{"id":19565,"date":"2007-10-24T13:01:49","date_gmt":"2007-10-24T13:01:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19565"},"modified":"2007-10-24T13:01:49","modified_gmt":"2007-10-24T13:01:49","slug":"alveolos-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19565","title":{"rendered":"Alv\u00e9olos da democracia"},"content":{"rendered":"<p>A t&atilde;o celebrada interatividade da Internet permite que um n&uacute;mero pequeno de pessoas possa ser ouvido por muitos. Um articulista escreve, outros comentam. Um rep&oacute;rter constr&oacute;i uma not&iacute;cia, seus leitores dizem o que pensam. Obviamente, isto &eacute; poss&iacute;vel quando existem canais para isto. Na Internet, a inexist&ecirc;ncia deles &eacute; superada pelos in&uacute;meros blogues, grupos de discuss&atilde;o, comunidades virtuais, p&aacute;ginas pessoais etc. <\/p>\n<p>&Eacute; imposs&iacute;vel pensar, nesta teia atual, a possibilidade de se censurar completamente o fluxo da opini&atilde;o. &Eacute; verdade, que existem v&aacute;rias tentativas neste sentido. A mais conhecida &eacute; a do controle nacional ou empresarial da liberdade de opini&atilde;o, exercida no meio eletr&ocirc;nico. Este n&atilde;o tem p&aacute;tria ou governo, mas depende de recursos econ&ocirc;micos, equipamentos e de pol&iacute;ticas de pa&iacute;ses, sociedades e grupos bem espec&iacute;ficos. O mesmo meio vive um paradoxo tecnopol&iacute;tico de dif&iacute;cil solu&ccedil;&atilde;o e que demanda esfor&ccedil;os expressivos de resist&ecirc;ncia. Pa&iacute;ses ricos e pobres, de in&uacute;meras orienta&ccedil;&otilde;es, registraram e ainda fomentam tentativas autorit&aacute;rias deste g&ecirc;nero. Mesmo neste meio, a opini&atilde;o continua sendo vigiada e controlada, lutando para se libertar de suas amarras. <\/p>\n<p>Escrever e publicar um coment&aacute;rio sobre um artigo guarda rela&ccedil;&atilde;o com as antigas se&ccedil;&otilde;es de cartas dos jornal&otilde;es tradicionais. Difere-se profundamente das mesmas, por serem coment&aacute;rios quase sempre imediatos, publicados na &iacute;ntegra e dirigidos ao autor de um artigo ou, mesmo, &agrave; discuss&atilde;o entre os pr&oacute;prios comentaristas. Nas velhas cartas, o endere&ccedil;o era o Jornal, um organismo p&uacute;blico ou privado, ou, ainda, um assunto ou pol&ecirc;mica espec&iacute;fica. Nos coment&aacute;rios de hoje, fala-se diretamente ao autor sobre o assunto que ele tratou. &Eacute; verdade que por vezes o &lsquo;tiro&rsquo; &eacute; dado em v&aacute;rias dire&ccedil;&otilde;es, usando-se do espa&ccedil;o para se falar de si pr&oacute;prio ou de outras pessoas. <\/p>\n<p>Tais coment&aacute;rios, existentes na imprensa empresarial e nanica difundidas pela Internet, consistem em fontes de rara significa&ccedil;&atilde;o para se compreender o mundo mental de classes e segmentos sociais do pa&iacute;s. Ao que parece, os comentaristas intern&eacute;ticos s&atilde;o, em sua maioria, jovens de at&eacute; 40 anos e pertencentes &agrave;s classes m&eacute;dias. Deduz-se isto, observando-se o acesso que disp&otilde;em, seus enfoques e modos de usar a l&iacute;ngua portuguesa. Eles s&atilde;o, tamb&eacute;m, &aacute;vidos consumidores de in&uacute;meras m&iacute;dias e se acham obrigados em dizer o que pensam, sobre o que l&ecirc;em. O n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia entre eles &eacute; muito diversificado, indo desde a milit&acirc;ncia, passando pela arrog&acirc;ncia, a superficialidade e a vontade leg&iacute;tima de retificar e contribuir para o debate. <\/p>\n<p>Existem os &lsquo;profissionais&rsquo;, e os que colaboram eventualmente em algum assunto ou emo&ccedil;&atilde;o que lhes s&atilde;o caros. &Eacute; verdade, que alguns est&atilde;o ali apenas para dizer n&atilde;o, para reafirmar diuturnamente suas discord&acirc;ncias. Outros escrevem para complementar ou apenas para reafirmar suas concord&acirc;ncias parciais ou totais com o que leram. Muitos l&ecirc;em e alguns, apenas, comentam, e isto &eacute; um problema a ser analisado. Os comentaristas podem ser entendidos como co-redatores das not&iacute;cias que vemos nas vers&otilde;es eletr&ocirc;nicas dos jornal&otilde;es, ou como cr&iacute;ticos dos artigos de fundo da imprensa nanica, transformada em bits. Por que assim se comportam? <\/p>\n<p>Os signos de seus comportamentos remetem diretamente a necessidade de novos canais democr&aacute;ticos, da reconstru&ccedil;&atilde;o da velha &Aacute;gora. O que se v&ecirc; &eacute; que os canais dispon&iacute;veis s&atilde;o poucos e ineficientes. Esta aceita&ccedil;&atilde;o dos leitores intern&eacute;ticos de participar, mesmo que nem sempre de modo polido e educado, demonstra como se est&aacute; longe da constru&ccedil;&atilde;o de uma verdadeira p&oacute;lis democr&aacute;tica. Nesta, a troca civilizada de argumentos permitiria que se compreendessem melhor os fen&ocirc;menos da contemporaneidade. <\/p>\n<p>N&atilde;o se acredita que a Internet seja o l&oacute;cus &uacute;nico desta democratiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e da argumenta&ccedil;&atilde;o. Ela &eacute; apenas um meio de comunica&ccedil;&atilde;o, poderoso, sem d&uacute;vida, mas, como os demais, cheio de limita&ccedil;&otilde;es. Pensa-se que a &Aacute;gora real &eacute; a das ruas, dos locais de trabalho e de estudo, a do di&aacute;logo direto entre as pessoas. Os parlamentos, nos tr&ecirc;s n&iacute;veis da governabilidade, est&atilde;o muito longe de oferecer &agrave;s pessoas os meios necess&aacute;rios para que troquem informa&ccedil;&otilde;es e argumentos. Sem esta troca, a democracia n&atilde;o tem chance de se consubstanciar entre as maiorias da popula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A imprensa nanica, sobretudo a veiculada pela Internet, preenche alguns alv&eacute;olos dos pulm&otilde;es da democracia formal brasileira e do mundo contempor&acirc;neo. Entretanto, n&atilde;o &eacute; capaz de fazer que funcionem &agrave; plena capacidade. Mesmo que aumentemos cada vez mais a audi&ecirc;ncia, algo ficar&aacute; faltando. Isto tem que ser buscado em toda parte da vida real, onde exista algu&eacute;m pronto para falar, escutar, debater e concluir. Os que escrevem artigos desejam, se poss&iacute;vel, ajudar nos debates, desde uma simples conversa at&eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica mais efetiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A t&atilde;o celebrada interatividade da Internet permite que um n&uacute;mero pequeno de pessoas possa ser ouvido por muitos. Um articulista escreve, outros comentam. Um rep&oacute;rter constr&oacute;i uma not&iacute;cia, seus leitores dizem o que pensam. Obviamente, isto &eacute; poss&iacute;vel quando existem canais para isto. 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