{"id":19790,"date":"2007-11-14T19:40:52","date_gmt":"2007-11-14T19:40:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19790"},"modified":"2007-11-14T19:40:52","modified_gmt":"2007-11-14T19:40:52","slug":"a-tv-publica-e-a-convergencia-tecnologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19790","title":{"rendered":"A TV p\u00fablica e a converg\u00eancia tecnol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><em><span>Fundador do N&uacute;cleo de Estudos de M&iacute;dia e Pol&iacute;tica da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), o soci&oacute;logo e jornalista Ven&iacute;cio Artur de Lima coordenou a edi&ccedil;&atilde;o do livro A m&iacute;dia nas Elei&ccedil;&otilde;es de 2006, que re&uacute;ne artigos de 16 especialistas sobre o desempenho da m&iacute;dia na &uacute;ltima elei&ccedil;&atilde;o presidencial. O livro, publicado pela Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, traz uma an&aacute;lise do papel da m&iacute;dia no processo eleitoral, registra os resultados do acompanhamento da cobertura jornal&iacute;stica realizada por diferentes institui&ccedil;&otilde;es e publica alguns documentos que marcaram o debate sobre essa cobertura que acabou por se tornar, ela mesma, parte da agenda p&uacute;blica.<\/p>\n<p><\/span><span>Nesta entrevista, Ven&iacute;cio Lima analisa a evolu&ccedil;&atilde;o do sistema brasileiro de m&iacute;dia, fala da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica e do papel da TV p&uacute;blica como um dos canais para constru&ccedil;&atilde;o de uma m&iacute;dia independente do Estado, com maior participa&ccedil;&atilde;o social na cria&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. <\/p>\n<p><\/span><\/em><span><strong>*&nbsp;<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span><strong><br \/>O que te motivou a fazer o livro A M&iacute;dia nas Elei&ccedil;&otilde;es de 2006? O que mais ficou marcado sobre o papel da m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es no ano passado?<\/strong><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Ven&iacute;cio&nbsp;&#8211; A origem do livro foi uma conversa com o editor da Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, Flamarion Mau&eacute;s. Desde o princ&iacute;pio, a id&eacute;ia era editar um livro que contasse a hist&oacute;ria da rela&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia com o processo eleitoral; que documentasse esse processo &#8211; tem uma parte de anexos e documentos &#8211; e fosse um livro propositivo, n&atilde;o s&oacute; anal&iacute;tico e descritivo. O livro responde basicamente a tr&ecirc;s perguntas: como foi a cobertura, qual papel ela teve e o que pode ser feito para democratizar as rela&ccedil;&otilde;es da m&iacute;dia com a sociedade em geral e o processo eleitoral em particular.<\/p>\n<p><\/span><span>A parte de anexos reproduz as reportagens da Carta Capital que sa&iacute;ram imediatamente depois do primeiro turno, a resposta da Globo, referente a carta do Rodrigo Viana, jornalista demitido da Globo. N&oacute;s publicar&iacute;amos a resposta que a Globo deu, ali&aacute;s, um comunicado &agrave; imprensa, mas por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, o Latg&eacute; (Luiz Cl&aacute;udio), diretor de jornalismo aqui em S&atilde;o Paulo, n&atilde;o autorizou, embora tenha sido comunicado &agrave; imprensa. <\/p>\n<p><\/span><span>Do ponto de vista da rela&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia com o processo eleitoral, o mais interessante &eacute; que naquele ano a cobertura dos diferentes candidatos foi acompanhada por institui&ccedil;&otilde;es independentes, e o resultado desse acompanhamento entrou na agenda de discuss&atilde;o no processo eleitoral. Que a m&iacute;dia tenha tomado partido e que a cobertura tenha sido desequilibrada, n&atilde;o &eacute; novidade. Agora, que o processo tenha sido acompanhado por