{"id":19545,"date":"2007-10-22T15:23:41","date_gmt":"2007-10-22T15:23:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19545"},"modified":"2007-10-22T15:23:41","modified_gmt":"2007-10-22T15:23:41","slug":"a-cara-da-empresa-brasil-de-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19545","title":{"rendered":"A cara da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Tereza Cruvinel trocou a reda&ccedil;&atilde;o do jornal O Globo por um gabinete no sexto andar do bloco A da Esplanada dos Minist&eacute;rios, onde funciona a Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o do Governo Federal (Secom). Deixou para tr&aacute;s 24 anos de bons servi&ccedil;os prestados a um dos maiores di&aacute;rios do Brasil para assumir uma miss&atilde;o ousada: presidir a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), gestora da TV Brasil. Em uma pequena sala na Secom, onde est&aacute; instalada provisoriamente, Tereza Cruvinel recebeu a revista IMPRENSA para uma longa entrevista. <\/em><\/p>\n<p><strong>IMPRENSA &#8211; Como foi a sua despedida de O Globo?<br \/>Teresa Cruvinel<\/strong> &#8211; Considero que tenho uma trajet&oacute;ria vitoriosa no jornalismo, principalmente no pol&iacute;tico, onde fiz toda a minha carreira. Vivi os anos de transforma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas mais importantes do nosso pa&iacute;s. Tive o privil&eacute;gio de exercitar o jornalismo pol&iacute;tico por longos tempos, quase 21, em um espa&ccedil;o muito nobre que O Globo me confiou. O jornal me deu uma oportunidade extraordin&aacute;ria de desenvolver minha capacidade anal&iacute;tica e de observar a pol&iacute;tica com o que eu acho mais importante, que &eacute; a busca da compreens&atilde;o. <\/p>\n<p>Foram anos muito gratificantes e, por isso, explicitei a minha gratid&atilde;o ao O Globo por essa experi&ecirc;ncia e o jornal tamb&eacute;m, no texto de Rodolfo Fernandes, no dia da minha despedida, disse que est&aacute;vamos tendo uma separa&ccedil;&atilde;o amig&aacute;vel, emocionalmente dolorosa, mas que isso fazia parte da minha busca interior de passar outra etapa profissional. Ent&atilde;o, por essas raz&otilde;es profissionais, muito mais pessoais do que profissionais, o chamando interior a fazer coisas novas, ao inv&eacute;s de continuar a fazer por mais 10 anos aquilo que j&aacute; sabia a fazer muito bem, que aceitei o convite.<\/p>\n<p><strong>A senhora se lembra o dia em que recebeu o convite do ministro Franklin Martins?<\/strong><br \/>A quest&atilde;o da TV P&uacute;blica &eacute; do meu interesse. Quer dizer, eu tive outras oportunidades de deixar o que fazia, coluna pol&iacute;tica no O Globo e coment&aacute;rio na Globonews, mas s&oacute; um desafio que me sensibilizasse muito e fosse ao encontro dos meus interesses seria capaz de me levar a dar um passo t&atilde;o grande como dei. No sentido de trocar um lugar est&aacute;vel, uma trajet&oacute;ria bem sucedida, para uma constru&ccedil;&atilde;o que est&aacute; come&ccedil;ando do zero. Eu sempre acreditei que o Brasil tinha espa&ccedil;o para uma TV P&uacute;blica. <\/p>\n<p>H&aacute; muitos anos que existe essa discuss&atilde;o e muita gente acha que isso come&ccedil;ou ontem, pelo governo Lula. N&atilde;o &eacute; verdade. Um dia o ministro Franklin Martins me chamou para uma conversa geral sobre como anda o nosso mercado, a satisfa&ccedil;&atilde;o de cada um. Ele estava me sondando, mas eu n&atilde;o tinha entendido. E falamos