{"id":19541,"date":"2007-10-22T12:48:11","date_gmt":"2007-10-22T12:48:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19541"},"modified":"2007-10-22T12:48:11","modified_gmt":"2007-10-22T12:48:11","slug":"populacao-resiste-a-mudancas-no-fuso-horario-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19541","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o resiste a mudan\u00e7as no fuso hor\u00e1rio local"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>Debate sobre fuso hor&aacute;rio segue marcado pelos interesses das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, mas algumas vozes lembram que &eacute; preciso promover a diversidade e n&atilde;o acabar com ela.<\/p>\n<p><\/em><\/span><span>A tentativa dos radiodifusores de burlar a exig&ecirc;ncia de respeito ao hor&aacute;rio local definida pela Portaria da Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa e a conseq&uuml;ente ades&atilde;o de parlamentares a um poss&iacute;vel projeto de unifica&ccedil;&atilde;o dos fusos hor&aacute;rios do Brasil &eacute; vista com s&eacute;rias ressalvas por moradores das regi&otilde;es Norte e Centro-Oeste. Apesar de alguns meios de comunica&ccedil;&atilde;o informarem que diversos setores sociais estariam a favor da extin&ccedil;&atilde;o dos fusos, vozes levantam-se naqueles estados para apontar os interesses comerciais e a aus&ecirc;ncia de debate real sobre o tema.<\/p>\n<p><\/span><span>No Acre, o debate arrasta-se h&aacute; mais tempo, por conta do projeto original de adequa&ccedil;&atilde;o dos rel&oacute;gio acreanos ao hor&aacute;rio dos demais estados do Norte. Mas, segundo o agr&ocirc;nomo Evandro Ferreira, pesquisador do Instituto de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa) <\/span><span>em Rio Branco<\/span><span>, isso n&atilde;o significa que a discuss&atilde;o esteja avan&ccedil;ada ou acontecendo com a considera&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es distintas.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo Ferreia, os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o acreanos apresentam a mudan&ccedil;a do fuso como uma id&eacute;ia que conta com apoio total da popula&ccedil;&atilde;o, mas quem fala a favor da medida s&atilde;o sempre os pr&oacute;prios empres&aacute;rios de TV e representantes da ind&uacute;stria e do com&eacute;rcio, al&eacute;m dos pol&iacute;ticos que t&ecirc;m defendido a proposta. &ldquo;H&aacute; inclusive uma coleta de assinaturas para convocar um plebiscito, mas ela &eacute; sempre apresentada como uma coleta a favor da mudan&ccedil;a. Eu, por exemplo, quero que haja o plebiscito para poder votar contra&rdquo;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p><\/span><span>O plebiscito citado por Ferreira na verdade j&aacute; foi apresentado pelo senador Ti&atilde;o Viana (PT-AC) em um projeto que complementa a sua proposta original, de adequa&ccedil;&atilde;o do fuso do Acre ao dos demais estados da regi&atilde;o Norte. Esta consulta, portanto, n&atilde;o versaria sobre a unifica&ccedil;&atilde;o total do hor&aacute;rio brasileiro ao fuso de Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p><\/span><span>A mudan&ccedil;a no fuso hor&aacute;rio acreano era apresentada como uma quest&atilde;o de integra&ccedil;&atilde;o do estado &agrave; regi&atilde;o. Agora, com a proposta radicalizada de unifica&ccedil;&atilde;o total dos fusos hor&aacute;rios, surge o debate sobre a programa&ccedil;&atilde;o de TV e a discuss&atilde;o atravessa os limites da fronteira estadual.<\/p>\n<p><\/span><span>De Manaus, o jornalista Deocleciano Souza descreve a ironia da medida, no Blog do Rogelio Casado, afirmando que &ldquo;quem n&atilde;o vai gostar muito s&atilde;o os galos acostumados a cantarem &agrave;s 5 da matina&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>Souza lembra ainda que &ldquo;vamos revogar, de uma s&oacute; vez, os estudos milenares realizados por Galileu, Sir Isaac Newton e o relojoeiro brit&acirc;nico John Harrison, que ganhou o pr&ecirc;mio de vinte mil libras esterlinas ao construir um rel&oacute;gio que tinha uma precis&atilde;o de um segundo num m&ecirc;s, acertando o seu rel&oacute;gio na cidade de Greenwich&rdquo; para atender &ldquo;interesses pessoais&rdquo;. Tais interesses seriam os dos radiodifusores, que n&atilde;o estariam dispostos a gastar com equipamentos e pessoal para prover a adequa&ccedil;&atilde;o da grade de programa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Tamb&eacute;m lembrando que a unifica&ccedil;&atilde;o &eacute; &ldquo;tentativa dos pol&iacute;ticos e financistas e marqueteiros&rdquo;, o jornalista Antonio Alves, do Acre, escreve em seu blog sua contrariedade a qualquer proposta de mudan&ccedil;a na hora acreana. &ldquo;Pra mim, ressalvadas a varia&ccedil;&atilde;o das esta&ccedil;&otilde;es, que junto &agrave; linha do equador &eacute; muito pequena, o sol nasce &agrave;s seis da manh&atilde;, est&aacute; a pino ao meio-dia e se p&otilde;e &agrave;s seis da tarde. Bras&iacute;lia, se quiser, que mude.