institui&ccedil;&otilde;es diferentes, com metodologias diferentes, e todas terem conclu&iacute;do que a cobertura foi de fato t&atilde;o desequilibrada, isso &eacute; novidade. O Doxa (Laborat&oacute;rio de Pesquisas em Comunica&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica e Opini&atilde;o P&uacute;blica) do IUPERJ (Instituto Universit&aacute;rio de Pesquisas do Rio de Janeiro), acima de qualquer suspeita pol&iacute;tica e partid&aacute;ria, concluiu que a cobertura foi desequilibrada a tal ponto que &eacute; imposs&iacute;vel dizer que ela n&atilde;o tenha sido partid&aacute;ria. O OBM (Observat&oacute;rio Brasileiro de M&iacute;dia) chegou &agrave; conclus&atilde;o do desequil&iacute;brio, mas n&atilde;o tem a frase dizendo que foi partid&aacute;ria. <\/p>\n<p><\/span><span>H&aacute; v&aacute;rios autores que tiveram uma contribui&ccedil;&atilde;o importante na observa&ccedil;&atilde;o e na an&aacute;lise da cobertura da m&iacute;dia durante a crise pol&iacute;tica, como o Wanderley Guilherme dos Santos, que destacava o que acontecia no pa&iacute;s pela aus&ecirc;ncia de uma m&iacute;dia regional forte, que contestasse sobretudo os jornais de refer&ecirc;ncia nacional. Com o processo eleitoral, que se acumula com a cobertura da crise, a credibilidade da m&iacute;dia entrou na roda; e, mais ainda, o problema do descolamento dos formadores de opini&atilde;o tradicionais. Eles entraram num processo de serem desacreditados, porque descolaram sua pr&oacute;pria posi&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria, n&atilde;o s&oacute; no processo eleitoral, mas j&aacute; na avalia&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o p&uacute;blica da m&iacute;dia.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p><span><strong>Al&eacute;m da posi&ccedil;&atilde;o das empresas, n&oacute;s podemos identificar nos pr&oacute;prios jornalistas a postura anti-Lula, com exce&ccedil;&otilde;es, ao contr&aacute;rio das elei&ccedil;&otilde;es de 82 no Rio de Janeiro, quando o Brizola enfrentou a Globo. O que mudou? O perfil pol&iacute;tico, social, de classe dos profissionais de imprensa?<br \/><\/strong><\/span><span>Um dos cap&iacute;tulos do livro, escrito pelo Bernardo Kucinski, trata exatamente disso: ele diz que a cobertura da crise e do processo eleitoral, revela um anti-lulismo muito acentuado, sobretudo, entre os jornalistas mais jovens. Ele atribui isso a v&aacute;rios fatores, um deles, ao preconceito de classe. Voc&ecirc; tem uma n&atilde;o identifica&ccedil;&atilde;o desses profissionais com a pessoa que assumiu, num processo democr&aacute;tico, a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica no Brasil. &Eacute; um fato completamente in&eacute;dito. Soma-se a isso uma caracter&iacute;stica da nossa m&iacute;dia impressa (e vou usar o que o Bernardo fala): a elite &eacute; a protagonista, a fonte e a sua leitora. Foi sempre assim, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia alternativa no tempo da ditadura e outras iniciativas que ainda existem. Basta ver a tiragem dos nossos impressos; &eacute; irris&oacute;ria do ponto de vista do conjunto da popula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>A evolu&ccedil;&atilde;o do sistema brasileiro de m&iacute;dia, como ele se consolidou historicamente, fez com que, no Brasil, n&atilde;o exista uma coisa que &eacute; comum nos outros pa&iacute;ses, que &eacute; a separa&ccedil;&atilde;o entre os grandes grupos de m&iacute;dia impressa e os grandes grupos de m&iacute;dia eletr&ocirc;nica. Aqui s&atilde;o os mesmos grupos. Agora, h&aacute; uma diferen&ccedil;a muito grande entre o que acontece na m&iacute;dia eletr&ocirc;nica, o jornalismo de TV e o jornalismo impresso. Esse anti-lulismo tem muito a ver com essa figura&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, sobretudo, da m&iacute;dia impressa que sempre foi elitizada. Mas, voc&ecirc; n&atilde;o pode atribuir o desequil&iacute;brio da cobertura apenas &agrave; atua&ccedil;&atilde;o dos jornalistas. O jornalismo n&atilde;o funciona assim, tem a ver com as empresas.