{"id":19787,"date":"2007-11-14T16:32:44","date_gmt":"2007-11-14T16:32:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19787"},"modified":"2007-11-14T16:32:44","modified_gmt":"2007-11-14T16:32:44","slug":"midia-sufoca-pluralidade-e-suprime-pensamento-critico-dizem-intelectuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19787","title":{"rendered":"&#8220;M\u00eddia sufoca pluralidade e suprime pensamento cr\u00edtico&#8221;, dizem intelectuais"},"content":{"rendered":"<p><span>SALVADOR &#8211; Um dos casos mais recentes e emblem&aacute;ticos de um certo desvario reinante na imprensa brasileira foi, segundo o soci&oacute;logo Emir Sader, a afirma&ccedil;&atilde;o de um graduado jornalista sobre os resultados das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2006: o povo, ao reeleger Lula, teria contrariado a opini&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p><\/span><span>Participante, junto com a fil&oacute;sofa Marilena Chau&iacute; e a jornalista Tereza Cruvinel (TV Brasil) do debate M&iacute;dia e Democracia no Brasil, atividade do F&oacute;rum Internacional M&iacute;dia, Poder e Democracia, que acontece em Salvador, BA, entre os dias 12 e 14 de novembro, Sader destrinchou as estrat&eacute;gias utilizadas pela m&iacute;dia para impor &agrave; popula&ccedil;&atilde;o um papel de agente passivo na constru&ccedil;&atilde;o social, pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica do pa&iacute;s e no processo de supress&atilde;o progressiva da democracia.<\/p>\n<p><\/span><span>Citando os resultados de uma pesquisa recente do jornal Folha de S&atilde;o Paulo, que constatou que seus leitores s&atilde;o, em absoluta maioria, integrantes das classes A e B, com grande poder aquisitivo e cultura de consumo, Sader destacou duas quest&otilde;es importantes: por um lado, o jornal resume seu universo editorial em ser pautado e pautar a &quot;opini&atilde;o p&uacute;blica&quot; de uma determinada classe, buscando ser ao mesmo tempo construtor e filtro do consenso e definindo &quot;o qu&ecirc;, quando e sobre o qu&ecirc; se fala?.<\/p>\n<p><\/span><span>Por outro lado, o liberalismo escamoteado de &quot;liberdades&quot; reduziu os receptores das informa&ccedil;&otilde;es a consumidores, de olho nas possibilidades de financiamento da industria de bens de consumo. Mais do que uma imprensa privada, a m&iacute;dia &eacute; mercantilizada, o que fragiliza a democracia a partir do momento em que forma e conte&uacute;do das informa&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m origem e direcionamento pr&eacute;-estabelecidos pelo mercado.<\/p>\n<p><\/span><span>Um problema maior, neste aspecto da supress&atilde;o da democracia, est&aacute;, de acordo com Sader, na esfera do debate ou disputa de id&eacute;ias. &quot;Segundo o pensador ingl&ecirc;s Perry Anderson, quando a esquerda chegou ao governo, tinha perdido o debate das id&eacute;ias. Consultado, normalmente o povo &eacute; <\/span><span>favor&aacute;vel a id&eacute;ias progressistas; mas n&atilde;o &eacute; consultado&quot;. A constru&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o se d&aacute;, assim, a partir do posicionamento da popula&ccedil;&atilde;o, mas a partir das demandas do mercado, avalia Sader.<\/p>\n<p><\/span><span>Na mesma dire&ccedil;&atilde;o, a fil&oacute;sofa Marilena Chau&iacute; aponta um fen&ocirc;meno cada vez mais comum na m&iacute;dia: a relev&acirc;ncia dada a prefer&ecirc;ncias pessoais (que m&uacute;sica gosta, que filme viu, que perfume usa, que viagem fez) em detrimento da coloca&ccedil;&atilde;o de id&eacute;ias e reflex&otilde;es quando se d&aacute; espa&ccedil;o ao &quot;debate p&uacute;blico&quot;. Assim, a real opini&atilde;o p&uacute;blica d&aacute; lugar &agrave; sondagem de opini&atilde;o, no sentido em que n&atilde;o se procura a express&atilde;o p&uacute;blica nacional, refletida e pensada, mas se aposta nas &quot;predile&ccedil;&otilde;es&quot;.<\/p>\n<p><\/span><span>O papel de refletir e pensar &eacute; usurpado pelos &quot;formadores de opini&atilde;o&quot; &#8211; analistas, acad&ecirc;micos, artistas, jornalistas. O jornalismo se torna o detentor das plausibilidades, e os intelectuais, o operariado do capital. O especialista &eacute; aquele que ensina a viver, a decorar a casa, a cozinhar, a fazer sexo, a educar, o que faz do comunicador o formador final da opini&atilde;o p&uacute;blica. O papel do poder p&uacute;blico Segundo Emir Sader, salvaguardar ou reconduzir a democracia na imprensa passa a ser um papel do poder p&uacute;blico, a partir da concep&ccedil;&atilde;o de que &eacute; o mais apto a desmercantilizar os processos de comunica&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, desmercantilizar significa democratizar, defende Sader.<\/p>\n<p><\/span><span>Este seria um dos principais desafios dos governos de esquerda: a constru&ccedil;&atilde;o de canais p&uacute;blicos onde a diversidade tem espa&ccedil;o obrigat&oacute;rio, e onde a m&iacute;dia deixaria de ser a intermedi&aacute;ria entre o <\/span><span>governo e a opini&atilde;o p&uacute;blica. Para tanto, por&eacute;m, &eacute; urgente que verbas p&uacute;blicas de publicidade, principalmente das grandes estatais &#8211; no fundo nada mais do que dinheiro da popula&ccedil;&atilde;o -, deixem de ser canalizadas para sustentar os grandes imp&eacute;rios midi&aacute;ticos.<\/p>\n<p><\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&quot;Tem de haver o fortalecimento dos canais e m&iacute;dias alternativas, como Carta Capital, Caros Amigos, Carta Maior, Le Monde Diplomatique -, express&otilde;es da diversidade; a batalha das id&eacute;ias &eacute; decisiva para o futuro do Brasil. S&atilde;o as id&eacute;ias que ficam, que d&atilde;o ao povo consci&ecirc;ncia de si mesmo?, conclui Sader.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SALVADOR &#8211; Um dos casos mais recentes e emblem&aacute;ticos de um certo desvario reinante na imprensa brasileira foi, segundo o soci&oacute;logo Emir Sader, a afirma&ccedil;&atilde;o de um graduado jornalista sobre os resultados das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2006: o povo, ao reeleger Lula, teria contrariado a opini&atilde;o p&uacute;blica. 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