{"id":19638,"date":"2007-10-31T00:00:00","date_gmt":"2007-10-31T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19638"},"modified":"2007-10-31T00:00:00","modified_gmt":"2007-10-31T00:00:00","slug":"especialistas-desmistificam-interferencias-em-aeroportos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19638","title":{"rendered":"Especialistas desmistificam interfer\u00eancias em aeroportos"},"content":{"rendered":"<p>As r&aacute;dios comunit&aacute;rias t&ecirc;m encontrado uma s&eacute;rie de obst&aacute;culos para seu funcionamento. Al&eacute;m do volume de exig&ecirc;ncias para a legaliza&ccedil;&atilde;o, a morosidade do governo federal na concess&atilde;o de outorgas e a falta de recursos, as r&aacute;dios de baixa freq&uuml;&ecirc;ncia enfrentam uma campanha sistem&aacute;tica de desmoraliza&ccedil;&atilde;o e descr&eacute;dito, encabe&ccedil;ada pelas grandes empresas de radiocomunica&ccedil;&atilde;o. Entre os argumentos apontados pelas r&aacute;dios comerciais &ndash; principalmente agora, aproveitando-se do momento de crise no setor aeron&aacute;utico do pa&iacute;s &ndash; est&aacute; o de que as r&aacute;dios comunit&aacute;rias interferem fortemente nos sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o e r&aacute;dio-navega&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea, podendo at&eacute; mesmo provocar queda de aeronaves.<\/p>\n<p>Sancionada pelo ent&atilde;o presidente da Rep&uacute;blica Fernando Henrique Cardoso, em 1998, a Lei 9.612 estabelece os crit&eacute;rios para concess&atilde;o de canal &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Para receber a outorga, essas emissoras s&oacute; podem operar em um raio de at&eacute; um quil&ocirc;metro, a uma altura m&aacute;xima de 30 metros, longe dos aeroportos e com equipamento de transmiss&atilde;o fiscalizado e homologado. Al&eacute;m disso, quando recebem a autoriza&ccedil;&atilde;o para come&ccedil;ar a operar, as emissoras passam a ter um espa&ccedil;o no plano de canais calculado pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), de forma que n&atilde;o interfiram em outra freq&uuml;&ecirc;ncia FM. &ldquo;F&iacute;sica e tecnicamente, essas r&aacute;dios de pequeno alcance n&atilde;o teriam como interferir na comunica&ccedil;&atilde;o entre aeronaves e aeroportos&rdquo;, avalia o jornalista Diocl&eacute;cio Luz, autor do livro &quot;A arte de pensar e fazer r&aacute;dios comunit&aacute;rias&quot;.<\/p>\n<p>As r&aacute;dios de baixa pot&ecirc;ncia n&atilde;o-legalizadas que usam sinal livre dentro da faixa FM at&eacute; podem ser respons&aacute;veis por interfer&ecirc;ncias junto ao controle do espa&ccedil;o a&eacute;reo. Entretanto, se o equipamento &eacute; comprado legalmente e possui a homologa&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel, a possibilidade de interfer&ecirc;ncia &eacute; m&iacute;nima, mesmo que a r&aacute;dio de baixa pot&ecirc;ncia n&atilde;o seja legalizada. Assim garante o engenheiro eletr&ocirc;nico e pesquisador Higino Germani, ex-diretor t&eacute;cnico da TVE-RS. Para Germani, que tem larga experi&ecirc;ncia em sistemas de radiodifus&atilde;o (foi chefe da &aacute;rea t&eacute;cnica de Radiodifus&atilde;o no antigo Departamento Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es e diretor t&eacute;cnico da R&aacute;dio Nacional de Bras&iacute;lia, atual Radiobr&aacute;s), &ldquo;embora possam ocorrer interfer&ecirc;ncias, &eacute; um exagero dizer que uma r&aacute;dio possa derrubar uma aeronave&rdquo;.<\/p>\n<p>O diretor da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Aeron&aacute;uticas da PUCRS, Elones Fernando Ribeiro, salienta que a incid&ecirc;ncia de acidentes graves provocados pela interfer&ecirc;ncia de sinais estranhos &agrave; radiocomunica&ccedil;&atilde;o aeron&aacute;utica &eacute; nula, tanto que os livros t&eacute;cnicos utilizados pelos alunos n&atilde;o fazem refer&ecirc;ncia a nenhum caso. &ldquo;Nunca ouvi falar em queda de avi&otilde;es&rdquo;, conta o profissional, que tem em seu curr&iacute;culo mais de 27 anos como controlador de v&ocirc;o e oito anos como piloto.