{"id":19636,"date":"2007-10-30T17:50:03","date_gmt":"2007-10-30T17:50:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19636"},"modified":"2007-10-30T17:50:03","modified_gmt":"2007-10-30T17:50:03","slug":"a-comunicacao-como-cooperacao-produtiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19636","title":{"rendered":"A comunica\u00e7\u00e3o como coopera\u00e7\u00e3o produtiva"},"content":{"rendered":"<p style=\"line-height: 11pt\"><em>A pouca idade de Francisco Sierra Caballero parece n&atilde;o ter acompanhado sua produ&ccedil;&atilde;o intelectual. Apesar de ser considerado um dos mais novos pesquisadores latinos colaboradores com o pensamento cr&iacute;tico no campo das TIC, ele j&aacute; possui mais de 20 livros publicados e quase 40 artigos inseridos em revistas cient&iacute;ficas, tendo ganhado renome internacional com pesquisas sobre as tend&ecirc;ncias das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o educativa na constru&ccedil;&atilde;o da Sociedade Global da Informa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Sierra &eacute; professor da Universidade de Sevilha e diretor do Centro Iberoamericano de Comunica&ccedil;&atilde;o Digital e do curso de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Local. Doutor em Ci&ecirc;ncias da Informa&ccedil;&atilde;o, o investigador espanhol &eacute; membro permanente da International Association for Media and Communication Research (IAMCR). Dentre suas principais publica&ccedil;&otilde;es est&atilde;o &ldquo;Apuntes para uma Historia de la Comunicaci&oacute;n Educativa&rdquo; (2002), &ldquo;Cr&iacute;tica de la Econom&iacute;a Pol&iacute;tica de la Comunicaci&oacute;n y da Cultura&rdquo; e &ldquo;Pol&iacute;ticas de Comunicaci&oacute;n y Educaci&oacute;n (2006)&rdquo;.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Boletim de Not&iacute;cias da Rede Eptic, Francisco Sierra defende a necessidade de formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o educativa e diz que o conhecimento n&atilde;o deve ser tratado como mercadoria, mas sim socializado. O pesquisador acredita que as TIC e suas inova&ccedil;&otilde;es implicam mudan&ccedil;as nas rela&ccedil;&otilde;es sociais e que se torna necess&aacute;ria a constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas locais e regionais de comunica&ccedil;&atilde;o. Ele ressalta a import&acirc;ncia das investiga&ccedil;&otilde;es da Ulepicc na constru&ccedil;&atilde;o de um novo modelo social de comunica&ccedil;&atilde;o como coopera&ccedil;&atilde;o produtiva e afirma que a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade nos processos inovativos deve ser vista como planejamento de desenvolvimento e de mudan&ccedil;a social.<\/em><\/p>\n<p><strong>EPNOT&Iacute;CIAS &#8211;&nbsp;Ao abordar o processo hist&oacute;rico da comunica&ccedil;&atilde;o educativa em um de seus livros, o senhor aponta a comunica&ccedil;&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento como sendo tr&ecirc;s paradigmas importantes para a concretiza&ccedil;&atilde;o de um universo discursivo de liberdade do saber e do conhecimento. Como fazer uso pedag&oacute;gico dos meios de informa&ccedil;&atilde;o em uma estrutura internacional oligopolizada, que promove a mercantiliza&ccedil;&atilde;o do saber e do conhecimento?<br \/>Francisco Sierra &#8211;<\/strong>&nbsp;Eu acredito que s&atilde;o muito importantes as experi&ecirc;ncias locais no apoio &agrave; luta dos movimentos sociais, a uma socializa&ccedil;&atilde;o do conhecimento com as tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o, a uma democracia participativa radical. Tamb&eacute;m &eacute; muito importante o projeto de redes interurbanas, projetos em que essas experi&ecirc;ncias locais tenham conex&atilde;o com outras experi&ecirc;ncias de socializa&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias. Quando eu falo que h&aacute; uma individualiza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &eacute; porque estes projetos est&atilde;o desconectados com projetos de mobiliza&ccedil;&atilde;o social para a conquista do desenvolvimento equilibrado e igualit&aacute;rio. &Eacute; muito