{"id":19865,"date":"2007-11-23T18:42:50","date_gmt":"2007-11-23T18:42:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19865"},"modified":"2007-11-23T18:42:50","modified_gmt":"2007-11-23T18:42:50","slug":"projeto-de-lei-quer-garantir-recursos-para-o-desenvolvimento-do-software-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19865","title":{"rendered":"Projeto de Lei quer garantir recursos para o desenvolvimento do Software Livre"},"content":{"rendered":"<p>Os deputados federais Paulo Teixeira e Jorge Bittar protocolaram recentemente o Projeto de Lei que disp&otilde;e sobre o financiamento p&uacute;blico de Software Livre, em 22 de novembro de 2007. O objetivo principal &eacute; garantir que 20% dos recursos do Fundo Setorial para Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o (CT-Info) seja destinado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de tecnologias abertas. Poder&atilde;o solicitar recursos do CT-Info empresas, universidades, institutos tecnol&oacute;gicos, centros de pesquisa, cooperativas e comunidades desenvolvedoras.<\/p>\n<p>Segundo o PL, os projetos apresentados dever&atilde;o ser aprovados por conselho que ser&aacute; institu&iacute;to pelo Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT). O Projeto de Lei inova ao estabelecer que a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade de Software Livre dever&aacute; ser majorit&aacute;ria no conselho. &quot;Com esse projeto, faremos com que os recursos do CT-Info ir&atilde;o para as m&atilde;os de quem realmente inova, trabalha e produz tecnologia, os desenvolvedores brasileiros&quot;, afirma o deputado federal Paulo Teixeira.<\/p>\n<p>Segundo o deputado,&nbsp;o CT-Info destina-se a estimular as empresas nacionais a desenvolverem e produzirem bens e servi&ccedil;os de inform&aacute;tica e automa&ccedil;&atilde;o, investindo em atividades de pesquisas cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas. A fonte de Financiamento s&atilde;o as empresas de desenvolvimento ou produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os de inform&aacute;tica e automa&ccedil;&atilde;o que recebem incentivos fiscais da Lei de Inform&aacute;tica dever&atilde;o repassar no m&iacute;nimo 0,5% de seu faturamento bruto.<\/p>\n<p>Conhe&ccedil;a a&nbsp;&iacute;ntegra do PL:<\/p>\n<p>*&nbsp;<\/p>\n<p><strong><u>PROJETO DE LEI N&ordm; 2.469, DE 2007<\/u><\/strong><\/p>\n<p><em>Disp&otilde;e sobre uso do Fundo Setorial para Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o &#8211; CTInfo para financiar o desenvolvimento de software livre.<\/em><\/p>\n<p>O Congresso Nacional decreta:<\/p>\n<p>Art. 1&ordm; Esta lei disp&otilde;e sobre uso do Fundo Setorial para Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o &ndash; CTInfo, criado pela Lei n&ordm; 10.176 de 11 de janeiro de 2001 para financiar o desenvolvimento de software livre.<\/p>\n<p>Art. 2&ordm; Vinte por cento (20%) dos recursos do Fundo Setorial para Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o &#8211; CTInfo devem ser destinados ao desenvolvimento de software livre.<\/p>\n<p>Art. 3&ordm; Para os efeitos desta Lei, considera-se:<\/p>\n<p>I &#8211; Software: programa de computador. Sequ&ecirc;ncia de instru&ccedil;&otilde;es a serem seguidas e\/ou executadas, na manipula&ccedil;&atilde;o, redirecionamento ou modifica&ccedil;&atilde;o de um dado\/informa&ccedil;&atilde;o ou acontecimento.<\/p>\n<p>II &#8211; Software livre: qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribu&iacute;do livremente, desde que as altera&ccedil;&otilde;es efetuadas mantenham-se com a mesma licen&ccedil;a do software original. A maneira usual de distribui&ccedil;&atilde;o de software livre &eacute; anexar a este uma licen&ccedil;a de software livre, e tornar o c&oacute;digo fonte do programa dispon&iacute;vel.<\/p>\n<p>Art. 4&ordm; Poder&atilde;o solicitar o financiamento, a qualquer tempo, combinando recursos reembols&aacute;veis e n&atilde;o-reembols&aacute;veis, empresas, universidades, institutos tecnol&oacute;gicos, centros de pesquisa, cooperativas e outras institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas ou privadas, inclusive comunidades de desenvolvedores, atrav&eacute;s de editais lan&ccedil;ados pelo CTInfo.<\/p>\n<p>Art. 5&ordm; Os projetos de software livre dever&atilde;o ser aprovados por um conselho institu&iacute;do por portaria do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT), com participa&ccedil;&atilde;o majoritaria de membros da comunidade de software livre.