{"id":19895,"date":"2007-11-27T21:30:31","date_gmt":"2007-11-27T21:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19895"},"modified":"2007-11-27T21:30:31","modified_gmt":"2007-11-27T21:30:31","slug":"decisoes-do-governo-impactam-no-alto-preco-dos-conversores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19895","title":{"rendered":"Decis\u00f5es do governo impactam no alto pre\u00e7o dos conversores"},"content":{"rendered":"<p><span>Os primeiros conversores, os chamados set-top boxes, chegaram ao mercado dez dias antes do lan&ccedil;amento da TV digital, que acontecer&aacute; no pr&oacute;ximo dia 2, com pre&ccedil;os muito superiores ao que fora anunciado pelo governo federal, que durante o processo de discuss&atilde;o acerca da implementa&ccedil;&atilde;o da nova tecnologia garantiu reiteradamente que os conversores seriam acess&iacute;veis ao conjunto da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Por enquanto, o aparelho mais barato est&aacute; sendo produzido pela fabricante de computadores Positivo Inform&aacute;tica&nbsp;e&nbsp;oferecer&aacute;&nbsp;imagens apenas em resolu&ccedil;&atilde;o equivalente &agrave; imagem de DVD.&nbsp;O pre&ccedil;o, R$ 500, ser&aacute; o&nbsp;sugerido pelo fabricante ao lojista,&nbsp;sendo prov&aacute;vel que chegue &agrave;s prateleiras por um valor substancialmente maior. Para ter acesso &agrave; alta resolu&ccedil;&atilde;o (HDTV, de high definition television), o consumidor ter&aacute; que desembolsar a partir de R$&nbsp;700 (valor tamb&eacute;m sugerido ao lojista), pre&ccedil;o de outro modelo de conversor da Positivo. Outros fabricantes, como Philips e Semp Toshiba, devem oferecer aparelhos para alta defini&ccedil;&atilde;o a partir de R$1.000.<\/p>\n<p><\/span><span>Nenhum dos aparelhos dispon&iacute;veis no mercado estar&aacute; preparado para a interatividade, uma das grandes promessas do governo para a TV digital. Ou seja, se o consumidor quiser ter acesso a estes recursos, ser&aacute; preciso trocar de conversor em um futuro pr&oacute;ximo. Tamb&eacute;m os conversores capazes de receber a chamada alta defini&ccedil;&atilde;o n&atilde;o garantem ao consumidor que adquir&iacute;-lo a chance de assist&iacute;-la, isso porque o televisor&nbsp;apto&nbsp;a receber tais imagens n&atilde;o sai por menos de alguns milhares de reais.<\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; na Europa, que adota o padr&atilde;o DVB &ndash; em vez do ISDB, o padr&atilde;o japon&ecirc;s escolhido como base para o sistema brasileiro &ndash;, conversores s&atilde;o vendidos por cerca de 40 euros (R$ 103) e, por 50 euros (R$ 129,16), &eacute; poss&iacute;vel comprar aparelhos que possibilitam interatividade.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Causa e efeito<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O custo elevado dos conversores nada mais &eacute; que conseq&uuml;&ecirc;ncia direta das escolhas do governo brasileiro. A op&ccedil;&atilde;o pela alta defini&ccedil;&atilde;o, por exemplo, &eacute; um dos fatores que elevam o pre&ccedil;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Diferente da maioria dos pa&iacute;ses europeus, por exemplo, o Brasil priorizou a alta defini&ccedil;&atilde;o em detrimento das outras fun&ccedil;&otilde;es da TV digital, optando por realizar a transi&ccedil;&atilde;o diretamente para o HDTV. Nesse padr&atilde;o, o fluxo de informa&ccedil;&otilde;es precisa uma velocidade mais alta para ser transmitido, sendo necess&aacute;rio chips com maior pot&ecirc;ncia de processamento &ndash; o que encarece o aparelho.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo especialistas consultados pela reportagem do Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, o maior n&oacute;, por&eacute;m, reside o fato de, ao criar o SBTVD, o sistema brasileiro, o governo ter introduzido altera&ccedil;&otilde;es no sistema japon&ecirc;s. Essas modifica&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de impactar diretamente nos custos, isolam o Brasil dos demais mercados, inclusive do pr&oacute;prio mercado japon&ecirc;s. <\/p>\n<p><\/span><span>A primeira diferen&ccedil;a &eacute; o sistema de compacta&ccedil;&atilde;o de dados: em vez do <em>MPEG-2<\/em>, usado no Jap&atilde;o, o governo brasileiro decidiu adotar o <em>MPEG-4<\/em> &ndash; que permite a transmiss&atilde;o de um mesmo conte&uacute;do com a metade da ocupa&ccedil;&atilde;o do espectro de freq&uuml;&ecirc;ncias &ndash; , mas que ainda n&atilde;o &eacute; utilizado em grande escala pela ind&uacute;stria.<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m disso, o governo brasileiro escolheu um <em>turner<\/em> (sintonizador) distinto dos demais. Ao determinar as especifica&ccedil;&otilde;es do sintonizador, privilegiou-se a robustez do sinal &ndash; sob a justificativa de que, apesar do aumento nos custos, esse dispositivo melhoraria a qualidade do sinal recebido pelos espectadores.