{"id":19744,"date":"2007-11-12T11:11:44","date_gmt":"2007-11-12T11:11:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19744"},"modified":"2007-11-12T11:11:44","modified_gmt":"2007-11-12T11:11:44","slug":"o-limite-a-propriedade-cruzada-na-tv-por-assinatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19744","title":{"rendered":"O limite \u00e0 propriedade cruzada na TV por assinatura"},"content":{"rendered":"<p><span>Tramita na Comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio da C&acirc;mara dos Deputados o substitutivo do deputado Wellington Fagundes (PR-MT) que procura unificar a legisla&ccedil;&atilde;o de TV paga no Brasil. Uma vez aprovado, o substitutivo seguir&aacute; para a Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI), onde ter&aacute; novo relator, provavelmente o deputado Jorge Bittar (PT-RJ).<\/p>\n<p><\/span><span>O projeto &eacute; surpreendentemente interessante, levando-se em conta os interesses em jogo e a origem partid&aacute;ria do relator. Mas, ainda existem v&aacute;rias quest&otilde;es a serem melhoradas, como imprecis&otilde;es no texto e a quase total inexist&ecirc;ncia de regras para conte&uacute;do nacional, produ&ccedil;&atilde;o regional e de car&aacute;ter independente.<\/p>\n<p><\/span><span>Mas, a grande pol&ecirc;mica do substitutivo est&aacute; mesmo no par&aacute;grafo primeiro do artigo 9&deg;. De uma s&oacute; vez, o relator conseguiu comprar briga com as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es (Oi, Embratel, Brasil Telecom e Telefonica) e de TV paga (entre elas a Globo). Diz o par&aacute;grafo:<\/p>\n<p><\/span><span><em>&quot;As empresas de produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual eletr&ocirc;nico n&atilde;o poder&atilde;o deter o controle acion&aacute;rio de empresas prestadoras de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, independentemente das plataformas das mesmas, assim como as empresas exploradoras de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o poder&atilde;o, direta ou indiretamente, adquirir direitos de explora&ccedil;&atilde;o de imagens de eventos nacionais de qualquer natureza, ou participar de empresa de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nacional e de programa&ccedil;&atilde;o, onde exer&ccedil;am qualquer influ&ecirc;ncia na administra&ccedil;&atilde;o, independentemente das plataformas a que se destinem os referidos conte&uacute;dos.&quot;<\/p>\n<p><\/em><\/span><span>O texto poderia ser mais expl&iacute;cito na sua reda&ccedil;&atilde;o (&quot;n&atilde;o poder&atilde;o deter o controle acion&aacute;rio de empresas prestadoras de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es, inclusive de distribui&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisual eletr&ocirc;nica por assinatura, independentemente das plataformas das mesmas&quot;), mas, na pr&aacute;tica, o que ele est&aacute; propondo &eacute; uma in&eacute;dita regra de limite a propriedade cruzada. Ainda que estejam sendo abrandadas pelos ventos do neo-liberalismo, tais regras existem em quase todos os pa&iacute;ses ditos desenvolvidos, inclusive nos Estados Unidos, e visam impedir que uma mesma empresa seja dona de jornais, revistas, r&aacute;dios AM e FM, TVs abertas, TVs pagas, etc. No Brasil, at&eacute; hoje, n&atilde;o existe nenhum tipo de limite para a concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade (exceto o impedimento para que uma pessoa tenha mais de cinco canais de televis&atilde;o aberta).<\/p>\n<p><\/span><span>No caso espec&iacute;fico da TV paga, o oligop&oacute;lio exercido pela Globo tem ares dram&aacute;ticos e ajuda a explicar o alto pre&ccedil;o e a consequente baixa penetra&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o (menos de 10% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira vive em casas onde h&aacute; pelo menos um ponto de TV paga). A Globo &eacute; dona integral da maior &quot;programadora&quot; brasileira, a GloboSat, que tem em seu portf&oacute;lio canais como GloboNews, GNT, MultiShow, SportTV1, SportTV2, USA, Telecines (5), Canal Brasil, Premiere Futebol Clube e Sexy Hot. A mesma Globo &eacute; igualmente dona integral da maior &quot;empacotadora&quot;, a NET Brasil, que tem como clientes a NET Servi&ccedil;os (44 cidades, entre elas S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Bras&iacute;lia, Curitiba e Porto Alegre), a Sky Brasil e v&aacute;rias outras franqueadas, como a TV Cidade (presente em Niter&oacute;i, S&atilde;o Gon&ccedil;alo, Volta Redonda, Aracaju e Juiz de Fora, entre outras cidades).