<\/p>\n<p>Art. 6&ordm; Esta Lei entra em vigor na data de sua publica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>JUSTIFICA&Ccedil;&Atilde;O<br \/><\/strong><br \/>Este projeto de lei &eacute; resultado de um trabalho coletivo regidido em parceria com a comunidade brasileira de Software Livre. O objetivo desta mat&eacute;ria &eacute; fomentar o desenvolvimento de programas de computador sob a filosofia do Software Livre. Esses softwares s&atilde;o produ&ccedil;&otilde;es intelectuais de propriedade coletiva e criados de forma colaborativa por meio da rede mundial de computadores, a Internet. Seu modelo de licenciamento exige que o c&oacute;digo-fonte seja aberto e n&atilde;o restrija sua livre cess&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o, utiliza&ccedil;&atilde;o e altera&ccedil;&atilde;o de caracter&iacute;sticas originais.<\/p>\n<p>O CTInfo &#8211; Fundo Setorial para Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o destina-se a estimular as empresas nacionais a desenvolverem e produzirem bens e servi&ccedil;os de inform&aacute;tica e automa&ccedil;&atilde;o, investindo em atividades de pesquisas cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas. Reservar 20% dos recursos do fundo para garantir a forte indu&ccedil;&atilde;o de projetos de pesquisa na &aacute;rea de Software Livre trar&aacute; enormes benefic&iacute;os para a sociedade brasileira:<\/p>\n<p>1 &#8211; Quest&atilde;o econ&ocirc;mica<\/p>\n<p>As Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o (TICs) s&atilde;o cada vez mais importantes na vida das pessoas e das empresas. Ao depender de solu&ccedil;&otilde;es fechadas, pagamento licen&ccedil;as propriet&aacute;rias, o pa&iacute;s fica ref&eacute;m de poucas empresas, em maior parte multinacionais. Apenas como exemplo, um pacote simples (com sistema operacional, editor de texto e planilha propriet&aacute;rios) custa hoje, para cada computador, em m&eacute;dia US$500,00 &#8211; e n&atilde;o pode ser copiado, distribu&iacute;do ou alterado, ficando a crit&eacute;rio do fabricante o per&iacute;odo de manuten&ccedil;&atilde;o e a determina&ccedil;&atilde;o da vida &uacute;til dos mesmos.<\/p>\n<p>J&aacute; o sistema operacional livre GNU-Linux e o pacote BrOffice.org, por exemplo, podem ser obtidos gratuitamente atrav&eacute;s da Internet, podendo ser reproduzido quantas vezes for necess&aacute;rio.<\/p>\n<p>Com ado&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a de Softwares Livres no Brasil, o pa&iacute;s deixaria de enviar uma quantidade significativa royalties e licen&ccedil;as para o exterior, sobrando verbas p&uacute;blicas e privadas para o investimento em &aacute;reas de interesse social, como programas de inclus&atilde;o digital, moderniza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento tecnol&oacute;gico.<\/p>\n<p>2 &#8211; Transpar&ecirc;ncia e seguran&ccedil;a<\/p>\n<p>O acesso irrestrito ao c&oacute;digo-fonte do programa traz para ao cidad&atilde;o brasileiro n&atilde;o s&oacute; a vantagem de ter maior liberdade de utiliza&ccedil;&atilde;o, modifica&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de acordo com suas necessidades, mas tamb&eacute;m maior transpar&ecirc;ncia e seguran&ccedil;a. Isso porque, ao contr&aacute;rio do que ocorre hoje com os programas de c&oacute;digo fechado, seu funcionamento pode ser melhor acompanhado e aperfei&ccedil;oado por t&eacute;cnicos brasileiros, n&atilde;o havendo &quot;segredos&quot; de conhecimento exclusivo da empresa propriet&aacute;ria. Ou seja, quando houver algum problema no funcionamento do programa, este pode ser identificado claramente, reduzindo o risco de fraudes ou panes de origem desconhecida.<\/p>\n<p>3 &#8211; Vantagens t&eacute;cnicas<\/p>\n<p>A ado&ccedil;&atilde;o deste tipo de programa facilita o prolongamento da vida &uacute;til da base instalada de microcomputadores. &Eacute; sempre bom lembrar que, em m&eacute;dia a cada dois anos, as pessoas e organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m que trocar seus programas por vers&otilde;es mais atualizadas e seus microcomputadores por outros mais modernos e potentes para poderem utilizar as vers&otilde;es mais atualizadas destes programas. Estas novas vers&otilde;es dos produtos &ndash; chamadas updates &ndash;, que muitas vezes requerem troca de componentes &#8211; chamadas upgrades &#8211; s&atilde;o respons&aacute;veis por parte significativa dos custos que uma empresa, pessoa f&iacute;sica ou &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico tem quando est&aacute; informatizada e necessita acompanhar as inova&ccedil;&otilde;es deste setor.<\/p>\n<p>O acesso ao c&oacute;digo fonte e a participa&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento de softwares livres propiciam aos desenvolvedores brasileiros o contato direto e efetivo &agrave;s mais modernas tecnologias desenvolvidas no mundo todo, disseminado este conhecimento em nosso pa&iacute;s e elevando o grau de sofistica&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica dos produtos de software desenvolvidos no Brasil.