{"id":19692,"date":"2007-11-06T16:13:20","date_gmt":"2007-11-06T16:13:20","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19692"},"modified":"2007-11-06T16:13:20","modified_gmt":"2007-11-06T16:13:20","slug":"aquisicao-da-chinaglia-pela-dinap-cria-monopolio-na-distribuicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19692","title":{"rendered":"Aquisi\u00e7\u00e3o da Chinaglia pela Dinap cria monop\u00f3lio na distribui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>O oligop&oacute;lio da distribui&ccedil;&atilde;o de revistas no Brasil est&aacute; prestes a se converter em monop&oacute;lio. As duas empresas que dominam o mercado &ndash; Dinap e Fernando Chinaglia &ndash; anunciaram que v&atilde;o se fundir, originando uma nova distribuidora, a Treelog S\/A. Hoje, a Dinap &eacute; respons&aacute;vel por cerca de 70% do mercado, e os outros 30% cabem &agrave; Chinaglia. A fus&atilde;o foi anunciada h&aacute; cerca de um m&ecirc;s, em 11 de outubro, pela Revista Imprensa. No mesmo dia, o Grupo Abril, acionista majorit&aacute;rio da Dinap, emitiu um comunicado confirmando a opera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>T&atilde;o logo foi anunciada publicamente, a compra da Chinaglia pela Dinap despertou preocupa&ccedil;&atilde;o naqueles que trabalham no mercado editorial. &ldquo;Essa compra vai matar uma s&eacute;rie de editoras que concorrem com a Abril em algum n&iacute;vel, vai eliminar do mercado as pequenas editoras&rdquo;, avalia Renato Rovai, publisher da Revista F&oacute;rum.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;N&atilde;o acreditamos que o neg&oacute;cio foi feito para prejudicar algu&eacute;m. Mesmo assim, a concentra&ccedil;&atilde;o de distribui&ccedil;&atilde;o em um &uacute;nico grupo &eacute; preocupante, pois os outros editores acabam por se tornar ref&eacute;ns e n&atilde;o h&aacute; pluralidade&rdquo;, afirma Herc&iacute;lio de Lourenzi, presidente da Editora Escala, que edita cerca de 150 publica&ccedil;&otilde;es por m&ecirc;s, distribu&iacute;das atualmente pela Fernando Chinaglia. <\/span><span>Hoje, as principais revistas semanais &ndash; como a &ldquo;&Eacute;poca&rdquo; e a &ldquo;Carta Capital&rdquo;, que disputam mercado com a &ldquo;Veja&rdquo;, da Abril &ndash; s&atilde;o distribu&iacute;das pela Chinaglia. Com o monop&oacute;lio da mais poderosa editora de revistas do pa&iacute;s no setor de distribui&ccedil;&atilde;o, o que acontecer&aacute; com elas?<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Ditadura das bancas<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A situa&ccedil;&atilde;o, que tende a piorar, j&aacute; n&atilde;o &eacute; um mar de rosas. Pequenas revistas e jornais &ndash; em especial os considerados &ldquo;de esquerda&rdquo; &ndash; caminham h&aacute; anos na corda bamba. <\/span><span>Para que a Fernando Chinaglia aceitasse distribuir o jornal Brasil de Fato, por exemplo, foram necess&aacute;rias &ldquo;articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas&rdquo; junto ao dono da empresa, lembra o editor do jornal, Nilton Viana. &Agrave; &eacute;poca, o Brasil de Fato acabara de rescindir o contrato com a S&atilde;o Paulo Distribui&ccedil;&atilde;o e Log&iacute;stica, distribuidora dos grupos Estado e Folha e que atende alguns poucos clientes.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Na primeira semana de publica&ccedil;&atilde;o, o jornal havia esgotado em cidades como Santos e Campinas. Na semana seguinte, a S&atilde;o Paulo Distribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o mandou o jornal para essas cidades, argumentando que estavam com problemas na regi&atilde;o. Aos poucos, percebemos que era um boicote: isso ocorria sistematicamente em todas regi&otilde;es onde a venda do jornal era boa&rdquo;, diz Viana.<\/p>\n<p><\/span><span>Para Rovai, da Revista F&oacute;rum, a justificativa das empresas para n&atilde;o distribuir uma revista &ldquo;nunca foi pol&iacute;tica ou editorial: vem travestida de argumentos t&eacute;cnicos&rdquo;. Quando da cria&ccedil;&atilde;o da F&oacute;rum, ele procurou a Dinap, que exigiu um reparte m&iacute;nimo para venda em banca. &ldquo;A tiragem m&iacute;nima exigida por eles &eacute; proibitiva para revistas que n&atilde;o s&atilde;o de car&aacute;ter comercial. Eles criam uma linha de corte para quem eles n&atilde;o consideram conveniente distribuir, por motivos comerciais ou pol&iacute;tico-editoriais&rdquo;. <\/span><span>Ainda segundo o publisher da F&oacute;rum, &ldquo;a distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; uma parte estrat&eacute;gica do neg&oacute;cio, e n&atilde;o h&aacute; qualquer fiscaliza&ccedil;&atilde;o. A Abril vai estabelecer uma ditadura das bancas. Est&aacute; mais que na hora de o governo estimular a cria&ccedil;&atilde;o de alternativas de mercado&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p><span><br \/><\/span><span>De acordo com&nbsp;Viana, os primeiros efeitos da fus&atilde;o entre Dinap e Chinaglia, ainda que difusos, j&aacute; s&atilde;o percept&iacute;veis. &ldquo;Por &lsquo;coincid&ecirc;ncia&rsquo;, h&aacute; um m&ecirc;s a Chinaglia come&ccedil;ou a colocar uma s&eacute;rie de exig&ecirc;ncias que n&atilde;o existiam antes e que fariam parte da nova gest&atilde;o, como o cumprimento de metas de vendas, que tendem a inviabilizar o nosso jornal&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>Insatisfeitas com a monopoliza&ccedil;&atilde;o do mercado de distribui&ccedil;&atilde;o, as pequenas editoras se organizam para intervir no processo. &ldquo;N&oacute;s vamos nos somar a outras entidades e publica&ccedil;&otilde;es independentes para discutir formas de garantir que essas publica&ccedil;&otilde;es consigam disputar espa&ccedil;o nas bancas&rdquo;, afirma Viana.