<\/p>\n<p><\/span><span>Mas, a Globo tamb&eacute;m possui cerca de 28% da Sky Brasil (&quot;distribuidora&quot; de TV paga via sat&eacute;lite) e 10% diretos e 26% indiretos da NET Servi&ccedil;os (maior &quot;distribuidora&quot; de TV paga via cabo do pa&iacute;s). Com isso, a Globo garante presen&ccedil;a nas quatro atividades que integram a cadeia produtiva da TV paga: produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o, empacotamento e distribui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>O substitutivo do deputado Wellington Fagundes obriga a Globo a vender suas a&ccedil;&otilde;es na NET Servi&ccedil;os e na Sky Brasil, deixando de operar na distribui&ccedil;&atilde;o da TV paga. Em contrapartida, as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o poderiam comprar direitos de transmiss&atilde;o de eventos (como shows e campeonatos esportivos), produzir conte&uacute;do audiovisual e programar canais de TV paga. Na pr&aacute;tica, contudo, a proposta afeta pouco as teles, que, at&eacute; onde se sabe, est&atilde;o interessadas apenas em comprar ou constituir empacotadoras e distribuidoras de TV paga (como os casos da Embratel-Net Servi&ccedil;os, Telefonica-TVA, Telefonica TV Digital e Oi-Way TV) e n&atilde;o pretendem produzir e programar conte&uacute;do audiovisual.<\/p>\n<p><\/span><span>A proposta do substitutivo tamb&eacute;m poderia ser mais abrangente. O ideal&nbsp;<\/span><span>seria separar totalmente as atividades de produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o, de um <\/span><span>lado, das atividades de empacotamento e distribui&ccedil;&atilde;o, de outro lado. <\/span><span>Assim, a Globo poderia continuar produzindo conte&uacute;do audiovisual e <\/span><span>programando os canais da GloboSat. Mas, n&atilde;o poderia ser acionista da <\/span><span>empacotadora NET Brasil e das distribuidoras NET Servi&ccedil;os e Sky Brasil. <\/span><span>Com isso, a Globo deixaria de poder usar a NET Brasil para obrigar a <\/span><span>transmiss&atilde;o de todos os canais produzidos pela GloboSat e para impedir a <\/span><span>transmiss&atilde;o de canais brasileiros que lhe fa&ccedil;am concorr&ecirc;ncia. Teria que <\/span><span>haver uma verdadeira negocia&ccedil;&atilde;o comercial entre a programadora GloboSat <\/span><span>e a empacotadora NET Brasil.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; fato que a crise porque passou a Globo no in&iacute;cio desta d&eacute;cada a obrigou a abandonar sua posi&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria na Sky Brasil (hoje propriedade do grupo DirecTV) e na NET Servi&ccedil;os (que, apesar das restri&ccedil;oes legais, tem a maioria das a&ccedil;&otilde;es nas m&atilde;os da Embratel-Telmex). Em ambos os casos, a Globo se tornou s&oacute;cia minorit&aacute;ria, embora ainda participe do bloco de controle. Mesmo assim, uma proposta legislativa que obrigue a Globo a ter que sair de uma das atividades da TV paga (a distribui&ccedil;&atilde;o) j&aacute; est&aacute; fadada a ser alvo de intensa pol&ecirc;mica e, principalmente, de press&atilde;o do poderoso lobby dos deputados que servem aos interesses da V&ecirc;nus Prateada do Jardim Bot&acirc;nico.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<br \/><\/span><span><u><\/p>\n<p>GLOSS&Aacute;RIO<\/p>\n<p><\/u>*&nbsp;Programa&ccedil;&atilde;o &eacute; o ato de reunir o conte&uacute;do audiovisual na forma de uma grade de hor&aacute;rios, constituindo o que chamamos de canal de televis&atilde;o;<br \/><\/span><span>*<\/span><span>&nbsp;Empacotamento &eacute; a atividade de reunir v&aacute;rios canais de televis&atilde;o paa serem ofertados aos assinantes;<br \/><\/span><span>*&nbsp;Distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; a opera&ccedil;&atilde;o da rede (cabo, microondas ou sat&eacute;lite) que transmite a TV paga.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tramita na Comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio da C&acirc;mara dos Deputados o substitutivo do deputado Wellington Fagundes (PR-MT) que procura unificar a legisla&ccedil;&atilde;o de TV paga no Brasil. 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