<\/p>\n<p>Este desenvolvimento colaborativo se mostra ainda como uma excelente oportunidade para a divulga&ccedil;&atilde;o internacional da compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica e da capacidade que os profissionais brasileiros t&ecirc;m de desenvolver programas de computador alinhados &aacute;s principais tend&ecirc;ncias tecnol&oacute;gicas do mundo todo.<\/p>\n<p>Como o modelo econ&ocirc;mico do software livre tem como base a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, a utiliza&ccedil;&atilde;o internacional de software livre desenvolvido no Brasil apresenta-se ainda como uma oportunidade para expandir a exporta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em TIC para o mundo todo.<\/p>\n<p>4 &#8211; Uma alternativa que d&aacute; certo no mundo inteiro<\/p>\n<p>H&aacute; mais de quinze anos discute-se em todo o mundo a livre manipula&ccedil;&atilde;o dos programas de computador. At&eacute; h&aacute; pouco tempo era imposs&iacute;vel usar um computador moderno sem a instala&ccedil;&atilde;o de um sistema operacional propriet&aacute;rio, fornecido mediante licen&ccedil;as restritivas de amplo espectro. Ningu&eacute;m tinha permiss&atilde;o para compartilhar programas livremente com outros usu&aacute;rios de computador, e dificilmente algu&eacute;m poderia mudar os programas para satisfazer as suas necessidades operacionais espec&iacute;ficas.<\/p>\n<p>Hoje, a realidade &eacute; diferente. Os sistemas que estamos propondo s&atilde;o usados por milh&otilde;es de pessoas, de forma livre, no mundo inteiro. H&aacute; um incont&aacute;vel n&uacute;mero de empresas que o adotaram, entre elas as gigantes multinacionais Mercedes Benz, General Motors, Boeing Company, Sony Electronics Inc., Banco Nacional de Lavoro da It&aacute;lia, Chrysler Autom&oacute;veis, Science Applications International Corporation (ind&uacute;stria de armamentos) e os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos Ag&ecirc;ncia Nacional de Armamentos dos EUA, Marinha Norte-Americana (USA Navy), Correios Norte-Americanos (United States Postal Services), Ag&ecirc;ncia Espacial Norte-Americana (NASA), Departamento de Estado dos Estados Unidos, entre outras, que optaram pelo uso de programas livres.<\/p>\n<p>Em todos os setores da sociedade estes programas t&ecirc;m revolucionado o mundo da inform&aacute;tica. Os governos de diversos outros pa&iacute;ses, entre os quais Alemanha e China, j&aacute; adotaram pol&iacute;tica de uso de programas livres em seus organismos governamentais. No entanto, nenhum outro pa&iacute;s avan&ccedil;ou tanto no Software Livre quanto o Brasil, como mostram os resultados do projeto Free Libre Open Source Software (FLOSSWorld), desenvolvido pela Uni&#259;o Europ&eacute;ia e que contou com a parceria de 17 organiza&ccedil;&#337;es em 12 pa&iacute;ses. Quase 100% dos &oacute;rg&atilde;os do Governo Federal do Brasil utilizam Software Livre de alguma forma. H&aacute; tamb&eacute;m experi&ecirc;ncias nos principais Estados e Prefeituras, e em grandes empresas como Votorantim, Casas Bahia, Petrobr&aacute;s e Banco do Brasil.<\/p>\n<p>A aprova&ccedil;&atilde;o desta Lei mostra a preocupa&ccedil;&atilde;o e o empenho do legislador com a autonomia tecnol&oacute;gica, com a evolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em nosso pa&iacute;s e com a melhoria da qualidade de vida do conjunto da popula&ccedil;&atilde;o, contribuindo assim para acabar com os instrumentos de agravamento da exclus&atilde;o social. Precisamos criar condi&ccedil;&otilde;es concretas para que a juventude brasileira e nossas empresas, p&uacute;blicas e privadas, possam desenvolver tecnologia de fato.<\/p>\n<p>O Congresso Nacional dar&aacute; tamb&eacute;m uma importante contribui&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento econ&ocirc;mico, permitindo que pequenas empresas, voltadas para produ&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e suporte de programas livres sejam criadas e desonerando os cofres p&uacute;blicos da transfer&ecirc;ncia de recursos para o exterior.<\/p>\n<p>Por estes motivos que contamos com o apoio dos nobres deputados e deputadas para a aprova&ccedil;&atilde;o deste projeto.<\/p>\n<p>Sala das Sess&otilde;es, em 22 de novembro de 2007<\/p>\n<p>Deputado PAULO TEIXEIRA <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os deputados federais Paulo Teixeira e Jorge Bittar protocolaram recentemente o Projeto de Lei que disp&otilde;e sobre o financiamento p&uacute;blico de Software Livre, em 22 de novembro de 2007. 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