{"id":19571,"date":"2007-10-24T15:21:20","date_gmt":"2007-10-24T15:21:20","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19571"},"modified":"2007-10-24T15:21:20","modified_gmt":"2007-10-24T15:21:20","slug":"organizacoes-apresentam-propostas-para-gestao-mundial-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19571","title":{"rendered":"Organiza\u00e7\u00f5es apresentam propostas para gest\u00e3o mundial da Internet"},"content":{"rendered":"<p>Entre os dias 12 e 15 de novembro acontece no Rio de Janeiro a segunda edi&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum de Governan&ccedil;a da Internet (IGF), criado pela ONU para debater temas e modelos relacionados &agrave; governan&ccedil;a da Internet, em seus aspectos pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico, tecnol&oacute;gico e social. O IGF, que foi criado durante a segunda C&uacute;pula Mundial da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o (CMSI) em 2005, teve sua primeira edi&ccedil;&atilde;o realizada em Atenas, em 2006.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s se reunirem em dois semin&aacute;rios nos meses de julho e setembro, diversas organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil divulgaram um manifesto pr&eacute;-IGF, no qual defendem, entre outras quest&otilde;es, que o F&oacute;rum deve garantir a promo&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es abertos &ldquo;como condi&ccedil;&atilde;o para a autodetermina&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica dos povos&rdquo; e a internacionaliza&ccedil;&atilde;o da ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), ag&ecirc;ncia que atualmente define as pol&iacute;ticas para a Internet e &eacute; controlada pelos Estados Unidos.&nbsp;Al&eacute;m disso,&nbsp;o documento exige o pleno respeito ao direito &agrave; liberdade de express&atilde;o &ldquo;sem pr&eacute;vio controle&rdquo; e ressalta a import&acirc;ncia do direito &agrave; privacidade ser garantido na rede.&nbsp;Assinado pela Associa&ccedil;&atilde;o Software Livre, Intervozes, Ibase e&nbsp;Rede de Informa&ccedil;&otilde;es para o Terceiro Setor (RITS), entre outras entidades, o documento foi encaminhado ao Itamaraty e a&nbsp;outros minist&eacute;rios do governo federal.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores e ativistas envolvidos na reda&ccedil;&atilde;o do manifesto, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o da ICANN &eacute;&nbsp;fundamental para que&nbsp;a gest&atilde;o mundial da Internet&nbsp;fique livre da influ&ecirc;ncia de interesses comerciais, governamentais e do Departamento de Com&eacute;rcio dos Estados Unidos, ao qual &eacute; hoje subordinada, e passe a ser gerida em n&iacute;vel internacional, por m&uacute;ltiplos Estados e atores, inclusive com a participa&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios da rede e da sociedade civil. J&aacute; a defesa dos padr&otilde;es abertos se faz sob os argumentos da universaliza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos, garantindo a interoperabilidade, ou seja, que o conhecimento n&atilde;o fique atrelado a um formato definido por uma determinada empresa.<\/p>\n<p>Para Gustavo Gindre, membro do Intervozes e do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br), a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; &ldquo;internacionalizar a ICANN, mas mant&ecirc;-la cuidando apenas do registro de nomes e dom&iacute;nios&rdquo;. Dessa forma, a regulamenta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da rede ficaria a cargo da UIT (Uni&atilde;o Internacional das Telecomunica&ccedil;&otilde;es), mas, segundo Gindre, esta tamb&eacute;m teria que ser reformulada, j&aacute; que hoje &eacute; controlada pelos interesses das empresas multinacionais de telecomunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>Poss&iacute;veis avan&ccedil;os<\/p>\n<p><\/strong>Outra quest&atilde;o levantada pelo manifesto &eacute; a defesa da neutralidade da rede, para garantir que a privacidade do usu&aacute;rio n&atilde;o seja violada nem que uma empresa possa utilizar-se de tecnologia para prejudicar seus concorrentes. &ldquo;Violar a neutralidade da rede tem dois objetivos: pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico. No caso pol&iacute;tico se d&aacute; atrav&eacute;s da espionagem, no econ&ocirc;mico se obt&eacute;m vantagens na concorr&ecirc;ncia&rdquo;, afirma Gindre. Ele cita o exemplo da Brasil Telecom, que sabotava a qualidade do Skype (software que &eacute; uma esp&eacute;cie de telefone que funciona pela Internet) para que seus clientes n&atilde;o deixassem de fazer chamadas em DDD ou DDI. <\/p>\n<p>&ldquo;Os poss&iacute;veis avan&ccedil;os do F&oacute;rum relacionam-se &agrave; garantia de maior participa&ccedil;&atilde;o