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>&Eacute; poss&iacute;vel situar os interesses econ&ocirc;micos a que est&atilde;o atrelados os grupos de m&iacute;dia brasileira hoje? Quais as suas motiva&ccedil;&otilde;es mais importantes?<br \/><\/strong><\/span><span>N&oacute;s estamos vivendo um momento muito complicado do ponto de vista do rearranjo dos atores. N&atilde;o podemos atribuir isso somente &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o digital e ao processo de converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, que&nbsp; provocaram um certo desarranjo no setor do ponto de vista da sua configura&ccedil;&atilde;o tradicional. N&oacute;s temos peculiaridades que fazem com que algumas conseq&uuml;&ecirc;ncias desse processo que n&atilde;o &eacute; s&oacute; nosso, talvez demorem mais por aqui. Mas, de qualquer forma, j&aacute; estamos sentindo alguns reflexos do que ocorre em outras partes do mundo.<\/p>\n<p><\/span><span>Com a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, a divis&atilde;o que havia na &aacute;rea baseada na tecnologia est&aacute; sendo dilu&iacute;da aos poucos. No caso brasileiro, isso significa a entrada de atores que, at&eacute; o processo de privatiza&ccedil;&atilde;o, eram exclu&iacute;dos do cen&aacute;rio brasileiro, que s&atilde;o grandes grupos globais como, por exemplo, de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Eles n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; de telecomunica&ccedil;&otilde;es, um grupo como a Telef&ocirc;nica tem, inclusive, produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do em outros pa&iacute;ses. Isso representou uma amea&ccedil;a para os atores brasileiros que historicamente estavam consolidados aqui.<\/p>\n<p><\/span><span>Eu tenho a impress&atilde;o de que estamos vivendo um momento em que algumas delibera&ccedil;&otilde;es j&aacute; foram tomadas, inclusive, sem a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade. Por exemplo, a defini&ccedil;&atilde;o do modelo tecnol&oacute;gico da TV digital, que, aparentemente, atende interesses de um grupo. Decis&otilde;es est&atilde;o sendo tomadas, mas h&aacute; muitas coisas a serem definidas. Esse processo tem conseq&uuml;&ecirc;ncias pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas, porque os atores s&atilde;o outros. E, obviamente, tem conseq&uuml;&ecirc;ncia do ponto de vista da regula&ccedil;&atilde;o do setor.<\/p>\n<p><\/span><span>N&oacute;s temos uma defasagem imensa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; regula&ccedil;&atilde;o. A entrada do capital estrangeiro para participar do mercado de televis&atilde;o paga &eacute; um exemplo. Hoje, ele tem limite na TV a cabo, mas n&atilde;o nas outras tecnologias. Ent&atilde;o &eacute; o caos regulat&oacute;rio. Eu tenho esperan&ccedil;as de que o governo consiga fazer uma proposta de lei geral, de marco regulat&oacute;rio. Foram criadas comiss&otilde;es que nunca se reuniram. Agora, dentro dessa confus&atilde;o toda &eacute; muito dif&iacute;cil dizer que h&aacute; um projeto hegem&ocirc;nico na &aacute;rea. H&aacute; uma disputa, por exemplo, entre os radiodifusores e as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, grandes grupos globais que est&atilde;o disputando essas &aacute;reas, n&atilde;o s&oacute; no Brasil, mas no resto do mundo.