{"id":19519,"date":"2007-10-29T00:00:00","date_gmt":"2007-10-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19519"},"modified":"2007-10-29T00:00:00","modified_gmt":"2007-10-29T00:00:00","slug":"contratos-de-gaveta-formalizam-outorgas-a-margem-da-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19519","title":{"rendered":"Contratos de gaveta formalizam outorgas \u00e0 margem da lei"},"content":{"rendered":"<p>A possibilidade de transfer&ecirc;ncia de outorgas para explora&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o est&aacute; prevista no c&oacute;digo que d&aacute; origem ao regulamento do setor, datado de outubro de 1963, no Decreto 52.795. No entanto, o artigo 90 esclarece que &ldquo;nenhuma transfer&ecirc;ncia, direta ou indireta, de concess&atilde;o ou permiss&atilde;o, poder&aacute; se efetivar sem pr&eacute;via autoriza&ccedil;&atilde;o do governo federal, sendo nula, de pleno direito, qualquer transfer&ecirc;ncia efetivada sem observ&acirc;ncia desse requisito&rdquo;.<\/p>\n<p>Isso, por&eacute;m, nunca acontece, segundo o pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica, da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), Ven&iacute;cio Arthur de Lima. &ldquo;Determinado grupo recebe a concess&atilde;o e faz um contrato de gaveta (transfer&ecirc;ncia de concess&atilde;o ou permiss&atilde;o sem o conhecimento do governo). Tem a concess&atilde;o legal, mas, na verdade, transfere para outros&rdquo;, testemunha. Ele revela ainda que se trata de uma pr&aacute;tica comum e de conhecimento geral. &ldquo;O caos regulat&oacute;rio do setor &eacute; total e vem servindo a interesses espec&iacute;ficos ao longo do tempo&rdquo;, avalia o pesquisador.<\/p>\n<p>Os contratos de gaveta, muitas vezes, acabam acobertando a propriedade de r&aacute;dios e tev&ecirc;s por parte de parlamentares. Ven&iacute;cio Lima divulgou, em junho, uma pesquisa apontando que 50% das mais de duas mil emissoras comunit&aacute;rias autorizadas a funcionar pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es pertencem a pessoas ligadas a pol&iacute;ticos. Em den&uacute;ncia recente, por exemplo, a revista Veja (edi&ccedil;&atilde;o 2020) acusou o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), de possuir duas r&aacute;dios em Alagoas, com patrim&ocirc;nio avaliado em R$ 2,5 milh&otilde;es. As emissoras teriam sido compradas por meio de contratos de gaveta e, para esconder seu nome, o peemedebista teria usado laranjas. Os partidos PSol e Dem protocolaram den&uacute;ncia ao Conselho de &Eacute;tica do Senado, que est&aacute; investigando o caso.<\/p>\n<p>Embora um grande n&uacute;mero de concess&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o esteja em m&atilde;os de parlamentares, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) prop&ocirc;s, em 2006, a cria&ccedil;&atilde;o de uma subcomiss&atilde;o, na tentativa de dar &agrave; Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) melhores subs&iacute;dios e condi&ccedil;&otilde;es para apreciar os pedidos de renova&ccedil;&atilde;o e concess&atilde;o de outorgas encaminhados pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. A Subcomiss&atilde;o Especial de Radiodifus&atilde;o foi instalada em mar&ccedil;o deste ano. Para a parlamentar socialista, que est&aacute; h&aacute; oito anos no Congresso e na CCTCI, o que mais incomodava era n&atilde;o ter como avaliar uma solicita&ccedil;&atilde;o de outorga, pois faltavam documentos. &ldquo;T&iacute;nhamos que dar um parecer no escuro. Simplesmente sim ou n&atilde;o, sem ter condi&ccedil;&otilde;es objetivas de avaliar o m&eacute;rito da outorga ou da renova&ccedil;&atilde;o&rdquo;, contou Erundina, presidente da Subcomiss&atilde;o.<\/p>\n<p>Em maio, a Subcomiss&atilde;o divulgou relat&oacute;rio com modifica&ccedil;&otilde;es feitas no Ato Normativo n&ordm;1 da CCTCI. Agora, todos os processos que n&atilde;o apresentarem documenta&ccedil;&atilde;o completa n&atilde;o ser&atilde;o devolvidos ao Minist&eacute;rio da Comunica&ccedil;&atilde;o, como ocorria anteriormente. Se num prazo de 90 dias as pend&ecirc;ncias n&atilde;o forem resolvidas pelas entidades que pedem a outorga ou a renova&ccedil;&atilde;o, o presidente da Comiss&atilde;o dever&aacute;, imediatamente, distribuir o processo para relatoria, com recomenda&ccedil;&atilde;o pela rejei&ccedil;&atilde;o da solicita&ccedil;&atilde;o. Atualmente, a CCTCI &eacute; presidida pelo deputado Julio Semeghini (PSDB-SP). As altera&ccedil;&otilde;es no Ato Normativo est&atilde;o valendo para processos recebidos pelo Congresso Nacional a partir de 1&ordm; de julho deste ano.