{"id":19856,"date":"2007-11-23T11:43:28","date_gmt":"2007-11-23T11:43:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19856"},"modified":"2007-11-23T11:43:28","modified_gmt":"2007-11-23T11:43:28","slug":"silvio-santos-e-sbt-como-e-dificil-largar-a-rapadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19856","title":{"rendered":"Silvio Santos e SBT: como \u00e9 dif\u00edcil largar a rapadura"},"content":{"rendered":"<p><span>L&aacute; vem o SBT descendo a ladeira. O outrora exuberante &quot;campe&atilde;o absoluto da vice-lideran&ccedil;a&quot;, que se ufanava de ter pela frente apenas a onipotente TV Globo e que ironizava a debilidade dos demais competidores no mercado televisivo, agora &eacute; l&iacute;der disparado apenas em m&aacute;s not&iacute;cias e press&aacute;gios sombrios. Em todas as faixas hor&aacute;rias, em todas as pra&ccedil;as do pa&iacute;s, a Record est&aacute; lhe mordendo nacos substantivos de audi&ecirc;ncia. J&aacute; contratou muitos de seus artistas, produtores e t&eacute;cnicos. E quase todas as semanas leva embora uma de suas emissoras afiliadas, emagrecendo sua rede e minguando suas receitas publicit&aacute;rias. Agora &eacute; a emissora do bispo que se proclama, orgulhosa, &quot;a caminho da lideran&ccedil;a&quot;. O SBT vai no caminho do buraco.<\/p>\n<p><\/span><span>Como isso &eacute; poss&iacute;vel? Por que o SBT assiste ao pr&oacute;prio decl&iacute;nio sem esbo&ccedil;ar uma rea&ccedil;&atilde;o organizada? Onde est&atilde;o a velha agilidade e o senso incomum de oportunidade, que lhe asseguraram 26 anos na segunda posi&ccedil;&atilde;o e lhe permitiram aprontar v&aacute;rias vezes com a supremacia da Globo? Ser&aacute; poss&iacute;vel um novo pulo-do-gato, um novo coelho tirado da cartola, como tantos nesses anos passados, para surpreender o mercado e conter a concorr&ecirc;ncia? Qual o problema, enfim, com o SBT?<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Nasce um imp&eacute;rio<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Todos os dedos apontam para apenas uma pessoa: Silvio Santos. Que n&atilde;o &eacute; apenas o patr&atilde;o, mas tamb&eacute;m o fundador da empresa, o estrategista, o articulador, o comandante-em-chefe, al&eacute;m de apresentador do programa mais rent&aacute;vel da casa. Que n&atilde;o &eacute;, claro, a &uacute;nica pessoa que pensa em toda a organiza&ccedil;&atilde;o, mas &eacute; seguramente a &uacute;nica que manda. Que sempre confiou, acima de qualquer considera&ccedil;&atilde;o, pesquisa ou conselho, no seu pr&oacute;prio instinto e nunca se avexou de tomar decis&otilde;es mirabolantes. E que agora, ao que tudo indica, n&atilde;o consegue mais manobrar com destreza. Perdeu o toque de Midas.<\/p>\n<p><\/span><span>Esse toque, o carioca de ascend&ecirc;ncia judaica grega Senor Abravanel adquiriu h&aacute; mais de 50 anos, em 1956, quando come&ccedil;ou na TV Paulista como garoto-propaganda das lojas Clipper e &quot;esquentador&quot; de audit&oacute;rios. Bom de voz e de conversa, usou as habilidades como camel&ocirc;, pregoeiro de lojas, locutor de circo e com&iacute;cios eleitorais, at&eacute; chegar ao r&aacute;dio e dele saltar &agrave; televis&atilde;o, sempre acumulando cacife. Que multiplicou-se exponencialmente a partir de 1958, quando o produtor e apresentador Manoel da N&oacute;brega pediu-lhe que o ajudasse a fechar uma empresa falimentar, o Ba&uacute; da Felicidade, que comercializava ba&uacute;s de brinquedos de Natal, pagos antecipadamente em presta&ccedil;&otilde;es por consumidores de baixa renda.