<\/p>\n<p><\/span><span>Sobre as peculiaridades do pa&iacute;s a que me referi, existe um v&iacute;nculo hist&oacute;rico da m&iacute;dia, pelo processo como ela foi consolidada, com as oligarquias regionais. Mas esse v&iacute;nculo deu uma complicada com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 88, porque, a partir da&iacute;, o poder concedente&nbsp; passa a ser compartilhado com o Congresso. S&oacute; que, no Congresso, essas oligarquias sempre estiveram e est&atilde;o muito bem representadas. Ent&atilde;o,&nbsp; apesar de haver, hoje, no Congresso, movimentos importantes e at&eacute; surpreendentes, como a subcomiss&atilde;o presidida pela Luiza Erundina, o Congresso n&atilde;o assumiu o papel que a Constitui&ccedil;&atilde;o lhe deu. E, at&eacute; hoje, continua aprovando as concess&otilde;es e renova&ccedil;&otilde;es de forma autom&aacute;tica.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Em que espa&ccedil;o de tempo poderia se esperar que a Internet reconfigurasse a maneira como a esfera p&uacute;blica &eacute; agendada no campo pol&iacute;tico? O que precisaria para isso? Uma pol&iacute;tica nacional de banda larga e inclus&atilde;o digital, ou estamos falando de mudar o jeito de fazer pol&iacute;tica. Quais as conclus&otilde;es mais relevantes da an&aacute;lise das comunidades do Orkut durante as elei&ccedil;&otilde;es? <br \/><\/strong><\/span><span>Eu sempre fui muito resistente a aceitar o fato de que a internet estava alterando muitas coisas, inclusive na pol&iacute;tica. A base dessa resist&ecirc;ncia &eacute; que temos 70% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira que nunca teve acesso &agrave; internet. A minha linha de compreender isso &eacute; que est&aacute; havendo uma substitui&ccedil;&atilde;o do que n&oacute;s, analistas e estudiosos, sempre acreditamos que fossem os formadores de opini&atilde;o tradicionais. Est&aacute; havendo uma substitui&ccedil;&atilde;o dessas pessoas e, nessa substitui&ccedil;&atilde;o, a internet tem um papel importante. <\/p>\n<p><\/span><span>Ficou claro nas pesquisas sobre o processo eleitoral que a opini&atilde;o dos colunistas da grande m&iacute;dia se descolou totalmente da opini&atilde;o majorit&aacute;ria da popula&ccedil;&atilde;o e dos eleitores. Mas n&oacute;s sabemos, do ponto de vista da teoria da comunica&ccedil;&atilde;o, que a comunica&ccedil;&atilde;o embora cumpra uma fun&ccedil;&atilde;o important&iacute;ssima sem nenhuma intermedia&ccedil;&atilde;o, do ponto de vista da forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o, sempre h&aacute; uma intermedia&ccedil;&atilde;o, seja para pol&iacute;tica, comportamento, compra de roupa, o que for. A mesma pessoa pode estar sob influ&ecirc;ncia de v&aacute;rias lideran&ccedil;as de opini&atilde;o e, ao mesmo tempo, exercer essa lideran&ccedil;a para outras pessoas. <\/p>\n<p><\/span><span>Acontece que houve uma incorpora&ccedil;&atilde;o de novas lideran&ccedil;as. Sou daqueles que acredita que est&aacute; havendo no Brasil, nos &uacute;ltimos quatro, cinco anos, um processo crescente de organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil. Um exemplo s&atilde;o as mais de dez confer&ecirc;ncias nacionais que aconteceram nos diferentes setores, e que foram precedidas de debates organizados a n&iacute;vel local, municipal, estadual e que mobilizaram milh&otilde;es de pessoas. Desses processos surgem lideran&ccedil;as que est&atilde;o substituindo lideran&ccedil;as tradicionais. Esses l&iacute;deres, apesar do percentual de exclus&atilde;o digital ser muito grande, t&ecirc;m acesso &agrave; internet, ou diretamente, ou indiretamente atrav&eacute;s de programas de inclus&atilde;o digital do governo.<\/p>\n<p><\/span><span>Assim, a internet atinge, atrav&eacute;s das lideran&ccedil;as de forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o, o grande conjunto da popula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; surpreendente como em algumas cidades do interior do Brasil, Itabuna (Bahia), por exemplo, voc&ecirc; tem mais lan houses do que farm&aacute;cias. Eu n&atilde;o tenho nenhuma d&uacute;vida, sobretudo a partir de 2006, que a internet est&aacute; desempenhando um papel crescente. E n&atilde;o &eacute; s&oacute; na quest&atilde;o da opini&atilde;o pol&iacute;tica.