importante a coopera&ccedil;&atilde;o entre territ&oacute;rios, a coopera&ccedil;&atilde;o entre movimentos sociais, a coopera&ccedil;&atilde;o entre atores, o interc&acirc;mbio e a troca de experi&ecirc;ncias profissionais. <\/p>\n<p><strong>Como atingir a universaliza&ccedil;&atilde;o do conhecimento atrav&eacute;s da comunica&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>A primeira condi&ccedil;&atilde;o &eacute; que os pr&oacute;prios canais, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o sejam p&uacute;blicos, para a socializa&ccedil;&atilde;o e universaliza&ccedil;&atilde;o do conhecimento que n&atilde;o seja uma mercadoria. A id&eacute;ia &eacute; que a cultura e a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sejam tratadas como uma ind&uacute;stria, n&atilde;o se rendam &agrave; lei do valor, &agrave; mercadoria. &Eacute; preciso trocar a l&oacute;gica da mercadoria por uma l&oacute;gica de servi&ccedil;o p&uacute;blico, de interesse p&uacute;blico. Na pr&aacute;tica, isso se faz atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, que por sua vez, n&atilde;o podem ser nacionais, mas sim supranacionais, a exemplo do Mercosul e Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. Deve ser feito um projeto de regula&ccedil;&atilde;o transnacional, sem esquecer as especificidades locais, pois cada regi&atilde;o tem que se voltar para sua tradi&ccedil;&atilde;o, seu modelo de desenvolvimento e necessidades sociais.<\/p>\n<p><strong>Quais as problem&aacute;ticas e benef&iacute;cios da introdu&ccedil;&atilde;o dos novos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o no setor educativo?<\/strong><br \/>Eu destacaria dois problemas. Um deles &eacute; de adapta&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Isso &eacute; uma problem&aacute;tica para o sistema educativo porque a tecnologia de ponta, mas avan&ccedil;ada, &eacute; muito cara para um sistema p&uacute;blico, com pouco financiamento. O segundo problema &eacute; que os sistemas formais de ensino de educa&ccedil;&atilde;o superior da universidade devem reformular seu modelo de organiza&ccedil;&atilde;o, seu modelo institucional. Isso traz problemas porque s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es tradicionais, muito resistentes a mudan&ccedil;as organizativas. Mas &eacute; preciso reorganizar porque as TIC&rsquo;s implicam em mudan&ccedil;as das rela&ccedil;&otilde;es sociais, da rela&ccedil;&atilde;o professor-aluno, da rela&ccedil;&atilde;o entre pesquisador e comunidade. <\/p>\n<p><strong>Como o senhor v&ecirc; a rela&ccedil;&atilde;o entre as a&ccedil;&otilde;es do Estado, das empresas privadas e das universidades?<\/strong><br \/>A intera&ccedil;&atilde;o entre sistemas, ci&ecirc;ncia e tecnologia, sob o ponto de vista do desenvolvimento local, abre um debate para pensar como o pesquisador vincula seu trabalho com a comunidade, com a empresa, com o desenvolvimento territorial. Esse pensamento j&aacute; tinha sido formulado nos anos 60, mas na d&eacute;cada de 80, com a pol&iacute;tica neoliberal, foi abandonado. Agora, coloca-se novamente em discuss&atilde;o a rela&ccedil;&atilde;o entre desenvolvimento cient&iacute;fico e desenvolvimento territorial. Em alguns lugares, tem sido criadas cidades do conhecimento, que integra o setor privado, universit&aacute;rio e p&uacute;blico, os sistemas de ci&ecirc;ncia e tecnologias e demais atores sociais, como poderes p&uacute;blicos e movimentos sociais. A fun&ccedil;&atilde;o &eacute; monitorar id&eacute;ias e articular os v&iacute;nculos. Na Espanha e Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, por exemplo, estamos pensando na agenda do s&eacute;culo XXI, nas pol&iacute;ticas culturais para o desenvolvimento local. Est&aacute; muito avan&ccedil;ada esta reflex&atilde;o, mas os observat&oacute;rios s&atilde;o escassos.<\/p>\n<p><strong>Mesmo com as tend&ecirc;ncias da rede global de informa&ccedil;&atilde;o e as contradi&ccedil;&otilde;es observadas com o discurso p&uacute;blico liberal sobre a comunica&ccedil;&atilde;o e democracia, o senhor acredita que se pode construir um novo modelo social de comunica&ccedil;&atilde;o como coopera&ccedil;&atilde;o produtiva?