da TV P&uacute;blica. Em suma, a conversa evoluiu por a&iacute;, se haveria disposi&ccedil;&atilde;o minha para fazer isso. Muita gente n&atilde;o acreditava, nem ele mesmo. Passei tr&ecirc;s dias pensando e disse a ele que ira conversar com o jornal, com os meus superiores. Fui ao Rio, tive uma conversa com Rodolfo Fernandes e outra com Jo&atilde;o Roberto Marinho. Foram conversas muito civilizadas, eu diria at&eacute; muito afetuosas, onde a minha decis&atilde;o estava muito bem formada. Sempre deixei claro isso. N&atilde;o tenho nenhuma insatisfa&ccedil;&atilde;o no jornal e nem com as organiza&ccedil;&otilde;es Globo. Foi um impulso meu de enfrentar esse desafio e assim foi formalizada a minha sa&iacute;da do O Globo. Acho que foi uma das sa&iacute;das mais amistosas porque nem sempre um desenlace de relacionamento profissional t&atilde;o longo &eacute; pacifico. E tivemos um desenlace muito legal.<\/p>\n<p><strong>Nesse per&iacute;odo &agrave; frente da coluna, qual foi a mat&eacute;ria mais marcante na sua carreira nacional?<\/strong><br \/>Trabalhei 24 anos no O Globo. Fui rep&oacute;rter de pol&iacute;tica. Na minha carreira de jornalista pol&iacute;tica, as coisas mais inesquec&iacute;veis est&atilde;o relacionada com o fim da ditadura. E a cobertura mais inesquec&iacute;vel &eacute; a campanha das diretas. Cobri alguns com&iacute;cios e as articula&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o era colunista. Como colunista, muitas coisas foram especialmente gratificantes, como uma campanha de inclus&atilde;o digital, que me rendeu o pr&ecirc;mio Unisys. No cotidiano da pol&iacute;tica, sempre procurei oferecer an&aacute;lise. Tive mais acertos do que erros.<\/p>\n<p><strong>A senhora acredita que experi&ecirc;ncia da TV Cultura de S&atilde;o Paulo pode ajudar a TV Brasil?<\/strong><br \/>A TV Cultura &eacute; uma experi&ecirc;ncia bem sucedida no sentido de que ela procurou pautar no modelo p&uacute;blico de gest&atilde;o, um Conselho Curador. Embora, ao longo dos governos, h&aacute; momentos de maior ou menor interven&ccedil;&atilde;o governamental. Esse &eacute; um risco permanente de toda a TV P&uacute;blica. Por isso, temos que ter todo cuidado e explicar &agrave; sociedade que a TV &eacute; sua, sendo que o Conselho &eacute; o seu representante. A id&eacute;ia pode ser resumida em uma pergunta que o ex-governador M&aacute;rio Covas fez: como &eacute; essa TV Cultura que eu pago, mas n&atilde;o mando?. O governo paga a TV P&uacute;blica, mas a sociedade, por meio do Conselho, deve control&aacute;-la. Nesse sentido a TV Cultura nos ensinou muito. Mas nenhum modelo &eacute; perfeito, acabado. A TV Cultura contribuiu com uma programa&ccedil;&atilde;o muito boa e diferenciada e provou que h&aacute; espa&ccedil;o para a TV P&uacute;blica produzir coisas diferentes no Brasil. Voc&ecirc; tem um programa como o &quot;Roda Viva&quot; que &eacute; vitorioso, talvez um dos programas mais vitoriosos da TV brasileira. A TV p&uacute;blica pode fazer coisas diferentes. <\/p>\n<p><strong>Falando de modelos, vamos pegar dois modelos bem diferentes: o da Venezuela e o brit&acirc;nico. Qual &eacute; o que mais se enquadra no caso brasileiro?