{"id":19912,"date":"2007-11-28T23:00:36","date_gmt":"2007-11-28T23:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19912"},"modified":"2007-11-28T23:00:36","modified_gmt":"2007-11-28T23:00:36","slug":"emendas-a-mp-398-tentam-garantir-carater-publico-da-tv-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19912","title":{"rendered":"Emendas \u00e0 MP 398 tentam garantir car\u00e1ter p\u00fablico da TV Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span>A pol&ecirc;mica sobre a cria&ccedil;&atilde;o da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o &#8211; EBC por meio da Medida Provis&oacute;ria 398\/07, publicada em 11 outubro, gerou 132 emendas no Congresso Nacional. Em sua imensa maioria, as emendas representam os interesses das empresas de radiodifus&atilde;o e se concentram sobretudo no receio de que a TV Brasil esvazie as TVs comerciais da publicidade estatal, ou que ela possa ser utilizada pelo presidente Lula como ferramenta de promo&ccedil;&atilde;o pessoal.<\/p>\n<p><\/span><span>Quest&otilde;es como a garantia da autonomia e do car&aacute;ter p&uacute;blico da nova emissora, tanto em rela&ccedil;&atilde;o ao modelo de gest&atilde;o quanto ao seu financiamento, n&atilde;o parecem ter chamado a aten&ccedil;&atilde;o dos partidos da oposi&ccedil;&atilde;o, em especial o PSDB e o DEM. Mesmo assim, &eacute; poss&iacute;vel encontrar na imensid&atilde;o de interesses privados algumas (poucas) tentativas de fazer do texto da MP algo que proteja efetivamente a TV Brasil das inger&ecirc;ncias de quaisquer governos.<\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; o pouco apre&ccedil;o que o n&uacute;cleo do governo tem demonstrado pelas resolu&ccedil;&otilde;es do I F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas, que estabeleceram, por consenso, os par&acirc;metros para a forma&ccedil;&atilde;o de um sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&otilde;es, a publica&ccedil;&atilde;o da MP em regime de urg&ecirc;ncia deixou o debate ainda mais restrito. Com exce&ccedil;&atilde;o da Abert &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Emissoras de R&aacute;dio e TV, representada pela &lsquo;bancada da comunica&ccedil;&atilde;o&rsquo; no Congresso, as entidades e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil que defendem a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es tem agora poucas iniciativas a que se apegar. Dentre elas, destacam-se as emendas apresentadas pelas deputadas Luiza Erundina (PSB-SP) e Maria do Carmo Lara (PT-MG), respons&aacute;veis pela maioria das propostas que t&ecirc;m como refer&ecirc;ncia a Carta de Bras&iacute;lia, documento final do F&oacute;rum.<\/p>\n<p><\/span><span>A MP, que tem validade de 60 dias, est&aacute; agora nas m&atilde;os do deputado Walter Pinheiro (PT-BA), que tem pouqu&iacute;ssimo tempo para apresentar seu relat&oacute;rio. Em negocia&ccedil;&atilde;o com o governo e com o presidente da C&acirc;mara, Arlindo Chinaglia, Pinheiro conseguiu, como prazo m&iacute;nimo para seu relat&oacute;rio o dia 4 de dezembro. Duas quest&otilde;es, no entanto, podem estender sua vida na Casa: a possibilidade de renovar a MP por mais 60 dias e a prioridade total do governo em aprovar a prorroga&ccedil;&atilde;o da CPMF, o que n&atilde;o altera o dead line do relator.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Financiamento e autonomia editorial<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Algumas poucas emendas &agrave; MP 398 t&ecirc;m como objetivo atribuir ao texto princ&iacute;pios mais claros, que visem a garantia do interesse p&uacute;blico. Entre elas, est&aacute; a proposta da deputada petista Maria do Carmo Lara, que sugere a altera&ccedil;&atilde;o da express&atilde;o &ldquo;direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o&rdquo; por &ldquo;direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o&rdquo;, que tem como fim atribuir um car&aacute;ter protagonista ao telespectador, para al&eacute;m do mero receptor que ele j&aacute; &eacute; quando o assunto &eacute; comunica&ccedil;&atilde;o. J&aacute; o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) prop&otilde;e a inclus&atilde;o de um novo item que assegure a promo&ccedil;&atilde;o da diversidade &eacute;tnica. No mesmo sentido, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) inclui a quest&atilde;o de g&ecirc;nero como princ&iacute;pio para a EBC.