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>O agr&ocirc;nomo Ferreira traz para o debate o estilo de vida dos povos do Norte. &ldquo;Para quem vive na cidade, tudo acontece de manh&atilde; cedo, quando ainda &eacute; fresco. Por isso, Rio Branco j&aacute; est&aacute; agitada &agrave;s 7 da manh&atilde;. Se igualar a Bras&iacute;lia, ainda vai estar escuro &agrave;s <\/span><span>7&rdquo;<\/span><span>, comenta. &ldquo;Al&eacute;m disso, para os povos da floresta, para o seringueiro, n&atilde;o importa o que diz o rel&oacute;gio: importa que o sol nasce e &eacute; nesta hora que ele est&aacute; de p&eacute;, trabalhando.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; a escritora acreana Leila Jalul, gostaria &ldquo;muito que os Estados amaz&ocirc;nicos, de culturas t&atilde;o diversas, pudessem ser aproximados por iniciativa de seus representantes, n&atilde;o para formarem um bloco homog&ecirc;neo, mas para discutirem quest&otilde;es comuns&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Lembrando ainda a necessidade de a TV respeitar os hor&aacute;rios especiais de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a e ao adolescente, Ferreira diz que a solu&ccedil;&atilde;o j&aacute; est&aacute; prevista nas regras da Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa: &ldquo;As empresas se adequam &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o e pronto.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Grade de ferro<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Apesar de o primeiro argumento a favor da unifica&ccedil;&atilde;o dos fusos hor&aacute;rios lembrado pelo presidente do Sindicato das Empresas de R&aacute;dio e Televis&atilde;o do Amazonas (Sinderpam), Rui Alencar, ser o custo da grava&ccedil;&atilde;o de toda a programa&ccedil;&atilde;o para posterior exibi&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso ir al&eacute;m da superf&iacute;cie do planejamento financeiro das empresas locais para entender o problema da adequa&ccedil;&atilde;o. O problema real est&aacute; no tipo de rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre as afiliadas e as cabe&ccedil;as-de-rede.<\/p>\n<p><\/span><span>Quem descreve o drama &eacute; o pr&oacute;prio Alencar. Quando questionado pelo Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o sobre a organiza&ccedil;&atilde;o dos sistemas de TV em pa&iacute;ses continentais como o Brasil, caso dos Estados Unidos, onde o territ&oacute;rio est&aacute; divido em 5 fusos hor&aacute;rios (desconsiderando ainda o Alasca e o Hava&iacute;), Alencar ressaltou: &ldquo;Ah, mas l&aacute; existe uma coisa chamada flexibiliza&ccedil;&atilde;o da grade de programa&ccedil;&atilde;o&#8230;&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>E seguiu a explica&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Aqui, o nosso contrato nos obriga a n&atilde;o mudar a grade e s&oacute; usar aqueles determinados hor&aacute;rios para programa&ccedil;&atilde;o local. S&oacute; para seguir a portaria como est&aacute; a gente j&aacute; estaria quebrando o contrato.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>A flexibiliza&ccedil;&atilde;o, ou seja, a possibilidade das emissoras locais usarem a programa&ccedil;&atilde;o gerada na cabe&ccedil;a-de-rede no hor&aacute;rio conveniente pode ser tamb&eacute;m associada &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do local. No caso espec&iacute;fico, programas regionais poderiam completar a grade de programa&ccedil;&atilde;o de cada emissora de forma a cobrir buracos entre as trasmiss&otilde;es ao vivo (por exemplo, telejornais e jogos de futebol) e o hor&aacute;rio previsto para programas gravados (novelas, humor&iacute;sticos, s&eacute;ries, etc.).<\/p>\n<p><\/span><span>Para Alencar, no entanto, isto simplesmente n&atilde;o &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o. Primeiro, o presidente do Sinderpam insistiu na impossibilidade de mexer na grade de ferro desenhada pelas cabe&ccedil;as-de-rede. &ldquo;O jornal e o futebol n&atilde;o s&atilde;o classificados, mas o programa anterior &eacute; e o seguinte tamb&eacute;m. A&iacute;, o jornal vai passar &agrave;s 19h aqui, mas neste hor&aacute;rio tinha que estar a novela, e o futebol entra &agrave;s 20h45, quando tinha de estar entrando no ar a outra novela&#8230; Como vai encaixar isso a&iacute;?&rdquo;, questionou.<\/p>\n<p><\/span><span>Em seguida, levanta o problema do custo da produ&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Tem muita emissora pequena aqui na regi&atilde;o que n&atilde;o tem condi&ccedil;&atilde;o de produzir&rdquo;, afirmou. Ou seja, para os radiodifusores do Norte, a regionaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma prioridade.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Debate sobre fuso hor&aacute;rio segue marcado pelos interesses das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, mas algumas vozes lembram que &eacute; preciso promover a diversidade e n&atilde;o acabar com ela. 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