<\/strong><br \/>&Eacute; poss&iacute;vel. O debate deve ser at&eacute; 2010. Tem-se uma cr&iacute;tica da pol&iacute;tica p&uacute;blica para reformular os princ&iacute;pios da economia pol&iacute;tica liberal e das pol&iacute;ticas funcionais ao capitalismo cognitivo. Por outro lado, &eacute; preciso fazer um trabalho de articula&ccedil;&atilde;o social com as comunidades, com os cidad&atilde;os, para que sejam conscientes de como essas transforma&ccedil;&otilde;es da comunica&ccedil;&atilde;o e do conhecimento afetam nas suas vidas, em seu cotidiano. &Eacute; um trabalho de pedagogia pol&iacute;tica, pedagogia para a democracia. V&aacute;rios pesquisadores chegaram &agrave; conclus&atilde;o que o projeto de pol&iacute;tica de educa&ccedil;&atilde;o tem que ser para a cidadania, informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento.<\/p>\n<p><strong>Por que a comunica&ccedil;&atilde;o educativa &eacute; um campo estrat&eacute;gico para a configura&ccedil;&atilde;o dos modelos de desenvolvimento regional?<\/strong><br \/>Porque o capitalismo cognitivo depende diretamente da ci&ecirc;ncia e tecnologia. Mas &eacute; necess&aacute;rio haver media&ccedil;&atilde;o, que &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o. A troca de conhecimento e pesquisa &eacute; uma quest&atilde;o positiva. Descobriu-se que a riqueza das na&ccedil;&otilde;es depende do sujeito do trabalho, das comunidades, de sua cultura, de sua criatividade, o que os economistas ortodoxos denominavam &lsquo;valor agregado&rsquo;, da cultura de produ&ccedil;&atilde;o. Esses s&atilde;o os elementos que distinguem a produtividade de uma economia. A id&eacute;ia central depende de como se qualifica a for&ccedil;a de trabalho, como isso se reflete no desenvolvimento e como seriam as inst&acirc;ncias da ci&ecirc;ncia e tecnologia no desenvolvimento regional. &Eacute; nesse processo que o papel da comunica&ccedil;&atilde;o educativa &eacute; vital, pois promove a socializa&ccedil;&atilde;o das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e a criatividade da inova&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica. Se os trabalhadores precisam das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, deve-se educa-los sob as perspectivas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p><strong>Com a globaliza&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica e a conseq&uuml;ente concentra&ccedil;&atilde;o dos setores da ind&uacute;stria cultural, acaba acontecendo um processo de reconstitui&ccedil;&atilde;o dos poderes p&uacute;blicos, em que o Estado cede &agrave;s empresas privadas a fun&ccedil;&atilde;o de administra&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de interesses p&uacute;blicos. Quais s&atilde;o as alternativas de mudan&ccedil;a da comunica&ccedil;&atilde;o frente aos discursos liberais e qual o papel dos movimentos sociais nesse processo?<\/strong><br \/>Do ponto das alternativas, n&oacute;s que formamos a ULEPICC estamos trabalhando no que denominamos de agenda ULEPICC, agenda de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, um dos objetivos fundamentais &eacute; a mudan&ccedil;a da comunica&ccedil;&atilde;o, partindo-se da id&eacute;ia de que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito humano, n&atilde;o uma mercadoria, e de que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas sejam planejadas em escala global. Da&iacute; um debate importante do movimento CRIS, movimento pr&oacute; direito da comunica&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade da informa&ccedil;&atilde;o global. N&oacute;s da ULEPICC temos refor&ccedil;ado que &eacute; preciso uma mudan&ccedil;a na comunica&ccedil;&atilde;o com formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que n&atilde;o sejam planejadas em n&iacute;vel nacional, mas em n&iacute;vel supranacional. Por isso a ULEPICC &eacute; um coletivo latino, que engloba toda a Am&eacute;rica Latina, Espanha, Portugal, colegas latinos da Fran&ccedil;a, It&aacute;lia, Canad&aacute;, com