com a inten&ccedil;&atilde;o de que reverta em capital eleitoral. No interior, em cidades de pequeno e m&eacute;dio porte, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais grave. Ali se encontra uma seq&uuml;&ecirc;ncia enorme de emissoras de r&aacute;dio e pequenos jornais que n&atilde;o sobrevivem sem as verbas p&uacute;blicas dos munic&iacute;pios e dos Estados. Nos grandes centros, os grandes jornais atendem aos requisitos formais da independ&ecirc;ncia editorial. Se o governo corta o an&uacute;ncio dessas empresas, elas n&atilde;o v&atilde;o &agrave; fal&ecirc;ncia. Mas no interior o risco &eacute; grande &#8211; e, por isso, o dinheiro p&uacute;blico jogado em ve&iacute;culos comerciais se converte num instrumento de press&atilde;o e de coopta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Por que n&atilde;o continuou &agrave; frente da Radiobr&aacute;s?<br \/><\/strong>Entrei para ficar s&oacute; um governo, porque nunca tive inten&ccedil;&atilde;o de ser administrador p&uacute;blico de carreira e porque o rod&iacute;zio &eacute; bom. Na fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, &eacute; importante a consci&ecirc;ncia de que a gente n&atilde;o refunda nada, n&atilde;o cria, n&atilde;o inaugura. A gente absorve a experi&ecirc;ncia de quem veio antes, d&aacute; seq&uuml;&ecirc;ncia aos bons projetos e deixa uma perspectiva ao que vem depois. Essa ilus&atilde;o de que voc&ecirc; &eacute; fundamental s&oacute; atesta que n&atilde;o confia na din&acirc;mica natural das renova&ccedil;&otilde;es da democracia. <\/p>\n<p><strong>Estende isso a todos os cargos p&uacute;blicos?<br \/><\/strong>Todos. Inclusive &agrave; Presid&ecirc;ncia. Nada mais indigno que um presidente da Rep&uacute;blica que julgue ser melhor para a sociedade a perman&ecirc;ncia dele no cargo indefinidamente. No fundo, est&aacute; dizendo que a sociedade n&atilde;o &eacute; capaz de produzir solu&ccedil;&otilde;es melhores do que ele. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;O governo deve ficar longe da media\u00e7\u00e3o de debates p\u00fablicos&#8217;.  <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[572],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20013"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20013"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20013\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}