<\/p>\n<p><\/span><span>No caso do financiamento da empresa, o que mais chama aten&ccedil;&atilde;o &eacute; a enxurrada de emendas que visam restringir qualquer tipo de publicidade na TV Brasil. Para al&eacute;m dos interesses das TVs comerciais em n&atilde;o ter que disputar a publicidade governamental com a nova emissora, a reda&ccedil;&atilde;o da MP traz preocupa&ccedil;&otilde;es que devem ser vistas a partir de outros &acirc;ngulos, o da transpar&ecirc;ncia e o da autonomia editorial. Em seu artigo 11, coloca-se a possibilidade de que a receita da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o seja constitu&iacute;da por &ldquo;rendas provenientes de outras fontes&rdquo;. &Eacute; um item gen&eacute;rico o suficiente para ser questionado, como o faz a deputada Maria do Carmo Lara, que prop&otilde;e que qualquer fonte de recursos n&atilde;o prevista no texto deva ser aprovada pelo Conselho Curador, assim como o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), que tamb&eacute;m demonstra preocupa&ccedil;&atilde;o semelhante. A deputada Luiza Erundina quer ainda restringir a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os pela EBC exclusivamente a entes p&uacute;blicos, para que a empresa n&atilde;o venha a depender de recursos oriundos da iniciativa privada.<\/p>\n<p><\/span><span>Em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica realizada na quarta-feira (28) na C&acirc;mara dos Deputados, o relator Walter Pinheiro defendeu que o financiamento da empresa deva ser independente tanto do governo quanto do mercado e pediu maior clareza na defini&ccedil;&atilde;o de apoio cultural. &quot;&Eacute; fundamental que essa proposta de radiodifus&atilde;o p&uacute;blica tenha fontes de financiamento seguras e permanentes, n&atilde;o contingenci&aacute;veis. Quero, inclusive, aproveitar a MP e definir o que &eacute; apoio cultural, porque na lei n&atilde;o existe isso&quot;, sugeriu o deputado petista.<\/p>\n<p><\/span><span>A presidente da EBC, a jornalista Tereza Cruvinel, relativiza a preocupa&ccedil;&atilde;o a respeito da autonomia editorial. &ldquo;H&aacute; uma leitura equivocada de um artigo da MP. Ela admite a publicidade institucional, mas pro&iacute;be a publicidade de produtos e servi&ccedil;os, o comercial convencional.&nbsp; Vamos explicitar isso. Existe tamb&eacute;m, de fato, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a interfer&ecirc;ncia de anunciantes na linha editorial.&nbsp;An&uacute;ncios institucionais jamais ter&atilde;o peso financeiro que possibilite tal depend&ecirc;ncia e tal subordina&ccedil;&atilde;o aos anunciantes. A deputada Erundina vem levantando este argumento, e eu respeito o argumento. Mas para isso, ser&aacute; preciso encontrar fontes complementares de receita para a TV publica&rdquo;, afirma Cruvinel.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Modelo de gest&atilde;o insuficiente<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O modelo de gest&atilde;o e, sobretudo, o mecanismo de escolha dos &ldquo;representantes&rdquo; da sociedade civil no Conselho Curador da EBC tem sido, desde as primeiras manifesta&ccedil;&otilde;es do ministro-chefe da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Presid&ecirc;ncia Franklin Martins, os principais questionamentos das organiza&ccedil;&otilde;es e entidades civis. O modelo adotado, onde o presidente fica encarregado pelas 15 indica&ccedil;&otilde;es ao Conselho (quatro j&aacute; s&atilde;o reservadas ao governo, e mais uma aos funcion&aacute;rios), redunda agora na necessidade de legitima&ccedil;&atilde;o da TV Brasil perante os setores conservadores, fato vis&iacute;vel nos nomes escolhidos pelo presidente e divulgados no &uacute;ltimo dia 26.