essa miss&atilde;o global de que existe essa divis&atilde;o internacional do trabalho cultural. Ent&atilde;o se a cultura desses pa&iacute;ses deve posicionar-se de forma a construir pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em conjunto, pol&iacute;ticas de coopera&ccedil;&atilde;o internacional, se quer apurar o papel da comunica&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento. Os movimentos sociais tamb&eacute;m devem trabalhar politicamente a comunica&ccedil;&atilde;o. O F&oacute;rum Social Mundial tem formulado pol&iacute;ticas em mat&eacute;ria de comunica&ccedil;&atilde;o, mas os movimentos sociais em geral, n&atilde;o trabalham com miss&otilde;es comunicativas dial&oacute;gicas, participativas e democr&aacute;ticas, nem tampouco t&ecirc;m um discurso sobre o papel central da comunica&ccedil;&atilde;o para subdivis&atilde;o social e das lutas sociais. &Eacute; necess&aacute;rio que os movimentos sociais sejam conscientes da comunica&ccedil;&atilde;o e operem em escala regional e tamb&eacute;m em escala supranacional, com as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas dos Estados.<\/p>\n<p><strong>Em um dos seus artigos, o senhor diz que as for&ccedil;as pol&iacute;ticas e sociais devem come&ccedil;ar a definir pol&iacute;ticas locais e regionais de comunica&ccedil;&atilde;o. Como isso pode ser alcan&ccedil;ado na Am&eacute;rica Latina e na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, em que o livre fluxo de informa&ccedil;&atilde;o tem causado graves problemas, dentre eles a redu&ccedil;&atilde;o das taxas de produ&ccedil;&atilde;o local e dos espa&ccedil;os pr&oacute;prios de difus&atilde;o audiovisual?<\/strong><br \/>Evidentemente os poderes p&uacute;blicos locais, por si s&oacute;s, n&atilde;o podem mudar as condi&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento local ou regional. &Eacute; preciso alian&ccedil;as interurbanas, inter-regionais, mas &eacute; preciso ter pol&iacute;ticas locais porque hoje as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas s&atilde;o nacionais, mas n&atilde;o havia descentraliza&ccedil;&atilde;o, e o capitalismo global obriga a descentraliza&ccedil;&atilde;o. O Estado &eacute; m&iacute;nimo e as esferas regionais t&ecirc;m papel central para fazer frente &agrave;s mudan&ccedil;as das pol&iacute;ticas neoliberais, &agrave;s mudan&ccedil;as da competitividade industrial e econ&ocirc;mica. &Eacute; preciso ter uma pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o e cultural para fazer estrat&eacute;gias inteligentes. Para se ter uma id&eacute;ia, no per&iacute;odo entre 2004 e 2006, n&atilde;o Europa, n&atilde;o houve pol&iacute;ticas locais de comunica&ccedil;&atilde;o nem tampouco pol&iacute;ticas regionais. Na Am&eacute;rica Latina, pelo pouco que conhe&ccedil;o, v&ecirc;-se Estados muito centralizados. N&atilde;o &eacute; o caso do Brasil, mas &eacute; o caso do M&eacute;xico e do Chile. As entidades locais e regionais s&oacute; querem compet&ecirc;ncia apenas, compet&ecirc;ncia para se chegar ao desenvolvimento territorial e que tamb&eacute;m formule pol&iacute;ticas culturais para um equil&iacute;brio e aproveitamento dos seus pr&oacute;prios recursos.<\/p>\n<p><strong>No caso da Internet, o problema &eacute; de brecha digital ou participa&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>De participa&ccedil;&atilde;o, porque a brecha digital pressup&otilde;e que cidad&atilde;o &eacute; usu&aacute;rio, consumidor de um bem que n&atilde;o &eacute; p&uacute;blico, mas sim mercadoria. Ent&atilde;o &agrave; ind&uacute;stria cultural interessa que a demanda cres&ccedil;a. A internet basicamente n&atilde;o &eacute; um problema. O importante &eacute; saber que papel tem esses cidad&atilde;os no planejamento da mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica, da inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, dos usos das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o sobretudo para o desenvolvimento regional ou comunit&aacute;rio, que papel tem a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos, a organiza&ccedil;&atilde;o