social e &agrave; inclus&atilde;o, nas recomenda&ccedil;&otilde;es finais do IGF, de quest&otilde;es que de fato levem em conta as necessidades reais da sociedade&rdquo; opina Alessandro Octaviani, pesquisador em direito e desenvolvimento pela Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas e tamb&eacute;m signat&aacute;rio do manifesto. Para ele, o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e ao conhecimento &eacute; fator chave para o desenvolvimento. &ldquo;Um IGF bem conduzido representa um&nbsp;avan&ccedil;o para a constru&ccedil;&atilde;o coletiva e colaborativa de pol&iacute;ticas de governan&ccedil;a global relativas &agrave; Internet&rdquo;, afirma o pesquisador. <\/p>\n<p>A programa&ccedil;&atilde;o do IGF gira em torno de cinco eixos: Acesso, Abertura, Diversidade, Seguran&ccedil;a e Recursos Cr&iacute;ticos, que ser&atilde;o desenvolvidos atrav&eacute;s de diferentes modalidades de debate, como pain&eacute;is, workshops e as coaliz&otilde;es din&acirc;micas &ndash; grupos de discuss&atilde;o com representantes de governos e da sociedade civil, e que se estendem para al&eacute;m dos dias em que se realiza o F&oacute;rum. &ldquo;Desta forma, ao inv&eacute;s de ser um encontro de diplomatas, &eacute; um encontro de pessoas e de necessidades&rdquo; afirma Octaviani. &ldquo;O IGF est&aacute; sendo estruturado de uma forma que permite a realiza&ccedil;&atilde;o de reuni&otilde;es e simp&oacute;sios paralelos &agrave;s reuni&otilde;es principais, o que possibilita o interc&acirc;mbio de experi&ecirc;ncias e de solu&ccedil;&otilde;es adotadas em diversos paises&rdquo;, conclui.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p>Segundo Seiiti Arata Jr., membro do secretariado do IGF no escrit&oacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em Genebra, o IGF n&atilde;o &eacute; uma nova organiza&ccedil;&atilde;o internacional, nem tem o mandato para tomar decis&otilde;es, mas pode colaborar na forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o p&uacute;blica e gerar impacto nos processos de tomada de decis&atilde;o em outras inst&acirc;ncias. &quot;O que muitos desejam, incluindo o Brasil, &eacute; uma maior for&ccedil;a para o IGF, deixando de ser uma plataforma de di&aacute;logo para se tornar uma fonte de recomenda&ccedil;&otilde;es&quot;, defende Arata.<\/p>\n<p>Para Gustavo Gindre, &ldquo;a grande batalha &eacute; saber para que serve o IGF: governos e iniciativa privada querem esvaziar seu car&aacute;ter pol&iacute;tico e torn&aacute;-lo um espa&ccedil;o de capacita&ccedil;&atilde;o, mas o futuro da Internet &eacute; que vai ser o grande debate&rdquo;. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; terceira rodada do IGF, que acontecer&aacute; em 2008 na &Iacute;ndia, &nbsp;Gindre afirma que o governo indiano j&aacute; sinalizou que no ano que vem &ldquo;n&atilde;o vai colocar o dedo na ferida. Ou seja, se as coisas n&atilde;o andarem no Rio de Janeiro, dificilmente v&atilde;o andar em D&eacute;li&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>Governo e sociedade civil<\/p>\n<p><\/strong>Em reuni&atilde;o realizada no Itamaraty&nbsp; no dia 2 de outubro,&nbsp; o Minist&eacute;rio da Cultura, juntamente com o Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, elaborou o texto &ldquo;Elementos para a posi&ccedil;&atilde;o do governo brasileiro sobre governan&ccedil;a na Internet&rdquo; (http:\/\/www.cultura.gov.br\/blogs\/igf\/?p=40). O texto, que &eacute; definido como &ldquo;preliminar&rdquo; e &ldquo;em elabora&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz n&atilde;o representar posi&ccedil;&atilde;o oficial do governo brasileiro, apresenta conson&acirc;ncia com o manifesto das entidades da sociedade civil, especialmente em pontos como a necessidade de participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica de todos setores numa gest&atilde;o multilateral e transparente da Internet e de discuss&atilde;o dos custos de interconex&atilde;o internacional. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.nupef.org.br\/downloads\/PropostasdoCaucus-IGF-Br-1.doc\">Clique aqui para ter acesso ao manifesto.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entidades divulgam manifesto em que defendem a promo\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es abertos, a internacionaliza\u00e7\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o da ICANN, o respeito \u00e0 liberdade de express\u00e3o e a garantia do direito \u00e0 privacidade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[500],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19571"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19571"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19571\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}