{"id":19536,"date":"2007-10-22T11:44:13","date_gmt":"2007-10-22T11:44:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19536"},"modified":"2007-10-22T11:44:13","modified_gmt":"2007-10-22T11:44:13","slug":"apos-12-anos-lei-da-tv-a-cabo-corre-risco-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19536","title":{"rendered":"Ap\u00f3s 12 anos, Lei da TV a Cabo corre risco de morte"},"content":{"rendered":"<p><em><em>O avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico ampliou de formas variadas a propaga&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do,&nbsp;mas a televis&atilde;o ainda domina a cena como meio de comunica&ccedil;&atilde;o, presente em 93% das casas brasileiras. Nesse universo, a TV a cabo ocupa apenas 8%. A lei 8977\/2005, que disp&otilde;e sobre o servi&ccedil;o de cabodifus&atilde;o, foi tida como sucesso do ponto de vista pol&iacute;tico e regulat&oacute;rio&nbsp;naquela &eacute;poca. Conhecida como &quot;lei do cabo&quot;, ela enfraqueceu e perdeu elementos importantes nos &uacute;ltimos anos. A falta de financiamento de um canal pr&oacute;prio, de pacotes mais acess&iacute;veis e de um melhor aproveitamento da infra-estrura s&atilde;o alguns aspectos apontados por especialistas do setor como causadores das limita&ccedil;&otilde;es que enfrenta a cabodifus&atilde;o no Pa&iacute;s. <\/p>\n<p><\/em><\/em>Janeiro de 1995 foi a data que p&ocirc;s fim aos 20 anos de &quot;guerra do cabo&quot;. Uma vit&oacute;ria importante para o pa&iacute;s no campo das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; quando a &quot;lei do cabo&quot; foi aprovada&nbsp;no Congresso e promulgada pelo Executivo.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o de Celso Augusto Schr&ouml;der, Coordenador-geral do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil\/LEIS\/L8977.htm\">a lei do cabo <\/a>foi a primeira e a mais p&uacute;blica das leis brasileiras em comunica&ccedil;&atilde;o.&nbsp;O mesmo&nbsp;sustenta o professor e pesquisador da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) Val&eacute;rio Brittos: &ldquo;&Eacute; uma lei avan&ccedil;ada, se comparada ao hist&oacute;rico brasileiro, que &eacute; de baix&iacute;ssima participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil&rdquo;, afirma. Assim tamb&eacute;m v&ecirc; o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, quando diz que a conquista teve in&uacute;meros m&eacute;ritos. Para Annenberg, a lei procurou contemplar as v&aacute;rias vis&otilde;es daquela &eacute;poca sobre a problem&aacute;tica da TV por assinatura. <\/p>\n<p>Uma das principais conquistas da lei foi a obrigatoriedade da presen&ccedil;a de emissoras p&uacute;blicas, comunit&aacute;rias e universit&aacute;rias na TV por assinatura sem custo algum. Contudo, pontos previstos na lei n&atilde;o foram postos em pr&aacute;tica. Entre eles, o que obrigava os operadores a carregar dentro do seu sistema os seus concorrentes. <\/p>\n<p>Agora, 12 anos ap&oacute;s sua promulga&ccedil;&atilde;o, ocorre o seu enfraquecimento e surge a amea&ccedil;a de uma poss&iacute;vel &ldquo;morte&rdquo;. Entre seus principais algozes est&atilde;o o alto custo das mensalidades e o n&atilde;o compartilhamento da estrutura. Daniel Herz, o principal idealizador da legisla&ccedil;&atilde;o (falecido em maio de 2006) dizia que se ela tivesse sido corretamente aplicada, teria surtido um grande efeito na utiliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica dos canais de TV por assinatura. <\/p>\n<p>No momento em que se acentua a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, a lei do cabo deveria ser repensada, segundo Brittos. Em sua avalia&ccedil;&atilde;o, ela deveria ser substitu&iacute;da por uma lei de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica que tratasse desse processo de converg&ecirc;ncia de &aacute;udio e v&iacute;deo, considerando os servi&ccedil;os pagos e abertos. &ldquo;Cada um no sistema espec&iacute;fico, mas tratado na mesma lei&rdquo;, explica. <\/p>\n<p><strong>Ocupar o lugar de vanguarda da digitaliza&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong>Annenberg lembra que a lei estabeleceu uma participa&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima de capital estrangeiro de 49% no capital das empresas de TV a cabo, determina&ccedil;&atilde;o que acabou tendo conseq&uuml;&ecirc;ncias graves em termos de investimentos em infra-estrutura. Na sua opini&atilde;o, a medida em que se removerem os obst&aacute;culos ao capital estrangeiro, ser&aacute; poss&iacute;vel expandir as redes. &ldquo;O objetivo, daqui pra frente, em termos de infra-estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es, &eacute; capilarizar ao m&aacute;ximo as redes de banda larga e as redes de TV a cabo s&atilde;o aquelas que est&atilde;o mais pr&oacute;ximas disso.&quot; Outra quest&atilde;o levantada por Annenberg refere-se &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente e nacional. &ldquo;Para as empresas de TV por assinatura poderem oferecer conte&uacute;do nacional, tem que se valerem de uma produ&ccedil;&atilde;o independente, que no pa&iacute;s sofre muitas limita&ccedil;&otilde;es. Faltam leis de fomento de incentivos, de viabiliza&ccedil;&atilde;o dessa produ&ccedil;&atilde;o. Isso deveria partir de uma pol&iacute;tica nacional de conte&uacute;do nacional de qualidade&rdquo;, finaliza.<\/p>\n<p>Schr&ouml;der acredita que os problemas enfrentados pela lei do cabo n&atilde;o decorrem da falta de capital e sim de gest&atilde;o mal conduzida. Para ele, a ambig&uuml;idade de ser &quot;tele&quot; no sentido t&eacute;cnico &quot;radiodifus&atilde;o&quot; no sentido de conte&uacute;do dever ser legalmente respeitada. mas isto n&atilde;o equivale &agrave; abertura do capital para estrangeiros, ao modo das teles. O que n&atilde;o impede a busca de formas de financiamento adequados &agrave;s operadoras de Tv reguladas pela lei do cabo. <\/p>\n<p>Conforme Schr&ouml;der, na aus&ecirc;ncia de uma lei para a produ&ccedil;&atilde;o independente e regional, a TV a cabo se transformou numa reprodutora de sistemas comerciais, uma importadora de canais de baixa qualidade na sua maioria. E sem inser&ccedil;&atilde;o regional, devido aos custos. Para o Coordenador ela s&oacute; ter&aacute; um futuro razo&aacute;vel integrando-se &agrave; rede digital &#8211; se essa rede for, al&eacute;m de digital, uma rede inteligente, de informa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A TV a cabo foi um sucesso do ponto de vista p&uacute;blico, mas apresentou limites quanto ao ponto de vista do neg&oacute;cio. Era um mecanismo que poderia proporcionar a universaliza&ccedil;&atilde;o de bens culturais, se mais pessoas tivessem acesso, opina Schr&ouml;der. &ldquo;Antes da morte de Daniel, ele estava produzindo uma tentativa de atualiza&ccedil;&atilde;o e negociando com a ABTA formas de barateamento, que passavam primeiro pela universaliza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, na medida em que ele pode ser n&atilde;o s&oacute; transmissor e condutor de entretenimento, mas tamb&eacute;m deve ser a vanguarda de digitaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, lembra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico ampliou de formas variadas a propaga&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do,&nbsp;mas a televis&atilde;o ainda domina a cena como meio de comunica&ccedil;&atilde;o, presente em 93% das casas brasileiras. Nesse universo, a TV a cabo ocupa apenas 8%. 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