<\/p>\n<p><\/span><span>Silvio Santos n&atilde;o apenas evitou a bancarrota como tornou-se s&oacute;cio da empresa, e depois seu dono. Construiu a partir dela um imp&eacute;rio, com presen&ccedil;a nos setores financeiro, varejista, hoteleiro, industrial e de comunica&ccedil;&atilde;o, que teve uma receita operacional bruta de 3,2 bilh&otilde;es de reais em 2006, 10,6% acima da registrada em 2005, segundo levantamento do jornal Valor Econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Cerim&ocirc;nia in&eacute;dita<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Nessa escalada, a televis&atilde;o sempre foi a ferramenta principal de sedu&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o da clientela. No in&iacute;cio dos anos 1960, Silvio Santos converteu-se no principal apresentador de programas de jogos e brincadeiras da televis&atilde;o brasileira, infal&iacute;veis m&aacute;quinas de produzir audi&ecirc;ncia, consumo popular e faturamento. Caso at&iacute;pico de artista com grande tino comercial, j&aacute; em 1963 ele estreava o Programa Silvio Santos, que produzia de forma independente e veiculava comprando hor&aacute;rios nas emissoras comerciais. Quem pagava a conta era o Ba&uacute; da Felicidade, inicialmente, e depois os seus outros neg&oacute;cios, anunciados maci&ccedil;amente nos intervalos e no interior de seus programas.<\/p>\n<p><\/span><span>Em 1969, com 13 anos de televis&atilde;o, Silvio Santos j&aacute; era um dos maiores artistas e empres&aacute;rios do neg&oacute;cio. Dono dos domingos, onde chegou a ficar no ar, ao vivo, das 11 &agrave;s 20 horas, Silvio Santos sobreviveu na TV Paulista, quando a emissora foi comprada pela TV Globo do Rio de Janeiro e tornou-se a Globo-SP. Mas, a essa altura, ele j&aacute; tinha ambi&ccedil;&otilde;es de autonomia. Em 1972, comprou os est&uacute;dios da extinta TV Excelsior, no bairro paulistano de Vila Guilherme, para fazer ali a sua central de produ&ccedil;&atilde;o. Logo depois, conseguiu a concess&atilde;o da TV Continental, canal 11, do Rio, e acumulou for&ccedil;as para lan&ccedil;ar, em maio de 1976, sua primeira esta&ccedil;&atilde;o, a TV Studios, ou TVS. Tamb&eacute;m se tornou s&oacute;cio da fam&iacute;lia Machado de Carvalho, na antiga TV Record.<\/p>\n<p><\/span><span>O passo seguinte, a constitui&ccedil;&atilde;o de uma rede nacional de televis&atilde;o, viabilizou-se com a decis&atilde;o do governo general Jo&atilde;o Figueiredo, em 1980, de cassar a concess&atilde;o das emissoras ligadas &agrave; Rede Tupi e entreg&aacute;-las a outros grupos de m&iacute;dia. Silvio Santos derrubou competidores poderosos, como a Editora Abril e o Jornal do Brasil (ent&atilde;o no auge), e lan&ccedil;ou em agosto de 1981 o SBT &ndash; Sistema Brasileiro de Televis&atilde;o, numa cerim&ocirc;nia in&eacute;dita em que transmitiu o pr&oacute;prio ato de assinatura da concess&atilde;o. Inicialmente com quatro esta&ccedil;&otilde;es (S&atilde;o Paulo, Rio, Porto Alegre e Bel&eacute;m), a nova rede cresceu exponencialmente, para atingir as declaradas 105 atuais &ndash; talvez uma a menos at&eacute; o final deste texto.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Mudan&ccedil;as de hor&aacute;rio<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Ao longo dessa trajet&oacute;ria de quase tr&ecirc;s d&eacute;cadas com o SBT, Silvio Santos demonstrou uma capacidade ineg&aacute;vel de enxergar as circunst&acirc;ncias do mercado e de posicionar a sua empresa para aproveitar as m&iacute;nimas brechas e chances deixadas pela l&iacute;der Globo. Jamais permitiu que a concorrente estabilizasse o dom&iacute;nio sobre a audi&ecirc;ncia dominical. Sempre foi rapid&iacute;ssimo em trazer para o seu elenco qualquer artista de outra emissora, que despontasse como poss&iacute;vel amea&ccedil;a &agrave; sua vice-lideran&ccedil;a. Marcou tentos significativos quando atraiu at&eacute; mesmo nomes globais, do porte de J&ocirc; Soares ou Lilian Wite Fibe. Quase fez naufragar o Big Brother Brasil da oponente, quando clonou a f&oacute;rmula e lan&ccedil;ou antes a Casa dos Artistas, de grande sucesso.