&nbsp; <\/p>\n<p><\/span><span>Na avalia&ccedil;&atilde;o de especialistas, por&eacute;m, trata-se de uma solu&ccedil;&atilde;o que favorece antes as emissoras que os espectadores, pois quando o sinal n&atilde;o &eacute; robusto, cabe a elas aumentar a pot&ecirc;ncia e, conseq&uuml;entemente, o consumo de energia. A solu&ccedil;&atilde;o mais coerente com o modelo de converg&ecirc;ncia digital, em que se pretende privilegiar a portabilidade e a mobilidade, seria, em vez de priorizar a robustez, espalhar antenas por diferentes pontos da cidade.<\/p>\n<p><\/span><span>O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, sempre em coro com as empresas, tentou colocar a culpa do alto pre&ccedil;o nos fabricantes, mas agora tenta esfriar os &acirc;nimos, argumentando que o pre&ccedil;o inicial dos conversores ser&aacute; rebaixado t&atilde;o logo aumente a procura. Especialistas s&atilde;o c&eacute;ticos a esse respeito &ndash; justamente devido ao isolamento brasileiro e tamb&eacute;m porque parte substancial da classe m&eacute;dia e da classa mais alta j&aacute; possui TV por assinatura e, consequentemente,&nbsp;n&atilde;o comprar&aacute; os conversores para a a televis&atilde;o aberta.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Com volumes pequenos o produto demorar&aacute; para baixar de pre&ccedil;o&rdquo;, analisa Mario Baumgarten, membro da coaliz&atilde;o DVB Brasil. Ele lembra que a popula&ccedil;&atilde;o brasileira, que representa 2,8% da mundial, n&atilde;o tem como impulsionar, sozinha, economias de escala. <\/span><span>Segundo ele, nas telecomunica&ccedil;&otilde;es que dependem cada vez mais da microeletr&ocirc;nica de alta integra&ccedil;&atilde;o, nenhum padr&atilde;o tecnol&oacute;gico consegue sobreviver em regime de competi&ccedil;&atilde;o se n&atilde;o conquistar pelo menos 15% do mercado mundial. <\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&ldquo;Se, por um exerc&iacute;cio de extrapola&ccedil;&atilde;o, imagin&aacute;ssemos que o Brasil conquistasse para si todos os pa&iacute;ses que ainda n&atilde;o decidiram por seu padr&atilde;o (dezenas), ele estaria em condi&ccedil;&otilde;es de abocanhar aproximadamente 6,5% do mercado global &ndash; o que ainda fica longe do necess&aacute;rio para assegurar produtos econ&ocirc;micos&rdquo;, diz.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Nada de novo<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O mesmo governo que se diz &ldquo;indignado&rdquo; com os pre&ccedil;os foi alertado desde o in&iacute;cio do processo acerca dos altos custos que resultariam da op&ccedil;&atilde;o pelo padr&atilde;o japon&ecirc;s.<\/p>\n<p><\/span><span>No come&ccedil;o do ano passado, antes mesmo de oficializada a escolha do padr&atilde;o, o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, anunciava que o conversor para o ISDB custaria entre 40 e 50 d&oacute;lares no Brasil. Na &eacute;poca, o Centro de Pesquisa em Desenvolvimento em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (CPqD) acabara de divulgar as conclus&otilde;es de um estudo comparativo entre os padr&otilde;es. <\/p>\n<p><\/span><span>Ao contr&aacute;rio do que dizia o ministro, o relat&oacute;rio j&aacute; informava que o conversor para alta defini&ccedil;&atilde;o do ISDB custaria a partir de R$ 700 (sem contar os royalties de modula&ccedil;&atilde;o e licen&ccedil;as de middleware). E mais: esse custo valia para um conversor com sistema de compress&atilde;o MPEG-2 e seria, portanto, maior com o uso do MPEG-4.<\/p>\n<p><\/span><span>Ao fim e ao cabo, a sociedade brasileira, que foi exclu&iacute;da das decis&otilde;es sobre a TV digital, &eacute; quem vai arcar com as conseq&uuml;&ecirc;ncias. E vai pagar duas vezes: na tentativa de desfazer o que ele mesmo criou, o ministro oferece, &agrave;s expensas dos cofres p&uacute;blicos, linhas de cr&eacute;dito, subs&iacute;dios &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e isen&ccedil;&atilde;o de impostos,&nbsp;em um pacote&nbsp;j&aacute; chamado por alguns&nbsp;conhecedores do universo industrial&nbsp;de a &ldquo;farra da TV digital&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Tais medidas, al&eacute;m de question&aacute;veis em seu m&eacute;rito, devem ser ineficazes. &ldquo;A raiz do problema da TV digital no Brasil n&atilde;o s&atilde;o os impostos ou a falta de competi&ccedil;&atilde;o. O problema central &eacute; o isolamento que o SBTVD-T provocou, com as conseq&uuml;entes faltas de economias de escala&rdquo;, analisa Baumgarten. <\/p>\n<p><\/span><span>Ele prev&ecirc; que a isen&ccedil;&atilde;o de tarifas de importa&ccedil;&atilde;o para produtos acabados resultaria, provavelmente, em transfer&ecirc;ncia de empregos, pesquisa e desenvolvimento para o exterior. Por outro lado, &ldquo;qualquer novo fabricante do exterior que desejasse competir localmente teria de incorrer em custos de desenvolvimento para poder produzir produtos do padr&atilde;o SBTVD-T, nivelando-se aos fabricantes que aqui j&aacute; se encontram para, ao final, ter que disputar