{"id":19564,"date":"2007-10-24T12:58:29","date_gmt":"2007-10-24T12:58:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19564"},"modified":"2007-10-24T12:58:29","modified_gmt":"2007-10-24T12:58:29","slug":"e-preciso-superar-o-analogico-para-pensar-a-tv-digital-vem-ai-a-p2ptv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19564","title":{"rendered":"\u00c9 preciso superar o anal\u00f3gico para pensar a TV digital: vem a\u00ed a P2PTV"},"content":{"rendered":"<p><em>A televis&atilde;o ponto a ponto, num ambiente distribu&iacute;do e sem centro, permite inovar nos projetos audiovisuais para o meio digital, que levem em conta a riqueza das redes.<\/em><\/p>\n<p>ATIOBE Programming Community pesquisa todo m&ecirc;s, as linguagens de programa&ccedil;&atilde;o mais populares no mundo. Em agosto &uacute;ltimo, podemos notar um avan&ccedil;o consider&aacute;vel da linguagem Lua, que aparece entre as 15 mais populares do planeta. O que talvez poucos saibam &eacute; que a Lua foi criada por brasileiros da PUC do Rio de Janeiro. Seu crescimento &eacute; decorr&ecirc;ncia de sua qualidade para desenvolver games, anima&ccedil;&otilde;es e, principalmente, conte&uacute;dos interativos para a TV Digital. Sua vantagem adv&eacute;m do conceito de metamecanismos, permitindo que a linguagem seja simples, enxuta e possa se integrar fortemente com c&oacute;digos escritos em outras linguagens, como C, C++, Perl, Fortran, entre outras. A Lua pode utilizar as bibliotecas escritas, por exemplo, em Java.<\/p>\n<p>Criada em 1993, a linguagem Lua &eacute; livre, sem restri&ccedil;&otilde;es de uso e de aplica&ccedil;&otilde;es. Seu c&oacute;digo &eacute; liberado. Segundo os mantenedores da Lua, ela &eacute; a &uacute;nica linguagem de programa&ccedil;&atilde;o de impacto desenvolvida fora do primeiro mundo. Atualmente, menos de 10% da comunidade de usu&aacute;rios da linguagem s&atilde;o de brasileiros. Lua &eacute; uma poderosa ferramenta para o futuro de converg&ecirc;ncia digital e de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos interativos. Para aqueles que diziam que o Brasil n&atilde;o possu&iacute;a capacidade tecnol&oacute;gica para produzir o seu pr&oacute;prio padr&atilde;o de TV digital ou que as grandes inova&ccedil;&otilde;es e inven&ccedil;&otilde;es est&atilde;o nas grandes empresas multinacionais, o exemplo da linguagem Lua, criada, desenvolvida e mantida no ambiente universit&aacute;rio, deveria faz&ecirc;-los pensar. Falta ao Brasil a cultura da ousadia. Podemos enfrentar problemas tecnol&oacute;gicos, se liberarmos a criatividade e utilizarmos as redes para compartilhar conhecimento. Estamos muito bem posicionados para desenvolvermos conte&uacute;dos e aplicativos que espelhem a diversidade cultural brasileira.<\/p>\n<p>Lua tamb&eacute;m ser&aacute; utilizada na camada intermedi&aacute;ria de software (middleware), que permite o desenvolvimento de aplica&ccedil;&otilde;es interativas para a TV digital. O Ginga &eacute; o middleware que ser&aacute; utilizado na TV digital brasileira. Foi desenvolvido pela Universidade Federal da Para&iacute;ba (UFPB) e pela PUC\/RJ com inova&ccedil;&otilde;es que tornar&atilde;o nosso middleware o mais avan&ccedil;ado do momento. As pessoas ter&atilde;o que adquirir um aparelho conversor dos sinais transmitidos digitalmente para que os aparelhos televisores anal&oacute;gicos possam funcionar. Este aparelho &eacute; chamado de setop box. E o Ginga ser&aacute; sua plataforma de software intermedi&aacute;ria, dispon&iacute;vel nas vers&otilde;es Ginga J e Ginga NCL, de acordo com as necessidades de programa&ccedil;&atilde;o. O desenvolvimento de programas audiovisuais interativos ser&aacute; o dia-a-dia das TVs digitais, p&uacute;blicas ou privadas, corporativas ou comunit&aacute;rias.<\/p>\n<p>Pensar como ser&aacute; a programa&ccedil;&atilde;o interativa &eacute; um desafio que pode ser compartilhado pelos desenvolvedores de audiovisual para al&eacute;m das emissoras de TV que controlam a radiodifus&atilde;o no Brasil. O meio digital aceita a reconfigura&ccedil;&atilde;o constante e o uso de padr&otilde;es e linguagens abertas, e permitir&aacute; a cria&ccedil;&atilde;o de aplica&ccedil;&otilde;es que nem podemos imaginar. Precisamos de pessoas que atuem na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para a converg&ecirc;ncia digital e realidades alternativas, como os games em rede. As aplica&ccedil;&otilde;es educacionais podem ser revolucionadas, se comunidades de educadores j&aacute; come&ccedil;arem a planejar usos que combinem a TV, o computador e os celulares.