{"id":19998,"date":"2007-12-07T15:22:29","date_gmt":"2007-12-07T15:22:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19998"},"modified":"2007-12-07T15:22:29","modified_gmt":"2007-12-07T15:22:29","slug":"pesquisa-latinobarometro-midia-e-poder-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19998","title":{"rendered":"Pesquisa Latinobar\u00f3metro: m\u00eddia e poder na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>Foram recentemente divulgados os resultados da pesquisa <a href=\"http:\/\/www.latinobarometro.org\/\">Latinobar&oacute;metro 2007<\/a> que &eacute; realizada h&aacute; 12 anos pela Corporaci&oacute;n Latinobar&oacute;metro, uma ONG chilena com sede em Santiago que pretende medir &quot;as percep&ccedil;&otilde;es dos latino-americanos a partir de sua realidade econ&ocirc;mica e social&quot;. Este ano foram feitas 20.212 entrevistas, entre 7 de setembro e 9 de outubro, cobrindo uma amostra representativa da popula&ccedil;&atilde;o de cada um dos 18 pa&iacute;ses da regi&atilde;o (exceto Cuba), cerca de 527 milh&otilde;es de habitantes. <\/p>\n<p>Dos relat&oacute;rios anuais, em geral a grande m&iacute;dia divulga os resultados da avalia&ccedil;&atilde;o comparada dos presidentes da regi&atilde;o, os &iacute;ndices de apoio &agrave; democracia, &agrave; iniciativa privada e &agrave; interven&ccedil;&atilde;o do Estado na economia. Por exemplo: o &iacute;ndice de apoio &agrave; democracia caiu de 58% em 2006 para 54%, em 2007.<\/p>\n<p>O Latinobar&oacute;metro 2007 incluiu tamb&eacute;m uma alentada avalia&ccedil;&atilde;o sobre o in&eacute;dito ciclo eleitoral que est&aacute; acontecendo no continente: onze elei&ccedil;&otilde;es presidenciais realizadas entre novembro de 2005 e dezembro de 2006, seguidas em 2007 pelas elei&ccedil;&otilde;es da Guatemala e da Argentina e, em 2008, pelas elei&ccedil;&otilde;es no Paraguai (abril) e na Rep&uacute;blica Dominicana (maio). O que chama aten&ccedil;&atilde;o, no entanto, &eacute; a estranha aus&ecirc;ncia de qualquer refer&ecirc;ncia sobre o papel da m&iacute;dia nas caracter&iacute;sticas identificadas como centrais em todos esses processos eleitorais. <\/p>\n<p><strong>Quem exerce o poder?<\/p>\n<p><\/strong>J&aacute; comentei o livro lan&ccedil;ado em agosto passado pela Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (FES), na Col&ocirc;mbia [Se nos rompi&oacute; el amor &ndash; Elecciones y medios de comunicaci&oacute;n, Am&eacute;rica Latina 2006, <a href=\"http:\/\/www.c3fes.net\/docs\/rompioelamor.pdf\">dispon&iacute;vel na &iacute;ntegra aqui<\/a>], exatamente sobre o papel da m&iacute;dia nessas mesmas onze elei&ccedil;&otilde;es presidenciais realizadas entre 2005 e 2006. A principal conclus&atilde;o dos estudos apresentados no livro &eacute; que, em seis dessas elei&ccedil;&otilde;es, sa&iacute;ram vencedores os candidatos a presidente que enfrentaram a cobertura jornal&iacute;stica adversa majorit&aacute;ria da m&iacute;dia em seus respectivos pa&iacute;ses &ndash; Bol&iacute;via, Chile, Brasil, Nicar&aacute;gua, Equador e Venezuela. <\/p>\n<p>Se o tema mereceu a organiza&ccedil;&atilde;o de um livro financiado pela FES, reunindo o trabalho de quinze pesquisadores, &eacute; de se supor que seja relevante. Afinal, a m&iacute;dia ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o de centralidade nos processos pol&iacute;ticos das democracias contempor&acirc;neas. Ou n&atilde;o ocupa?<\/p>\n<p>O longo relat&oacute;rio &quot;A Democracia na Am&eacute;rica Latina &ndash; Rumo a uma democracia de cidad&atilde;s e cidad&atilde;os&quot;, preparado sob a coordena&ccedil;&atilde;o do ex-chanceler argentino Dante Caputo para o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e publicado no final de 2004 (<a href=\"http:\/\/democracia.undp.org\/Informe\/default.asp?Menu=15&amp;Idioma=1\">ver aqui<\/a>), traz os resultados de uma preciosa pesquisa, realizada entre julho de 2002 e junho de 2003, com 231 l&iacute;deres latino-americanos. Esse relat&oacute;rio n&atilde;o teve, pelo menos no Brasil, a divulga&ccedil;&atilde;o que merecia. <\/p>\n<p>Foram ouvidos &quot;l&iacute;deres pol&iacute;ticos que det&ecirc;m ou detiveram o poder em seu m&aacute;ximo n&iacute;vel institucional, em chefias partid&aacute;rias, parlamentares, funcion&aacute;rios de alto escal&atilde;o ou prefeitos; protagonistas sociais em um amplo espectro que inclui l&iacute;deres sindicais, empres&aacute;rios, acad&ecirc;micos, jornalistas, religiosos e dirigentes de movimentos ou organiza&ccedil;&otilde;es sociais; e membros das For&ccedil;as Armadas&quot;, entre eles 41 presidentes e vice-presidentes, no exerc&iacute;cio do cargo ou anteriores. Em outras palavras, foi ouvida a elite econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e intelectual da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Entre os obst&aacute;culos &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica existentes na Am&eacute;rica Latina, a pesquisa do PNUD revela uma tens&atilde;o entre os poderes institucionais e os poderes de fato. Os l&iacute;deres consultados apontam, ent&atilde;o, tr&ecirc;s poderes de facto que representam os riscos principais &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica na regi&atilde;o: <\/p>\n<p><strong>1.