<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p><span><strong>Muitas entidades da sociedade civil criticaram a proposta do governo federal de indicar os nomes para formar o conselho gestor da nova TV p&uacute;blica. Esse modelo, de um conselho de not&aacute;veis indicados de cima para baixo, n&atilde;o contradiz, de fato, a id&eacute;ia apresentada no livro, por Luis Felipe Miguel, de agregar novos atores da sociedade civil para garantir o pluralismo?&nbsp; Por que, na sua avalia&ccedil;&atilde;o, o governo fez essa op&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>O que eu acho que pode eventualmente contrariar as indica&ccedil;&otilde;es feitas no cap&iacute;tulo do Luis Felipe, que &eacute; a parte propositiva do livro, n&atilde;o &eacute; nem a forma de indica&ccedil;&atilde;o, pois se voc&ecirc; tiver mecanismos de controle p&uacute;blico e substitui&ccedil;&atilde;o a longo prazo, n&atilde;o tem nenhum problema. Eu mesmo vi, em discuss&atilde;o da &aacute;rea, aquela coisa de quando voc&ecirc; ensina a crian&ccedil;a a andar de bicicleta, a crian&ccedil;a aprende a mexer o p&eacute; e voc&ecirc; larga a bicicleta para ela ir sozinha. O governo est&aacute; fazendo esse papel; se n&atilde;o fizesse, n&atilde;o teria a empresa p&uacute;blica, j&aacute; que &eacute; uma empresa de TV, r&aacute;dio e ag&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; s&oacute; TV. <\/p>\n<p><\/span><span>Algumas dessas cr&iacute;ticas que de fato aconteceram e s&atilde;o precipitadas. A cr&iacute;tica que n&atilde;o se pode fazer ainda, mas se puder ser feita &eacute; importante, &eacute; quanto ao modelo de gest&atilde;o. Voc&ecirc; tem que fazer um modelo de gest&atilde;o com mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o e controle social amplo para n&atilde;o se criar uma TV estatal. Isso absolutamente n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o tenha que ter uma TV estatal, uma r&aacute;dio estatal que, ali&aacute;s, &eacute; um problema, n&atilde;o teve, inclusive no momento em que o pa&iacute;s precisava de uma outra voz, uma cobertura mais equilibrada. <\/p>\n<p><\/span><span>A chave da quest&atilde;o &eacute; o modelo de gest&atilde;o e n&atilde;o precisa inventar a roda, porque isso existe em outros pa&iacute;ses, Canad&aacute;, nos Estados Unidos. Na Inglaterra, a BBC tem esse modelo com muito v&iacute;nculo local, nas cidades, universidades. O que precisa &eacute; um modelo que d&ecirc; conta da possibilidade de controle. Voc&ecirc; est&aacute; inserindo uma figura nova, com controle p&uacute;blico. Tem que ter uma forma de controle que n&atilde;o seja nem comercial, privado, nem controle do Estado. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Qual a sua opini&atilde;o sobre a nova regula&ccedil;&atilde;o de TV por assinatura proposta pelo deputado Jorge Bittar, que cria o novo Servi&ccedil;o de Acesso Condicionado? A redu&ccedil;&atilde;o da publicidade (especialmente no hor&aacute;rio infantil), a abertura do mercado &agrave;s teles, a neutralidade tecnol&oacute;gica e a exig&ecirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o definida para os conte&uacute;dos nacionais (10% da grade, 40% no hor&aacute;rio nobre) podem trazer benef&iacute;cios do ponto de vista da pluralidade de vis&otilde;es pol&iacute;ticas na m&iacute;dia? Pode reduzir o pre&ccedil;o desse servi&ccedil;o a ponto de democratiz&aacute;-lo, ou continuar&aacute; sendo um acesso de elite?<br \/><\/strong><\/span><span>Em Portugal, o presidente sancionou uma lei pesada, 2\/3 de conte&uacute;do em l&iacute;ngua portuguesa e 1\/3 de produ&ccedil;&atilde;o nacional (&#8230;). Eu estou acompanhando isso em Portugal e no Canad&aacute;, para mostrar como a regula&ccedil;&atilde;o, a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura nacional e a &eacute;tica para os jornalistas cresce, cada vez mais, nesses pa&iacute;ses. E &eacute; regula&ccedil;&atilde;o por lei (&#8230;). <\/p>\n<p><\/span><span>Com a quest&atilde;o da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, &eacute; imposs&iacute;vel voc&ecirc; controlar. O caminho &eacute;, como o exemplo de Portugal, voc&ecirc; estabelecer normas que protejam a produ&ccedil;&atilde;o independente, a produ&ccedil;&atilde;o cultural, a l&iacute;ngua, a cultura, a diversidade. Muitas dessas coisas est&atilde;o na Constitui&ccedil;&atilde;o e nunca foram cumpridas. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>H&aacute; quem creia que a regulamenta&ccedil;&atilde;o da nova TV p&uacute;blica seria um dos canais para constru&ccedil;&atilde;o de uma m&iacute;dia independente do Estado, com maior participa&ccedil;&atilde;o social na cria&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. Isso seria poss&iacute;vel? Como?<br \/><\/strong><\/span><span>A TV P&uacute;blica s&oacute; faz sentido se acenar para essa possibilidade. A esperan&ccedil;a de quem est&aacute; na &aacute;rea &eacute; que voc&ecirc; tenha uma alternativa de qualidade que possa servir inclusive de refer&ecirc;ncia &agrave; TV comercial, fazendo o que ela n&atilde;o faz. Por outro lado, essas coisas que est&atilde;o acontecendo, o relat&oacute;rio do Bittar, a entrada de novos atores que est&atilde;o disputando um espa&ccedil;o, que tradicionalmente, era monop&oacute;lio desses grupos de sempre no Brasil, &eacute; uma quest&atilde;o de tempo. Tem que ter um marco regulat&oacute;rio adequado. &Eacute; inevit&aacute;vel. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>A renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es da chamada da grande m&iacute;dia televisiva est&aacute; acontecendo agora. Haver&aacute; mudan&ccedil;as nos termos, alguma contrapartida nova, algum tipo de ganho para a sociedade civil? A comiss&atilde;o que estuda o assunto avan&ccedil;ou em algum aspecto nessa rela&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>Se voc&ecirc; olhar historicamente o que acontece com a radiodifus&atilde;o no Brasil, desde a d&eacute;cada de 30, o pa&iacute;s optou por privilegiar a explora&ccedil;&atilde;o pela iniciativa privada. Os radiodifusores conseguiram consolidar uma legisla&ccedil;&atilde;o que diferencia os contratos de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de radiodifus&atilde;o, de todos os outros contratos. Eles t&ecirc;m privil&eacute;gios que outros prestadores de servi&ccedil;os p&uacute;blicos n&atilde;o t&ecirc;m. Isso chega a tal ponto que, para voc&ecirc; terminar um contrato de concess&atilde;o de radiodifus&atilde;o que esteja em vig&ecirc;ncia, voc&ecirc; precisa da vota&ccedil;&atilde;o nominal de 2\/5 do Congresso, pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 88. E o prazo da renova&ccedil;&atilde;o, que &eacute; de 15 anos, transforma as concess&otilde;es em propriedade privada.<\/p>\n<p><\/span><span>O ministro Franklin deu uma declara&ccedil;&atilde;o dizendo que o pa&iacute;s est&aacute; maduro para discutir as concess&otilde;es. Esse movimento que surgiu na sociedade civil &#8211; sindicatos, entidades da &aacute;rea, movimentos sociais que prop&otilde;em a discuss&atilde;o sobre as concess&otilde;es, tendo como mote o vencimento da concess&atilde;o das cinco cabe&ccedil;as de rede da Globo. O PCdoB est&aacute; pautando essa discuss&atilde;o. O PT foi para esse rumo tamb&eacute;m. Agora, &eacute; um processo complicado e de longo prazo, porque a popula&ccedil;&atilde;o se mobiliza em torno de transporte, hospitais etc, mas para se mobilizar porque a novela n&atilde;o est&aacute; satisfazendo &eacute; muito dif&iacute;cil. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>A lei de imprensa e a regulamenta&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o do jornalista tamb&eacute;m n&atilde;o poderiam ser atualizadas? Que a&ccedil;&otilde;es poderiam ser desenvolvidas pela sociedade civil, para ampliar seu poder de influ&ecirc;ncia (online ou fora da rede) nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es?