<\/p>\n<p><\/span><span>Nos &uacute;ltimos anos, entretanto, nada de importante ocorreu no SBT &ndash; ao contr&aacute;rio. A Record tomou-lhe o diretor comercial, o competente Walter Zagari, e no &uacute;ltimo m&ecirc;s de agosto conseguiu ultrapass&aacute;-lo na m&eacute;dia nacional de audi&ecirc;ncia. As mudan&ccedil;as constantes na programa&ccedil;&atilde;o, desarticulando o trabalho comercial de suas afiliadas, fez v&aacute;rias delas tamb&eacute;m bandearem-se para os dom&iacute;nios do bispo: TV Cidade (Fortaleza), TV Itapoan (Salvador), TV Pampa (v&aacute;rias pra&ccedil;as no Rio Grande do Sul), TV Paju&ccedil;ara (Macei&oacute;), TV Atalaia (Aracaju), TV A Cr&iacute;tica (Manaus).<\/p>\n<p><\/span><span>O triunfo mais recente, o concurso de calouros moderninho &Iacute;dolos, impactou muito menos que os sucessos do passado e a empresa detentora do formato amea&ccedil;a lev&aacute;-lo para a Record. Duas estrelas do telejornalismo, contratadas a peso de ouro &ndash; Ana Paula Padr&atilde;o e Carlos Nascimento &ndash; padecem na ciranda de mudan&ccedil;as de hor&aacute;rio e formato de seus programas, e j&aacute; amargam uma lament&aacute;vel invisibilidade. Descontente por ver a imprensa comentando esses fatos, Silvio Santos desativou a assessoria de comunica&ccedil;&atilde;o por um ano, reorganizando-a apenas recentemente.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Gl&oacute;rias passadas<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Se o SBT &eacute; dirigido com o mais extremo personalismo, tudo indica, portanto, que Silvio Santos perdeu a m&atilde;o. N&atilde;o consegue enfrentar o poderio de Edir Macedo, que, assim como ele, soube integrar e potencializar seus neg&oacute;cios extra-televisivos com a rede que mant&eacute;m, mas confia muito mais nos colaboradores, da mesma forma como fez Roberto Marinho para construir a Rede Globo.<\/p>\n<p><\/span><span>Com a emissora em situa&ccedil;&atilde;o periclitante (foi o &uacute;nico dos neg&oacute;cios de seu grupo a registrar preju&iacute;zo em 2006, sendo tamb&eacute;m o &uacute;nico dirigido diretamente por ele), Silvio atingiu 77 anos de idade e n&atilde;o consegue promover a sua sucess&atilde;o. N&atilde;o por falta de parentes &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o, se for o caso de uma transfer&ecirc;ncia de comando familiar. Al&eacute;m do sobrinho Guilherme Stoliar, as filhas C&iacute;ntia Abravanel e Daniela Beirute trabalham no Grupo SS.<\/p>\n<p><\/span><span>O problema &eacute; que Silvio Santos n&atilde;o sabe e nem quer largar a rapadura. N&atilde;o v&ecirc; que o tempo passou tamb&eacute;m para ele, e que &eacute; hora de celebrar as gl&oacute;rias conquistadas, abrindo caminho para quem possa projet&aacute;-las ao futuro. Enquanto n&atilde;o cair essa ficha &ndash; se &eacute; que ela vai cair &ndash;, o pa&iacute;s assistir&aacute; ao ocaso de uma grande rede de televis&atilde;o, que nasceu pela vontade e o esfor&ccedil;o de um &uacute;nico homem, e pode desaparecer junto com ele<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L&aacute; vem o SBT descendo a ladeira. 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