{"id":19489,"date":"2007-10-15T15:18:23","date_gmt":"2007-10-15T15:18:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19489"},"modified":"2007-10-15T15:18:23","modified_gmt":"2007-10-15T15:18:23","slug":"a-busca-pelo-jornalismo-perdido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19489","title":{"rendered":"A busca pelo jornalismo perdido"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 7.5pt\" class=\"NormalWeb8\"><span><em>Paulo Henrique Amorim &eacute; um jornalista multim&iacute;dia. Migrou da m&iacute;dia impressa para a eletr&ocirc;nica sem grandes dificuldades, mas sempre com o foco num jornalismo objetivo e isento. Hoje, assina o &ldquo;Conversa afiada&rdquo;, um dos blogs mais acessados do Pa&iacute;s, e foi um dos primeiros profissionais a estrear projetos jornal&iacute;sticos na internet, ainda nos prim&oacute;rdios da chegada da rede ao Brasil. Carioca da Gl&oacute;ria, casado, pai de uma filha, formado em Sociologia e Pol&iacute;tica e torcedor do Fluminense e da Acad&ecirc;micos do Salgueiro, vive atualmente em S&atilde;o Paulo, onde se dedica ao seu blog e ao&nbsp;&ldquo;Domingo espetacular&rdquo;, programa da Rede Record. <\/p>\n<p><\/em><\/span><span><em>Aos 64 anos, Paulo Henrique diz que o jornalista perdeu o sentimento de prestador de servi&ccedil;o e afirma que os jornais e revistas brasileiros t&ecirc;m qualidade inferior aos de outros pa&iacute;ses. Al&eacute;m de remontar sua trajet&oacute;ria profissional, ele comenta que um correspondente tem que ser um bom rep&oacute;rter, classifica a m&iacute;dia como conservadora, faz cr&iacute;ticas &agrave; Rede Globo e revela ter medo da TV do Governo.<\/em>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><span><strong>ABI Online<\/strong> &mdash; <\/span><strong>Sua forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica &eacute; em Sociologia e Pol&iacute;tica. Como o jornalismo apareceu em sua vida? <br \/><\/strong><\/span><span>Paulo Henrique Amorim &mdash; O jornalismo apareceu cedo, porque meu pai era jornalista e eu praticamente me alfabetizei desenhando primeiras p&aacute;ginas de jornal. Meu pai era um barnab&eacute;, mas foi tamb&eacute;m rep&oacute;rter e editorialista em jornais como O Radical e A Noite. Tinha um texto maravilhoso, seco, sem adjetivos, n&atilde;o havia uma &uacute;nica palavra em excesso. Um Graciliano Ramos&#8230; <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Onde o senhor come&ccedil;ou carreira e quantos anos tinha? <br \/><\/strong><\/span><span>A primeira vez em que levei dinheiro para casa como jornalista foi como foca do jornal A Noite, em 1961. Eu tinha 18 anos. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Para quais outros ve&iacute;culos trabalhou?<br \/><\/strong><\/span><span>Para as revistas Chuvisco, J&oacute;ia, Fatos &amp; Fotos, Manchete, Realidade, Veja e Exame, para o Jornal do Brasil, as TVs Manchete, Globo, Bandeirantes, Cultura e Record e os portais Zaz, Terra, UOL e iG. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Uma de suas grandes coberturas no in&iacute;cio da carreira foi quando o Presidente J&acirc;nio Quadros renunciou, em 1961, e o ent&atilde;o Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, mobilizou soldados e jornalistas para garantir a posse do Vice, Jo&atilde;o Goulart. Como foi participar deste importante acontecimento nacional? <br \/><\/strong><\/span><span>N&atilde;o diria que foi uma &ldquo;grande cobertura&rdquo;. Eu era foca da Noite e, por acaso, um contato de publicidade do jornal tinha ido a Porto Alegre tentar vender um caderno de turismo sobre o Rio Grande do Sul. S&oacute; que ele estava no Pal&aacute;cio Piratini na hora em que Leonel Brizola instalou a Rede da Legalidade e resolveu lutar pela posse do Vice-presidente eleito, Jo&atilde;o Goulart. Minha