<\/strong><br \/>A BBC &eacute; uma TV P&uacute;blica e &eacute; a experi&ecirc;ncia de mais &ecirc;xito no mundo porque tem mais independ&ecirc;ncia e, por isso, tem a rela&ccedil;&atilde;o mais tensa com o governo. A TV do Ch&aacute;vez &eacute; governamental. O nosso ideal, o espelho que a gente busca, n&atilde;o copiar, mas adaptar experi&ecirc;ncias &eacute; o modelo das TVs P&uacute;blicas europ&eacute;ias. Entre eles destaca-se a BBC. <\/p>\n<p><strong>E o financiamento da TV P&uacute;blica, como ser&aacute; feito. Ser&aacute; cobrado um imposto como acontece em alguns casos da Europa? Esses R$ 350 milh&otilde;es s&atilde;o suficientes?<\/strong><br \/>Isso est&aacute; definido na Medida Provis&oacute;ria. Claro que n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o no Brasil, pela nossa desigualdade e a carga tribut&aacute;ria que &eacute; alta, para cobrar um tributo como &eacute; na Inglaterra, Alemanha e Canad&aacute;. O modelo de financiamento que est&aacute; estabelecido na MP &eacute; dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria. Ent&atilde;o, os R$ 350 milh&otilde;es correspondem &agrave; dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria do ano que vem. O governo federal j&aacute; gasta R$ 220 milh&otilde;es com a TVE do Rio de Janeiro e com a Radiobr&aacute;s. Se voc&ecirc; fizer a conta, o acr&eacute;scimo est&aacute; sendo muito pequeno, de R$ 80 milh&otilde;es. E se voc&ecirc; considerar que v&aacute;rias TVs estaduais v&atilde;o entrar numa rede, v&atilde;o ter upgrade na sua programa&ccedil;&atilde;o, v&atilde;o prestar melhores servi&ccedil;os a popula&ccedil;&atilde;o, v&atilde;o produzir conte&uacute;do regional esses recursos est&atilde;o sendo otimizado. Na verdade n&atilde;o acho que &eacute; um investimento t&atilde;o significativo assim. Porque j&aacute; existe uma base de gasto. Com ou sem TV Brasil j&aacute; est&aacute; gastando. Al&eacute;m disso, existem outras fontes como publicidade institucional de empresas p&uacute;blicas, estatais e privadas, financiamento de produ&ccedil;&atilde;o com as leis de incentivo a cultura, Lei Rouanet, e podemos obter receita com doa&ccedil;&otilde;es. E temos tamb&eacute;m a possibilidade de prestar servi&ccedil;os aos governos federal, estadual ou setor privado, como uma produtora. N&oacute;s temos essa diretoria que vai ter essa possibilidade. Enfim, quando mais n&oacute;s ampliarmos a receita al&eacute;m da dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria, melhor para TV P&uacute;blica, melhor para a sua qualidade e para ela ser mais independente do Estado. <\/p>\n<p><strong>A TV P&uacute;blica j&aacute; tem data para entrar no ar? Como est&aacute; sendo o cronograma e a estrutura&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>O nosso objetivo &eacute; aproveitar o m&aacute;ximo poss&iacute;vel os quadros das duas institui&ccedil;&otilde;es: o da TVE e da Radiobr&aacute;s. Tem muita gente de qualidade. Alguma coisa, muito especifica, um quadro muito especial, n&oacute;s podemos pedir autoriza&ccedil;&atilde;o ao Conselho Administrativo para contratar. S&atilde;o casos muito especiais. Recentemente saiu uma not&iacute;cia dizendo que a TV P&uacute;blica pode contratar sem concurso. N&atilde;o se trata disso. N&atilde;o tem uma fila de inscri&ccedil;&otilde;es aqui aberta. Tamb&eacute;m n&atilde;o haver&aacute; demiss&otilde;es. No que tange ao cronograma, gostar&iacute;amos de aproveitar o dia 2 de dezembro, quando o Brasil entra na era digital, para unificar a programa&ccedil;&atilde;o das emissoras. Temos um canal novo em S&atilde;o Paulo, em sistema digital, que j&aacute; poderia estrear nesse dia. N&oacute;s gostar&iacute;amos de fazer coincidir a era digital com a era da TV P&uacute;blica em rede no Brasil. Mas precisamos avaliar se &eacute; poss&iacute;vel cumprir esse cronograma, pois h&aacute; provid&ecirc;ncias burocr&aacute;ticas que precisam ser tomadas para que nada escape da legalidade. Estamos levando com muita cautela e com muito cuidado. Se n&atilde;o for poss&iacute;vel cumprir esse cronograma, n&oacute;s vamos mud&aacute;-lo. <\/p>\n<p><strong>A senhora vai mudar para o Rio?