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o ao repasse de concess&otilde;es, a deputada &eacute; enf&aacute;tica: &ldquo;Um propriet&aacute;rio n&atilde;o pode transferir a outorga para outro sem a intermedia&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio. Quem faz isso, se vale do contrato de gaveta&rdquo;. No documento elaborado pela Subcomiss&atilde;o de Radiodifus&atilde;o, h&aacute; propostas baseadas em contribui&ccedil;&otilde;es recebidas de representantes da sociedade civil e &oacute;rg&atilde;os governamentais ouvidos durante audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas. O F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), presente em uma dessas audi&ecirc;ncias, defendeu o car&aacute;ter p&uacute;blico das concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o e a adequa&ccedil;&atilde;o ao princ&iacute;pio da contrapartida social como compromisso das concession&aacute;rias.<\/p>\n<p>Algumas a&ccedil;&otilde;es, sobretudo aquelas relacionadas &agrave; transpar&ecirc;ncia e &agrave; celeridade dos processos, n&atilde;o dependem de mudan&ccedil;as em dispositivos legais para serem aplicadas e podem ser adotadas diretamente pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, pela Casa Civil e pela Anatel. Entre elas, a divulga&ccedil;&atilde;o detalhada na internet de informa&ccedil;&otilde;es sobre processos de outorga e renova&ccedil;&atilde;o. Os mecanismos de busca oferecidos ao p&uacute;blico, pelo Minicom, precisam ser estendidos, de modo a possibilitar pesquisas de emissoras por propriet&aacute;rios e localidades, por exemplo. A relatora da Subcomiss&atilde;o, deputada Maria do Carmo Lara (PTMG), prev&ecirc; que at&eacute; o fim do m&ecirc;s de outubro um portal j&aacute; deva estar no ar, mas ressalta que os dados dispon&iacute;veis ser&atilde;o relacionados aos procedimentos recebidos a partir de julho deste ano. A medida, avalia a Subcomiss&atilde;o, operar&aacute; como &ldquo;importante instrumento de controle social&rdquo;, uma vez que permitir&aacute; &agrave; sociedade denunciar transfer&ecirc;ncias de concess&otilde;es e permiss&otilde;es de radiodifus&atilde;o, pr&aacute;tica de dif&iacute;cil fiscaliza&ccedil;&atilde;o pelo poder p&uacute;blico.<\/p>\n<p><strong>Falta transpar&ecirc;ncia<\/strong><br \/>A Subcomiss&atilde;o pediu ainda mais transpar&ecirc;ncia por parte do poder Executivo nos processos de outorga e renova&ccedil;&atilde;o. Maria do Carmo ressaltou que, at&eacute; o final do ano, todos os assuntos relacionados aos procedimentos de outorga de servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o ser&atilde;o discutidos em um amplo relat&oacute;rio que est&aacute; sendo elaborado e que pretende fazer um diagn&oacute;stico completo do setor. &ldquo;Agora n&oacute;s sabemos que essas quest&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o f&aacute;ceis de resolver, h&aacute; muitos interesses representados na C&acirc;mara, no Congresso. Por isso, estamos tratando disso com debate, para construirmos o que for poss&iacute;vel na Subcomiss&atilde;o e na CCTCI&rdquo;.<\/p>\n<p>Entre os temas debatidos, Erundina destaca que est&aacute; sendo constru&iacute;da uma proposta de emenda constitucional para ser entregue ao governo com o objetivo de corrigir imprecis&otilde;es no artigo 54 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que, teoricamente, pro&iacute;be a outorga e licen&ccedil;a de r&aacute;dio e TV para detentores de cargos p&uacute;blicos, mas que, por falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o adequada, acaba deixando brechas para aquisi&ccedil;&otilde;es de concess&otilde;es.<\/p>\n<p>Luiza Erundina n&atilde;o poupa o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. &ldquo;As juntas comerciais s&oacute; registram a transa&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o processo passar pelo Minist&eacute;rio, que sequer tem um cadastro atualizado&rdquo;, critica a parlamentar. Na avalia&ccedil;&atilde;o da deputada, sem mecanismos adequados de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e controle, a tend&ecirc;ncia &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es se agravar, especialmente a partir da incorpora&ccedil;&atilde;o das novas tecnologias como as TVs e r&aacute;dios digitais. O relat&oacute;rio da Subcomiss&atilde;o apontou como imprescind&iacute;vel a reabertura das delegacias regionais do&nbsp; Minist&eacute;rio, que foram fechadas em 2002. A fragilidade e a inefici&ecirc;ncia da fiscaliza&ccedil;&atilde;o, segundo Erundina, est&atilde;o no fato de o Minicom ter apenas nove t&eacute;cnicos para analisar os processos que chegam de todo o Pa&iacute;s. A parlamentar compara com a atua&ccedil;&atilde;o do Departamento Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Dentel) &ndash; um &oacute;rg&atilde;o executivo do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, extinto com a cria&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Infra-Estrutura, em 1990, no governo Fernando Collor de Melo &ndash; que dispunha de delegacias regionais e atuava na fiscaliza&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es.