{"id":19821,"date":"2007-11-21T11:43:00","date_gmt":"2007-11-21T11:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19821"},"modified":"2007-11-21T11:43:00","modified_gmt":"2007-11-21T11:43:00","slug":"as-incongruencias-do-projeto-da-convergencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19821","title":{"rendered":"As incongru\u00eancias do projeto da converg\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><span>O deputado Wellington Fagundes (PR\/MT) surpreendeu favoravelmente ao apresentar, na comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio da C&acirc;mara dos Deputados, o seu substitutivo, que libera o ingresso das operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es na oferta de servi&ccedil;os de TV paga. <\/p>\n<p><\/span><span>Com uma proposta arrojada, ele incorpora alguns conceitos modernos de regula&ccedil;&atilde;o do&nbsp; mercado, como o controle das empresas pelo seu poder de mercado ou a identifica&ccedil;&atilde;o de quatro segmentos&nbsp; distintos na presta&ccedil;&atilde;o desse servi&ccedil;o &ndash;&nbsp; produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o, empacotamento e distribui&ccedil;&atilde;o. Ou ainda, quando prop&otilde;e a amplia&ccedil;&atilde;o do papel do &ldquo;must carry&rdquo;, hoje assimilado apenas pelas empresas de TV a cabo para todas as operadoras, independentemente da tecnologia. Com o &ldquo;must carry&rdquo; as operadoras de TV a cabo s&atilde;o obrigadas a transportar pelos menos os canais das geradoras locais de TV aberta ou p&uacute;blica.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Restri&ccedil;&otilde;es insensatas<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Mas, na busca de uma proposta que consiga conciliar as posi&ccedil;&otilde;es dos diferentes agentes do mercado &ndash; radiodifus&atilde;o, empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es e operadoras de TV a Cabo &ndash;, o projeto traz algumas restri&ccedil;&otilde;es incompreens&iacute;veis, se analisadas sob a &oacute;tica da competi&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>O artigo 9 do substitutivo estabelece tr&ecirc;s restri&ccedil;&otilde;es&nbsp; reproduzindo o insensato antagonismos dos atuais players, perdendo, com isso, uma boa oportunidade para fazer avan&ccedil;ar a produ&ccedil;&atilde;o independente do conte&uacute;do audiovisual nacional. <\/p>\n<p><\/span><span>O artigo pro&iacute;be que as empresas que fazem produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual eletr&ocirc;nico detenham controle acion&aacute;rio das empresas prestadoras de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Ora, essa proibi&ccedil;&atilde;o retiraria, de imediato, o grupo Globo das opera&ccedil;&otilde;es da Net. Com essa restri&ccedil;&atilde;o, o parlamentar acaba cometendo, pelo avesso, o erro da lei atual, que restringe o controle das opera&ccedil;&otilde;es de TV a cabo ao capital nacional. <\/span>Liberar essa opera&ccedil;&atilde;o ao capital estrangeiro, mas excluir um importante player do mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; um contra-senso.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p><strong>Defesa da concorr&ecirc;ncia<\/p>\n<p><\/strong>Se com essa restri&ccedil;&atilde;o a preocupa&ccedil;&atilde;o do parlamentar &eacute; evitar que produtores de conte&uacute;do audiovisual reproduzam o oligop&oacute;lio da distribui&ccedil;&atilde;o, o melhor seria usar os instrumentos da defesa da concorr&ecirc;ncia, que impedem ou limitam a concentra&ccedil;&atilde;o vertical. O melhor seria assegurar que todos os distribuidores tenham acesso, em condi&ccedil;&otilde;es ison&ocirc;micas, aos conte&uacute;dos produzidos no pa&iacute;s. Proibir que um ramo produtivo, simplesmente porque atua em uma atividade espec&iacute;fica, deixe de participar de uma outra atividade econ&ocirc;mica parece ser uma dislexia, e n&atilde;o uma assimetria regulat&oacute;ria. <\/p>\n<p><strong>Conte&uacute;do nacional<\/p>\n<p><\/strong><span>Em outra dire&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m estabelecendo uma restri&ccedil;&atilde;o enviesada, o mesmo artigo pro&iacute;be que empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es participem de empresas de produ&ccedil;&atilde;o e de programa&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos nacionais. Ora, o que &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o nacional? &Eacute; aquela produzida, em ingl&ecirc;s, pelo capital nacional? <\/span>Ou aquela que valoriza os valores, a est&eacute;tica, a cultura nacionais? &Eacute; aquela que impede co-produ&ccedil;&otilde;es, ou aquela que, com recursos diversos, contrata artistas e t&eacute;cnicos brasileiros para refletir o Brasil?<\/p>\n<p>Impedir que algum tipo de empresa, porque atua em outro ramo da economia, possa investir na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nacional &eacute; n&atilde;o permitir que surjam produ&ccedil;&otilde;es independentes de boa qualidade.&nbsp; <\/p>\n<p>Por fim, o mesmo artigo traz ainda uma outra restri&ccedil;&atilde;o que tamb&eacute;m merece ser mais debatida.&nbsp; Pro&iacute;be que empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es adquiram direitos de explora&ccedil;&atilde;o de imagens de eventos nacionais de qualquer natureza. Nesse caso, o mais importante seria estabelecer quais s&atilde;o os eventos nacionais que n&atilde;o podem ser pass&iacute;veis de exclusividade no direito de explora&ccedil;&atilde;o de imagens por parte de empresas de qualquer ramo econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>Afinal, independentemente da origem do capital, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel aceitar que milhares de telespectadores brasileiros fiquem sem assistir a um jogo de futebol, por exemplo, simplesmente porque a empresa que comprou o direito de imagem n&atilde;o vai transmiti-lo, e tamb&eacute;m n&atilde;o ir&aacute; vender essa transmiss&atilde;o para qualquer outro distribuidor. Legisla&ccedil;&otilde;es modernas estabelecem quais s&atilde;o os tipos de eventos nacionais &ndash; esportes, artes, campeonatos, etc. &#8211; que n&atilde;o podem ser pass&iacute;veis de direitos de imagem exclusivos, ou excludentes. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O deputado Wellington Fagundes (PR\/MT) surpreendeu favoravelmente ao apresentar, na comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio da C&acirc;mara dos Deputados, o seu substitutivo, que libera o ingresso das operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es na oferta de servi&ccedil;os de TV paga. 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