fun&ccedil;&atilde;o era falar com esse contato por telefone &mdash; as liga&ccedil;&otilde;es com Marte eram melhores&#8230; &mdash; anotar o que ele dizia e passar aos redatores. Mas eu, &eacute; claro, considerava-me em plena guerra&#8230; <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quando surgiu a oportunidade de se tornar correspondente internacional? Sua estr&eacute;ia foi na Veja, em Nova York. Como foi essa experi&ecirc;ncia? <br \/><\/strong><\/span><span>Eu trabalhava na revista Realidade, quando Murilo Felisberto, diretor do Jornal da Tarde, convidou-me para ser editor do caderno de Variedades. Procurei o dono da Abril, Roberto Civita, e disse que estava disposto a ir para o Jornal da Tarde, a menos que pudesse ser o primeiro correspondente em Nova York da revista semanal (Veja ainda n&atilde;o tinha nome) que ele ia lan&ccedil;ar. Como eu sabia falar ingl&ecirc;s, ele topou na hora. Eu praticamente n&atilde;o conhecia o Diretor de Reda&ccedil;&atilde;o, Mino Carta, de quem, depois, tornei-me profundo admirador e amigo. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Como foi sua ida para o escrit&oacute;rio da TV Globo em Nova York? <br \/><\/strong><\/span><span>O escrit&oacute;rio da emissora foi aberto pelo H&eacute;lio Costa &mdash; hoje Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es &mdash;, a pedido do Boni (Jos&eacute; Bonif&aacute;cio de Oliveira Sobrinho), para fazer mat&eacute;rias para o &ldquo;Fant&aacute;stico&rdquo;. Sempre disse a ele e ao Armando Nogueira que gostaria de ir trabalhar em Nova York, onde praticamente comecei a minha vida profissional e tamb&eacute;m me casei. Com a sa&iacute;da do Lucas Mendes, minha ida se precipitou. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>No site do programa &ldquo;Domingo espetacular&rdquo;, quando o senhor &eacute; apresentado, h&aacute; a seguinte frase: &ldquo;E foi na Am&eacute;rica que (Paulo Henrique Amorim) construiu toda a no&ccedil;&atilde;o de jornalismo em que acredita&rdquo;. Que no&ccedil;&atilde;o &eacute; essa? <br \/><\/strong><\/span><span>Quando fui ser correspondente, a Veja tinha um acordo operacional com a Newsweek e eu podia freq&uuml;entar reuni&otilde;es de pauta e conversar com editores. Eu tinha 25 anos. Claro que isso me influenciou bastante. Depois, fiz um curso de &ldquo;Magazine making and editing&rdquo;, como ouvinte, na Universidade de Nova York. E peguei um professor muito legal. Quando fui trabalhar na Globo de Nova York, j&aacute; era burro velho &mdash; isso foi em 1990 &mdash;, mas tinha uma experi&ecirc;ncia muito limitada em televis&atilde;o (tinha sido editor, colunista e apresentador a maior parte do tempo). L&aacute;, sim, fui para a rua como rep&oacute;rter e via os rep&oacute;rteres norte-americanos trabalhando, ali, lado a lado, nas coberturas de grandes eventos. E acho que aprendi alguma coisa. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Olhando pelo retrovisor e recordando os tempos como correspondente, como o senhor observava a cobertura dos assuntos do Brasil na m&iacute;dia estrangeira? Houve alguma mudan&ccedil;a em compara&ccedil;&atilde;o aos dias de hoje? <br \/><\/strong><\/span><span>N&atilde;o mudou nada. A m&iacute;dia norte-americana s&oacute; se interessa pelo bizarro, pelo grotesco. H&aacute; alguma cobertura da parte musical (li h&aacute; algum tempo no New York Times a cr&iacute;tica de um show do Gilberto Gil, em que o autor o chama de &ldquo;genial&rdquo;). Agora, progressivamente, deve haver uma cobertura maior da produ&ccedil;&atilde;o brasileira de biocombust&iacute;vel, em que o Brasil d&aacute; de dez a zero nos Estados Unidos. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Com sua larga experi&ecirc;ncia, o que o senhor acredita que um correspondente deve ter e saber para ser um bom profissional? E o que deve trazer na bagagem? <br \/><\/strong><\/span><span>Um correspondente tem que ser um bom rep&oacute;rter. N&atilde;o adianta fazer stand up para amarrar imagens captadas de ag&ecirc;ncias internacionais e pretender que o espectador acredite que voc&ecirc; apurou aquilo tudo. Correspondente tem que ralar. Trazer na bagagem? Tudo o que puder. Absorver tudo o que for bom. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Falando do jornalista de forma geral, como o senhor avalia o trabalho dos focas que chegam hoje ao mercado? <br \/><\/strong><\/span><span>Uma praga. As escolas de Jornalismo prestaram um gigantesco desservi&ccedil;o &agrave; imprensa brasileira. Com a obrigatoriedade do diploma, como diz o grande jornalista Mauro Santayana, n&atilde;o tem mais jornalista pobre nas reda&ccedil;&otilde;es. &Eacute; tudo mauricinho, com vontade de ficar amigo de banqueiro. O jornalista perdeu um ingrediente central da profiss&atilde;o, que &eacute; o sentimento de prestar servi&ccedil;o, de se colocar na pele de algu&eacute;m que est&aacute; ali para servir &agrave; comunidade, e oferecer um bem inestim&aacute;vel: informa&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o objetiva, a base para se tomar decis&otilde;es sensatas. Isso &eacute; indispens&aacute;vel &agrave; democracia. Escolher com conhecimento dos fatos. Lamentavelmente, temos jornalistas malformados, com mania de ter opini&atilde;o &mdash; e com uma certa dificuldade de dar informa&ccedil;&atilde;o precisa, respeitando a &ldquo;verdade factual&rdquo;, como diz o Mino Carta. Plat&atilde;o j&aacute; explicou que a opini&atilde;o &eacute; o lado escuro, podre do conhecimento. Agora, qualquer &ldquo;reporteco&rdquo; de quinta tem opini&atilde;o. E, em 99,9% dos casos, opini&atilde;o que coincide com a opini&atilde;o do patr&atilde;o. Os norte-americanos t&ecirc;m uma frase que &eacute; o que o leitor deveria dizer, sempre, ao rep&oacute;rter: &ldquo;Voc&ecirc;, por favor, me forne&ccedil;a os fatos que eu entro com a opini&atilde;o.&rdquo; Acho que o mal que a lei da obrigatoriedade do diploma fez ao jornalismo brasileiro &eacute; irrepar&aacute;vel: como os jornais impressos vivem uma crise terminal, n&atilde;o vai dar tempo para que novos profissionais, muitos de origem pobre, de classe m&eacute;dia baixa, como o Maur&iacute;cio Az&ecirc;do e eu, possam fazer um jornalismo objetivo, isento, que ajude a democracia. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Hoje o mercado de trabalho exige um jornalista multim&iacute;dia. O senhor teve experi&ecirc;ncia em diferentes ve&iacute;culos e n&atilde;o demonstrou ter tido grandes barreiras para se adaptar &agrave;s novas m&iacute;dias, como a internet. Como foi a experi&ecirc;ncia de iniciar as coberturas em tempo real para a internet no Brasil &mdash; na WebTV, do extinto ZAZ &mdash; e o processo de constru&ccedil;&atilde;o daquele ent&atilde;o novo formato de se fazer jornalismo? <br \/><\/strong><\/span><span>Sempre tive a percep&ccedil;&atilde;o de que a internet ia ser uma m&iacute;dia importante. Tomei a iniciativa de procurar o Marcelo Lacerda e bolar um produto de jornalismo econ&ocirc;mico para o ZAZ. N&atilde;o foi exatamente um sucesso, mas eu o Marcelo nos demos conta de que &ldquo;tinha jogo&rdquo; &mdash; dali ia sair alguma coisa. Depois, o Caio T&uacute;lio Costa me chamou para fazer uma esta&ccedil;&atilde;o de TV na internet, e n&oacute;s fizemos o UOLNews. A bolha da internet furou, o projeto teve que se reduzir, mas a semente estava lan&ccedil;ada. Est&aacute; l&aacute;. &Eacute; prov&aacute;vel que o caminho seja o YouTube, mas que vai ter televis&atilde;o na internet, isso &eacute; &oacute;bvio. Os novos jornalistas j&aacute; devem saber disso: a internet &eacute; um mercado