{"id":19581,"date":"2007-10-25T16:30:38","date_gmt":"2007-10-25T16:30:38","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19581"},"modified":"2007-10-25T16:30:38","modified_gmt":"2007-10-25T16:30:38","slug":"entrevista-com-james-gorgen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19581","title":{"rendered":"Entrevista com James G\u00f6rgen"},"content":{"rendered":"<p>James G&ouml;rgen &eacute; jornalista, j&aacute; foi secret&aacute;rio-executivo do FNDC e &eacute; coordenador de projetos no Epcom (Instituto de Estudo e Pesquisas em Comunica&ccedil;&atilde;o). Acompanhou o processo de privatiza&ccedil;&atilde;o das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es e, desde 1997, participa das discuss&otilde;es acerca da internet no pa&iacute;s &ndash; como a cria&ccedil;&atilde;o de regulamenta&ccedil;&otilde;es e do pr&oacute;prio Comit&ecirc; Gestor para a Internet. <\/p>\n<p><strong>1. Como avalia o trabalho do CGI.Br at&eacute; o momento?<\/strong><br \/>Creio que nestes primeiros anos de exist&ecirc;ncia a fun&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; foi fundamental para estabelecermos uma governan&ccedil;a na internet brasileira que, digamos assim, colocasse &ldquo;ordem na casa&rdquo;. Foram definidas diversas quest&otilde;es administrativas, tanto as relativas ao registro de dom&iacute;nios quanto nas rela&ccedil;&otilde;es entre governo e sociedade. Tamb&eacute;m avalio como muito positivo o resultado das campanhas desencadeadas pelo &oacute;rg&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; seguran&ccedil;a na rede. Outro ponto importante foi a cria&ccedil;&atilde;o do NIC, como um importante centro de informa&ccedil;&atilde;o sobre os indicadores da rede no Pa&iacute;s, nos dando a conhecer a real demanda dos brasileiros por tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o (TICs). Politicamente, a coordena&ccedil;&atilde;o de atores para atua&ccedil;&atilde;o conjunta do Pa&iacute;s no processo de discuss&atilde;o ocorrido durante a C&uacute;pula Mundial da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o foi um fator preponderante para que consegu&iacute;ssemos implementar o IGF (F&oacute;rum para a Governan&ccedil;a da Internet), cuja reuni&atilde;o se dar&aacute; agora em novembro no Rio de Janeiro. Constru&iacute;do o alicerce, agora precisamos avan&ccedil;ar. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>2. Caso eleito(a), quais ser&atilde;o suas prioridades como membro do Comit&ecirc;?<\/strong><br \/>Considero importante  que neste novo per&iacute;odo o  Comit&ecirc; consolide sua fun&ccedil;&atilde;o administrativa, mas amplie sua  participa&ccedil;&atilde;o como indutor de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que envolvam  as TICs. Principalmente, de a&ccedil;&otilde;es que consigam aproximar o debate entre  inclus&atilde;o digital  e democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. No momento em que as  fronteiras entre informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o  se tornam quase indistingu&iacute;veis, devido ao advento da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica,  &eacute; fundamental que tenhamos um &oacute;rg&atilde;o no Pa&iacute;s capaz de pensar como os programas de  inclus&atilde;o podem colaborar para construir o que chamamos de people play. Ou seja, a id&eacute;ia aqui &eacute;  garantir a entrega na casa das pessoas, principalmente de quem n&atilde;o pode pagar  pelas altas assinaturas cobradas pelos operadores privados, um pacote m&iacute;nimo de  servi&ccedil;os de v&iacute;deo, voz e  dados &ndash; o que o  mercado chama de triple  play. Precisamos trabalhar em prol da coordena&ccedil;&atilde;o dos  diversos esfor&ccedil;os de governos &ndash; nos &acirc;mbitos federal, estadual e municipal &ndash; para  implementarmos as cidades digitais e universalizarmos a oferta do people play. Temos que ir al&eacute;m de uma  simples inclus&atilde;o  digital restrita aos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, como foi bem constru&iacute;do  com a pol&iacute;tica de telecentros. Chegou o momento de levarmos a internet