{"id":19579,"date":"2007-10-25T16:22:53","date_gmt":"2007-10-25T16:22:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19579"},"modified":"2007-10-25T16:22:53","modified_gmt":"2007-10-25T16:22:53","slug":"entrevista-com-carlos-alberto-afonso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19579","title":{"rendered":"Entrevista com Carlos Alberto Afonso"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\">Carlos Alberto Afonso &eacute; engenheiro, doutor em Pensamento Social e Pol&iacute;tico e diretor de planejamento e estrat&eacute;gias da Rede de Informa&ccedil;&otilde;es para o Terceiro Setor (RITS). Um dos pioneiros do desenvolvimento da internet no Brasil, criou o Alternex, primeiro sistema de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o baseado em computador da Am&eacute;rica Latina, que era voltado para a atua&ccedil;&atilde;o do terceiro setor. O sistema desenvolveu-se como o primeiro provedor de servi&ccedil;os internet do Brasil. Ent&atilde;o funcion&aacute;rio do IBASE, trabalhou para a cria&ccedil;&atilde;o do CGI.br em 1995, para o qual tamb&eacute;m foi indicado membro (representante dos provedores). Em 2003, foi um dos participantes do movimento que fez a proposta de reestrutura&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc;, com a vota&ccedil;&atilde;o por um col&eacute;gio eleitoral dos 11 representantes n&atilde;o-governamentais. Foi eleito pelo segmento do terceiro setor em 2004, e hoje concorre &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>1. Como avalia o trabalho do CGI.Br at&eacute; o momento?<\/strong><br \/>Desde 1994, quando iniciei minha participa&ccedil;&atilde;o no processo de cria&ccedil;&atilde;o do CGI.br (oficializado em maio de 1995), foi percorrido um caminho na minha opini&atilde;o pioneiro em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; maioria dos outros pa&iacute;ses. Desde o in&iacute;cio, uma das premissas &eacute; que o nome de dom&iacute;nio de pa&iacute;s (ccTLD) e os endere&ccedil;os IP s&atilde;o um patrim&ocirc;nio da comunidade e n&atilde;o uma mercadoria &#8211; &nbsp;essa premissa vem sido rigorosamente mantida e orienta as pol&iacute;ticas de designa&ccedil;&atilde;o de nomes de dom&iacute;nio e n&uacute;meros IP no pa&iacute;s, miss&atilde;o central do CGI.br. No Brasil n&atilde;o h&aacute; intermediadores comerciais de dom&iacute;nios nacionais (os &quot;registrars&quot;), ao contr&aacute;rio da maioria dos outros pa&iacute;ses &#8211; isso significa que o valor pago pela designa&ccedil;&atilde;o de um dom&iacute;nio &eacute; sempre o mesmo, atualmente uma anuidade de R$30,00. Essa contribui&ccedil;&atilde;o anual de cada detentor de nome de dom&iacute;nio &eacute; que garante a opera&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de um servi&ccedil;o de gerenciamento de nomes e n&uacute;meros que &eacute; considerado uma refer&ecirc;ncia mundial de qualidade. O CG mant&eacute;m um centro de opera&ccedil;&otilde;es de ponta, sediando os servidores-raiz do dom&iacute;nio &quot;.br&quot; &#8211; o funcionamento eficaz deste centro de opera&ccedil;&otilde;es garante que qualquer endere&ccedil;o &quot;.br&quot; &eacute; localizado instantaneamente de qualquer ponto da Internet. Ali&aacute;s, o padr&atilde;o de qualidade &eacute; tal que o CG sedia servidores-espelho de v&aacute;rios outros pa&iacute;ses (tal como sediamos espelhos <br \/>de nossos servidores em outros pa&iacute;ses, para garantir redund&acirc;ncia em caso de falha).<\/p>\n<p>S&oacute; isso j&aacute; justificaria plenamente o trabalho do CG. No entanto, ao longo dos anos, houve v&aacute;rios avan&ccedil;os importantes, dando uso adequado aos recursos excedentes provenientes das anuidades. Se n&atilde;o s&atilde;o obrigatoriamente parte do mandato do CG, esses avan&ccedil;os no entanto cobrem lacunas fundamentais que o CG considerou estar em condi&ccedil;&otilde;es de preencher em benef&iacute;cio do desenvolvimento seguro da Internet no pa&iacute;s. Entre estes avan&ccedil;os:<\/p>\n<p>&#8211; O CG mant&eacute;m um centro de seguran&ccedil;a e resposta a incidentes (o CERT.br) que &eacute; considerado tamb&eacute;m uma refer&ecirc;ncia mundial. O CERT.br mant&eacute;m cursos especializados de seguran&ccedil;a a operadores de servi&ccedil;os Internet, operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es, inst&acirc;ncias de combate ao crime (pol&iacute;cia, trabalhadores da justi&ccedil;a), monitora e localiza ataques, al&eacute;m de manter estat&iacute;sticas desses incidentes. &Eacute; um centro de apoio essencial no combate a crimes na Internet, pedofilia, fraudes etc.<\/p>\n<p>&#8211; Mant&eacute;m ainda um servi&ccedil;o online de refer&ecirc;ncia sobre o &quot;spam&quot; (Antispam.br), para orientar os usu&aacute;rios sobre como proteger-se de ataques via emails n&atilde;o solicitados.<\/p>\n<p>&#8211; Mant&eacute;m tamb&eacute;m uma rede de pontos de troca de tr&aacute;fego nas principais capitais do Brasil, os PTTs. O projeto PTT.br opera sem fins de lucro, permitindo que o tr&aacute;fego entre as diferentes espinhas dorsais de cada cidade sejam intercambiados para otimizar o fluxo e reduzir os custos de banda Internet para os usu&aacute;rios.