{"id":19628,"date":"2007-10-30T12:50:26","date_gmt":"2007-10-30T12:50:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19628"},"modified":"2007-10-30T12:50:26","modified_gmt":"2007-10-30T12:50:26","slug":"pcdob-aprova-resolucao-em-que-pede-a-democratizacao-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19628","title":{"rendered":"PCdoB aprova resolu\u00e7\u00e3o em que pede a democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<div id=\"lead\" align=\"left\">O PCdoB aprovou&nbsp;na &uacute;ltima semana,&nbsp;em seu Comit&ecirc; Central, uma resolu&ccedil;&atilde;o em que defende a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil. No documento, o partido defende a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&otilde;es, a revis&atilde;o do processo de outorga e renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o, o fortalecimento e a n&atilde;o criminaliza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e a garantia de que a nova TV p&uacute;blica seja efetivamente aut&ocirc;noma e independente em sua gest&atilde;o.<\/div>\n<div align=\"left\">Confira a&nbsp;&iacute;ntegra da nota:&nbsp;<\/div>\n<div align=\"left\">* <\/div>\n<div align=\"left\"><strong><u><br \/>O PCdoB e a luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia<\/u><\/strong><\/div>\n<div align=\"left\">A elei&ccedil;&atilde;o presidencial de 2006 confirmou o papel prejudicial da m&iacute;dia hegem&ocirc;nica no Brasil. Com raras exce&ccedil;&otilde;es, ela fez de tudo para desinformar a sociedade e interferir no resultado final do pleito. Na pr&aacute;tica, comportou-se como &ldquo;partido da direita&rdquo; brasileira, satanizando o governo Lula e as for&ccedil;as de esquerda para favorecer os partidos do bloco liberal-conservador.<\/p>\n<p>Esta n&atilde;o &eacute; a primeira vez que a m&iacute;dia cumpre a fun&ccedil;&atilde;o manipuladora de consci&ecirc;ncias. Na fase mais recente, ela teve papel de relevo nos preparativos do golpe militar de 1964, no apoio &agrave; ditadura, na criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos grevistas na sua retomada no final dos anos 70, nos rumos da Constituinte em 1988 e na ofensiva neoliberal na d&eacute;cada de 90. Altamente monopolizada, num quadro em que apenas seis fam&iacute;lias controlam 80% do setor, ela se converteu num empecilho &agrave; democracia e ao avan&ccedil;o das lutas por soberania, desenvolvimento e justi&ccedil;a social na perspectiva do socialismo. Agora, com o processo de converg&ecirc;ncia digital, a quest&atilde;o se agrava com o perigo da invas&atilde;o estrangeira que poder&aacute; comprometer a produ&ccedil;&atilde;o nacional e a forma&ccedil;&atilde;o cultural do nosso povo.&nbsp; <\/p>\n<p>A luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia e em defesa da cultura nacional &eacute; hoje bandeira estrat&eacute;gica, que exige a mobiliza&ccedil;&atilde;o dos setores progressistas da sociedade. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) tem participado ativamente desta luta. Perseguido e censurado por regimes ditatoriais, sempre defendeu a ampla liberdade de express&atilde;o, mas nunca confundiu a liberdade de imprensa com a liberdade dos monop&oacute;lios. Sempre denunciou o papel manipulador da m&iacute;dia reacion&aacute;ria e investiu na constru&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos alternativos ao seu poder hegem&ocirc;nico. Agora, quando este debate ganha nova for&ccedil;a na sociedade e a m&iacute;dia dominante se encontra mais vulner&aacute;vel, o PCdoB apresenta uma plataforma que tem como objetivo de mobilizar amplos setores pol&iacute;ticos e sociais e construir ampla unidade com vistas a enfrentar a poderosa &ldquo;ditadura midi&aacute;tica&rdquo;.