{"id":19857,"date":"2007-11-23T12:04:37","date_gmt":"2007-11-23T12:04:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19857"},"modified":"2007-11-23T12:04:37","modified_gmt":"2007-11-23T12:04:37","slug":"prefeituras-financiam-emissoras-comerciais-de-televisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19857","title":{"rendered":"Prefeituras financiam emissoras comerciais de televis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>Neg&oacute;cios privados funcionando com infra-estrutura p&uacute;blica. &Eacute; este o perfil da TV comercial brasileira tra&ccedil;ado pelo estudo do pesquisador James G&ouml;ergen, do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunica&ccedil;&atilde;o (Epcom), sobre como prefeituras municipais de Norte a Sul do pa&iacute;s d&atilde;o suporte &agrave; forma&ccedil;&atilde;o das redes nacionais de televis&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Recentemente publicada, a pesquisa mostra que um ter&ccedil;o das autoriza&ccedil;&otilde;es para a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o de retransmiss&atilde;o de sinal de TV registradas na Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) tem como entidade outorgada uma prefeitura. Em n&uacute;meros absolutos, s&atilde;o 3.270 retransmissoras (RTVs) em nome de 1.604 municipalidades. Destas RTVs, 95% est&atilde;o a servi&ccedil;o das redes privadas de televis&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>A porcentagem exp&otilde;e a magnitude do que G&ouml;ergen chama de &ldquo;apropria&ccedil;&atilde;o patrimonialista&rdquo; desse sistema, afinal, p&uacute;blico. Por&eacute;m, a &ldquo;explora&ccedil;&atilde;o semi-privada das estruturas p&uacute;blicas&rdquo;, outra express&atilde;o usada pelo pesquisador para definir a situa&ccedil;&atilde;o, &eacute; at&eacute; mais refinada e de mais dif&iacute;cil mensura&ccedil;&atilde;o. Isto porque para cada uma destas RTVs pertencentes &agrave;s prefeituras h&aacute; um modelo diverso de cess&atilde;o &agrave;s geradoras dos sinais das redes comerciais. &ldquo;Em alguns lugares, a equipe t&eacute;cnica &eacute; da rede e a instala&ccedil;&atilde;o da prefeitura. Em outros, tudo &eacute; mantido pela prefeitura&rdquo;, exemplifica G&ouml;ergen. &ldquo;Os contratos, em geral, n&atilde;o s&atilde;o conhecidos e muito menos h&aacute; garantias de contrapartidas ao munic&iacute;pio&rdquo;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, como mostram casos levantados pelo Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, a confus&atilde;o entre estrutura p&uacute;blica e interesses privados ultrapassa os limites formais da autoriza&ccedil;&atilde;o de RTV repassada a uma emissora comercial. Mesmo retransmissoras que n&atilde;o est&atilde;o legalmente sob a responsabilidade dos governos municipais s&atilde;o beneficiadas por investimentos p&uacute;blicos.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Suporte significativo<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O estudo de G&ouml;ergen permite avaliar o peso relativo do suporte p&uacute;blico &agrave;s redes privadas. A participa&ccedil;&atilde;o das RTVs de prefeituras no total da infra-estrutura de retransmiss&atilde;o das cinco maiores redes privadas de televis&atilde;o do pa&iacute;s &ndash; Globo, Record, SBT, Bandeirantes e Rede TV! &ndash;, &eacute; em m&eacute;dia de 41%.<\/p>\n<p><\/span><span>A Bandeirantes &eacute; a que apresenta o maior &iacute;ndice de &ldquo;depend&ecirc;ncia&rdquo; destas retransmissoras, com 53%. O grupo paulista &eacute; o &uacute;nico em que o n&uacute;mero de RTVs de prefeituras supera o de instala&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias e de afiliadas.<\/p>\n<p><\/span><span>A Rede Globo vem em segundo lugar, com 42%.&nbsp; Em n&uacute;meros absolutos, no entanto, o maior conglomerado das comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s mostra a sua for&ccedil;a: 1.358 RTVs autorizadas para prefeituras est&atilde;o disponibilizadas para a transmiss&atilde;o do sinal da Globo e\/ou suas afiliadas. O SBT conta com 834 retransmissoras das municipalidades; a Bandeirantes com 414; a Record com 370 e a Rede TV! com 322.<\/p>\n<p><\/span><span>A t&iacute;tulo de compara&ccedil;&atilde;o, as duas maiores redes nacionais de TV de car&aacute;ter p&uacute;blico, a TV Cultura de S&atilde;o Paulo e a Radiobr&aacute;s, t&ecirc;m apenas cerca 10% das suas redes de retransmissoras formadas por RTVs dos governos municipais. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quanto&nbsp;custa ao cidad&atilde;o?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>&Eacute; dif&iacute;cil saber, exatamente, quanto ganham as redes privadas com este suporte das prefeituras. De um lado, h&aacute; um ganho difuso no que diz respeito ao faturamento publicit&aacute;rio. Como aponta o pesquisador, a presen&ccedil;a da rede em um n&uacute;mero maior de regi&otilde;es significa poder estabelecer melhores pre&ccedil;os para os espa&ccedil;os em sua programa&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, h&aacute; a economia direta por parte das empresas, que deixam de gastar com instala&ccedil;&atilde;o, manuten&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a da infra-estrutura de retransmiss&atilde;o. Dada a diversidade de contratos e formas de rela&ccedil;&atilde;o estabelecidas entre munic&iacute;pios e geradoras, fica dif&iacute;cil saber quanto dinheiro sai do bolso do contribuinte para manter os neg&oacute;cios de algumas fam&iacute;lias. Mas &eacute; poss&iacute;vel ter uma id&eacute;ia a partir do contato com as prefeituras.<\/p>\n<p><\/span><span>Em Otac&iacute;lio Costa (SC), por exemplo, a Prefeitura Municipal desembolsou cerca de R$ 18 mil reais com a instala&ccedil;&atilde;o de uma antena e retransmissores para distribuir o sinal da RBS TV Blumenau. Apesar deste gasto, estimado pelo secret&aacute;rio de Administra&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio,Valdecir Jos&eacute; Carvalho, a instala&ccedil;&atilde;o da RTV n&atilde;o resolveu o problema. &ldquo;Foi uma furada, at&eacute; agora. A maior parte do pessoal ainda pega muito mal (o sinal da RBS)&rdquo;, comenta Carvalho.<\/p>\n<p><\/span><span>O valor apontado pelo secret&aacute;rio de Santa Catarina &eacute; modesto perto da estimativa feita pelo presidente interino da TVE-RS, o engenheiro Airton Nedel. &ldquo;Contando todos os custos, uma retransmissora simples n&atilde;o te custa menos de R$ 70 mil, num munic&iacute;pio pequeno&rdquo;, estima Nedel, que trabalha h&aacute; mais de 20 anos no departamento t&eacute;cnico da emissora ga&uacute;cha.<\/p>\n<p><\/span><span>Em Santa Cruz<\/span><span> do Rio Pardo (SP), para reconstruir apenas a estrutura met&aacute;lica da antena, destru&iacute;da por um vendaval no fim de <\/span><span>2005, a<\/span><span> prefeitura gastou cerca de R$ 40 mil. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Manuten&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Uma vez cedido o servi&ccedil;o de retransmiss&atilde;o &agrave; geradora de TV comercial, constru&iacute;da a infra-estrutura, as prefeituras t&ecirc;m ainda de lidar com o custo de manuten&ccedil;&atilde;o das RTVs. Segundo Nedel, da TVE-RS, o mais comum &eacute; o governo local repassar &agrave;s geradoras este servi&ccedil;o. &ldquo;A forma de parceria normal &eacute; a prefeitura entrar com a cess&atilde;o de local e a energia el&eacute;trica. J&aacute; na manuten&ccedil;&atilde;o de equipamentos, as prefeituras est&atilde;o tirando o p&eacute;&rdquo;, afirma o engenheiro.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; o que acontece <\/span><span>em Otac&iacute;lio Costa.<\/span><span> &ldquo;A RBS trouxe os t&eacute;cnicos para a instala&ccedil;&atilde;o e quando d&aacute; problema a pr&oacute;pria RBS vem para arrumar&rdquo;, conta Carvalho, secret&aacute;rio de Administra&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio. <\/p>\n<p><\/span><span>Mas h&aacute; casos em que esta cess&atilde;o de gest&atilde;o de um bem p&uacute;blico a uma empresa privada &eacute; ainda acompanhada de custos para a prefeitura. O pesquisador James G&ouml;ergen flagrou este tipo de situa&ccedil;&atilde;o. No estudo, cita o caso da cidade de Ponta Por&atilde; (MS), em que o Di&aacute;rio Oficial do munic&iacute;pio registra que a prefeitura pagou &agrave; TV Campo Grande (afiliada do SBT) R$ 25 mil para a explora&ccedil;&atilde;o da outorga do munic&iacute;pio.<\/p>\n<p><\/span><span>Em Santa Cruz do Rio Pardo, a prefeitura municipal mant&eacute;m um contrato com um t&eacute;cnico de manuten&ccedil;&atilde;o, mas a assessoria de imprensa n&atilde;o informou o valor deste contrato.