<\/p>\n<p><\/span><span>Dentre as poucas emendas que prop&otilde;em uma altera&ccedil;&atilde;o na composi&ccedil;&atilde;o ou no processo de escolha do Conselho Curador est&aacute; a proposta do deputado Humberto Souto (PPS-MG), que estabelece a escolha pelo governo atrav&eacute;s de &ldquo;listas tr&iacute;plices&rdquo; encaminhadas por entidades pr&eacute;-determinadas como a Academia Brasileira de Letras, centrais sindicais, a Ordem dos Advogados do Brasil e at&eacute; mesmo a Abert, e a do deputado Fl&aacute;vio Dino (PCdoB-MA) que sugere cotas regionais para a forma&ccedil;&atilde;o do conselho. A deputada Maria do Carmo Lara tenta ainda uma media&ccedil;&atilde;o entre os anseios das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e a id&eacute;ia defendida pelo governo, sugerindo que oito conselheiros sejam escolhidos pelo presidente e mais sete indicados diretamente pela sociedade civil &ldquo;na forma do estatuto&rdquo;, ou seja, determinada posteriormente.<\/p>\n<p><\/span><span>Entre as poucas emendas propostas pela oposi&ccedil;&atilde;o que podem ser aproveitadas est&atilde;o as que exigem uma esp&eacute;cie de &ldquo;sabatina&rdquo; pelo poder legislativo dos diretores e conselheiros indicados pelo presidente, assim como acontece nas ag&ecirc;ncias reguladoras, o que tira a prerrogativa exclusiva do governo de plant&atilde;o para determinar os que fiscalizar&atilde;o e os que estar&atilde;o &agrave; frente da gest&atilde;o do EBC . De qualquer forma, os deputados e senadores ter&atilde;o que se esfor&ccedil;ar para correr atr&aacute;s da pauta, pois o Conselho Curador j&aacute; est&aacute; escolhido pelo presidente Lula.<\/p>\n<p><\/span><span>Na audi&ecirc;ncia p&uacute;blica desta quarta-feira, o modelo de gest&atilde;o foi apontado como problem&aacute;tico por organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. S&eacute;rgio Murillo, presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornalistas (Fenaj) afirmou que a fun&ccedil;&atilde;o do Conselho &eacute; &ldquo;irrelevante e figurativa&rdquo;. O ministro Franklin Martins respondeu, como de praxe, com pouca objetividade. &ldquo;Quando vejo o nome das 15 pessoas que est&atilde;o a&iacute;, vejo personalidades independentes, n&atilde;o acho que nenhuma delas ser&aacute; um pau-mandado do governo&rdquo;, defendeu.<\/p>\n<p><\/span><span>Walter Pinheiro, por sua vez, abriu a possibilidade de que o modelo seja alterado. &ldquo;Se queremos algo que exer&ccedil;a um papel fundamental de controle e contribui&ccedil;&atilde;o, talvez a expectativa de aprimorar o Conselho seja uma coisa boa. &Eacute; importante no m&iacute;nimo dar uma &lsquo;sacodida&rsquo; no modelo apresentado&rdquo;, afirmou o deputado.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Reserva no espectro aberto<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Uma outra preocupa&ccedil;&atilde;o da deputada Luiza Erundina expressa em uma de suas emendas &eacute; garantir que a TV Brasil possa operar no espectro aberto. Apesar de j&aacute; come&ccedil;ar as suas opera&ccedil;&otilde;es em sinal digital no pr&oacute;ximo dia 2 de dezembro em S&atilde;o Paulo, n&atilde;o h&aacute; garantias expl&iacute;citas no texto da MP de que ela estar&aacute; presente no dial anal&oacute;gico sem a ades&atilde;o das TVs p&uacute;blicas locais, como a TV Cultura de S&atilde;o Paulo ou a Rede Minas. <\/p>\n<p>De qualquer forma, a pr&oacute;pria presidente da EBC admite que mesmo presente no espectro aberto, a TV Brasil deve, alojada no canal 68, ficar praticamente invis&iacute;vel do grande p&uacute;blico. Segundo Tereza Cruvinel, &ldquo;a TV Brasil&nbsp;ter&aacute; um canal anal&oacute;gico e um digital em S&atilde;o&nbsp;Paulo.&nbsp;Talvez ele n&atilde;o entre no ar no dia 2, por atraso na entrega de equipamentos.&nbsp;O anal&oacute;gico, de fato, n&atilde;o tem boa posi&ccedil;&atilde;o no espectro, mas teremos&nbsp;alguma compensa&ccedil;&atilde;o com a TV a cabo&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>* <\/span><span>Com informa&ccedil;&otilde;es da Ag&ecirc;ncia Brasil e da Ag&ecirc;ncia C&acirc;mara.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das 132 emendas \u00e0 Medida Provis\u00f3ria que criou a EBC, a maioria foi encomendada pelos radiodifusores privados. Menos de 15% delas visam aprimorar o car\u00e1ter p\u00fablico da nova empresa de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[164],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19912"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19912"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19912\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}