<\/strong><br \/>A sede &eacute; no Rio, mas a central de jornalismo, dirigida pela Helena Chagas, fica em Bras&iacute;lia. Eu vou procurar estar presente um pouco no Rio, mas vou continuar morando no Distrito Federal. <\/p>\n<p><strong>Por que?<\/strong><br \/>Teresa Cruvinel &#8211; Porque a atividade de um presidente n&atilde;o &eacute; de executor da televis&atilde;o. N&atilde;o sou diretora executiva, &eacute; o Orlando Senna. A atividade de um presidente tem muito a ver com a representa&ccedil;&atilde;o e com as diretrizes gerais da televis&atilde;o, a interface com o Conselho e com a sociedade. Ent&atilde;o, quando as pessoas perguntam muito se eu j&aacute; dirigi uma televis&atilde;o, respondo que nunca dirigi. Mas n&atilde;o &eacute; isso que vou fazer no dia-a-dia. N&atilde;o vou operar a programa&ccedil;&atilde;o, o conte&uacute;do diretamente. Por isso que tem a figura do diretor geral executivo que &eacute; o Orlando Senna, um homem televis&atilde;o, de audiovisual e com experi&ecirc;ncia nessa &aacute;rea, al&eacute;m de uma diretoria de pessoas muito competente em suas respectivas &aacute;reas como Helena Chagas, no jornalismo e toda diretoria. <\/p>\n<p><strong>Por a sede ser no Rio, n&atilde;o dificulta a aprova&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/>As bancadas do Distrito Federal e de Goi&aacute;s v&ecirc;m express&atilde;o forte desejo e press&atilde;o para que a sede seja em Bras&iacute;lia. Mas n&oacute;s temos conversado com eles e demonstrado a dificuldade de transpor para o DF a maior unidade produtora de conte&uacute;do da futura rede que &eacute; a TVE. Como voc&ecirc; vai transferir uma unidade daquela para Bras&iacute;lia. &Eacute; uma unidade produzindo. Isso &eacute; criar custo. Agora, aqui vai ter um escrit&oacute;rio central e o jornalismo e algum outro conte&uacute;do ser&aacute; aqui. Na medida que a rede vai se constituindo, ampliando, veremos para onde se ela expande. Acho que h&aacute; muito futuro para a TV Brasil em Bras&iacute;lia, mas transpor a principal unidade produtiva para c&aacute; &eacute; invi&aacute;vel.<\/p>\n<p><strong>O debate dessa televis&atilde;o n&atilde;o est&aacute; muito concentrado no eixo Bras&iacute;lia-Rio-S&atilde;o Paulo?<\/strong><br \/>N&atilde;o &eacute; verdade. &Eacute; porque Bras&iacute;lia, S&atilde;o Paulo e Rio s&atilde;o unidades federais, mais Maranh&atilde;o porque TVE do Maranh&atilde;o &eacute; federal. S&atilde;o estruturas da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o, empresa gestora da TV Brasil. As outras TV educativas s&atilde;o estaduais. N&oacute;s n&atilde;o mandamos nela e desejamos construir uma rede. Est&atilde;o chegando pedidos seguidos de estados que querem firmar conv&ecirc;nio de ades&atilde;o para participar da Rede Brasil de Televis&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>Por falar em Conselho, como est&aacute; a forma&ccedil;&atilde;o? H&aacute; especula&ccedil;&otilde;es das entidades n&atilde;o governamentais que lan&ccedil;am nomes como Mano Brown. Como a senhora v&ecirc; essas especula&ccedil;&otilde;es?