<\/p>\n<p>Um estudo realizado pelo pesquisador Marcus Manh&atilde;es, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (CPqD), explica que a interfer&ecirc;ncia de uma r&aacute;dio na comunica&ccedil;&atilde;o aeron&aacute;utica se d&aacute; por uma composi&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios sinais e n&atilde;o apenas um. Sinais de emissoras de r&aacute;dio FM distintas, ao serem captados com n&iacute;veis suficientemente fortes, podem provocar um efeito denominado intermodula&ccedil;&atilde;o. Este fen&ocirc;meno resulta em uma mudan&ccedil;a de freq&uuml;&ecirc;ncias dos sinais recebidos, tornando-os id&ecirc;nticos ou relativamente pr&oacute;ximos da faixa de freq&uuml;&ecirc;ncia utilizada na recep&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os aeron&aacute;uticos. &ldquo;Uma vez que as r&aacute;dios comunit&aacute;rias trabalham em baixa pot&ecirc;ncia, elas s&oacute; poderiam interferir com a ajuda de um sinal mais potente, ou seja, o de uma r&aacute;dio comercial. Quanto mais alto for o sinal, mais cr&iacute;tica pode ser a interfer&ecirc;ncia. &Eacute; uma equa&ccedil;&atilde;o simples&rdquo;, frisa o t&eacute;cnico. Cabe ressaltar, segundo Manh&atilde;es, que cada aeroporto possui um &uacute;nico canal de r&aacute;dio-comunica&ccedil;&atilde;o dentro da faixa permitida.<\/p>\n<p>Outro fator importante para a ocorr&ecirc;ncia de interfer&ecirc;ncias, conforme o pesquisador, &eacute; a instala&ccedil;&atilde;o de esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio pr&oacute;ximas aos pontos de testes dos aeroportos. No caminho para os aeroportos, s&atilde;o demarcados pontos que indicam a localiza&ccedil;&atilde;o das pistas de pousos. Em alguns desses pontos s&atilde;o instalados equipamentos respons&aacute;veis pela medi&ccedil;&atilde;o de ocorr&ecirc;ncia, em terra, de interfer&ecirc;ncia de sinais radiof&ocirc;nicos na comunica&ccedil;&atilde;o aeron&aacute;utica. Se, na superf&iacute;cie, houver inger&ecirc;ncias de sinais estranhos &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, o mesmo ocorrer&aacute; no ar. &ldquo;No caso da cidade de S&atilde;o Paulo, por exemplo, o ponto de teste est&aacute; localizado na Avenida Paulista, local onde um expressivo n&uacute;mero de esta&ccedil;&otilde;es comerciais est&aacute; instalado. Nesta regi&atilde;o, as interfer&ecirc;ncias ocorrem com mais freq&uuml;&ecirc;ncia&rdquo;, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>S&atilde;o tr&ecirc;s os aparelhos utilizados pelas aeronaves para auxiliar a navega&ccedil;&atilde;o e a comunica&ccedil;&atilde;o aeron&aacute;utica: o ILS (Instrument Landing System Localizer) tem a finalidade de guiar aeronaves em procedimento de aproxima&ccedil;&atilde;o e aterrissagem; o VOR &ndash; VHF (Omnidirectional Radio Range) auxilia a navega&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea fornecendo informa&ccedil;&otilde;es sobre a radial da aeronave em rela&ccedil;&atilde;o a um ponto terrestre de localiza&ccedil;&atilde;o conhecida, tamb&eacute;m denominado radiofarol; e o COM &ndash; VHF (Communications Equipament) proporciona comunica&ccedil;&atilde;o bidirecional de voz entre a tripula&ccedil;&atilde;o da aeronave e o controlador de v&ocirc;o.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa de Manh&atilde;es, podem ocorrer neles interfer&ecirc;ncias de dois tipos: aquelas provocadas pelo aparecimento de produtos de intermodula&ccedil;&otilde;es ocasionadas pela n&atilde;o linearidade dos receptores; e aquelas decorrentes da incapacidade de rejeitar sinais de intensidade elevada. No segundo tipo de interfer&ecirc;ncia, o servi&ccedil;o ir&aacute; considerar potencialmente interferentes os sinais que forem de intensidade superior a -5dBm.