{"id":20000,"date":"2007-12-10T00:00:00","date_gmt":"2007-12-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20000"},"modified":"2007-12-10T00:00:00","modified_gmt":"2007-12-10T00:00:00","slug":"sistemas-anti-copia-impondo-limites-aos-imperios-de-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20000","title":{"rendered":"Sistemas anti-c\u00f3pia: impondo limites aos imp\u00e9rios de m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p><span>As d&uacute;vidas no Brasil sobre o conversor de TV digital fazem lembrar uma rara decis&atilde;o judicial nos EUA, na era Bush, a favor dos consumidores e contr&aacute;ria aos poderosos imp&eacute;rios de m&iacute;dia. Foi em 2005. Um juiz do tribunal de apela&ccedil;&otilde;es da capital (Distrito de Columbia) foi enf&aacute;tico ao advertir um advogado da FCC, a reguladora federal da &aacute;rea de comunica&ccedil;&otilde;es: &quot;Ei, voc&ecirc;s passaram do limite!&quot; <br \/><\/span><span><br \/>O fato era parte de um contexto mais amplo &#8211; o debate no pa&iacute;s em torno das sucessivas medidas e decis&otilde;es da FCC no governo Bush, quando foi presidida (at&eacute; 2005) por Michael Powell, filho do secret&aacute;rio Colin Powell, que &agrave; &eacute;poca acabara de deixar o Departamento de Estado. Para os consumidores, a FCC limitava-se ent&atilde;o a fazer a vontade dos imp&eacute;rios de m&iacute;dia, em vez de cumprir sua finalidade reguladora.<\/span><span><\/p>\n<p>O serm&atilde;o do juiz Harry T. Edwards foi revelador: as empresas da &aacute;rea de m&iacute;dia e entretenimento tinham pressionado a FCC a obrigar a ind&uacute;stria a mudar especifica&ccedil;&otilde;es de aparelhos (em especial de TV) a fim de adicionar dispositivo antipirataria destinado a impedir a grava&ccedil;&atilde;o de filmes ou programas. Isso aumentava o custo para o consumidor, cujos direitos estavam sendo diminu&iacute;dos para os imp&eacute;rios de m&iacute;dia lucrarem mais com DVDs, fitas, CDs, etc.<\/span><span><br \/><strong><br \/>Pirataria &eacute; problema deles<\/strong><\/span><span><\/p>\n<p>No Brasil &eacute; incr&iacute;vel o espa&ccedil;o dado pela m&iacute;dia &agrave; pirataria, tratada nos programas de not&iacute;cias como se fosse problema do consumidor ou do governo e n&atilde;o resultado da incompet&ecirc;ncia dos imp&eacute;rios de m&iacute;dia de proteger seus produtos. O que devem fazer os consumidores dos servi&ccedil;os dos imp&eacute;rios, inclusive internet, &eacute; questionar o poder desmedido com que influem nas ag&ecirc;ncias reguladoras &#8211; no Brasil, nos EUA e em toda parte.<\/span><span><\/p>\n<p>No governo Bush a FCC tentou impingir mudan&ccedil;as em regulamentos, indignando as organiza&ccedil;&otilde;es de defesa do consumidor e grupos de usu&aacute;rios da internet, pois a reguladora federal foi al&eacute;m de sua jurisdi&ccedil;&atilde;o, intrometendo-se at&eacute; na fabrica&ccedil;&atilde;o e venda de aparelhos de TV, computadores e outros equipamentos. O juiz agiu em momento crucial, j&aacute; que as corpora&ccedil;&otilde;es aproveitavam o momento da convers&atilde;o para o sistema digital de alta defini&ccedil;&atilde;o.<br \/><\/span><span><br \/>Antes de Colin e Michael Powell assumirem cargos no governo, eram executivos &#8211; pai e filho &#8211; do maior dos imp&eacute;rios de m&iacute;dia do mundo, o da Time-Warner, que ainda incluia a gigante America On Line (AOL), golpeada ent&atilde;o por esc&acirc;ndalos de fraude cont&aacute;bil Michael Powell teve de sair da presid&ecirc;ncia da FCC ante uma torrente de cr&iacute;ticas, acusado de agir sistematicamente a favor dos interesses daqueles que devia fiscalizar.