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Antena coletiva<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O caso da cidade do interior paulista mostra claramente que a participa&ccedil;&atilde;o dos governos municipais na forma&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o das redes privadas de TV vai al&eacute;m da cess&atilde;o de suas autoriza&ccedil;&otilde;es de RTV. <\/p>\n<p><\/span><span>O munic&iacute;pio tem autoriza&ccedil;&atilde;o para retransmitir o sinal de uma emissora. O sistema de consulta de dados da Anatel informa que a geradora vinculada a esta autoriza&ccedil;&atilde;o &eacute; o SBT de S&atilde;o Paulo. Por&eacute;m, segundo informa&ccedil;&otilde;es da assessoria de imprensa da prefeitura, o SBT teria antena e transmissor pr&oacute;prios.<\/p>\n<p><\/span><span>A antena mantida pela prefeitura, rec&eacute;m-reconstru&iacute;da, &eacute; usada para retransmitir outras 4 programa&ccedil;&otilde;es. Uma delas &eacute; a TV Cultura de S&atilde;o Paulo. As outras tr&ecirc;s s&atilde;o a Record, a Rede TV! e a Bandeirantes. Todas essas autoriza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o pr&oacute;prias das geradoras instaladas na regi&atilde;o. O t&eacute;cnico de manuten&ccedil;&atilde;o contratado pela municipalidade atende a todas elas.<\/p>\n<p><\/span><span>Outra antena coletiva &eacute; mantida pela prefeitura de Po&ccedil;os de Caldas (MG). O governo local n&atilde;o tem nenhuma autoriza&ccedil;&atilde;o de RTV outorgada, mas no abrigo mantido pela prefeitura, funcionam diversas retransmissoras de TVs. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais complicada na cidade mineira, considerando as informa&ccedil;&otilde;es de mat&eacute;ria publicada no site da prefeitura em 28 de mar&ccedil;o de 2006. O texto afirma que um temporal danificou os equipamentos da &ldquo;Rede Vida, S&eacute;culo XXI e Rede Mulher&rdquo; e que &ldquo;a normaliza&ccedil;&atilde;o dos sinais ficou ainda mais dif&iacute;cil, uma vez que o poder p&uacute;blico enfrenta algumas barreiras burocr&aacute;ticas para&nbsp; a substitui&ccedil;&atilde;o dos elementos danificados&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo os dados do sistema de consultas da Anatel, nenhuma destas emissoras t&ecirc;m autoriza&ccedil;&atilde;o para instalar retransmissoras no munic&iacute;pio. No texto, o assessor de imprensa da prefeitura reconhece a situa&ccedil;&atilde;o de ilegalidade e diz que o governo municipal estudava, &agrave; &eacute;poca, contratar um t&eacute;cnico para montar o projeto t&eacute;cnico e pleitear autoriza&ccedil;&otilde;es de RTV para a regulariza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias emissoras. Mas, se as r&aacute;dios comunit&aacute;rias sem autoriza&ccedil;&atilde;o sofrem com a fiscaliza&ccedil;&atilde;o da ag&ecirc;ncia, o mesmo n&atilde;o acontece com estas retransmissoras.<\/p>\n<p><\/span><span>Em Ilh&eacute;us (BA), o site da prefeitura registra not&iacute;cia que exemplifica outra situa&ccedil;&atilde;o em que a prefeitura coloca-se a servi&ccedil;o das emissoras. O governo municipal n&atilde;o tem, segundo os registros no sistema de consulta da Anatel, nenhuma autoriza&ccedil;&atilde;o de RTV pr&oacute;pria. Mas por conta do furto de equipamentos e da destrui&ccedil;&atilde;o de parte do centro de transmiss&atilde;o onde est&atilde;o instaladas as retransmissoras das TVs Aratu, Cabr&aacute;lia, Itapo&atilde; e Bandeirantes, a prefeitura cedeu pedreiros, serralheiros e eletricistas para reparos da estrutura. Al&eacute;m disso, comprometeu-se em manter seguran&ccedil;as no local.<\/p>\n<p><\/span><span>O Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o procurou a Prefeitura de Po&ccedil;os de Caldas para atualizar os dados referentes &agrave;s retransmissoras instaladas na cidade, mas a assessoria de imprensa n&atilde;o retornou o pedido de informa&ccedil;&otilde;es. Na Prefeitura de Ilh&eacute;us, n&atilde;o foi poss&iacute;vel localizar a assessoria de comunica&ccedil;&atilde;o, respons&aacute;vel por repassar as informa&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa revela que 3.270 retransmissoras foram outorgadas para prefeituras, que em 95% dos casos emitem sinais de TVs privadas. &#8216;Beneficio&#8217; se estende \u00e0s outorgas sob responsabilidade das emissoras.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[549],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19857"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19857\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}