<\/p>\n<p>J&aacute; nos servi&ccedil;os ILS e VOR, os n&iacute;veis de interfer&ecirc;ncia variam com o valor da freq&uuml;&ecirc;ncia da esta&ccedil;&atilde;o FM. &ldquo;Admitem-se n&iacute;veis maiores para os canais mais baixos da faixa de FM. Tal varia&ccedil;&atilde;o significa que os receptores aeron&aacute;uticos est&atilde;o mais sujeitos &agrave;s interfer&ecirc;ncias provenientes dos canais mais altos da faixa de FM e, conseq&uuml;entemente, s&atilde;o menos suscet&iacute;veis aos canais mais baixos&rdquo;, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Em 2005, os deputados federais Walter Pinheiro, Henrique Fontana, Valdecir de Oliveira e Ad&atilde;o Pretto questionaram o Minist&eacute;rio da Defesa (MD) quanto aos acidentes que teriam ocorrido em resultado de interfer&ecirc;ncias em aeroportos. Das cinco ocorr&ecirc;ncias registradas, tr&ecirc;s eram de emissoras comerciais de radiodifus&atilde;o. &ldquo;A resposta do minist&eacute;rio revela que h&aacute; comerciais, as broadcasting, como eles dizem, interferindo em dois aeroportos de grande tr&acirc;nsito do pa&iacute;s, Guarulhos e Santos Dumont. Estas emissoras s&atilde;o associadas da Abert (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o)&rdquo;, afirma o jornalista Diocl&eacute;cio Luz.<\/p>\n<p>Para impedir a ocorr&ecirc;ncia de interposi&ccedil;&otilde;es de freq&uuml;&ecirc;ncias, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) teria que interferir nas r&aacute;dios comerciais. &ldquo;Mas isso &eacute; coisa que eles jamais far&atilde;o. &Eacute; mais f&aacute;cil culpar as emissoras comunit&aacute;rias pelas interrup&ccedil;&otilde;es provocadas na comunica&ccedil;&atilde;o aeron&aacute;utica do que responsabilizar as empresas de radiodifus&atilde;o comercial&rdquo;, alerta o pesquisador do CPqD.<\/p>\n<p>No Brasil, segundo estimativas de entidades ligadas &agrave; radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria, existem hoje aproximadamente 20 mil r&aacute;dios de baixa pot&ecirc;ncia, das quais 2.745 possuem outorga. Por&eacute;m, nenhum levantamento foi realizado para obter a precis&atilde;o desse n&uacute;mero, uma vez que n&atilde;o h&aacute; como controlar a abertura e o fechamento de emissoras n&atilde;o-legalizadas. &ldquo;As r&aacute;dios de baixa pot&ecirc;ncia, outorgadas ou n&atilde;o, na sua maioria, utilizam equipamentos legais. Como n&atilde;o possuem muitos recursos, j&aacute; compram equipamentos homologados para que, quando a Anatel analisar a documenta&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica e a estrutura t&eacute;cnica, os gastos n&atilde;o venham a aumentar&rdquo;, argumenta o Coordenador Jur&iacute;dico da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria (Abra&ccedil;o), Joaquim Carvalho.<\/p>\n<p>Embora contestado por especialistas, o argumento de que as transmiss&otilde;es das r&aacute;dios de baixa freq&uuml;&ecirc;ncia podem causar a queda de aeronaves &eacute; usado freq&uuml;entemente como justificativa para o fechamento das emissoras. Para Manh&atilde;es, isso se deve ao car&aacute;ter t&eacute;cnico da quest&atilde;o, incompreens&iacute;vel para a maioria das pessoas, que, &ldquo;aliado &agrave; como&ccedil;&atilde;o que provoca ao atribuir grave risco a vidas humanas, estabelece a aceita&ccedil;&atilde;o desta cilada&rdquo;. Usar tal argumento constitui, para ele, mais uma tentativa de desmoralizar estes importantes mecanismos para a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o as emissoras de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Possibilidades das r\u00e1dios de baixa pot\u00eancia causarem interrup\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o aeron\u00e1utica \u00e9 pequena. Emissoras comerciais, por terem maior pot\u00eancia e alcance, s\u00e3o a principal causa das interfer\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[155],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19638"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19638"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19638\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}