<\/p>\n<p>&Agrave; &eacute;poca do Dentel, havia uma estrutura descentralizada. &ldquo;Esta &eacute; uma quest&atilde;o que o Minist&eacute;rio tem que enfrentar. J&aacute; que h&aacute; poucas condi&ccedil;&otilde;es para fiscalizar, deveria firmar um conv&ecirc;nio, criar mecanismos institucionais, conselhos parit&aacute;rios, mas com o controle direto da sociedade civil organizada, para manter a efici&ecirc;ncia&rdquo;, prop&otilde;e Erundina, lembrando que a sociedade tem segmentos importantes para mant&ecirc;-la atenta a estas quest&otilde;es. Em sua opini&atilde;o, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), que poderia exercer algum papel fiscalizador, &ldquo;tamb&eacute;m n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es para cumprir minimamente esta fun&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Congresso benefici&aacute;rio<\/strong><br \/>O jornalista Alberto Dines, editor respons&aacute;vel do site Observat&oacute;rio de Imprensa &ndash; entidade n&atilde;o-governamental que tem como objetivo acompanhar o desempenho da m&iacute;dia brasileira &ndash;, classifica as vendas de concess&otilde;es e alugu&eacute;is de espa&ccedil;os por concession&aacute;rios como um &ldquo;il&iacute;cito anticonstitucional&rdquo;. &ldquo;H&aacute; um claro conflito de interesses. Ningu&eacute;m consegue fiscalizar. No Congresso, tentam disfar&ccedil;ar colocando deputados em comiss&otilde;es&rdquo;, diz o jornalista, destacando que quem deveria acompanhar estes processos &ndash; a C&acirc;mara e o Senado &ndash; t&ecirc;m em seus quadros muitos dos detentores das concess&otilde;es no Pa&iacute;s. &ldquo;S&atilde;o benefici&aacute;rios. &Eacute; um escaramento ostensivo&rdquo;, critica, ressaltando que a TV C&acirc;mara e a TV Senado deveriam promover mais debates em torno do assunto. Para o jornalista, o Brasil &eacute; um Pa&iacute;s corporativo &ldquo;e esta &eacute; uma pr&aacute;tica na qual o corporativismo dita o caminho. A blindagem &eacute; descarada e as infra&ccedil;&otilde;es s&atilde;o muito grandes. Enquanto o deputado for concession&aacute;rio, n&atilde;o muda a situa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Dines destaca o trabalho realizado pelas jornalistas Elvira Lobato e Laura Mattos, que h&aacute; anos mostram como os parlamentares se aproveitam da blindagem e passam por cima das irregularidades para amealhar concess&otilde;es. Ele observa ainda que s&oacute; os jornais Folha de S&atilde;o Paulo e O Estado de S&atilde;o Paulo falam um pouco sobre o assunto, pois s&atilde;o ve&iacute;culos que n&atilde;o det&ecirc;m r&aacute;dios e TVs. O jornalista lembra que h&aacute; 11 anos o Observat&oacute;rio da Imprensa debate o assunto, sem vislumbrar um horizonte para a situa&ccedil;&atilde;o. Segundo Dines, a entidade encaminhou um farto material para a Procuradoria-Geral da Rep&uacute;blica, resultado de levantamento cuidadoso, com o nome dos concession&aacute;rios e dos que aparecem como respons&aacute;veis pelas concess&otilde;es. &ldquo;Em novembro, far&aacute; dois anos e nada aconteceu. Lament&aacute;vel! Mas n&atilde;o podemos desistir, vamos continuar falando e mostrando&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Participa&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental<\/strong><br \/>Para Ven&iacute;cio Lima, o setor de comunica&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o foi percebido como &aacute;rea de pol&iacute;tica p&uacute;blica t&atilde;o importante como a educa&ccedil;&atilde;o, por exemplo. Por isso, acredita ser muito dif&iacute;cil atingir o n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia e mobiliza&ccedil;&atilde;o para tratar dos assuntos espec&iacute;ficos, como se consegue em outras &aacute;reas. No entanto, ao analisar as transa&ccedil;&otilde;es envolvendo as outorgas e concess&otilde;es, observa: &ldquo;Hoje j&aacute; est&aacute; mais f&aacute;cil, existe o Intervozes, o pr&oacute;prio FNDC, o Observat&oacute;rio da Imprensa, mas que n&atilde;o chegam a atingir a grande massa&rdquo;. O pesquisador entende que h&aacute; d&eacute;cadas se faz necess&aacute;ria a cria&ccedil;&atilde;o de um novo marco regulat&oacute;rio para o setor.