um mercado internacionalmente pouco relevante&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Movimento contr&aacute;rio<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>No dia 7 de novembro, H&eacute;lio Costa declarou &agrave; Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor da C&acirc;mara dos Deputados, durante audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, que os pre&ccedil;os de conversores est&atilde;o caindo no Jap&atilde;o, devido ao aumento da escala. Segundo ele, j&aacute; seria poss&iacute;vel encontrar aparelhos a partir de 60 d&oacute;lares. <\/p>\n<p><\/span><span>Especialistas que t&ecirc;m analisado o mercado de conversores japon&ecirc;s, com o intuito de delinear as tend&ecirc;ncias do brasileiro &ndash; j&aacute; que nosso modelo se ap&oacute;ia no nip&ocirc;nico &ndash; apresentam dados muito distintos. Existem quatro modelos de conversores de baixo custo (para padr&otilde;es locais) no Jap&atilde;o, vendidos por cerca de 180 d&oacute;lares. Tr&ecirc;s deles foram lan&ccedil;ados em meados do ano passado e o pre&ccedil;o, at&eacute; hoje, n&atilde;o foi reduzido. <\/p>\n<p><\/span><span>Em vez de se popularizar, os set-top boxes ganharam fun&ccedil;&otilde;es mais complexas e se tornaram artigos de luxo, restritos a uma pequena parcela da popula&ccedil;&atilde;o. Os conversores mais baratos n&atilde;o adquiriram escala, e a maioria dos japoneses tem optado por televisores de tela plana com sintonizador embutido. Em um movimento semelhante, fabricantes como Sony e Samsung anunciaram que, no Brasil, v&atilde;o vender apenas aparelhos que prescindem de conversor &ndash; sequer produzir&atilde;o set-top boxes. O televisor mais barato, da Philips, custa R$ 7.999.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Considerando o elevado custo da solu&ccedil;&atilde;o de TV digital aberta para o consumidor brasileiro, os formuladores de pol&iacute;ticas poderiam se perguntar o que &eacute; mais econ&ocirc;mico: continuar em frente ou rever essa decis&atilde;o que, dia-a-dia se confirma como sendo de alto custo para os cidad&atilde;os brasileiros&rdquo;, Baumgarten conclui.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Sem afoba&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>&ldquo;O momento agora &eacute; de n&atilde;o ter pressa&rdquo;, afirma Luiz Moncau, advogado do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). A entidade est&aacute; preparando um boletim informativo, com orienta&ccedil;&otilde;es sobre as mudan&ccedil;as que v&ecirc;m com a digitaliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;A falta de informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um problema muito grave. Nossa recomenda&ccedil;&atilde;o &eacute; para que o consumidor deixe passar essa fase de transi&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o se afobe para comprar, pois h&aacute; chances de o produto n&atilde;o funcionar ou n&atilde;o atender &agrave;s expectativas&rdquo;, complementa. Por exemplo, os conversores importados diretamente, que n&atilde;o se adaptam &agrave;s especifica&ccedil;&otilde;es do sistema brasileiro, podem simplesmente n&atilde;o funcionar.<\/p>\n<p><\/span><span>Moncau afirma tamb&eacute;m que o Idec est&aacute; atento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o dos mecanismos anti-c&oacute;pia. Segundo a Casa Civil, o presidente Lula decidiria at&eacute; o final de outubro sobre a ado&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o dos chamados DRMs. At&eacute; agora, n&atilde;o houve uma defini&ccedil;&atilde;o oficial e os conversores foram produzidos sem a especifica&ccedil;&atilde;o de todos os par&acirc;metros. &ldquo;Se os conversores n&atilde;o permitirem a c&oacute;pia, vamos tomar uma atitude. Se n&atilde;o h&aacute; uma nova norma, os conversores n&atilde;o podem simplesmente tirar um direito assegurado por lei&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p><\/span><span>Procurado pela reportagem, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se pronunciou a respeito do pre&ccedil;o dos conversores ou sobre as especifica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas. Informou apenas que se reuniria em breve com os fabricantes. Andr&eacute; Barbosa, assessor especial da Casa Civil para as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m foi procurado mais de uma vez, mas n&atilde;o quis dar entrevista.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isolamento do Brasil no mercado mundial e defini\u00e7\u00f5es que tornaram os conversores mais caros explicam a diferen\u00e7a entre o pre\u00e7o prometido pelo governo e o que os cidad\u00e3os devem em breve encontrar nas lojas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[79],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19895"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19895"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19895\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}