de trabalho em expans&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quando surgiu a id&eacute;ia de criar blog &ldquo;Conversa afiada&rdquo;? <br \/><\/strong><\/span><span>O &ldquo;Conversa afiada&rdquo; surgiu quando fui fazer uma produ&ccedil;&atilde;o independente na TV Cultura de S&atilde;o Paulo. Era, basicamente, um talk show sobre assuntos de economia. Gostei muito de fazer aquele programa &mdash; era uma produ&ccedil;&atilde;o independente di&aacute;ria, no hor&aacute;rio nobre, em que a minha empresa e a Cultura dividiam os custos e os lucros. Um formato que, sei, a Cultura reproduziu com outros profissionais. E que poderia se alastrar Pa&iacute;s afora, se a Globo n&atilde;o tivesse a hegemonia que teve e tem (por enquanto&#8230;), na TV aberta e na paga. Depois levei esse t&iacute;tulo para a Record e, agora, para o iG.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Por que o senhor classifica a m&iacute;dia como conservadora? <br \/><\/strong><\/span><span>Porque &eacute;. &Eacute; a mesma imprensa que derrubou Vargas, tentou derrubar JK, derrubou Jango e tentou impedir a elei&ccedil;&atilde;o de Brizola para Governador do Rio. Os jornais e revistas brasileiros s&atilde;o conservadores e, freq&uuml;entemente, como aquele personagem do Kubrick em &ldquo;Dr. Strangelove&rdquo; (&ldquo;Dr. Fant&aacute;stico&rdquo;), n&atilde;o resiste e faz a sauda&ccedil;&atilde;o nazista. A imprensa brasileira, vira-e-mexe, levanta o bra&ccedil;o e diz &ldquo;Heil Hitler!&rdquo;, com saudades de 1964. Al&eacute;m do mais, a imprensa brasileira &eacute; de qualidade inferior. N&atilde;o comparo com os jornais ingleses, norte-americanos, franceses&#8230; europeus em geral. Falo dos argentinos, para come&ccedil;ar. La Naci&oacute;n e Clar&iacute;n s&atilde;o muito melhores do que qualquer jornal impresso brasileiro. Na nossa imprensa, temos um texto de ler em prantos. N&atilde;o falo das ofensas &agrave; L&iacute;ngua Portuguesa, isso j&aacute; nem conta mais, releva-se. O problema &eacute; a falta de precis&atilde;o, concis&atilde;o, clareza. E humor, eleg&acirc;ncia. No mundo inteiro, o melhor texto da imprensa &eacute; o da se&ccedil;&atilde;o de esportes. E a do Brasil? Onde anda o Nelson Rodrigues, santo Cristo? <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Que caminho a imprensa deve seguir? <br \/><\/strong><\/span><span>Com a decad&ecirc;ncia da m&iacute;dia impressa, o jornalismo vai continuar na televis&atilde;o e se expandir para a internet e todos os caminhos que os novos meios abrir&atilde;o. N&atilde;o quero ser saudosista, at&eacute; porque adoro trabalhar em televis&atilde;o e na internet, mas a decad&ecirc;ncia da imprensa contaminou, de certa forma, todo o jornalismo brasileiro, porque, em qualquer lugar do mundo, a m&iacute;dia impressa &eacute; o data bank da imprensa &mdash; em informa&ccedil;&atilde;o, talento, consist&ecirc;ncia&#8230; <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Em 2005, o senhor publicou &ldquo;Plim-plim: a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral&rdquo;, em que denuncia a trama que manipulou as elei&ccedil;&otilde;es para o governo do Rio de Janeiro em 1982 com o apoio da Rede Globo, segundo informa&ccedil;&otilde;es do livro. A que se deve hoje seu posicionamento cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; emissora? <br \/><\/strong><\/span><span>Minha posi&ccedil;&atilde;o contra a Globo se explica pela pr&oacute;pria Globo. A emissora &eacute; protagonista de tr&ecirc;s epis&oacute;dios antol&oacute;gicos de manipula&ccedil;&atilde;o da vontade popular. Em 1982, quando participou do compl&ocirc; para impedir a elei&ccedil;&atilde;o de Brizola no Rio &mdash; o que procuro demonstrar no &ldquo;Plim-plim&rdquo;. Em 89, quando o &ldquo;Jornal nacional&rdquo; &mdash; toda