<\/p>\n<p>Para o vice-presidente do F&oacute;rum Nacional de Professores de Jornalismo, Juliano Carvalho, a Subcomiss&atilde;o de Radiodifus&atilde;o tem procurado enfrentar o problema das renova&ccedil;&otilde;es indiscriminadas de outorgas e da concentra&ccedil;&atilde;o delas nas m&atilde;os de pol&iacute;ticos. &ldquo;Por&eacute;m, sua atua&ccedil;&atilde;o est&aacute; muito aqu&eacute;m da realidade, porque h&aacute; um lobby fort&iacute;ssimo do parlamento e do poder Executivo.&rdquo; Segundo o professor, apesar do esfor&ccedil;o de alguns parlamentares, como da deputada Luiza Erundina, a Comiss&atilde;o sempre vai estar ref&eacute;m dos interesses particulares de deputados e senadores. Carvalho concorda com a posi&ccedil;&atilde;o da parlamentar de criar mecanismos de fiscaliza&ccedil;&atilde;o, com a participa&ccedil;&atilde;o de representantes de entidades civis. Ele sugere, ainda, que o processo tenha crit&eacute;rios semelhantes aos do Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica (Cade), com a finalidade de orientar, fiscalizar e apurar abusos. &ldquo;A id&eacute;ia &eacute; dotar a sociedade de formas de controle, para poder intervir e fortalecer o setor&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>H&aacute; tr&ecirc;s n&iacute;veis de a&ccedil;&atilde;o a se realizar, aponta Carvalho. Ele explica que organismos como o FNDC, as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais, os movimentos populares e o terceiro setor devem atuar na busca por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que venham regular os cap&iacute;tulos da Constitui&ccedil;&atilde;o e a legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria que trata da propriedade cruzada (quando uma entidade possui na mesma localidade jornal, e emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o) e da concentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Devem buscar um ordenamento jur&iacute;dico mais eficiente para contratos de gaveta, ou seja, puni&ccedil;&otilde;es mais efetivas em rela&ccedil;&atilde;o a isso na ordem econ&ocirc;mica, na ordem das concess&otilde;es, nas reincid&ecirc;ncias&rdquo;, defende o professor.<\/p>\n<p>Numa atua&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel m&eacute;dio &ndash; referente ao trabalho de organiza&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a-tarefa, de grupos de trabalho junto ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico e aos &oacute;rg&atilde;os dos minist&eacute;rios do Executivo federal &ndash;, os organismos teriam a fun&ccedil;&atilde;o de estabelecer uma pol&iacute;tica de fiscaliza&ccedil;&atilde;o. No entanto, avalia, o trabalho mais eficaz &ndash; que deve ser realizado permanentemente e a longo prazo &ndash; &eacute; o acompanhamento feito pela popula&ccedil;&atilde;o, pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico local ou pelos comit&ecirc;s pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, do movimento dos propriet&aacute;rios de outorgas em juntas comerciais e cart&oacute;rios, nas localidades onde exista concess&atilde;o ou permiss&atilde;o de um meio de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; aquela den&uacute;ncia concreta, feita no Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es ou no Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, que vai surtir efeito&rdquo;, afirma Carvalho.<\/p>\n<p>A participa&ccedil;&atilde;o e o papel do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (CCS) neste debate &eacute; fundamental. Juliano Carvalho classifica como &ldquo;vergonha&rdquo; o fato de o CCS ainda n&atilde;o ter se reunido este ano. Na avalia&ccedil;&atilde;o do professor, o &oacute;rg&atilde;o deveria ser regulamentado de maneira que n&atilde;o dependesse da convoca&ccedil;&atilde;o da Mesa do Congresso. &ldquo;Obviamente, essa mesa &ndash; notadamente o senador Renan Calheiros &ndash; est&aacute; muito pouco comprometida para que haja uma inst&acirc;ncia no &acirc;mbito do Senado Federal, que venha exercer um papel que possa, no m&iacute;nimo, criar algum constrangimento a essa pol&iacute;tica desregrada que a gente tem assistido, de renova&ccedil;&otilde;es sem crit&eacute;rios&rdquo;.<\/p>\n<p><em>* A Revista MidiaCom Democracia &eacute; uma publica&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outorgas de radiodifus\u00e3o trocam de m\u00e3os sem a aprova\u00e7\u00e3o do Executivo e do Congresso Nacional, desconsiderando tanto quem as adquiri quanto o projeto de programa\u00e7\u00e3o, em desrespeito \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[106],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19519"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19519\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}