<\/span><span><br \/><strong><br \/>&quot;Isso n&atilde;o &eacute; da conta de voc&ecirc;s&quot;<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O que estava em causa no recurso judicial levado ao tribunal de apela&ccedil;&otilde;es era a pol&ecirc;mica iniciativa da FCC (cujas decis&otilde;es em geral tinham votos favor&aacute;veis dos membros republicanos e eram repudiadas pelos democratas, minorit&aacute;rios) de ditar &agrave; ind&uacute;stria como fabricar seus aparelhos de TV, computadores e outros equipamentos de recep&ccedil;&atilde;o de sinais digitais, dizendo ainda como eles deviam ser usados.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;O neg&oacute;cio de voc&ecirc;s n&atilde;o &eacute; a venda de aparelho de TV. Isso n&atilde;o &eacute; da conta de voc&ecirc;s&quot;, disse o irritado juiz Edwards. A manifesta&ccedil;&atilde;o dele foi festejada por cr&iacute;ticos do absurdo poder da m&iacute;dia gigante &#8211; corpora&ccedil;&otilde;es que controlam praticamente tudo o que o americano v&ecirc;, l&ecirc; e ouve, como Time-Warner, Disney-ABC, News Corp (grupo Murdoch), Viacom-CBS, GE-NBC-Universal, Sony-Columbia.<\/span><span><\/p>\n<p>O dispositivo antipirataria que os conglomerados de m&iacute;dia queriam a todo custo enfiar nos aparehos de TV era o &quot;broadcast flag&quot; &#8211; &quot;bandeira para transmiss&otilde;es&quot;, um chip com a miss&atilde;o de policiar a a&ccedil;&atilde;o do usu&aacute;rio, impedindo-o de gravar o que fosse apresentado na TV. Para a Electronic Frontier Foundation (EFF), que defende os direitos de acesso livre &agrave; internet, tratava-se de uma grave amea&ccedil;a.<\/span><span><br \/><strong><br \/>Muitas amea&ccedil;as &agrave; internet<\/strong><\/span><span><\/p>\n<p>&quot;A Justi&ccedil;a est&aacute; certa e foi direto ao ponto, ao questionar a autoridade da FCC nesse campo&quot;, declarou Wendy Seltzer, advogado da EFF. &quot;As bandeiras de transmiss&atilde;o t&ecirc;m tanto a ver com a jurisdi&ccedil;&atilde;o da FCC como m&aacute;quinas de lavar pratos. Estamos encorajados pela a&ccedil;&atilde;o do tribunal&quot;. Seltzer tamb&eacute;m via grave amea&ccedil;a &agrave; internet no esfor&ccedil;o contra os cart&otilde;es de sintonia de alta defini&ccedil;&atilde;o para os PCs.<\/span><span><\/p>\n<p>A EFF e outros grupos fizeram uma lista das amea&ccedil;as crescentes &agrave; liberdade na internet a fim de chamar aten&ccedil;&atilde;o para o perigo representado por leis e regulamentos que a ind&uacute;stria de entretenimento busca impingir usando seu poder de &quot;lobby&quot; na FCC e no governo. <br \/><\/span><span><br \/>Eles acham que se criou atrav&eacute;s da reguladora perigosas amea&ccedil;as ao desenvolvimento futuro de tecnologias e &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de novos aparelhos.<\/span><span><br \/>Em outros pa&iacute;ses, inclusive na Europa Ocidental, reguladoras oficiais do setor, menos afinadas com os interesses das grandes corpora&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o revelam o mesmo empenho em mudar aparelhos de TV e computadores para favorecer os lucros das corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia. Na Inglaterra, segundo a BBC, a plataforma terrestre digital Freeview e outros receptores vetavam a tal tecnologia de prote&ccedil;&atilde;o contra c&oacute;pias.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As d&uacute;vidas no Brasil sobre o conversor de TV digital fazem lembrar uma rara decis&atilde;o judicial nos EUA, na era Bush, a favor dos consumidores e contr&aacute;ria aos poderosos imp&eacute;rios de m&iacute;dia. Foi em 2005. 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