{"id":19745,"date":"2007-11-12T15:17:01","date_gmt":"2007-11-12T15:17:01","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19745"},"modified":"2007-11-12T15:17:01","modified_gmt":"2007-11-12T15:17:01","slug":"incertezas-marcam-o-futuro-da-tvers-e-da-fm-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19745","title":{"rendered":"Incertezas marcam o futuro da TVE\/RS e da FM Cultura"},"content":{"rendered":"<p><span>Porto Alegre &#8211; No dia 10 de novembro, o <\/span><span>PL 399\/2007 completou um m&ecirc;s de tramita&ccedil;&atilde;o na Assembl&eacute;ia Legislativa ga&uacute;cha. A inten&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei enviado pelo Executivo&nbsp;&eacute;<\/span><span> firmar parcerias com empresas privadas, constitu&iacute;das em Oscips, atingindo cerca de 33 funda&ccedil;&otilde;es das &aacute;reas de assist&ecirc;ncia social, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, cultura, patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico, defesa do meio ambiente, desenvolvimento econ&ocirc;mico, defesa da &eacute;tica, paz, cidadania e direitos humanos e comunica&ccedil;&atilde;o. Entre elas est&aacute; a Funda&ccedil;&atilde;o Cultural Piratini, gestora da TVE e da R&aacute;dio FM Cultura. Embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel obter uma confirma&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, h&aacute; registros em atas do pr&oacute;prio Conselho Deliberativo da Funda&ccedil;&atilde;o que o Governo possui um grupo de trabalho analisando um projeto de Oscip para a funda&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A<\/span><span> proposta&nbsp;&eacute;&nbsp;alvo de debates e mobiliza&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave; sua aprova&ccedil;&atilde;o. O &uacute;ltimo protesto ocorreu no dia 7 de novembro, quando <\/span><span>a CUT e seus sindicatos filiados realizaram um dia de greve geral no Rio Grande do Sul para protestar contra o pacote econ&ocirc;mico da governadora Yeda Crusius (PSDB), que inclui o projeto das Oscips.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Proposta do governo FHC<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>As Oscips foram criadas pelo governo federal, na gest&atilde;o do presidente Fernando Henrique Cardoso, para possibilitar que entidades, associa&ccedil;&otilde;es e funda&ccedil;&otilde;es privadas sem fins lucrativos firmem acordos com a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Segundo a professora e pesquisadora nas &aacute;reas de Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e Estudos Organizacionais da Escola de Administra&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Maria Ceci Misoczky, a exist&ecirc;ncia do marco regulat&oacute;rio dessas organiza&ccedil;&otilde;es, em n&iacute;vel federal, j&aacute; autoriza tanto sua exist&ecirc;ncia quanto a realiza&ccedil;&atilde;o de parcerias com estas organiza&ccedil;&otilde;es, s&oacute; que neste caso parcerias efetivamente pontuais e regidas pelas regras e controles da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. <\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;O PL 399\/2007 deve, portanto, ser tratado como um fato extremamente grave e com implica&ccedil;&otilde;es de enorme risco. At&eacute; porque, se n&atilde;o fosse para transferir para organiza&ccedil;&otilde;es privadas sem fins lucrativos um grande conjunto de fun&ccedil;&otilde;es e atividades que cobrem todas as atividades e fun&ccedil;&otilde;es n&atilde;o exclusivas do Estado e que incluem todos, absolutamente todos, os setores e servi&ccedil;os sociais que n&atilde;o sejam fiscalizadores ou de seguran&ccedil;a, n&atilde;o seria necess&aacute;rio criar um marco regulat&oacute;rio espec&iacute;fico&rdquo;, alerta a professora.