a edi&ccedil;&atilde;o, em seu conjunto, e n&atilde;o s&oacute; a &ldquo;edi&ccedil;&atilde;o do debate&rdquo; &mdash; ajudou a eleger Collor, contra Lula, na v&eacute;spera da elei&ccedil;&atilde;o, no segundo turno. E agora, como Raymundo Rodrigues Pereira demonstrou de forma irrefut&aacute;vel na CartaCapital, o mesmo telejornal levou a elei&ccedil;&atilde;o para o segundo turno: como em 89, ignorou o desastre da Gol para n&atilde;o desarrumar a edi&ccedil;&atilde;o do &ldquo;JN&rdquo; que prejudicaria Lula. As Organiza&ccedil;&otilde;es Globo s&atilde;o contra os l&iacute;deres trabalhistas desde Get&uacute;lio Vargas, est&aacute; no seu DNA. E, agora, com o rebaixamento do Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, o fortalecimento de Dilma Roussef e a escolha de Franklin Martins, a Globo voltou a ser especialmente feroz contra o governo Lula. &Eacute; a primeira vez, desde os anos militares, que o Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o manda&#8230; <\/p>\n<p><\/span><span>Sobre as minhas criticas &agrave; Globo e ao fato de eu ter trabalhado l&aacute;, gostaria de esclarecer que trabalhei na emissora e em muitas outras institui&ccedil;&otilde;es &mdash; como j&aacute; enumerei antes &mdash; com o mesmo entusiasmo, dedica&ccedil;&atilde;o e profissionalismo. Mas h&aacute; uma diferen&ccedil;a interessante entre o regime da escravid&atilde;o e o regime capitalista. Na escravid&atilde;o, o dono da fazenda manda no escravo. No capitalismo, h&aacute; uma troca: o trabalhador vende a sua for&ccedil;a de trabalho e &eacute; remunerado por isso. O empregador compra a for&ccedil;a de trabalho e paga. Roberto Marinho era meu empregador, n&atilde;o era meu dono&#8230; <\/p>\n<p><\/span><span><strong>O senhor comentou certa vez em seu blog sobre as duas &ldquo;frias&rdquo; que o Franklin Martins encontraria na Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o: acumular a distribui&ccedil;&atilde;o de verbas do Governo com a pol&iacute;tica de informa&ccedil;&atilde;o do Planalto e a montagem de uma rede p&uacute;blica de televis&atilde;o. Qual a sua sugest&atilde;o para ele ser bem-sucedido nessas empreitadas? <br \/><\/strong><\/span><span>O Franklin Martins &eacute; um excelente jornalista e um homem honrado. Ele tem tudo para se sair bem nas duas tarefas. Por&eacute;m, permito-me reafirmar que acho uma fria reunir num mesmo saco informa&ccedil;&atilde;o e publicidade; e morro de medo dessa televis&atilde;o do governo. Pode ser um sorvedouro de dinheiro; um cabide de emprego para jornalista de segunda categoria, mas amigo do amigo dos poderosos; fazer propaganda do Governo; e, o mais importante, n&atilde;o ter audi&ecirc;ncia nenhuma e n&atilde;o servir para nada. Entre outros erros estrat&eacute;gicos irrepar&aacute;veis &mdash; como a derrubada de Goulart, a transfer&ecirc;ncia da capital para Bras&iacute;lia&#8230; &mdash; acho que n&atilde;o ter uma emissora como a BBC no Brasil foi uma trag&eacute;dia. S&oacute; que agora n&atilde;o d&aacute; mais tempo. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Como &eacute; o seu trabalho &agrave; frente do &ldquo;Domingo espetacular&rdquo;, na Rede Record? O senhor tamb&eacute;m participa da produ&ccedil;&atilde;o? <br \/><\/strong><\/span><span>Sou apresentador e rep&oacute;rter do programa. Participo da produ&ccedil;&atilde;o e reda&ccedil;&atilde;o das minhas mat&eacute;rias. E j&aacute; &eacute; muito servi&ccedil;o&#8230; <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para jornalista, a imprensa brasileira tem saudades de 1964.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[474],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19489"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19489\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}