{"id":19937,"date":"2007-12-03T14:37:42","date_gmt":"2007-12-03T14:37:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19937"},"modified":"2007-12-03T14:37:42","modified_gmt":"2007-12-03T14:37:42","slug":"cade-impoe-restricoes-a-compra-da-chinaglia-pelo-grupo-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19937","title":{"rendered":"Cade imp\u00f5e restri\u00e7\u00f5es \u00e0 compra da  Chinaglia pelo Grupo Abril"},"content":{"rendered":"<p>A aquisi&ccedil;&atilde;o da distribuidora Fernando Chinaglia pelo Grupo Abril sofreu o primeiro golpe na &uacute;ltima quinta-feira, 29 de outubro, com a ado&ccedil;&atilde;o de Medida Cautelar pelo conselheiro do Cade &ndash; Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica, Paulo Furquim de Azevedo. A Medida Cautelar tem como finalidade preservar as condi&ccedil;&otilde;es de reversibilidade da opera&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise pelo conselho (caso ela seja considerada prejudicial &agrave; ordem econ&ocirc;mica) e evitar a pr&aacute;tica de atos danosos &agrave; concorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Dentre as obriga&ccedil;&otilde;es impostas pelo conselheiro est&atilde;o o veto &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de qualquer altera&ccedil;&atilde;o de natureza societ&aacute;ria que envolva as empresas, a designa&ccedil;&atilde;o de gestores independentes para administrar a Fernando Chinaglia e a Treelog (empresa criada pela Abril para prestas servi&ccedil;os &agrave; Fernando Chinaglia e &agrave; Dinap, distribuidora l&iacute;der de mercado de propriedade do Grupo Abril), e a obriga&ccedil;&atilde;o de submeter quaisquer altera&ccedil;&otilde;es no padr&atilde;o de neg&oacute;cios dessas empresas &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o do conselheiro, que dever&aacute; aprovar ou n&atilde;o a mudan&ccedil;a.<\/p>\n<p>A Medida Cautelar vem&nbsp;ao encontro &agrave; solicita&ccedil;&atilde;o do Idec &#8211; Instituto de Defesa do Consumidor e do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, que no mesmo dia protocolaram no Cade um pedido conjunto de impugna&ccedil;&atilde;o do Ato de Concentra&ccedil;&atilde;o enviado pelo Grupo Abril ao &oacute;rg&atilde;o de defesa econ&ocirc;mica. Segundo as entidades, a confirma&ccedil;&atilde;o da fus&atilde;o das empresas concentrar&aacute; 100% do mercado de distribui&ccedil;&atilde;o de revistas nas m&atilde;os do Grupo Abril, que passar&aacute; a ter, al&eacute;m dos 70% j&aacute; pertencentes &agrave; Dinap, tamb&eacute;m os 30% restantes do mercado que at&eacute; ent&atilde;o pertenciam &agrave; Fernando Chinaglia.<\/p>\n<p>Segundo o Idec, caso a aquisi&ccedil;&atilde;o da Chinaglia pela Abril se concretize, podem haver preju&iacute;zos ao consumidor. &ldquo;Sem competi&ccedil;&atilde;o, existe grande chance de que os pre&ccedil;os de distribui&ccedil;&atilde;o aumentem e sejam repassados ao consumidor final&rdquo;, afirma Luiz Moncau, advogado da institui&ccedil;&atilde;o. Moncau diz que o monop&oacute;lio na distribui&ccedil;&atilde;o pode diminuir os conte&uacute;dos dispon&iacute;veis ao cidad&atilde;o. &ldquo;T&atilde;o importante quanto a quest&atilde;o dos pre&ccedil;os &eacute; a possibilidade de que haja redu&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que a &uacute;nica distribuidora, agora&nbsp;de controle do Grupo Abril,&nbsp; pode n&atilde;o ter interesse no conte&uacute;do veiculado por outra editora e passa a contar com os instrumentos para interferir de maneira a lesar concorrentes. Com isso, perde o consumidor, que n&atilde;o ter&aacute; acesso &agrave; toda diversidade de conte&uacute;dos que estaria dispon&iacute;vel caso houvesse