<\/p>\n<p>1- O PCdoB ap&oacute;ia os esfor&ccedil;os do governo Lula para constru&ccedil;&atilde;o da rede p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; fundamental construir uma televis&atilde;o p&uacute;blica de qualidade no Brasil, que estimule a diversidade e a pluralidade de id&eacute;ias, contrapondo- se ao &ldquo;pensamento &uacute;nico&rdquo; neoliberal da m&iacute;dia comercial. Esta deve cumprir os preceitos constitucionais, que determinam a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos com finalidade educativa, cultural e art&iacute;stica e estimulam a produ&ccedil;&atilde;o independente e regional. Diferentemente da televis&atilde;o estatal, que est&aacute; prevista na Constitui&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m &eacute; leg&iacute;tima, a TV p&uacute;blica precisa ter autonomia de gest&atilde;o e de financiamento &ndash; como forma de garantir a sua perenidade diante das mudan&ccedil;as de governo. Qualquer intuito de exclusivismo para manter o seu controle, afastando os setores organizados da sociedade de suas inst&acirc;ncias de delibera&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; prejudicial &agrave; constru&ccedil;&atilde;o deste importante instrumento de democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>2 &#8211; A constru&ccedil;&atilde;o da rede p&uacute;blica, entretanto, n&atilde;o supera o problema da ditadura midi&aacute;tica. Faz-se urgente rediscutir os crit&eacute;rios de concess&otilde;es p&uacute;blicas para as redes privadas de televis&atilde;o e r&aacute;dio. Na pr&aacute;tica, elas desrespeitam as normas da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1989, como a que pro&iacute;be a forma&ccedil;&atilde;o do monop&oacute;lio e a propriedade cruzada, exige a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos regionais, que obriga que tenham finalidades educativas, culturais e art&iacute;sticas e determina que expressem a diversidade de pensamento na sociedade. O atual processo de outorga e de renova&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es, com prazo de 15 anos para TVs e dez anos para r&aacute;dios, &eacute; uma verdadeira caixa-preta. A sociedade n&atilde;o exerce qualquer controle social sobre este bem p&uacute;blico, bem diferente do que ocorre em outras na&ccedil;&otilde;es. &Eacute; urgente exigir o cumprimento dos preceitos constitucionais, analisar com rigor a programa&ccedil;&atilde;o das emissoras e revisar os atuais mecanismos de outorgas. As emissoras de televis&atilde;o e r&aacute;dio n&atilde;o podem ficar acima da Constitui&ccedil;&atilde;o e do Estado de Direito. <\/p>\n<p>3 &#8211; O PCdoB defende que &eacute; necess&aacute;rio revisar os crit&eacute;rios de distribui&ccedil;&atilde;o das verbas de publicidade dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos. Somente no ano passado, o governo federal repassou mais de um bilh&atilde;o de reais para os ve&iacute;culos privados. Esse recurso &eacute; oriundo dos tributos da sociedade e deveria ter um destino mais democr&aacute;tico e descentralizado, evitando a monopoliza&ccedil;&atilde;o do setor. Al&eacute;m dos crit&eacute;rios mercadol&oacute;gicos, usados como argumento p&eacute;treo pelas empresas, deveriam ser adotados mecanismos visando fortalecer a pluralidade e diversidade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, como j&aacute; ocorre em pa&iacute;ses da Europa. A verba publicit&aacute;ria oficial tamb&eacute;m deveria ser usada para estimular a difus&atilde;o dos ve&iacute;culos alternativos e dos movimentos sociais.<\/p>\n<p>4- Outro instrumento para democratizar a m&iacute;dia &eacute; o do est&iacute;mulo &agrave; radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. O atual governo regrediu neste campo, promovendo descabida persegui&ccedil;&atilde;o. Atualmente, mais de 5 mil comunicadores populares est&atilde;o indiciados, aparelhos de transmiss&atilde;o destas r&aacute;dios s&atilde;o alvo de apreens&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o e sedes s&atilde;o fechadas em decorr&ecirc;ncia da repress&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. &Eacute; preciso promover mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o para estimular a multiplica&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias, sob o controle da sociedade organizada. Este ajuste legal deve aumentar o n&uacute;mero de freq&uuml;&ecirc;ncias das emissoras, ampliar o limite da &aacute;rea e a pot&ecirc;ncia de seu alcance &ndash; hoje restrito a um quilometro. A digita&ccedil;&atilde;o em curso da r&aacute;dio n&atilde;o pode servir para castrar as iniciativas populares. &Eacute; necess&aacute;rio tamb&eacute;m que os poderes p&uacute;blicos garantam os meios de sustenta&ccedil;&atilde;o financeira destes ve&iacute;culos, contribuam na constru&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos de qualidade e plurais e que criem barreiras