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Lei antitruste<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>De acordo com a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, fus&otilde;es que resultem no dom&iacute;nio de 20% ou mais do mercado ou que envolvam empresa cujo faturamento bruto tenha sido equivalente ou superior a R$ 400 milh&otilde;es no ano anterior devem ser autorizadas pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. O Brasil &eacute; um dos raros pa&iacute;ses que adotam o modelo de notifica&ccedil;&atilde;o posterior, ou seja, as empresas t&ecirc;m um prazo de at&eacute; 15 dias &uacute;teis ap&oacute;s a formaliza&ccedil;&atilde;o do ato de concentra&ccedil;&atilde;o para notificar o &oacute;rg&atilde;o antitruste, o Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica (Cade). O Cade foi notificado no &uacute;ltimo dia 5 sobre a aquisi&ccedil;&atilde;o da Fernando Chinaglia pela Dinap.<\/p>\n<p><\/span><span>A ocorr&ecirc;ncia de infra&ccedil;&otilde;es &agrave; ordem econ&ocirc;mica ser&aacute; avaliada, no Cade, por um colegiado. N&atilde;o h&aacute; prazo-limite para a conclus&atilde;o do processo &ndash; a an&aacute;lise de fus&otilde;es desse porte chega a se prolongar por at&eacute; dois anos. Nesse meio tempo, a n&atilde;o ser que seja apresentada uma medida cautelar, as empresas podem concluir a opera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Se uma medida cautelar for aceita pelo Cade, as empresas devem retornar &agrave; situa&ccedil;&atilde;o anterior &agrave; fus&atilde;o. &Eacute; comum, por&eacute;m, que em casos de grande visibilidade o colegiado proponha um acordo &agrave;s empresas, autorizando temporariamente a fus&atilde;o, com apenas algumas restri&ccedil;&otilde;es. Mesmo ap&oacute;s uma decis&atilde;o negativa do Cade, as partes podem entrar com uma a&ccedil;&atilde;o no Judici&aacute;rio. <\/p>\n<p><\/span><span>Advogados consultados pela reportagem caracterizam a Lei 8.884\/94 (que discorre sobre concentra&ccedil;&otilde;es) como liberal. Na pr&aacute;tica, dizem, a Lei tende a aprovar fus&otilde;es que resultam em monop&oacute;lios, pois ao mesmo tempo que prev&ecirc; que &ldquo;dominar mercado relevante de bens ou servi&ccedil;os&rdquo; constitui infra&ccedil;&atilde;o &agrave; ordem econ&ocirc;mica, por outro lado admite a concentra&ccedil;&atilde;o se esta atender requisitos como &ldquo;aumentar a produtividade&rdquo; ou &ldquo;melhorar a qualidade de bens ou servi&ccedil;os&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>A&ccedil;&atilde;o entre amigos<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>J&aacute; que o Cade n&atilde;o conhece em detalhes todos os mercado sobre os quais deve deliberar, costuma ouvir entidades que opinam, durante o processo, sobre o impacto que a fus&atilde;o ter&aacute; no mercado.<\/p>\n<p><\/span><span>No caso das distribuidoras, a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Editores de Revistas (Aner) deve ter um peso significativo. A entidade, que ainda n&atilde;o se manifestou publicamente sobre a fus&atilde;o, &eacute; presidida por um funcion&aacute;rio do Grupo Abril &ndash; a &uacute;nica empresa associada a manter tr&ecirc;s entre os oito membros do conselho consultivo, formado por ex-presidentes.<\/p>\n<p><\/span><span>O Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas de S&atilde;o Paulo dificilmente assumir&aacute; uma postura cr&iacute;tica diante da opera&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O sindicato mant&eacute;m uma liga&ccedil;&atilde;o forte com o Grupo Abril&rdquo;, afirma o propriet&aacute;rio de uma banca na Capital Paulista que n&atilde;o quis se identificar. <\/p>\n<p><\/span><span>De todo modo, o Grupo Abril est&aacute; bem assessorado: seu advogado no caso j&aacute; foi conselheiro do Cade. Procuradas pela reportagem, Dinap\/Grupo Abril e Fernando Chinaglia n&atilde;o quiseram se pronunciar a respeito.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente, distribuidora controlada pela Abril det\u00e9m cerca de 70% do mercado, cabendo os outros 30% \u00e0 Chinaglia. A fus\u00e3o foi anunciada h\u00e1 cerca de um m\u00eas e causou fortes rea\u00e7\u00f5es das pequenas editoras.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[478],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19692"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19692"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19692\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}