<\/p>\n<p>&#8211; Mant&eacute;m um pequeno centro de estudos sobre TICs (o CETIC.br), respons&aacute;vel pela produ&ccedil;&atilde;o de indicadores e estat&iacute;sticas sobre a disponibilidade e uso da Internet no Brasil, divulgando an&aacute;lises e informa&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas sobre o desenvolvimento da rede no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Em 2003 o CG teve uma reestrutura&ccedil;&atilde;o importante, por sugest&atilde;o de um movimento que juntou a academia (especialmente a RNP) e entidades civis. Tive a honra de participar da elabora&ccedil;&atilde;o dessa proposta, aceita pelo governo Lula, que significou a efetiva&ccedil;&atilde;o do pluralismo no conselho &#8211; at&eacute; ent&atilde;o, os membros n&atilde;o governamentais do conselho eram indicados pelo governo federal. Passou o CG a partir de 2004 a<\/p>\n<p><strong>2. Caso eleito(a), quais ser&atilde;o suas prioridades como membro do Comit&ecirc;?<\/strong><br \/>Seja eu ou qualquer outro o eleito, espero, em primeiro lugar, que essas conquistas acima descritas sejam preservadas, e que o CG avance ainda mais no uso dos recursos excedentes para apoiar projetos fundamentais de alavancagem das TICs para o desenvolvimento humano no pa&iacute;s. O CG n&atilde;o pode resolver problemas cruciais, como a exclus&atilde;o digital (em um pa&iacute;s gigante de 183 milh&otilde;es em que mais de 40% dos munic&iacute;pios ainda n&atilde;o t&ecirc;m acesso local &agrave; Internet), mas seus recursos excedentes podem apoiar projetos estruturantes que ajudem a aprofundar uma estrat&eacute;gia urgente de inclus&atilde;o digital em todos os seus aspectos (acesso, capacita&ccedil;&atilde;o, qualidade de servi&ccedil;o, produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do etc). Isso j&aacute; tem sido encaminhado atrav&eacute;s de comiss&otilde;es t&eacute;cnicas especiais criadas pelo CG para analisar estrat&eacute;gias espec&iacute;ficas de apoio para cada setor (inclus&atilde;o digital, universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga, gera&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos digitais, prote&ccedil;&atilde;o a direitos etc) e precisa avan&ccedil;ar ainda mais.<\/p>\n<p>Espero ainda que o CG venha a ter um papel mais ativo na assessoria parlamentar -procurando auxiliar os congressistas na formula&ccedil;&atilde;o de projetos de lei que sejam consistentes com a complexidade t&eacute;cnica que a Internet envolve cada vez mais, particularmente com a acelera&ccedil;&atilde;o da converg&ecirc;ncia entre meios. &Eacute; importante tamb&eacute;m que essa vis&atilde;o do CG colabore para a formula&ccedil;&atilde;o de uma legisla&ccedil;&atilde;o que proteja os direitos b&aacute;sicos de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, a liberdade do conhecimento e a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; privacidade, e ao mesmo tempo garanta instrumentos eficazes para o combate aos crimes via rede.<\/p>\n<p><strong>3. Caso eleito(a), como prestar&aacute; contas &agrave; sociedade?<\/strong><br \/>Tal como todos os conselheiros do terceiro setor j&aacute; v&ecirc;m fazendo: divulgando o trabalho do CG atrav&eacute;s de artigos, mensagens nas listas de discuss&atilde;o e em contato com as entidades civis de seus setores respectivos.<\/p>\n<p><strong>4. Na sua avalia&ccedil;&atilde;o, qual deve ser o papel do CGI.Br na constru&ccedil;&atilde;o de um marco regulat&oacute;rio relativo &agrave; converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica?<\/strong><br \/>O CG tem um mandato claro, j&aacute; descrito acima. N&atilde;o tem poder de regula&ccedil;&atilde;o ou decis&atilde;o, exceto na aloca&ccedil;&atilde;o de nomes, n&uacute;meros e protocolos de conex&atilde;o e transporte de dados da Internet. Em todo o resto, o CG pode atuar atrav&eacute;s do apoio a projetos (tal como os exemplos acima e outros) e assessoria &agrave;s inst&acirc;ncias de governo, dada sua expertise no ramo. &Eacute; fato que, com a ado&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de separa&ccedil;&atilde;o legal e regulat&oacute;ria entre telecomunica&ccedil;&otilde;es e os servi&ccedil;os Internet (&quot;servi&ccedil;os de valor adicionado&quot;, incluindo conex&atilde;o, transporte e servi&ccedil;os de informa&ccedil;&atilde;o), h&aacute; um v&aacute;cuo legal relativo &agrave; converg&ecirc;ncia. O CG pode e deve contribuir procurando dar o apoio t&eacute;cnico devido e atrav&eacute;s do apoio a iniciativas espec&iacute;ficas de estudo e proposi&ccedil;&atilde;o de marcos regulat&oacute;rios que contemplem esses processos. Lembremos que a Anatel &eacute; um dos membros do CG por parte do governo e assuntos regulat&oacute;rios s&atilde;o frequentemente debatidos neste. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alberto Afonso &eacute; engenheiro, doutor em Pensamento Social e Pol&iacute;tico e diretor de planejamento e estrat&eacute;gias da Rede de Informa&ccedil;&otilde;es para o Terceiro Setor (RITS). 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