para coibir a apropria&ccedil;&atilde;o destes instrumentos por agrupamentos fisiol&oacute;gicos e para garantir seu car&aacute;ter laico. Tamb&eacute;m como forma de democratizar o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e ao conhecimento &eacute; preciso maiores investimentos p&uacute;blicos no processo de &ldquo;inclus&atilde;o digital&rdquo;. <\/p>\n<p>5- Estas e outras altera&ccedil;&otilde;es colocam ordem do dia a necessidade de um novo marco regulat&oacute;rio do setor. A atual legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; ultrapassada, dos anos 60, carregada de v&iacute;cios e n&atilde;o d&aacute; respostas ao acelerado avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico nesta &aacute;rea. Com a digitaliza&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o, a partir de dezembro, ocorrer&atilde;o sens&iacute;veis muta&ccedil;&otilde;es no setor. Apesar do padr&atilde;o tecnol&oacute;gico adotado pelo governo ser restritivo, ainda &eacute; poss&iacute;vel garantir espa&ccedil;os para novos canais e sua apropria&ccedil;&atilde;o por entidades da sociedade. Para isto, faz-se necess&aacute;rio regulamentar os dispositivos da Constitui&ccedil;&atilde;o para reverter o processo de monopoliza&ccedil;&atilde;o do setor e para garantir conte&uacute;dos mais plurais e democr&aacute;ticos. Ao mesmo tempo, &eacute; preciso definir regras que impe&ccedil;am o processo de desnacionaliza&ccedil;&atilde; o do setor e garantam a produ&ccedil;&atilde;o brasileira e a defesa da cultura nacional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p>6- Para que a reflex&atilde;o sobre este tema estrat&eacute;gico envolva a sociedade e permita enfrentar a atual ditadura midi&aacute;tica, o PCdoB entende que &eacute; fundamental realizar, com urg&ecirc;ncia, uma Conferencia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, nos moldes aplicados por outros f&oacute;runs promovidos pelo governo &ndash; como as confer&ecirc;ncias das cidades, mulheres, sa&uacute;de e outras. Este debate deve ser deflagrado a partir dos munic&iacute;pios e regi&otilde;es, culminando com a confer&ecirc;ncia nacional, envolvendo o maior n&uacute;mero de for&ccedil;as interessadas na democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. Esse processo ter&aacute; o papel de discutir o novo marco regulat&oacute;rio, o processo de converg&ecirc;ncia digital, a fortalecimento da TV p&uacute;blica, com o protagonismo da sociedade organizada, entre outros temas nevr&aacute;lgicos. Este compromisso foi assumido pela candidatura Lula e precisa ser cobrado pela sociedade organizada.<\/p>\n<p>7- Na luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, al&eacute;m da den&uacute;ncia do poder manipulador e concentrado dos meios privados de comunica&ccedil;&atilde;o, o PCdoB entende que &eacute; fundamental multiplicar e fortalecer os ve&iacute;culos alternativos das for&ccedil;as de esquerda e dos movimentos sociais. Conforme resolu&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o nacional do partido, a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; prioridade. &Eacute; preciso refor&ccedil;ar ainda mais o Portal Vermelho, a experi&ecirc;ncia mais bem sucedida deste frente nos &uacute;ltimos anos, ampliando os acessos dos internautas, melhorando o seu conte&uacute;do e prestando novos servi&ccedil;os &ndash; como a TV e a r&aacute;dio Vermelho. &Eacute; necess&aacute;rio tamb&eacute;m encontrar formas criativas para dinamizar a m&iacute;dia impressa do partido, ingressando num novo patamar do jornal A Classe Oper&aacute;ria. O partido tamb&eacute;m investir mais em campanha publicit&aacute;rias e ser mais ousado na ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os na televis&atilde;o e na r&aacute;dio. A disputa de hegemonia na sociedade e a constru&ccedil;&atilde;o de um partido forte dependem de maiores investimentos e maior energia aplicada na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>S&atilde;o Paulo, 27 de outubro de 2007.<br \/>Comit&ecirc; Central do PCdoB<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PCdoB aprovou&nbsp;na &uacute;ltima semana,&nbsp;em seu Comit&ecirc; Central, uma resolu&ccedil;&atilde;o em que defende a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil. 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