<br \/><\/strong><\/span><span>As transforma&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, economia pol&iacute;tica e reorganiza&ccedil;&atilde;o do setor, est&atilde;o provocando um repensar sobre as profiss&otilde;es. Na pr&aacute;tica, hoje, algumas escolas j&aacute; formam um profissional multim&iacute;dia, que &eacute; a exig&ecirc;ncia do mercado. E como h&aacute; uma oferta de profissionais, muito maior do que a absor&ccedil;&atilde;o do mercado, a diferen&ccedil;a das escolas estar&aacute; condicionada &agrave; capacidade de formar um profissional capaz de inventar o espa&ccedil;o de atua&ccedil;&atilde;o. Isso acontece com os sites, pequenas empresas de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o, etc. Agora, a discuss&atilde;o sobre a regula&ccedil;&atilde;o profissional deve levar em conta essas mudan&ccedil;as radicais que est&atilde;o acontecendo agora e que ter&atilde;o implica&ccedil;&otilde;es na regula&ccedil;&atilde;o.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Pesquisa do Instituto GlobeScan, realizada no Brasil, pela GFK Indicator, citada no livro, diz que 64% dos entrevistados raramente encontram na grande m&iacute;dia o que gostariam de obter. &Eacute; poss&iacute;vel saber o que gostariam? Quais, na sua opini&atilde;o, s&atilde;o as grandes lacunas da m&iacute;dia do ponto de vista da esfera p&uacute;blica?<br \/><\/strong><\/span><span>Na TV aberta, falta o debate dos temas nacionais. O Roda Viva &eacute; um programa espec&iacute;fico, personalista, porque voc&ecirc; convida uma pessoa. S&atilde;o temas de interesse p&uacute;blico, a pr&oacute;pria m&iacute;dia, ou temas econ&ocirc;micos, sociais, de interesse da fam&iacute;lia. O espa&ccedil;o na m&iacute;dia aberta onde essas discuss&otilde;es s&atilde;o feitas de forma indireta, &eacute; o espa&ccedil;o da fic&ccedil;&atilde;o, das novelas e das s&eacute;ries muitas vezes. Falta isso, e junto com isso voc&ecirc; levaria um milh&atilde;o de coisas, a produ&ccedil;&atilde;o independente, a regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o, a cultura, a representa&ccedil;&atilde;o da diversidade &eacute;tnica, cultural, que inclusive que j&aacute; est&atilde;o na Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>Al&eacute;m dos marcos regulat&oacute;rios, concretamente, o que pode ser feito para a sociedade civil nessa dire&ccedil;&atilde;o, por exemplo, considerando as pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es? <br \/><\/strong><\/span><span>Num certo sentido, os partidos pol&iacute;ticos t&ecirc;m que pautar a m&iacute;dia como objeto de discuss&atilde;o e acionar e cobrar dos seus representantes no Congresso a&ccedil;&otilde;es objetivas nesse sentido. Fora isso, h&aacute; v&aacute;rias quest&otilde;es que n&atilde;o tocamos. Esse movimento das concess&otilde;es &eacute; importante porque chama aten&ccedil;&atilde;o ao fato de que as concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o e televis&atilde;o s&atilde;o concess&otilde;es do poder p&uacute;blico, por prazo determinado, condi&ccedil;&otilde;es determinadas para a renova&ccedil;&atilde;o. Isso tem que fazer parte do debate, uma das condi&ccedil;&otilde;es &eacute; o cumprimento da Constitui&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Uma coisa importante que poderia ser feita, e pode ser localmente, &eacute; o acompanhamento das concess&otilde;es de r&aacute;dio FM, por exemplo. As concess&otilde;es de r&aacute;dio FM s&atilde;o locais. Voc&ecirc; ter em cada local, um partido ou entidade da sociedade civil que saiba quais emissoras t&ecirc;m concess&atilde;o naquela localidade, qual o prazo dessas concess&otilde;es e que manifeste publicamente o seu direito de interferir na concess&atilde;o desse servi&ccedil;o p&uacute;blico e na sua