{"id":19616,"date":"2007-10-29T12:34:04","date_gmt":"2007-10-29T12:34:04","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19616"},"modified":"2007-10-29T12:34:04","modified_gmt":"2007-10-29T12:34:04","slug":"franklin-martins-e-sociedade-civil-debatem-modelo-da-tv-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19616","title":{"rendered":"Franklin Martins e sociedade civil debatem modelo da TV Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Possibilidades e questionamentos sobre a TV p&uacute;blica brasileira foram tratados em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica no Rio Grande do Sul, sexta-feira (26). O ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o do Governo Federal, exp&ocirc;s o modelo e os desafios da nova TV Brasil. A Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), representada pelo seu primeiro vice-presidente, jornalista Celso Schr&ouml;der (coordenador-geral do FNDC), levou ao encontro cr&iacute;ticas ao decreto da nova rede de televis&atilde;o. <\/p>\n<p>A TV Brasil, nova rede de televis&atilde;o p&uacute;blica brasileira &ndash; cujo decreto foi publicado dia 25\/10, no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o &ndash; com estr&eacute;ia programada para dezembro, promete abrir espa&ccedil;o &agrave; diversidade, esquecida na televis&atilde;o comercial. Prop&otilde;e veicular pelo menos quatro horas de programa&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria com conte&uacute;dos de produ&ccedil;&atilde;o independente. A rede ter&aacute; correspondente na &Aacute;frica e a participa&ccedil;&atilde;o das TVs p&uacute;blicas dos Estados, aos quais auxiliar&aacute; na migra&ccedil;&atilde;o para o sistema digital. &quot;A TV Brasil tem por defini&ccedil;&atilde;o que ser&aacute; uma TV com todos os sotaques do pa&iacute;s. Mas n&atilde;o vamos reinventar a roda&quot;, afirmou o ministro da Comunica&ccedil;&atilde;o do governo, Franklin Martins, lembrando que j&aacute; existe TV p&uacute;blica no Brasil.<\/p>\n<p>Uma das cobran&ccedil;as feitas pela sociedade civil, constantemente, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; TV Brasil, &eacute; se ela ser&aacute; uma televis&atilde;o &quot;chapa branca&quot;, que vai veicular mat&eacute;rias sobre e a favor do governo. &quot;Existe o risco&quot;, foi explicando logo o ministro, da mesma forma como vem declarando &agrave; imprensa com freq&uuml;&ecirc;ncia, &quot;por&eacute;m, temos que criar mecanismos para que esta tenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o prevale&ccedil;a.&quot; Para isso, Franklin Martins afirmou que um Conselho Curador ir&aacute; fiscalizar a aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da TV p&uacute;blica de forma transparente. &quot;Isso n&atilde;o elimina o risco. A TV p&uacute;blica sempre corre o risco de aqui ou ali escorregar, mas ela pode ter instrumentos que a permitam ser o mais isenta poss&iacute;vel. Instrumento que eu gostaria que fossem usados tamb&eacute;m na TV comercial, porque nela tamb&eacute;m existe o risco de manipula&ccedil;&atilde;o&quot;, justificou o ministro.<\/p>\n<p>Franklin destacou a caracter&iacute;stica &quot;televisiva&quot; do povo brasileiro. &quot;A televis&atilde;o &eacute; um espa&ccedil;o crucial na forma&ccedil;&atilde;o da cidadania, da cultura, do terreno p&uacute;blico onde se d&aacute; a firma&ccedil;&atilde;o nacional.&quot; A TV comercial no Pa&iacute;s, lembrou o ministro, &eacute; extraordinariamente bem sucedida. Por&eacute;m, a TV p&uacute;blica ficou para tr&aacute;s, e o governo pretende, com a TV Brasil, resgatar o papel da TV com qualidade, atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o de uma rede p&uacute;blica de televis&atilde;o, unindo a Radiobr&aacute;s com a TVE do Rio de Janeiro e do Maranh&atilde;o. &quot;Junto &agrave;s emissoras locais, faremos o processo de constru&ccedil;&atilde;o de uma grade nacional, dentro de determinado modelo de gest&atilde;o e financiamento.