{"id":19654,"date":"2007-11-01T15:29:10","date_gmt":"2007-11-01T15:29:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19654"},"modified":"2007-11-01T15:29:10","modified_gmt":"2007-11-01T15:29:10","slug":"democratizacao-no-semi-arido-baiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19654","title":{"rendered":"Democratiza\u00e7\u00e3o no semi-\u00e1rido baiano"},"content":{"rendered":"<p>Estigmatizada pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, a regi&atilde;o Sisaleira da Bahia &eacute;, com freq&uuml;&ecirc;ncia, apresentada como um local onde nada h&aacute; al&eacute;m de seca e aridez. Para desconstruir essa imagem, o Movimento de Organiza&ccedil;&atilde;o Comunit&aacute;ria (MOC), por meio de seus programas de apoio, leva a quest&atilde;o da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo do sisal e a seus vizinhos, totalizando mais de 80 munic&iacute;pios.<\/p>\n<p>Com 35 mil quil&ocirc;metros quadrados, 22 munic&iacute;pios e uma popula&ccedil;&atilde;o estimada em 800 mil habitantes, os moradores da regi&atilde;o do sisal est&atilde;o geralmente &agrave; margem da grande m&iacute;dia. Ou, quando refletidos, s&atilde;o quase sempre expostos da mesma forma: pobres, retirantes e sofredores.<\/p>\n<p>A fim de mudar essa imagem e, com isso, influenciar na condi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o local, o MOC tem buscado contribuir para um desenvolvimento integral, participativo e economicamente sustent&aacute;vel para o povo do semi-&aacute;rido.<\/p>\n<p>Localizada em Feira de Santana, a institui&ccedil;&atilde;o &ndash; que acaba de completar 40 anos &ndash; tem como principal ferramenta de transforma&ccedil;&atilde;o o seu Programa de Comunica&ccedil;&atilde;o. Segmentado nas &aacute;reas de assessoria, fortalecimento da comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e &ldquo;educomunica&ccedil;&atilde;o do campo&rdquo;, o projeto nasceu oficialmente em 2004, com o prop&oacute;sito de transformar a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o em realidade.<\/p>\n<p>O projeto Educomunica&ccedil;&atilde;o capacita professores para que eles possam ensinar seus alunos a produzir e fazer uma leitura cr&iacute;tica da m&iacute;dia. &ldquo;Estamos trabalhando com a perspectiva de aproximar os educadores das emissoras comunit&aacute;rias, para que estes possam reafirmar seu car&aacute;ter social e enraizar-se ainda mais, al&eacute;m de oportunizar espa&ccedil;os de divulga&ccedil;&atilde;o das produ&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia e not&iacute;cias nas escolas&rdquo;, explica Klaus Minihuber, jornalista e historiador austr&iacute;aco, coordenador do Programa de Comunica&ccedil;&atilde;o do MOC. Um ponto principal do projeto, destaca Minihuber, &eacute; trabalhar a forma&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o para que a comunica&ccedil;&atilde;o seja vista como um direito, para que tenham acesso &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e &agrave; gest&atilde;o de meios e ve&iacute;culos.<\/p>\n<p>O est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o local de m&iacute;dia &eacute; uma linha importante apoiada pela institui&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Muitos munic&iacute;pios do interior baiano n&atilde;o t&ecirc;m sequer um &uacute;nico meio de comunica&ccedil;&atilde;o pr&oacute;prio, o que gera processos de aliena&ccedil;&atilde;o e impedem processos de mobiliza&ccedil;&atilde;o social mais fortes&rdquo;, pondera o jornalista.<\/p>\n<p>Outro ponto de atua&ccedil;&atilde;o refere-se &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias, que s&atilde;o, na avalia&ccedil;&atilde;o do jornalista, as principais estimuladoras das vozes n&atilde;o agraciadas pelos grandes conglomerados de m&iacute;dia. No n&uacute;cleo do sisal, essa realidade n&atilde;o &eacute; diferente. Por isso, o MOC ap&oacute;ia a Associa&ccedil;&atilde;o de R&aacute;dio e TV Comunit&aacute;rias do Territ&oacute;rio Sisaleiro (Abra&ccedil;o-Sisal). &ldquo;Nossa proposta de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o passa principalmente pelo fortalecimento do movimento de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria&rdquo;, exp&otilde;e Klaus.<\/p>\n<p>A tomada de consci&ecirc;ncia sobre a import&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o como mecanismo de socializa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o representou um momento especial na vida de Camila Oliveira, de 21 anos, comunicadora e secret&aacute;ria executiva da Ag&ecirc;ncia Mandacaru de Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura, do MOC. Camila h&aacute; tempos j&aacute; vinha desenvolvendo atividades na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o no grupo de jovens da Igreja Cat&oacute;lica e no Movimento de Mulheres local. No entanto, foi atrav&eacute;s do Projeto Jovens Comunicadores que obteve reconhecimento profissional. &ldquo;Ele contribuiu para meu crescimento pessoal, social e profissional, e isso provocou uma mudan&ccedil;a extrema na minha vida. O projeto ofereceu a oportunidade de dar visibilidade ao que a gente fazia&rdquo;, explicou ela.<\/p>\n<p>A Ag&ecirc;ncia Mandacaru &eacute; fruto do Projeto Jovens Comunicadores, iniciado em 2001 e extinto em 2004. O Programa de Comunica&ccedil;&atilde;o do MOC ainda produz uma s&eacute;rie de produtos institucionais e regionais de comunica&ccedil;&atilde;o: o Boletim Informativo MOC, o site institucional, o programa de r&aacute;dio Encontro com as Comunidades, o jornal Giramundo e outras pe&ccedil;as de divulga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A proposta agora &eacute;, diante de certa abertura do governo estadual e da possibilidade de haver uma Confer&ecirc;ncia das Comunica&ccedil;&otilde;es no ano que vem, mobilizar a sociedade civil da regi&atilde;o Sisaleira para &ldquo;mostrar que a comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, como ela &eacute; exercida na regi&atilde;o, pode ser a realiza&ccedil;&atilde;o do direito dessa sociedade a uma comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica&rdquo;, espera Minihuber.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estigmatizada pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, a regi&atilde;o Sisaleira da Bahia &eacute;, com freq&uuml;&ecirc;ncia, apresentada como um local onde nada h&aacute; al&eacute;m de seca e aridez. 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