renova&ccedil;&atilde;o, reivindicando o debate sobre isso no n&iacute;vel da estrutura institucional local, a C&acirc;mara de Vereadores, movimentando deputados estaduais e federais&#8230;<\/p>\n<p><\/span><span>O mais importante para mobilizar a vontade coletiva com rela&ccedil;&atilde;o a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; o acompanhamento dos concession&aacute;rios a n&iacute;vel local. A&iacute;, entramos na quest&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias tamb&eacute;m. N&oacute;s fizemos uma pesquisa, recentemente, e os dados que conseguimos indica que, das emissoras autorizadas de 1999 at&eacute; dezembro de 2004, 50.2%&nbsp; tinham vincula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-partid&aacute;ria. Um absurdo do ponto de vista do interesse p&uacute;blico.<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>E voc&ecirc; v&ecirc; uma s&eacute;rie de r&aacute;dios comunit&aacute;rias, com projetos educacionais, p&uacute;blicos, fechadas. <br \/><\/strong><\/span><span>Isso faz parte da necessidade regularizar tudo, uma coisa perversa. A regula&ccedil;&atilde;o na verdade foi criada para obstaculizar as r&aacute;dios comunit&aacute;rias, e n&atilde;o para favorecer a sua cria&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc; tem uma situa&ccedil;&atilde;o absurda, de r&aacute;dios comunit&aacute;rias que existiam antes da legisla&ccedil;&atilde;o, que cumpriam uma fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e recebiam recursos de entidades nacionais e internacionais, reconhecidamente p&uacute;blicas, mas que n&atilde;o conseguiram at&eacute; hoje a sua regulariza&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o fechadas. Claramente, n&atilde;o &eacute; porque elas n&atilde;o servem ao interesse p&uacute;blico, mas porque contrariam o interesse das concession&aacute;rias privadas e comerciais. Est&aacute; errado isso.<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>At&eacute; do ponto de vista eleitoral, na crise pol&iacute;tica, discutia-se que se voc&ecirc; tivesse uma rede de r&aacute;dios comunit&aacute;rias fortalecida, financiada e apoiada, isso serviria de contraponto para a chamada informa&ccedil;&atilde;o da grande m&iacute;dia&#8230;<br \/><\/strong><\/span><span>&Eacute; fundamental. O processo &eacute; contaminado desde a sua origem. Uma entidade que se interesse em ter uma autoriza&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio comunit&aacute;ria, ela ter&aacute; quatro vezes mais chance de atringir seu objetivo se tiver apoio pol&iacute;tico partid&aacute;rio de algu&eacute;m em Bras&iacute;lia, que acompanhe o processo. <\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>Agora, h&aacute; um projeto que vai tratar de demandas na &aacute;rea da TV paga e da quest&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do;em outra frente, temos a TV p&uacute;blica tamb&eacute;m. Resolver a quest&atilde;o aos peda&ccedil;os n&atilde;o dificulta a bandeira em defesa da necessidade da Lei Geral de Comunica&ccedil;&atilde;o Eletr&ocirc;nica de Massa?<br \/><\/strong><\/span><span>Eu tinha esperan&ccedil;a de que em algum momento fosse chegar o projeto da lei geral do governo;&nbsp; o H&eacute;lio Costa (ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es) prometeu esse projeto para julho. Era um ponto de partida. Imaginei que pegariam todos os projetos anteriores, agregariam tudo e se promoveria uma grande discuss&atilde;o. Do jeito que est&aacute; caminhando, corremos o risco de resolvermos problemas parciais e o caos continuar.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador analisa a m\u00eddia brasileira e o papel da nova TV p\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[534],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19790"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19790\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}