<\/strong><br \/>&Eacute; natural que muita gente queira entrar no Conselho da TV P&uacute;blica, &eacute; natural que haja implanta&ccedil;&atilde;o de nomes para ver se emplaca, &eacute; natural que as organiza&ccedil;&otilde;es pensem que ser&aacute; uma federa&ccedil;&atilde;o de entidades representativas da sociedade. Mas n&atilde;o &eacute; assim. A concep&ccedil;&atilde;o do Conselho &eacute; que ele seja composto com pessoas com grande representa&ccedil;&atilde;o da sociedade, mas, enquanto pessoas f&iacute;sicas, enquanto profissionais, enquanto intelectuais ou enquanto ativista de um setor. Mas n&atilde;o de entidade, n&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o de movimento sociais ou sindicais. Acabaria-se tendo uma esp&eacute;cie de partidariza&ccedil;&atilde;o. O que se busca &eacute; um conselho plural. Agora, eu, como presidente da diretoria executiva, n&atilde;o estou apitando na montagem do conselho. N&atilde;o devo.<\/p>\n<p><strong>Mas quem est&aacute; sugerindo esses nomes? O presidente Lula?<\/strong><br \/>Acho que o presidente Lula buscou a forma mais democr&aacute;tica de montar esse Conselho. Ele poderia tirar do bolso do colete. Mas o que ele fez foi convidar uma pessoa com tr&acirc;nsito muito largo na sociedade, de muita respeitabilidade que &eacute; o doutor Luiz Gonzaga Belluzzo e o encarregou de apresentar uma lista m&uacute;ltipla de nome. Agora fica uma pergunta: se n&atilde;o for o presidente, quem far&aacute; a nomea&ccedil;&atilde;o? Vamos fazer uma elei&ccedil;&atilde;o direta? Estudamos todos os conselhos de gest&atilde;o p&uacute;blica no mundo e, at&eacute; agora, n&atilde;o h&aacute; exemplo em que o Conselho Curador surja da pr&oacute;pria sociedade. Ningu&eacute;m descobriu uma f&oacute;rmula mais democr&aacute;tica. Na Inglaterra, por exemplo, a rainha apresenta nome ao primeiro-ministro. Quem apresenta para a rainha? Acho que n&atilde;o h&aacute; muito de como fugir desse esquema. Agora, o presidente da Rep&uacute;blica n&atilde;o pode destituir um Conselheiro. Quem pode destituir um Conselheiro s&atilde;o tr&ecirc;s quintos do pr&oacute;prio Conselho.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H&aacute; press&atilde;o de aparelhamento pol&iacute;tico desse Conselho?<\/strong><br \/>Olha, acho que se o presidente Lula quisesse fazer um Conselho para atender interesses pol&iacute;ticos, ele tiraria do bolso e indicava sem ouvir ningu&eacute;m. Acho que quando o Belluzzo divulga os nomes que apresentou, isso j&aacute; dificulta a eventual tentativa de aparelh&aacute;-lo. H&aacute; alguns crit&eacute;rios, como ningu&eacute;m do governo pode entrar e n&atilde;o haver&aacute; representantes de partidos. A n&atilde;o ser se que o Congresso fa&ccedil;a uma mudan&ccedil;a na MP, que inclua representantes das duas casas. N&atilde;o vejo nenhuma press&atilde;o. O que vejo s&atilde;o aspira&ccedil;&otilde;es, muita gente gostaria de ser membro do conselho.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas &eacute; um poder fascinante o da televis&atilde;o&#8230; &Eacute; um risco que se apresenta, caso sejam aceitam as press&otilde;es de pessoas de uma determinada tend&ecirc;ncia de assumir cargos chave dentro da TV.