{"id":19608,"date":"2007-10-26T16:53:48","date_gmt":"2007-10-26T16:53:48","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19608"},"modified":"2007-10-26T16:53:48","modified_gmt":"2007-10-26T16:53:48","slug":"tv-digital-o-mundo-e-movel-portatil-e-conectado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19608","title":{"rendered":"TV Digital: o mundo \u00e9 m\u00f3vel, port\u00e1til e conectado"},"content":{"rendered":"<p><span>Desde quarta-feira, 17, os habitantes de Whiteheaven, Inglaterra, que tentam sintonizar seus televisores anal&oacute;gicos na BBC2, est&atilde;o vendo a tela em branco. Whiteheaven foi a primeira cidade do pa&iacute;s a completar a migra&ccedil;&atilde;o para o digital e devolver para o governo as antigas freq&uuml;&ecirc;ncias. Tal coisa s&oacute; acontecer&aacute; no Brasil dentro de seis ou sete anos. Mas, ao contr&aacute;rio do que acontece na pequena cidade inglesa, a televis&atilde;o j&aacute; ser&aacute; bem diferente. E o que ser&aacute; mais diferente n&atilde;o &eacute; o que estar&aacute; na tela do televisor: &eacute; o local onde o pr&oacute;prio televisor estar&aacute;.<\/p>\n<p><\/span><span>Os primeiros paises a completarem a transi&ccedil;&atilde;o para o digital ainda atrelam o receptor de televis&atilde;o &agrave; sala de estar. E no entanto este ser&aacute; o lugar mais improv&aacute;vel para encontr&aacute;-lo quando as freq&uuml;&ecirc;ncias hoje ocupadas pelas emissoras brasileiras forem devolvidas ao organismo que estiver onde neste momento est&aacute; a Anatel. <\/p>\n<p><\/span><span>A televis&atilde;o perdeu sua imobilidade. N&atilde;o est&aacute; sozinha nisto, ali&aacute;s. Tornou-se, pelo mais bizarro dos caminhos, prima-irm&atilde; do telefone &ndash; assim como de toda forma de comunica&ccedil;&atilde;o. Na sexta-feira, 19, por exemplo, o governo japon&ecirc;s finalizou o recebimento das propostas para as duas licen&ccedil;as de WiMax que conceder&aacute; at&eacute; o final deste ano. <\/p>\n<p><\/span><span>O WiMax &eacute; por enquanto a mais importante das tecnologias de Internet m&oacute;vel. &Eacute; an&aacute;loga ao Wi-Fi &ndash; que permite a conex&atilde;o sem fio a partir de um servidor pr&oacute;ximo e que no Brasil &eacute; usado de modo rudimentar por operadoras transformadas em ca&ccedil;a-niqueis de aeroportos &ndash; mas tem um alcance de dezenas de quil&ocirc;metros. &Eacute; uma das solu&ccedil;&otilde;es mais prov&aacute;veis para resolver o problema da interatividade na televis&atilde;o, estabelecendo o canal de retorno para o espectador (que &eacute; por onde o espectador &quot;responde&quot; &agrave; TV). Envolve empresas como a Samsung, a Sprint Nextel e a Intel. S&oacute; a Sprint estar&aacute; investindo nela 5 bilh&otilde;es de d&oacute;lares ao longo dos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos. <\/p>\n<p><\/span><span>At&eacute; o final deste ano, o WiMax vai estar cobrindo &aacute;reas como Chicago e Washington-Baltimore. Quem estiver com um laptop ou um handheld em qualquer esquina dessas cidades, estar&aacute; conectado. Parece muito, mas o governo do Jap&atilde;o acha que &eacute; pouco. Ele exige que as empresas que ganharem as licen&ccedil;as iniciem os servi&ccedil;os dentro de tr&ecirc;s anos no m&aacute;ximo e que, at&eacute; 2012, pelo menos 50% dos japoneses possam estar conectados onde quer que eles estejam. <\/p>\n<p><\/span><span>Se o WiMax n&atilde;o conseguir isso, tecnologias similares &ndash; WiBro, HSPA, iBurst, UPS &ndash; estar&atilde;o prontas para tentar. O certo &eacute; quando as crian&ccedil;as que nascerem hoje ainda estiverem brincando com bonecas, praticamente nenhum adulto estar&aacute; desconectado no meio da rua. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>2,3 trilh&otilde;es de mensagens<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Conectividade e mobilidade est&atilde;o em toda parte. Escreve-se hoje para n&atilde;o se perder tempo com as frivolidades da etiqueta oral. As operadoras de telefonia m&oacute;vel fazem 60 bilh&otilde;es de d&oacute;lares\/ano no mundo s&oacute; com mensagens de texto. Em 2010, segundo a Dataquest, 2,3 trilh&otilde;es de mensagens ser&atilde;o enviadas pelo que hoje chamamos de telefone celular. Isso estar&aacute; gerando 72,5 bilh&otilde;es de d&oacute;lares para as operadoras.<\/p>\n<p><\/span><span>Neste momento, existem 2 bilh&otilde;es de seres humanos usando celulares e um bilh&atilde;o conectados &agrave; Internet. Na Europa, h&aacute; mais celulares do que gente. Todos esses aparelhos caminham a curt&iacute;ssimo prazo para se tornar receptores de televis&atilde;o. E, logo em seguida, para estarem conectados &agrave; web. <\/p>\n<p><\/span><span>A previs&atilde;o do CEO da Intel, Paul Otellini, &eacute; que 150 milh&otilde;es dessas pessoas estejam cobertas pelo WiMax at&eacute; o final do pr&oacute;ximo ano. &Eacute; praticamente a popula&ccedil;&atilde;o inteira do Brasil conectada. No mundo dito civilizado n&atilde;o h&aacute; como escapar &agrave; conectividade &ndash; e sobretudo &agrave; conectividade m&oacute;vel.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; para l&aacute; que ruma a televis&atilde;o, muito mais r&aacute;pido do que a maioria das pessoas pensa e de forma mais inexor&aacute;vel do que os piores pesadelos das emissoras s&atilde;o capazes de criar. Elas est&atilde;o perdendo de 1 a 3% de audi&ecirc;ncia no mundo para outros suportes, todos os anos. O publico cativo da televis&atilde;o fixa se esvaiu. <\/p>\n<p><\/span><span>Por ironia, a televis&atilde;o tenta agora imitar a apar&ecirc;ncia das novas m&iacute;dias (blogs, f&oacute;runs, formas interativas) assim como os jornais (USA Today &agrave; frente deles) tiveram que imitar a apar&ecirc;ncia da televis&atilde;o para sobreviver.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Fran&ccedil;a: novas regras<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A luta pela sobreviv&ecirc;ncia &eacute; mesmo dura. A ministra da Cultura e Comunica&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a, Cristine Albanel, anunciou no inicio da semana passada que vai reformular a regulamenta&ccedil;&atilde;o audiovisual do pa&iacute;s. <\/p>\n<p><\/span><span>As medidas incluem a modifica&ccedil;&atilde;o do decreto que obriga as redes de televis&atilde;o a aplicar 2\/3 de seus or&ccedil;amentos na compra de fic&ccedil;&atilde;o de produtores franceses independentes. Isto permitir&aacute; &agrave; TF1, a maior rede aberta do pa&iacute;s, reduzir seus custos em 50 milh&otilde;es de euros por ano. <\/p>\n<p><\/span><span>As redes dever&atilde;o ter permiss&atilde;o tamb&eacute;m para veicular 12 minutos de comerciais por hora. Atualmente elas s&oacute; tem direito a 6 minutos. Isto far&aacute; com que a pr&oacute;pria TF1, para n&atilde;o sair dela, possa aumentar sua receita anual em 40 milh&otilde;es de euros. Os dados est&atilde;o no Le Journal des Finances de 13 de outubro.