{"id":19911,"date":"2007-11-28T18:47:46","date_gmt":"2007-11-28T18:47:46","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19911"},"modified":"2007-11-28T18:47:46","modified_gmt":"2007-11-28T18:47:46","slug":"a-tv-digital-vai-demorar-uns-30-anos-para-pegar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19911","title":{"rendered":"&#8216;A TV digital vai demorar uns 30 anos para pegar&#8217;"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>Com 71 anos, Jos&eacute; Bonif&aacute;cio Sobrinho, o Boni,&nbsp;&eacute; um dos pioneiros da televis&atilde;o, ex-todo poderoso da Rede Globo e&nbsp;dono da TV Vanguarda. Recentemente, foi&nbsp;escolhido por Lula para ser um dos 15 representantes da &#39;sociedade civil&#39; no condelho curador da Empresa Brasil de Comuniva&ccedil;&atilde;o, mantenedora da nascete TV Brasil. H&aacute; 56 anos na televis&atilde;o, diz que novo sistema estar&aacute; fora do alcance da maioria dos brasileiros e sugere calma.<\/p>\n<p><\/em><\/span><span>Ele n&atilde;o tem pressa. Com a TV digital &agrave;s portas da estr&eacute;ia, no pr&oacute;ximo domingo inicialmente apenas em S&atilde;o Paulo, Jos&eacute; Bonif&aacute;cio de Oliveira Sobrinho, o Boni, como &eacute; unanimemente conhecido no m&eacute;tier televisivo, sugere calma e desdenha das t&atilde;o propagadas inova&ccedil;&otilde;es do novo sistema.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Interatividade, alta defini&ccedil;&atilde;o, som surround&#8230;. &quot;Ah, tudo isso vai demorar uns 30 anos para pegar de fato no Brasil. Os equipamentos s&atilde;o muito caros. Est&atilde;o &eacute; fazendo propaganda enganosa para convencer as pessoas a aderirem&quot;, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span><br \/><\/span><span>Boni &eacute; o que se pode chamar de enciclop&eacute;dia viva da televis&atilde;o brasileira. H&aacute; 56 anos, quando a TV por estas bandas ainda era um beb&ecirc; de dois anos, ele j&aacute; estava na TV Tupi. Ao chegarem as cores, em 1972, era o manda-chuva da Rede Globo e foi o respons&aacute;vel por aposentar o branco e preto na maior emissora do Pa&iacute;s. Agora, com a TV digital, ele assiste &agrave;s mudan&ccedil;as na confort&aacute;vel posi&ccedil;&atilde;o de dono de canal no interior paulista, a TV Vanguarda, uma afiliada da Rede Globo no Vale do Para&iacute;ba.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;N&atilde;o terei de me preocupar com esse assunto por pelo menos dois anos. E espero que demore ainda mais&quot;, diz, aliviado, referindo-se ao cronograma oficial de implementa&ccedil;&atilde;o do novo sistema no Pa&iacute;s, que contempla, na primeira fase, as capitais. S&oacute; depois vir&aacute; o interior.<\/p>\n<p><\/span><span>Ao contr&aacute;rio do que possa parecer, Boni n&atilde;o &eacute; um saudosista. Est&aacute;, sim, superantenado com as novidades da TV digital. J&aacute; viajou para EUA, Europa e Jap&atilde;o para ver o que se produz por l&aacute; e est&aacute; montando uma nova sede para sua emissora, toda preparada para captar em alta defini&ccedil;&atilde;o. Mas o que pega mesmo, diz, &eacute; que tanta fal&aacute;cia e dinheiro gasto para produzir imagens de cair o queixo n&atilde;o ir&aacute; chegar &agrave; maioria das pessoas.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;O Brasil tem cerca de 50 milh&otilde;es de televisores. Na &eacute;poca em que a TV em branco e preto virou colorida, havia um est&iacute;mulo &oacute;bvio, que era ver as imagens em cores, uma coisa in&eacute;dita&quot;, diz. &quot;E agora? Quem ter&aacute; R$ 6 mil, mais R$ 800 do conversor, para comprar uma TV em alta defini&ccedil;&atilde;o? A maioria n&atilde;o vai se ligar nisso. O importante para eles &eacute; ver a novela, e pronto. Quem ir&aacute; aproveitar a alta defini&ccedil;&atilde;o ser&aacute; uma minoria de 3% que tem dinheiro no Pa&iacute;s.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Boni vai mais fundo. Arrisca-se at&eacute; a dar um conselho a quem est&aacute; em d&uacute;vida se compra ou n&atilde;o um conversor de TV digital. &quot;Na estr&eacute;ia, n&atilde;o vai ter interatividade, poucos programas ser&atilde;o em alta defini&ccedil;&atilde;o e com som surround&#8230; Quer saber? Se o sinal de TV pega bem em sua casa, &eacute; melhor ficar do jeito que est&aacute;, pois voc&ecirc; n&atilde;o perder&aacute; nada.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Mesmo assim, Boni v&ecirc; a atual transi&ccedil;&atilde;o como necess&aacute;ria. Segundo ele, os equipamentos que as emissoras usam hoje para transmitir no sistema anal&oacute;gico j&aacute; custam o mesmo que os do futuro sistema digital. &quot;&Eacute; preciso se atualizar. Para que gastar o mesmo com equipamentos defasados? A televis&atilde;o ainda ir&aacute; passar por outras transforma&ccedil;&otilde;es como essa no futuro. &Eacute; uma coisa c&iacute;clica.