<\/strong><br \/>At&eacute; agora n&atilde;o vi nenhum nome que represente aparelhamento. Todos os nomes que devem estar na lista do doutor Belluzzo s&atilde;o representativos. Tenho certeza que o presidente Lula, ao escolher essas pessoas, estar&aacute; consciente de que &eacute; muito importante a representatividade desse primeiro Conselho para a credibilidade da TV p&uacute;blica. N&atilde;o tenho receio que esse Conselho tenha distor&ccedil;&otilde;es em sua finalidade.<\/p>\n<p><strong>Como a senhora est&aacute; vendo as cr&iacute;ticas que v&ecirc;m da oposi&ccedil;&atilde;o no Congresso a TV P&uacute;blica?<\/strong><br \/>Existem alguns parlamentares que acham que a TV &eacute; desnecess&aacute;ria, mas a cr&iacute;tica mais freq&uuml;ente que est&aacute; vindo do Congresso &eacute; o uso de medida provis&oacute;ria ao inv&eacute;s de projeto de lei. Sobre isso j&aacute; conversei com alguns parlamentares e pretendo conversar com muitos explicando duas coisas: a primeira, o porque da medida provis&oacute;ria? Seria ideal se tivesse um projeto de lei fosse discutido durante um ano no Congresso. Seria ideal se essa TV p&uacute;blica tivesse nascido do zero. Agora, quando envolve duas institui&ccedil;&otilde;es j&aacute; existentes (TVE e Radiobr&aacute;s), onde j&aacute; h&aacute; grande inseguran&ccedil;a sobre o futuro, sobre o que ser&aacute; feito dos funcion&aacute;rios, do patrim&ocirc;nio, acho uma temeridade ficar discutindo durante meses e as pessoas ficarem mais tempo expostas as incertezas. A outra quest&atilde;o &eacute; o dia 2, a entrada da TV digital. &Eacute; esse momento tecnol&oacute;gico novo que viabiliza a constitui&ccedil;&atilde;o da TV p&uacute;blica e gostar&iacute;amos de estar nesse calend&aacute;rio.<\/p>\n<p><strong>A senhora disse que quer conversar com muitos parlamentares. Antigamente, esses parlamentares eram a sua fonte. Hoje, est&aacute; trabalhando para aprova&ccedil;&atilde;o de um projeto. Como a senhora v&ecirc; essa invers&atilde;o de papel?<\/strong><br \/>Olha &eacute; uma mudan&ccedil;a de papel, mas n&atilde;o estou sentindo nenhum desconforto. Porque estou convencida da necessidade e da oportunidade rara, talvez a &uacute;ltima, de ter uma rede TV p&uacute;blica no Brasil. E quando voc&ecirc; esta convencida de que tem uma boa causa, reduz qualquer desconforto. N&atilde;o tenho dificuldades de conversar com nenhum segmento do Congresso. Fiz um jornalismo pluralista que sempre dialogou com todas for&ccedil;as pol&iacute;ticas. Hoje tenho canais e isso est&aacute; sendo um bom capital para exercer essa tarefa de debater. Tenho v&aacute;rias agendas no Congresso e irei em todos os f&oacute;runs para explicar a TV P&uacute;blica.<\/p>\n<p><strong>A senhora acredita que a MP da TV P&uacute;blica pode ter o mesmo caminho do Minist&eacute;rio do Futuro, quando foi rejeitado no Senado?<\/strong><br \/>N&atilde;o acredito nesse risco. Primeiro porque este epis&oacute;dio aconteceu no contexto de disputa m&aacute;xima na crise do Senado. Eu creio que a MP da TV P&uacute;blica vai ser votada em outro contexto. Segundo, aquilo foi um troco de uma bancada (PMDB) e foi mal gerida politicamente. N&oacute;s esperamos n&atilde;o cometer nenhum erro no gerenciamento da tramita&ccedil;&atilde;o da MP. Para isso mesmo que ser&aacute; feito esse trabalho de contato direto dos gestores com os parlamentares. &Eacute; claro que os ministros Franklin e Mares Guia v&atilde;o ajudar, os l&iacute;deres do governo, mas n&oacute;s, que vamos ser respons&aacute;veis pela implanta&ccedil;&atilde;o da TV, estaremos l&aacute; diretamente. Eu, Helena Chagas e Orlando Sena estamos dividindo tarefa nesse sentido.