concorr&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>O monop&oacute;lio da distribui&ccedil;&atilde;o de revistas se torna ainda mais problem&aacute;tico pelo fato da Abril ser tamb&eacute;m a l&iacute;der do mercado editorial, configurando assim o que o Direito Econ&ocirc;mico classifica como concentra&ccedil;&atilde;o vertical. Nesse sentido, afirmam as organiza&ccedil;&otilde;es, o poder econ&ocirc;mico resultante da fus&atilde;o ter&aacute; a capacidade de impor unilateralmente as condi&ccedil;&otilde;es de mercado e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, determinar pre&ccedil;os e quantidades ou excluir competidores.&nbsp;<\/p>\n<p>&quot;Com o monop&oacute;lio sobre esse mercado, o Grupo Abril poder&aacute; exercer seu poder econ&ocirc;mico para limitar a circula&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&otilde;es de editoras concorrentes, seja pelo interesse econ&ocirc;mico, ou pelo interesse ideol&oacute;gico, o que oferece um grande perigo &agrave; liberdade de express&atilde;o e &agrave; livre circula&ccedil;&atilde;o de id&eacute;ias&quot;, afirma Br&aacute;ulio Ara&uacute;jo,&nbsp;advogado do Intervozes.&nbsp;&quot;Em uma democracia, deve haver a garantia da liberdade de express&atilde;o n&atilde;o apenas pela n&atilde;o restri&ccedil;&atilde;o direta de conte&uacute;dos, mas tamb&eacute;m pela exist&ecirc;ncia de uma estrutura de mercado que permita a ampla e livre divulga&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es&quot;, diz. <\/p>\n<p>De acordo com Ribeiro, &quot;discutir os aspectos concorrenciais dessa concentra&ccedil;&atilde;o implica em considerarmos que n&atilde;o estamos falando de um produto qualquer, substitu&iacute;vel, que pode deixar de estar nas prateleiras, mas sim de publica&ccedil;&otilde;es que divulgam informa&ccedil;&otilde;es dirigidas &agrave; coletividade e que devem ter um caminho aberto para chegarem at&eacute; os cidad&atilde;os. Nossa Constitui&ccedil;&atilde;o &eacute; bem clara ao estabelecer a proibi&ccedil;&atilde;o de qualquer tipo de monop&oacute;lio, seja direta ou indireto,&nbsp;nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;.&nbsp;<\/p>\n<p>A Medida Cautelar imposta pelo conselheiro Paulo Furquim de Azevedo agora ir&aacute; ao plen&aacute;rio do Cade, que pode ou n&atilde;o manter as restri&ccedil;&otilde;es iniciais &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o da Fernando Chinaglia Distribuidora pelo Grupo Abril.<\/p>\n<p><strong>Editoras preocupadas<\/p>\n<p><\/strong>T&atilde;o logo foi anunciada publicamente, a compra da Chinaglia pela Dinap despertou preocupa&ccedil;&atilde;o naqueles que trabalham no mercado editorial. &ldquo;A concentra&ccedil;&atilde;o de distribui&ccedil;&atilde;o em um &uacute;nico grupo &eacute; preocupante, pois os outros editores acabam por se tornar ref&eacute;ns e n&atilde;o h&aacute; pluralidade&rdquo;, afirma Herc&iacute;lio de Lourenzi, presidente da Editora Escala, que edita cerca de 150 publica&ccedil;&otilde;es por m&ecirc;s, distribu&iacute;das atualmente pela Fernando Chinaglia.&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Essa compra vai matar uma s&eacute;rie de editoras que concorrem com a Abril em algum n&iacute;vel, vai eliminar do mercado as pequenas editoras&rdquo;, avalia Renato Rovai, publisher da Revista F&oacute;rum. Para ele, a justificativa das empresas para n&atilde;o distribuir uma revista &ldquo;nunca foi pol&iacute;tica ou editorial: vem travestida de argumentos t&eacute;cnicos&rdquo;. Quando da cria&ccedil;&atilde;o da F&oacute;rum, ele procurou a Dinap, que exigiu um reparte m&iacute;nimo para venda em banca. &ldquo;A tiragem m&iacute;nima exigida por eles &eacute; proibitiva para revistas que n&atilde;o s&atilde;o de car&aacute;ter comercial. Eles criam uma linha de corte para quem eles n&atilde;o consideram conveniente distribuir, por motivos comerciais ou pol&iacute;tico-editoriais&rdquo;. Ainda segundo o publisher da F&oacute;rum, &ldquo;a distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; uma parte estrat&eacute;gica do neg&oacute;cio, e n&atilde;o h&aacute; qualquer fiscaliza&ccedil;&atilde;o. A Abril vai estabelecer uma ditadura das bancas&rdquo;.