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Brasil: momento emblem&aacute;tico<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>S&atilde;o as m&iacute;dias emergentes que est&atilde;o for&ccedil;ando a adequa&ccedil;&atilde;o dos modelos de negocio na televis&atilde;o. O embate entre a regulamenta&ccedil;&atilde;o, o papel do Estado e a constru&ccedil;&atilde;o de uma televis&atilde;o apta a olhar para o futuro ter&aacute; no Brasil um momento emblem&aacute;tico em 2 de dezembro, no mesmo dia em que o pa&iacute;s come&ccedil;ar oficialmente suas transmiss&otilde;es digitais terrestres. Ali estar&aacute; se instalando tamb&eacute;m a rede de televis&atilde;o publica criada pelo atual governo.<\/p>\n<p><\/span><span>Dois testes ser&atilde;o capazes de revelar a quem estar&aacute; servindo a nova rede. O primeiro &eacute; sua capacidade de vislumbrar os novos tempos e se adaptar a eles. Por &quot;novos tempos&quot; deve-se entender uma &eacute;poca em que a televis&atilde;o aberta deixa de ser massificada, torna-se prioritariamente m&oacute;vel, j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais hegem&ocirc;nica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras m&iacute;dias e tem que adequar seu conte&uacute;do &agrave;s plataformas existentes. <\/p>\n<p><\/span><span>O segundo teste &eacute; naturalmente o da possibilidade de se construir uma gest&atilde;o &eacute;tica. O retrospecto do pa&iacute;s est&aacute; longe de ser encorajador neste quesito. Mas as perspectivas s&atilde;o muito boas. <\/p>\n<p><\/span><span>H&aacute; &oacute;timos exemplos no mundo a serem seguidos. A BBC &eacute; sempre citada &#8211; muito mais como um formato de gest&atilde;o do que como um modelo de comportamento. E, no entanto, absorver modelos de comportamento nada tem de subservi&ecirc;ncia colonial. <\/p>\n<p><\/span><span>Ainda na semana passada o diretor geral da BBC, Mark Thompson, teve que voltar a dar explica&ccedil;&otilde;es ao Conselho sobre a desastrosa edi&ccedil;&atilde;o da chamada do programa em torno da rotina da Rainha Elizabeth II, onde o espectador &eacute; levado a concluir, erroneamente, que ela retirou-se de uma sess&atilde;o de fotografias com Annie Leibovitz. Parece banalidade, mas n&atilde;o &eacute;. O antecessor de Thompson, Greg Dyke, teve que deixar o cargo em 2004 quando um inqu&eacute;rito judicial encontrou incorre&ccedil;&otilde;es no tratamento dado pela BBC &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do governo durante a invas&atilde;o do Iraque. <\/p>\n<p><\/span><span>Tanto as emissoras privadas quanto os tabl&oacute;ides ingleses mentem e ofendem livremente &ndash; mais talvez que na maior parte do mundo civilizado &ndash; mas em se tratando da BBC ela &eacute; considerada culpada por iludir o p&uacute;blico at&eacute; mesmo ao anunciar que num programa infantil (Blue Peter) as crian&ccedil;as haviam escolhido o nome Socks para um gatinho, quando a vota&ccedil;&atilde;o, na verdade, dera a vit&oacute;ria ao nome Cookie.<\/p>\n<p><\/span><span>O que &eacute; p&uacute;blico tem para os ingleses a obriga&ccedil;&atilde;o de ser bom e ser respons&aacute;vel. N&atilde;o &eacute; pecado algum seguir esse ensinamento. O Tiet&ecirc; n&atilde;o se tornaria o Tamisa, mas o Brasil melhoraria bastante.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde quarta-feira, 17, os habitantes de Whiteheaven, Inglaterra, que tentam sintonizar seus televisores anal&oacute;gicos na BBC2, est&atilde;o vendo a tela em branco. Whiteheaven foi a primeira cidade do pa&iacute;s a completar a migra&ccedil;&atilde;o para o digital e devolver para o governo as antigas freq&uuml;&ecirc;ncias. 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