<\/p>\n<p><strong>A senhora acredita que quando sair da TV P&uacute;blica a sua credibilidade vai ficar abalada por participar do governo Lula?<\/strong><br \/>Duas coisas. Primeiro, embora n&atilde;o ache que trabalhar em governo n&atilde;o seja dem&eacute;rito profissional para ningu&eacute;m, muitos grandes profissionais trabalharam e voltaram para o mercado de trabalho, embora n&atilde;o veja nenhum problema nisso, estou indo dirigir uma institui&ccedil;&atilde;o independente que o governo patrocina. N&atilde;o estou trabalhando em uma atividade fim do governo. N&atilde;o sou ministra do governo, presidente de estatal. Vejo a TV p&uacute;blica independente que tem apoio do governo. Quanto as minhas dificuldades profissionais, n&atilde;o tenho receio sobre o meu futuro. Primeiro porque acho que tenho experi&ecirc;ncia profissional suficiente para fazer muitas coisas na vida. N&atilde;o sei o que vai se feito quando o meu mandato acabar. Se a MP for aprovada e a TV p&uacute;blica for vitoriosa, terei um mandato de 4 anos demiss&iacute;veis pelo conselho curador. Antes de ser jornalista, venho de uma longa trajet&oacute;ria, fiz muitas outras coisas. Se n&atilde;o tiver mais espa&ccedil;o no jornalismo, n&atilde;o terei dificuldades para sobreviver.<\/p>\n<p><strong>H&aacute; muito tempo a senhora vem sofrendo acusa&ccedil;&otilde;es de que tem liga&ccedil;&otilde;es com o PT, principalmente do Diogo Mainardi. Esses ataques pesaram na sua decis&atilde;o?<\/strong><br \/>Eu seria falsa se falasse que n&atilde;o senti nenhum desconforto, nenhum desagrado com isso. &Eacute; realmente muito desconfort&aacute;vel voc&ecirc; est&aacute; trabalhando, dando o melhor de si, fazendo o jornalismo de sempre, meu jornalismo &eacute; o mesmo de 20 atr&aacute;s, pautado pelo significado dos fatos. Mas n&atilde;o foi isso que pesou na minha decis&atilde;o, esse tipo de ataque sofro desde 2004. No governo Fernando Henrique, tamb&eacute;m, muita gente gostava de dizer que eu era serrista porque cobri as atividades do ministro Jos&eacute; Serra, que foi excelente Ministro da Sa&uacute;de. Ent&atilde;o isso vem de longe. Mas como a luta pol&iacute;tica se acerbou no governo Lula, esse tipo de proje&ccedil;&atilde;o da luta pol&iacute;tica no jornalismo aumentou. Mas isso n&atilde;o pesou na minha decis&atilde;o. Isso vem acontecendo. Passei por isso no outro governo, nesse, mas n&atilde;o foi isso que pesou. Acho que o jornalismo passa por um momento dif&iacute;cil por conta dessa ocorr&ecirc;ncia mais acuda de intoler&acirc;ncias e de proje&ccedil;&atilde;o de luta pol&iacute;tica. Mas o jornalismo &eacute; uma atividade eterna, mas bela profiss&atilde;o do mundo, maior que essas dificuldades conjunturais. <\/p>\n<p><strong>A senhora quando sofreu esses ataques do Diogo Mainardi ficou muito calada. Voc&ecirc; tem alguma coisa uma reposta para ele?<\/strong><br \/>N&atilde;o tenho nada a dizer a ele. O meu trabalho &eacute; que fala por mim. O meu trabalho na minha sa&iacute;da foi amplamente reconhecido pelas pessoas que entendem no jornalismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da EBC quer adaptar ao Brasil modelo das TVs europ\u00e9ias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[492],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19545"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19545"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19545\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}