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>&quot;Televis&atilde;o vai continuar por muito tempo&quot; <\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Num tempo em que tudo converge para o digital, desde m&uacute;sica e v&iacute;deos &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, o que ser&aacute; da quase sessentona TV brasileira, agora que ela mesma se rende aos bits e bytes? Boni &eacute; claro em sua constata&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Muitos j&aacute; preferem outros meios mais interativos, como a web.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>Ele pr&oacute;prio possui um blog (http:\/\/bloglog.globo.com\/boni), disponibiliza v&iacute;deos da programa&ccedil;&atilde;o de sua emissora no site da TV Vanguarda (www.vanguarda.tv) e se diz um usu&aacute;rio compulsivo da rede. &ldquo;Mas a internet n&atilde;o ir&aacute; tirar o lugar da televis&atilde;o. Um meio n&atilde;o mata o outro. Veja o r&aacute;dio, por exemplo, a TV chegou e ele continua a&iacute;.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute;, mas antes de a TV estrear, o r&aacute;dio era o centro das aten&ccedil;&otilde;es. Depois, perdeu relev&acirc;ncia. Isso n&atilde;o pode acontecer com a TV tamb&eacute;m?, pergunta o rep&oacute;rter. &ldquo;Com certeza deve haver uma concorr&ecirc;ncia no futuro. Mas a televis&atilde;o continuar&aacute; a ser o centro. Principalmente porque as telas est&atilde;o aumentando de tamanho. Quando voc&ecirc; vai assistir um programa, prefere ver em uma telinha do PC ou em uma telona na sala? A televis&atilde;o vai continuar a&iacute; por muito tempo ainda.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>O mesmo pensamento &eacute;, segundo Boni, v&aacute;lido para a possibilidade de assistir programas em celulares ou outros dispositivos port&aacute;teis, como ser&aacute; permitido a partir de domingo, em S&atilde;o Paulo. Para ele, ver programas muito longos em telinhas n&atilde;o agradar&aacute; o telespectador, mesmo que possa ter acesso &agrave; novela em viagens de &ocirc;nibus, por exemplo.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Acho, sim, que a transmiss&atilde;o de programas para celular far&aacute; muito sucesso. Mas o formato ter&aacute; de ser curto, de cerca de dois minutos. E isso tem de ser estudado. Pois, pela TV digital, n&atilde;o seria poss&iacute;vel. Seria necess&aacute;rio conversar com operadoras de telefonia para conseguir um custo atraente.&rdquo; <\/p>\n<p><\/span><span>Ao mesmo tempo, Boni se diz preocupado com o impacto que essas mudan&ccedil;as podem trazer. O primeiro deles, apontado por ele como positivo, &eacute; que as emissoras ter&atilde;o de se profissionalizar cada vez mais, em detrimento de muitos improvisos praticados hoje. &quot;Cen&aacute;rios com remendos, ilumina&ccedil;&atilde;o sem planejamento, tudo isso ter&aacute; de ser revisto.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Historicamente, lembra, cada mudan&ccedil;a que a TV sofreu nesses 58 anos de opera&ccedil;&atilde;o no Pa&iacute;s for&ccedil;ou a maior profissionaliza&ccedil;&atilde;o. A Boni, por exemplo, &eacute; creditada a cria&ccedil;&atilde;o do famoso &quot;Padr&atilde;o Globo de Qualidade&quot;, que fez as demais emissoras correrem atr&aacute;s do preju&iacute;zo para tentar se igualar &agrave; l&iacute;der &#8211; vide o atual exemplo da Record.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;A cada altera&ccedil;&atilde;o, cresce o n&uacute;mero de profissionais envolvidos, os cuidados t&eacute;cnicos, o dinheiro envolvido&#8230; A tecnologia exige isso&quot;, diz. &quot;Hoje, por exemplo, o complexo de produ&ccedil;&atilde;o das emissoras &eacute; gigantesco, com milhares de funcion&aacute;rios. Por outro lado, o pr&eacute;dio da TV Paulista (comprada pela Globo em 1965), onde trabalhei no come&ccedil;o da carreira, transformou-se em uma tinturaria, de t&atilde;o pequeno que era.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span>Mas, junto com essa profissionaliza&ccedil;&atilde;o, Boni alerta para a necessidade de focar na criatividade. Ele diz que, at&eacute; agora, ouviu muito falar sobre os avan&ccedil;os t&eacute;cnicos na &aacute;rea de imagem, som, etc., mas n&atilde;o sobre como toda essa mudan&ccedil;a pode impactar no conte&uacute;do que se v&ecirc; na tela dos televisores.<\/p>\n<p><\/span><span>&quot;O meu medo &eacute; que a preocupa&ccedil;&atilde;o fique apenas nos aspectos tecnol&oacute;gicos e se perca o foco no mais importante, que &eacute; o que se leva aos telespectadores&quot;, diz. E lembra: &quot;Quando ainda t&iacute;nhamos a TV em branco e preto, me disseram na TV Paulista: &quot;N&atilde;o adianta ter uma produ&ccedil;&atilde;o car&iacute;ssima se o conte&uacute;do for ruim. Se for bom, pode ser at&eacute; filmado com uma c&acirc;mera s&oacute;, com um apresentador lendo um livro, que o p&uacute;blico n&atilde;o muda de canal. Viu? A tecnologia n&atilde;o &eacute; tudo.&quot;<\/span><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Est\u00e3o fazendo propaganda enganosa para as pessoas aderirem ao novo sistema&#8217;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[557],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19911"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}