<\/p>\n<p><strong>Sinapses e diversidade<\/strong><\/p>\n<p>Talvez, o mais importante seja assumir uma postura P2P, peer-to-peer, e perceber que a diversidade &eacute; a matriz da amplia&ccedil;&atilde;o da nossa capacidade inventiva. O conhecimento est&aacute; nas redes, assim como a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o se concentra em um ou dois neur&ocirc;nios, ela vem da sinapse, das associa&ccedil;&otilde;es e conex&otilde;es em nosso c&eacute;rebro. As redes permitem essa criatividade quando podem livremente expressar a diversidade cultural. Assumir essa postura tamb&eacute;m passa por pensar que o mundo digital mal se estruturou e que o ciberespa&ccedil;o ainda est&aacute; em expans&atilde;o.<\/p>\n<p>O digital n&atilde;o convive bem com o est&aacute;tico. Os padr&otilde;es, protocolos, c&oacute;digos e linguagens digitais, quando abertas, s&atilde;o mais din&acirc;micas, n&atilde;o oferecem resist&ecirc;ncias e bloqueios &agrave; cria&ccedil;&atilde;o e recombina&ccedil;&atilde;o, a principal pr&aacute;tica da cibercultura. Assim, ser&aacute; preciso pensar como a TV digital ir&aacute; conviver com a TV sobre IP, a Internet Television, e com o que est&aacute; sendo chamado de P2PTV, peer-to-peer TV. Essa converg&ecirc;ncia ocorrer&aacute; em breve.<\/p>\n<p>O P2P &mdash; do qual uma das maiores express&otilde;es &eacute; o protocolo BitTorrent e softwares como o Emule e LimeWire &mdash; utiliza uma arquitetura de rede distribu&iacute;da, sem centralidade, onde cada m&aacute;quina cumpre as fun&ccedil;&otilde;es de servidor e cliente de informa&ccedil;&otilde;es. Essa id&eacute;ia aplicada na forma&ccedil;&atilde;o de redes de transmiss&atilde;o de v&iacute;deos pode revolucionar a TV pela internet. Com a expans&atilde;o da banda larga e da qualidade das aplica&ccedil;&otilde;es, com as possibilidades de pensar a interatividade para al&eacute;m da recep&ccedil;&atilde;o, podemos ampliar nossa criatividade.<\/p>\n<p>O uso de um sistema P2P na TV pela internet implicaria que todos os usu&aacute;rios de determinada programa&ccedil;&atilde;o ajudariam na distribui&ccedil;&atilde;o das imagens. Cada usu&aacute;rio que estivesse realizando um streaming converteria-se em pequeno servidor do mesmo v&iacute;deo que estivesse baixando. Desse modo, &eacute; poss&iacute;vel solucionar dois grandes problemas da transmiss&atilde;o broadcasting pela internet: diminui-se a carga do servidor e o tamanho da banda ocupada. Estudos indicam que a P2PTV poderia assegurar a um canal manter 100 mil conex&otilde;es simult&acirc;neas, sem a necessidade de uma banda gigantesca. Joost &eacute; um exemplo de um sistema de distribui&ccedil;&atilde;o de shows e outros v&iacute;deos pela web, usando a tecnologia peer-to-peer, criado por Niklas Zennstr&ouml;m e Janus Friis, fundadores do Skype e do Kazaa (<a href=\"http:\/\/www.joost.com\/\">www.joost.com\/<\/a>).<\/p>\n<p>A distribui&ccedil;&atilde;o P2P de v&iacute;deo viabiliza a P2PTV e poder&aacute; provocar nas audi&ecirc;ncias um grau elevado de participa&ccedil;&atilde;o. O modelo P2P viabiliza a TV dos coletivos digitais, das pessoas ativas e suas comunidades. O governo e suas ag&ecirc;ncias de fomento deveriam incentivar projetos P2P com o Ginga e a linguagem Lua, apenas para come&ccedil;ar a explorar reconfigura&ccedil;&otilde;es e recombina&ccedil;&otilde;es. Os ativistas de projetos tecnoculturais deveriam come&ccedil;ar a pensar no uso dessas novas tecnologias. Pensar o digital com a cabe&ccedil;a voltada para a riqueza das redes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A televis&atilde;o ponto a ponto, num ambiente distribu&iacute;do e sem centro, permite inovar nos projetos audiovisuais para o meio digital, que levem em conta a riqueza das redes. ATIOBE Programming Community pesquisa todo m&ecirc;s, as linguagens de programa&ccedil;&atilde;o mais populares no mundo. 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