dos sistemas de educa&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o e a gera&ccedil;&atilde;o do conhecimento. As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nunca fomentam a participa&ccedil;&atilde;o. Entende-se a participa&ccedil;&atilde;o como acesso, como consumo, mas a participa&ccedil;&atilde;o deve ser vista como planejamento de desenvolvimento e de mudan&ccedil;a social. A Unesco, quando fala de indicadores de acesso digital, est&aacute; falando de participa&ccedil;&atilde;o, mas na pr&aacute;tica n&atilde;o faz nenhuma pol&iacute;tica ou esfor&ccedil;o ou projeto com participa&ccedil;&atilde;o do povo para articular comunitariamente conhecimento. As pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o normalmente confundem acesso de informa&ccedil;&atilde;o com participa&ccedil;&atilde;o. O acesso se faz com pol&iacute;ticas da brecha digital, diferentemente da participa&ccedil;&atilde;o, que implica aceso, forma&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o e autodetermina&ccedil;&atilde;o, capacidade de controlar os pr&oacute;prios recursos, as pr&oacute;prias tecnologias, os pr&oacute;prios conhecimentos comunit&aacute;rios.<\/p>\n<p><strong>Como a rede de pesquisadores da ULEPICC est&aacute; participando das formula&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para um modelo de desenvolvimento da comunica&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>Desde o ano 2000, a ULEPICC vem trabalhando com movimentos sociais, por exemplo, com o F&oacute;rum Social Mundial de Porto Alegre. Na Espanha tamb&eacute;m estamos trabalhando com a plataforma de defesa da televis&atilde;o p&uacute;blica, com as organiza&ccedil;&otilde;es sociais. Fazemos com que as pesquisas de economia pol&iacute;tica cr&iacute;tica e as propostas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas democr&aacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o sejam debatidas com os movimentos sociais.<\/p>\n<p><strong>Quais as contribui&ccedil;&otilde;es das suas investiga&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea?<\/strong><br \/>A mais importante &eacute; o livro que publiquei em 2006, &ldquo;Pol&iacute;ticas de Comunicaci&oacute;n y Educaci&oacute;n&rdquo;, porque, tradicionalmente, quando os pesquisadores da pedagogia ou da comunica&ccedil;&atilde;o pensam em comunica&ccedil;&atilde;o educativa como miss&atilde;o pol&iacute;tica, como uma positiva utiliza&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias para a educa&ccedil;&atilde;o, para o ensino superior e educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, mas n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o pol&iacute;tica. O primeiro estudo global, com um tra&ccedil;ado hist&oacute;rico sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de converg&ecirc;ncia entre o setor educativo e comunicativo foi este estudo que publiquei. Essa &eacute; uma contribui&ccedil;&atilde;o importante para mudar a vis&atilde;o dos educadores e dos comunic&oacute;logos que frente &agrave; sociedade do espet&aacute;culo, dependem da comunica&ccedil;&atilde;o educativa para valorizar. H&aacute; uma economia da comunica&ccedil;&atilde;o educativa, h&aacute; uma mudan&ccedil;a nesse setor educativo pelas ind&uacute;strias culturais, as quais tamb&eacute;m t&ecirc;m interesse na comunica&ccedil;&atilde;o educativa. Tiveram interesse na &eacute;poca da televis&atilde;o educativa via sat&eacute;lite e agora com a internet e a tele-educa&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; um apanhado de economia cr&iacute;tica e das origens da comunica&ccedil;&atilde;o educativa como interven&ccedil;&atilde;o interdisciplinar. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A cultura e a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem se render \u00e0 lei do valor&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[508],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19636"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19636"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19636\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}