para  dentro das resid&ecirc;ncias, principalmente da popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda. De nada  adianta termos institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas conectadas com o mundo, se o trabalhador  chega em casa e  acaba tendo na televis&atilde;o sua &uacute;nica fonte de informa&ccedil;&atilde;o. Creio  que o CGi, por reunir representantes do governo, empresas e sociedade, ter&aacute; um  papel importante na constru&ccedil;&atilde;o deste consenso em torno do  estabelecimento de &ldquo;estradas digitais&rdquo; onde o  ped&aacute;gio a ser pago n&atilde;o pro&iacute;ba a  maior parte da popula&ccedil;&atilde;o de circular  livremente.<font face=\"Arial\" size=\"2\" color=\"blue\"><\/font> <\/p>\n<p><strong>3. Caso eleito(a), como prestar&aacute; contas &agrave; sociedade?<\/strong><br \/>Existem v&aacute;rias formas de realizar uma presta&ccedil;&atilde;o de contas sobre o trabalho desenvolvido no &acirc;mbito do Comit&ecirc;. Uma delas j&aacute; se d&aacute; por meio do pr&oacute;prio CGi, que possui uma pol&iacute;tica de transpar&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua atua&ccedil;&atilde;o, logo, de seus integrantes tamb&eacute;m. Como estou sendo indicado por pelo menos tr&ecirc;s importantes entidades da sociedade civil (FNDC, CUT e CFP) irei n&atilde;o apenas prestar contas, mas fornecer relatos regulares de todos os movimentos do CGi para que aumente, inclusive, a percep&ccedil;&atilde;o destas entidades sobre o papel do &oacute;rg&atilde;o. Para isso, as redes sociais viabilizadas pelas TICs ser&atilde;o tamb&eacute;m um instrumento fundamental. Acredito ser poss&iacute;vel que os quatro membros da representa&ccedil;&atilde;o do Terceiro Setor no Comit&ecirc; tamb&eacute;m possam juntar esfor&ccedil;os para manter um canal de informa&ccedil;&atilde;o aberto com a sociedade. Afinal, seremos indiv&iacute;duos atuando em nome da vontade geral e n&atilde;o apenas de interesses particulares.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>4. Na sua avalia&ccedil;&atilde;o, qual&nbsp;deve ser&nbsp;o papel do CGI.Br na constru&ccedil;&atilde;o de um marco regulat&oacute;rio relativo &agrave; converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica?<\/strong><br \/>A atualiza&ccedil;&atilde;o do arcabou&ccedil;o normativo das &aacute;reas de comunica&ccedil;&atilde;o social e telecomunica&ccedil;&otilde;es &#8211; o primeiro da d&eacute;cada de 60 e o segundo, de 90 &#8211; &eacute; uma das prioridades de qualquer pessoa, entidade ou &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico que se considere preocupado com o processo de democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es no sentido mais amplo. No Brasil, &eacute; imposs&iacute;vel pensarmos em qualquer medida que ignore os conflitos conceituais e regulat&oacute;rios existentes. Por exemplo, como o Estado deve regular um conte&uacute;do de m&iacute;dia que circula num momento por uma rede de radiodifus&atilde;o e, emo Comit&ecirc; participa pouco deste debate nacional, que vem sendo travado pelo menos desde o final da d&eacute;cada passada em v&aacute;rios n&iacute;veis e inst&acirc;ncias. Com o aporte te&oacute;rico e o ac&uacute;mulo de v&aacute;rios de seus membros, o CGi se torna uma pe&ccedil;a fundamental no processo de atualiza&ccedil;&atilde;o desta legisla&ccedil;&atilde;o. At&eacute; por uma necessidade de definir de forma mais clara v&aacute;rios limites que a pr&oacute;pria governan&ccedil;a na internet, especialmente no que diz respeito aos abusos, crimes e &agrave; garantia de neutralidade da rede, imp&otilde;e no atual momento. Repensar a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica no Brasil desconsiderando a autoridade mais importante de um de seus bra&ccedil;os seria at&eacute; irresponsabilidade. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>James G&ouml;rgen &eacute; jornalista, j&aacute; foi secret&aacute;rio-executivo do FNDC e &eacute; coordenador de projetos no Epcom (Instituto de Estudo e Pesquisas em Comunica&ccedil;&atilde;o). 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