<\/strong> limita&ccedil;&otilde;es internas decorrentes da prolifera&ccedil;&atilde;o de controles institucionais inadequados e da multiplica&ccedil;&atilde;o de grupos de interesse que funcionam como poderosos lobbies, e externas oriundas do comportamento dos mercados internacionais, das avaliadoras de risco (de investimento) e dos organismos internacionais de cr&eacute;dito; <\/p>\n<p><strong>2.<\/strong> a amea&ccedil;a do narcotr&aacute;fico; e <\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> os meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a primeira resposta &agrave; pergunta &quot;quem exerce o poder na Am&eacute;rica Latina?&quot; dada por 79,8% dos entrevistados foi &quot;os grupos econ&ocirc;micos\/empres&aacute;rios\/o setor financeiro&quot;; e a segunda resposta, oferecida por 64,9% dos entrevistados foi &quot;os meios de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p><strong>Percep&ccedil;&atilde;o dominante<\/p>\n<p><\/strong>Pergunto: n&atilde;o haveria, em muitos casos, superposi&ccedil;&atilde;o entre esses dois poderes de facto? Por exemplo: os grupos Televisa, no M&eacute;xico, e Globo, no Brasil, n&atilde;o seriam ao mesmo tempo poderes econ&ocirc;micos e de m&iacute;dia?<\/p>\n<p><span>Al&eacute;m disso, o relat&oacute;rio afirma textualmente, com cita&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticos, jornalistas e sindicalistas: <\/p>\n<p><\/span><em><span>&quot;Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o caracterizados como um controle sem controle, que cumpre fun&ccedil;&otilde;es que excedem o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. `Formam a opini&atilde;o p&uacute;blica, decidem as pesquisas de opini&atilde;o e, conseq&uuml;entemente, s&atilde;o os que mais t&ecirc;m influ&ecirc;ncia na governabilidade&acute; (pol&iacute;tico). <\/span>`Atuam como suprapoderes, [&#8230;] passaram a ter um poder que excede o Executivo e os poderes legitimamente constitu&iacute;dos, [&#8230;] substitu&iacute;ram totalmente os partidos pol&iacute;ticos&acute; (pol&iacute;tico). A maioria dos jornalistas consultados v&ecirc; o setor econ&ocirc;mico-financeiro e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o como os principais grupos de poder. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m a peculiaridade de operar como mecanismo de controle e\/ou limita&ccedil;&atilde;o &agrave;s a&ccedil;&otilde;es dos tr&ecirc;s poderes constitucionais e dos partidos pol&iacute;ticos, seja quais forem os propriet&aacute;rios desses meios. `A verdadeira vigil&acirc;ncia que se exerce &eacute; a da imprensa&acute; (jornalista). Al&eacute;m disso, reconhecem que atuam como uma corpora&ccedil;&atilde;o que define os temas da agenda p&uacute;blica e que at&eacute; tra&ccedil;a a agenda presidencial. Em geral, os consultados consideram problem&aacute;tica a rela&ccedil;&atilde;o entre os meios de comunica&ccedil;&atilde;o e os pol&iacute;ticos. `Aqui a classe pol&iacute;tica os teme. Porque podem fazer desmoronar uma figura p&uacute;blica a qualquer momento&acute; (sindicalista). `A forma atrav&eacute;s da qual se constru&iacute;ram as concess&otilde;es e os interesses com os quais se teceu toda a estrutura dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o os converteram em um poder&acute; (pol&iacute;tico).&quot;<\/em><\/p>\n<p>Se esta &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o predominante entre a elite da regi&atilde;o sobre a m&iacute;dia e seu poder, uma avalia&ccedil;&atilde;o do ciclo eleitoral que se desenrola na Am&eacute;rica Latina n&atilde;o deveria contemplar o seu papel no processo democr&aacute;tico? <\/p>\n<p>A elite latino-americana, certamente, faria esse reparo ao Latinobar&oacute;metro 2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram recentemente divulgados os resultados da pesquisa Latinobar&oacute;metro 2007 que &eacute; realizada h&aacute; 12 anos pela Corporaci&oacute;n Latinobar&oacute;metro, uma ONG chilena com sede em Santiago que pretende medir &quot;as percep&ccedil;&otilde;es dos latino-americanos a partir de sua realidade econ&ocirc;mica e social&quot;. 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