<\/p>\n<p>Insatisfeitas com a monopoliza&ccedil;&atilde;o do mercado de distribui&ccedil;&atilde;o, as pequenas editoras se organizam para intervir no processo. &ldquo;N&oacute;s vamos nos somar a outras entidades e publica&ccedil;&otilde;es independentes para discutir formas de garantir que essas publica&ccedil;&otilde;es consigam disputar espa&ccedil;o nas bancas&rdquo;, afirma Nilton Viana, editor do Jornal Brasil de Fato. De acordo com&nbsp;ele, os primeiros efeitos da fus&atilde;o entre Dinap e Chinaglia, ainda que difusos, j&aacute; s&atilde;o percept&iacute;veis. &ldquo;Por &lsquo;coincid&ecirc;ncia&rsquo;, h&aacute; um m&ecirc;s a Chinaglia come&ccedil;ou a colocar uma s&eacute;rie de exig&ecirc;ncias que n&atilde;o existiam antes e que fariam parte da nova gest&atilde;o, como o cumprimento de metas de vendas, que tendem a inviabilizar o nosso jornal&rdquo;.<\/p>\n<p>Vale lembrar que, atualmente, as principais revistas semanais &ndash; como a &ldquo;&Eacute;poca&rdquo; e a &ldquo;Carta Capital&rdquo;, que disputam mercado com a &ldquo;Veja&rdquo;, da Abril &ndash; s&atilde;o distribu&iacute;das pela Chinaglia.<\/p>\n<p><strong>Congresso Nacional<\/p>\n<p><\/strong>Membros do parlamento brasileiro tamb&eacute;m demonstram preocupa&ccedil;&atilde;o com a poss&iacute;vel monopoliza&ccedil;&atilde;o do setor de distribui&ccedil;&atilde;o de revistas. Por sugest&atilde;o dos deputados Devanir Ribeiro (PT-SP) e Celso Russomanno (PP-SP) , as comiss&otilde;es de Defesa do Consumidor e de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o Financeira e Controle da C&acirc;mara aprovaram &nbsp;a realiza&ccedil;&atilde;o de audi&ecirc;ncia p&uacute;blica conjunta para debater a aquisi&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><span style=\"color: black\">Ribeiro alerta para a gravidade do caso, que poder&aacute; criar problemas para as revistas concorrentes do Grupo Abril. &ldquo;Cria-se praticamente um monop&oacute;lio e isto interfere na liberdade de concorr&ecirc;ncia, prejudicando as empresas do segmento editorial, o consumidor e at&eacute; mesmo a liberdade de imprensa.&rdquo;, afirmou o parlamentar petista.<\/p>\n<p><\/span>&quot;Esse monop&oacute;lio &eacute; preocupante. Trata-se de uma grande empresa editora exercer o monop&oacute;lio de distribui&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&otilde;es em todo o territ&oacute;rio brasileiro, inclusive todas as publica&ccedil;&otilde;es de seus concorrentes&quot;, diz Russomanno.<\/p>\n<p>A audi&ecirc;ncia, que estava marcada para a &uacute;ltima quarta-feira, foi adiada devido ao cancelamento da presen&ccedil;a dos representantes do Grupo Abril. Nova audi&ecirc;ncia est&aacute; agendada para esta quarta, dia 5 de dezembro, &agrave;s 11h.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obriga\u00e7\u00f5es impostas pelo Conselho Administrativo Defesa Econ\u00f4mica t\u00eam como finalidade preservar as condi\u00e7\u00f5es de reversibilidade da opera\u00e7\u00e3o, caso ela seja considerada prejudicial \u00e0 ordem econ\u00f4mica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[478],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19937"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19937\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}