<\/p>\n<p><\/span><span>Maria Ceci destaca que o tema n&atilde;o pode ser tratado de modo pontual, como se fosse uma mera regulamenta&ccedil;&atilde;o do aparato governamental. &ldquo;A discuss&atilde;o que est&aacute; colocada para a sociedade ga&uacute;cha &eacute; eminentemente pol&iacute;tica. &Eacute; preciso sair da pauta estabelecida pelo governo e de sua estrat&eacute;gia de tratar a quest&atilde;o como se fosse t&eacute;cnica&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Trabalhadores resistem &agrave; privatiza&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Esse &eacute; o objetivo do Movimento &ldquo;SOS TVE R&aacute;dio FM Cultura&rdquo;. Ap&oacute;s uma s&eacute;rie de semin&aacute;rios, os funcion&aacute;rios da Funda&ccedil;&atilde;o se posicionaram contra a proposta. Com o intuito de gerar o debate na sociedade, os trabalhadores, com o apoio dos Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas, organizaram um abaixo-assinado em que explicam a situa&ccedil;&atilde;o de sucateamento das emissoras e criticam a proposta de ceder a gest&atilde;o a uma Oscip. Al&eacute;m da vers&atilde;o on-line dispon&iacute;vel no site <a href=\"http:\/\/www.petitiononline.com\/TVE_FM\">www.petitiononline.com\/TVE_FM<\/a>, as assinaturas est&atilde;o sendo colhidas aos domingos no Brique da Reden&ccedil;&atilde;o, local de grande movimento <\/span><span>em Porto Alegre.<\/span><span> <\/p>\n<p><\/span><span>O representante dos funcion&aacute;rios no Conselho Deliberativo da Funda&ccedil;&atilde;o, Alexandre Lebboute, avalia que o movimento j&aacute; reuniu 12 mil assinaturas. Os abaixo-assinados ser&atilde;o entregues &agrave; Assembl&eacute;ia Legislativa alguns dias antes da vota&ccedil;&atilde;o, que ainda n&atilde;o tem data marcada. Lebboute acredita que a medida representa o primeiro passo de um processo de privatiza&ccedil;&atilde;o. E alerta que a mudan&ccedil;a pode significar a queda de qualidade do servi&ccedil;o e a perda de independ&ecirc;ncia da programa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Ele salientou ainda o perigo que representa as entidades serem contratadas sem licita&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O esc&acirc;ndalo do Detran\/RS teve como piv&ocirc; uma funda&ccedil;&atilde;o contratada sem licita&ccedil;&atilde;o. Este tipo de procedimento &eacute; temer&aacute;rio do ponto de vista da gest&atilde;o dos recursos p&uacute;blicos. As possibilidades de controle p&uacute;blico numa terceiriza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o precarizadas&rdquo;, afirma. Lebboute lembrou um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal onde verificou-se que dos R$ 3 bilh&otilde;es enviados para ONGs e Oscips, 1,5% s&atilde;o desviados. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quem perde &eacute; a sociedade<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A professora Maria Ceci tamb&eacute;m considera importante pensar quais seriam as conseq&uuml;&ecirc;ncias para a sociedade ga&uacute;cha da transfer&ecirc;ncia da execu&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es e atividades hoje sob responsabilidade da Funda&ccedil;&atilde;o Piratini para uma Oscip. &ldquo;A TVE e a FM Cultura se constituem no &uacute;nico ve&iacute;culo para a valoriza&ccedil;&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es culturais produzida pela nossa gente, sejam elas aquelas marcadas pela tradi&ccedil;&atilde;o, sejam as cria&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas, que pode faz&ecirc;-lo livre das press&otilde;es do mercado&rdquo;. Ela diz que a perda desse espa&ccedil;o e sua subordina&ccedil;&atilde;o &agrave; l&oacute;gica do mercado se constituiriam em uma perda inestim&aacute;vel para todos, mas, tamb&eacute;m e especialmente, para as gera&ccedil;&otilde;es futuras. &ldquo;&Eacute; incr&iacute;vel como alguns se atrevem a pensar o desenvolvimento desconectado da cultura.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m disso, a professora considera que os trabalhadores da Funda&ccedil;&atilde;o Piratini se constituem em um coletivo de profissionais portadores de uma qualifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas formal, j&aacute; que desenvolveram compet&ecirc;ncias e habilidades em sua trajet&oacute;ria de trabalho nesta organiza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O movimento SOS TVE R&aacute;dio FM Cultura n&atilde;o pode ser tomado como mera defesa corporativa de seus postos de trabalho, o que, ali&aacute;s, seria muito leg&iacute;timo. Trata-se de uma demonstra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de seu comprometimento com os valores e os prop&oacute;sitos que at&eacute; hoje t&ecirc;m orientado a exist&ecirc;ncia dessa organiza&ccedil;&atilde;o. A indefini&ccedil;&atilde;o e despreocupa&ccedil;&atilde;o com o destino deste conjunto de profissionais, bem como dos profissionais de todas as organiza&ccedil;&otilde;es que podem ser alvo desta Lei, caso ela seja aprovada, &eacute; uma reedi&ccedil;&atilde;o da postura de desprezo pelos servidores p&uacute;blicos que j&aacute; dominou outras administra&ccedil;&otilde;es no Governo do Rio Grande do Sul&rdquo;, conclui Maria Ceci.