&quot;<\/p>\n<p><strong>TV comercial hipertrofiada e sem controle<\/p>\n<p><\/strong>Celso Schr&ouml;der lembrou que, apesar da televis&atilde;o brasileira estar baseada no modelo econ&ocirc;mico de televis&atilde;o norte-americano, ela n&atilde;o est&aacute; submetida a um &oacute;rg&atilde;o regulador com o rigor que tem nos EUA, sem um controle p&uacute;blico que l&aacute; existe. Mesmo a TV p&uacute;blica americana &eacute; submetida ao rigor do controle p&uacute;blico que, com &oacute;rg&atilde;os e leis impedem situa&ccedil;&otilde;es que no Brasil s&atilde;o consolidadas como absolutamente naturais. <\/p>\n<p>Schr&ouml;der cita o exemplo da propriedade cruzada, situa&ccedil;&atilde;o institu&iacute;da no Brasil, o que n&atilde;o &eacute; permitido nos EUA, e a exist&ecirc;ncia das redes de televis&atilde;o brasileira, que no Brasil t&ecirc;m atribu&iacute;das para si a responsabilidade pela integra&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua e da cultura nacional &ndash; tamb&eacute;m nos EUA s&atilde;o relativizadas, considerando que o oligop&oacute;lio ou monop&oacute;lio, seja da audi&ecirc;ncia, seja da estrutura das redes, compromete a democracia. Isso no sistema comercial. &quot;Por isso, no Brasil, temos uma hipertrofia do modelo comercial de radiodifus&atilde;o. Al&eacute;m do que, a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira &eacute; insuficiente e antiga. Surge principalmente a partir dos interesses privados, nunca a partir de debate p&uacute;blico, mas a partir de fatos consolidados&quot;, frisou. <\/p>\n<p>Ao fazer uma retrospectiva do processo de consolida&ccedil;&atilde;o da TV no Pa&iacute;s, Schr&ouml;der lembrou Daniel Herz &ndash; jornalista, fundador do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), formulador de pol&iacute;ticas para a comunica&ccedil;&atilde;o brasileira, autor do livro A Hist&oacute;ria Secreta da Rede Globo, falecido no ano passado &ndash; que afirmava que a Globo &eacute; o que &eacute;, al&eacute;m de por m&eacute;rito de seus administradores, de seus jornalistas, trabalhadores, mas tamb&eacute;m pela enorme quantidade de recursos p&uacute;blicos que foram transferidos para a empresa. <\/p>\n<p>Destacando que a TV p&uacute;blica no Brasil surgiu privada mas com um &quot;enorme&quot; aporte do Estado, Schr&ouml;der lembrou tamb&eacute;m que a TV p&uacute;blica sempre sofreu forte press&atilde;o do sistema comercial de n&atilde;o transferir para esta televis&atilde;o recursos, para que ela s&atilde;o fizesse concorr&ecirc;ncia suficiente e principalmente n&atilde;o buscasse recursos no mercado. O coordenador-geral do FNDC frisou o que vem defendendo o F&oacute;rum &ndash; a necessidade de se submeter os sistemas de radiodifus&atilde;o (p&uacute;blica, estatal e comercial) ao controle p&uacute;blico. <\/p>\n<p>Participou da mesa, tamb&eacute;m, o secret&aacute;rio de Comunica&ccedil;&atilde;o do Governo do Rio Grande do Sul, jornalista Paulo Fona. A audi&ecirc;ncia teve a media&ccedil;&atilde;o da deputada Stela Farias, presidente da Comiss&atilde;o de Servi&ccedil;os P&uacute;blicos da Assembl&eacute;ia Legislativa do RS, que organizou evento.<\/p>\n<p><strong>Problemas, omiss&otilde;es e conflitos<\/p>\n<p><\/strong>Celso Schr&ouml;der fez uma breve retrospectiva do processo de debates que culminou na realiza&ccedil;&atilde;o do I F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas, em maio, uma constru&ccedil;&atilde;o colaborativa entre a sociedade civil organizada e o governo, chamada a partir da Secretaria do Audiovisual do Minist&eacute;rio da Cultura. O jornalista contestou a origem da forma&ccedil;&atilde;o dos conselhos, da escolha dos conselheiros da TV Brasil e lamentou uma s&eacute;rie de discord&acirc;ncias entre a Medida Provis&oacute;ria que institui a nova rede e os princ&iacute;pios da Carta de Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>Numa compara&ccedil;&atilde;o entre o conte&uacute;do da <a href=\"http:\/\/xemele.cultura.gov.br\/projetos\/forumnacional\/files\/cartadebrasilia.pdf\">Carta de Bras&iacute;lia<\/a>, documento oriundo do <em>I F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas<\/em>, e a <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/CCIVIL\/_Ato2007-2010\/2007\/Mpv\/398.htm\">Medida Provis&oacute;ria 398\/2007<\/a>, que institui a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), a TV Brasil, o FNDC apresenta, a seguir, os pontos em concord&acirc;ncia ou n&atilde;o entre os dois documentos. Ao final, aponta alguns problemas, omiss&otilde;es e conflitos e caracter&iacute;sticas positivas encontrados na MP.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.fndc.org.br\/internas.php?p=noticias&amp;cont_key=200209\">Para ver o quadro comparativo, clique aqui.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Possibilidades e questionamentos sobre a TV p&uacute;blica brasileira foram tratados em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica no Rio Grande do Sul, sexta-feira (26). O ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o do Governo Federal, exp&ocirc;s o modelo e os desafios da nova TV Brasil. 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