{"id":19786,"date":"2007-11-14T16:28:19","date_gmt":"2007-11-14T16:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19786"},"modified":"2007-11-14T16:28:19","modified_gmt":"2007-11-14T16:28:19","slug":"observatorios-de-midia-refletem-descredito-da-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19786","title":{"rendered":"Observat\u00f3rios de m\u00eddia refletem descr\u00e9dito da imprensa"},"content":{"rendered":"<p>Salvador &#8211; Em 11 de mar&ccedil;o de 2004, a Espanha ficou paralisada pelo terror de um atentado ao trem de Madrid em pleno hor&aacute;rio de pico. <br \/>Dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas. Pouco ap&oacute;s o ocorrido, o governo do presidente Jos&eacute; Maria Aznar divulgou, como resultado de uma apura&ccedil;&atilde;o supostamente confi&aacute;vel, que o ato terrorista teria sido cometido pelo grupo separatista basco ETA. Como se soube depois, os editores dos principais ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s receberam telefonemas de Aznar pessoalmente ou de seus ministros, reafirmando a informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No subterr&acirc;neo das comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o alinhadas, no entanto, rapidamente outra vers&atilde;o come&ccedil;ou a tomar corpo: n&atilde;o foi o ETA, mas sim um grupo isl&acirc;mico que teria inclusive assumido a autoria do atentado. Esta vers&atilde;o, que acabou se confirmando, custou ao grupo pol&iacute;tico de Aznar a vit&oacute;ria na elei&ccedil;&atilde;o presidencial que ocorreu tr&ecirc;s dias depois. A resposta da sociedade &agrave; tentativa de incriminar com mentiras um grupo de esquerda para fins eleitorais foi avassaladora, e venceu o rep&uacute;dio ao apoio do governo de direita &agrave; a&ccedil;&atilde;o americana no Iraque. Dessa forma, a improv&aacute;vel candidatura do progressista Jos&eacute; Luiz Zapatero virou a mesa e levou a presid&ecirc;ncia, num dos processos mais extraordin&aacute;rios de for&ccedil;a da opini&atilde;o p&uacute;blica da hist&oacute;ria recente.<\/p>\n<p>Mentiras exemplares da imprensa, como as que deram conta da exist&ecirc;ncia de armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa no Iraque e da participa&ccedil;&atilde;o do governo do pa&iacute;s nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, e que justificaram o hediondo crime da invas&atilde;o americana, s&atilde;o extremos de uma realidade que tem levado a sociedade a sofrer do que o jornalista Ign&aacute;cio Ramonet, diretor do jornal franc&ecirc;s Le Monde Diplomatique e do Media Watch International, chama de inseguran&ccedil;a informativa.<\/p>\n<p>Palestrante do F&oacute;rum Internacional M&iacute;dia, Poder e Democracia, que ocorre at&eacute; este dia 14 em Salvador, Ramonet apresentou os exemplos <br \/>acima para expor um processo de descr&eacute;dito crescente auto-infligido pela m&iacute;dia, uma vez que a imprensa e seus profissionais, grandes <br \/>lutadores da democracia em momentos de repress&atilde;o e ditadura, passaram a ser eles pr&oacute;prios os grandes violadores desta democracia em nome da mercantiliza&ccedil;&atilde;o e &quot;mercenariza&ccedil;&atilde;o&quot; da informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A sensa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a informativa se aprofundou com um certo abandono da imprensa de seu papel de &quot;quarto poder&quot;, o avaliador <br \/>cr&iacute;tico das disfun&ccedil;&otilde;es do Estado e suas instancias legislativas, executivas e judici&aacute;rias. O interesse &eacute; outro, explica Ramonet. &quot;O <br \/>importante hoje, para a imprensa, &eacute; o que o maior n&uacute;mero de pessoas quer ver e ouvir. As informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o cada vez mais breves, emotivas e espetaculares. E, cada vez mais, estas informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o gratuitas. Ent&atilde;o onde est&aacute; o neg&oacute;cio? Se trata de vender gente aos anunciantes, e para ter mais gente, a informa&ccedil;&atilde;o tem que ser sedutora&quot;, pondera. E neste ponto, a credibilidade do ve&iacute;culo e do trabalho jornal&iacute;stico <br \/>sofre s&eacute;rias avarias.<\/p>\n<p>Neste cen&aacute;rio, o surgimento de um n&uacute;mero cada vez maior de iniciativas de monitoramento da m&iacute;dia em todo o mundo, a exemplo do Observat&oacute;rio de Imprensa ou do Observat&oacute;rio de M&iacute;dia no Brasil, tem sido um reflexo claro da rea&ccedil;&atilde;o da sociedade perante o descr&eacute;dito dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Temos agora que buscar uma unidade maior destas iniciativas mundo afora&quot;, sugere Ramonet, para que o processo de acompanhamento cr&iacute;tico da m&iacute;dia se fortale&ccedil;a como uma esp&eacute;cie de &#39;quinto poder&#39;. &quot;Estamos sugerindo um encontro mundial, quem sabe no Brasil, ligado ao processo F&oacute;rum Social Mundial de 2009, que ocorrer&aacute; em Bel&eacute;m, para unificar os observat&oacute;rios de m&iacute;dia&quot;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvador &#8211; Em 11 de mar&ccedil;o de 2004, a Espanha ficou paralisada pelo terror de um atentado ao trem de Madrid em pleno hor&aacute;rio de pico. 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