<\/p>\n<p><\/span><strong><span>TV Brasil pode ser uma alternativa<\/p>\n<p><\/span><\/strong><span>Hoje, a Funda&ccedil;&atilde;o Piratini est&aacute; atuando com um presidente interino e sem uma diretoria efetiva. <\/span><span>O jornalista Luiz Fernando Moraes deixou a presid&ecirc;ncia em outubro para assumir a Secretaria de Turismo de Porto Alegre, ap&oacute;s seis meses de gest&atilde;o. U<\/span><span>m dos principais problemas &eacute; justamente a falta de continuidade. No Governo de Germano Rigotto, foram quatro presidentes em quatro anos.<\/p>\n<p><\/span><span>Na avalia&ccedil;&atilde;o do presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, Jos&eacute; Nunes, o sucateamento das emissoras vem a longos anos, mas hoje est&aacute; cada vez mais claro. &ldquo;Desde que a governadora Yeda Crusius assumiu n&atilde;o houve nenhum investimento. Acreditamos que o governo est&aacute; em compasso de espera para aprovar o PL das Oscips e se desresponsabilizar da Funda&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma Nunes.<\/p>\n<p><\/span><span style=\"color: black\">Segundo ele, na audi&ecirc;ncia p&uacute;blica que debateu a TV p&uacute;blica com o ministro da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, Franklin Martins, realizada no dia 27 de outubro <\/span><span>em Porto Alegre<\/span><span>, as entidades criticaram a proposta da governadora e solicitaram que o Governo do Estado fa&ccedil;a <\/span><span>um acordo com o Governo Federal para aderir &agrave; TV Brasil. Quem optar pela participa&ccedil;&atilde;o plena receber&aacute; recursos do governo federal para fazer a migra&ccedil;&atilde;o para o sistema digital e para o modelo p&uacute;blico. Com isso, a TVE teria o aporte financeiro que necessita e n&atilde;o precisaria ser entregue ao setor privado.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O secret&aacute;rio da Comunica&ccedil;&atilde;o Social do Estado do RS, Paulo Fona, que comp&ocirc;s a mesa de debates, <\/span><span>disse que considera a TV Brasil um avan&ccedil;o para o processo de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no Pa&iacute;s e que a governadora Yeda Crusius est&aacute; disposta a conversar. Mas tamb&eacute;m afirmou que o projeto das Oscips pode ser uma op&ccedil;&atilde;o de gest&atilde;o para a TVE. &ldquo;Mas isso ainda n&atilde;o &eacute; definitivo, j&aacute; que a Assembl&eacute;ia Legislativa est&aacute; analisando a proposta&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>A TV Brasil se prop&otilde;e a ter quatro horas de programa&ccedil;&atilde;o feitas por produtoras independentes e quatro horas de programa&ccedil;&atilde;o local. A defini&ccedil;&atilde;o da grade nacional se dar&aacute; atrav&eacute;s de conversas com as emissoras dos estados. Lebboute acredita que integrar a rede pode ser uma sa&iacute;da. &ldquo;Ainda estamos debatendo essa possibilidade com os funcion&aacute;rios. Est&aacute; claro que o processo de digitaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; muito caro e quem n&atilde;o se adequar estar&aacute; fora. O Governo Federal abriu a possibilidade de passar recursos para a digitaliza&ccedil;&atilde;o e a qualifica&ccedil;&atilde;o dos servidores. Mas n&atilde;o vejo um movimento do Governo do Estado para buscar essa solu&ccedil;&atilde;o, prefere entregar para as Oscips&rdquo;, afirma.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Representantes dos funcion\u00e1rios da Funda\u00e7\u00e3o Cultural Piratini afirmam que projeto da governadora Yead Crusis em tramita\u00e7\u00e3o na Assembl\u00e9ia Legislativa pode ser o primeiro passo para a privatiza\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[419],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19745"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19745\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}