{"id":19479,"date":"2007-10-15T11:01:10","date_gmt":"2007-10-15T11:01:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19479"},"modified":"2007-10-15T11:01:10","modified_gmt":"2007-10-15T11:01:10","slug":"semana-das-criancas-radicaliza-incentivo-ao-consumo-na-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19479","title":{"rendered":"&#8216;Semana das Crian\u00e7as&#8217; radicaliza incentivo ao consumo na TV"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>Crian&ccedil;as s&atilde;o alvo priorit&aacute;rio das propagandas na televis&atilde;o. Entidades defendem regulamenta&ccedil;&atilde;o, com restri&ccedil;&atilde;o dos hor&aacute;rios de veicula&ccedil;&atilde;o da publicidade, que passaria a ser dirigida prioritariamente aos pais.<\/em><\/p>\n<p>Quem observou a programa&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o nas duas &uacute;ltimas semanas&nbsp;assisitu a&nbsp;muitas propagandas voltadas ao p&uacute;blico infantil. N&atilde;o &eacute; de se estranhar: afinal, na &ldquo;semana da crian&ccedil;a&rdquo; o mercado publicit&aacute;rio esteve todo voltado para este p&uacute;blico. O que n&atilde;o &eacute; &oacute;bvio, nem discutido, &eacute; que o excesso de publicidade voltada &agrave;s crian&ccedil;as n&atilde;o &eacute; saud&aacute;vel nem desej&aacute;vel. <\/p>\n<p><\/span><span>Exatamente por isso, diversas organiza&ccedil;&otilde;es de prote&ccedil;&atilde;o aos direitos da inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia como a Andi (Ag&ecirc;ncia de Not&iacute;cias dos Direitos da Inf&acirc;ncia) e o Instituto Alana defendem que tais comerciais n&atilde;o deveriam ser dirigidos &agrave;s crian&ccedil;as, mas aos seus pais. &ldquo;As crian&ccedil;as n&atilde;o poderiam receber qualquer tipo de informa&ccedil;&atilde;o mercadol&oacute;gica&rdquo;, afirma Isabella Henriques, coordenadora do Projeto Crian&ccedil;a e Consumo do Instituto Alana. &ldquo;Elas n&atilde;o conseguem compreender a publicidade na sua complexidade e de forma integral&rdquo;, explica Isabella. <\/p>\n<p><\/span><span>Guilherme Canela, da Andi, concorda. Para ele, a proibi&ccedil;&atilde;o da publicidade voltada para&nbsp;o p&uacute;blico infantil seria a medida mais adequada &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos direitos da crian&ccedil;a e do adolescente. &ldquo;Somos a favor de uma legisla&ccedil;&atilde;o parecida com a que existe na Su&eacute;cia, onde h&aacute; a proibi&ccedil;&atilde;o de publicidade para as crian&ccedil;as. Isso permite que as decis&otilde;es sejam tomadas com maior liberdade pela fam&iacute;lia&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p><\/span><span>No Brasil, o Conar &ndash; Conselho Nacional de Auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o que determina normas para a publicidade. Segundo Canela, as regras do Conar est&atilde;o alinhadas com o que est&aacute; na discuss&atilde;o em &acirc;mbito internacional mas, no entanto, tais regras s&oacute; s&atilde;o seguidas se as empresas e ag&ecirc;ncias de publicidade desejarem, por se tratar de um &oacute;rg&atilde;o de auto-regula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;O Conar &eacute; um conselho de auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o, <\/span><span>o que j&aacute; coloca <\/span><span>um limite <\/span><span>em sua atua&ccedil;&atilde;o<\/span><span>. Na pr&aacute;tica, suas regras n&atilde;o t&ecirc;m funcionado&rdquo;, ressalta Ricardo Moretzsohn, membro do Conselho Federal de Psicologia e da Campanha pela &Eacute;tica na TV. &ldquo;Nestas &uacute;ltimas semanas, por conta do dia das crian&ccedil;as, h&aacute; ainda um aumento significativo de propagandas voltadas para o p&uacute;blico infantil, porque os fabricantes de brinquedos e produtos para crian&ccedil;as precisam vender&rdquo;, lembra. <\/span><\/p>\n<p><span><br \/><\/span><span>Canela entende que a quest&atilde;o colocada para a sociedade brasileira &eacute; se apenas recomenda&ccedil;&otilde;es s&atilde;o eficazes ou se os direitos da crian&ccedil;a devem ser regulamentados. Para Moretzsohn, a auto-regulamenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; suficiente, &eacute; necess&aacute;ria uma regula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.&ldquo;A publicidade infantil no Brasil precisa ter uma regulamenta&ccedil;&atilde;o de forma precisa e severa, com for&ccedil;a de lei. O Conar n&atilde;o pode substituir o controle p&uacute;blico&rdquo;, conclui.<\/p>\n<p><\/span><span>Em 2001 foi apresentado na C&acirc;mara dos Deputados o Projeto de Lei 5.921, de autoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PMDB-PR), que altera a lei de Defesa do Consumidor.&nbsp; A relatora do projeto, Maria do Carmo Lara (PT-MG), apresentou parecer favor&aacute;vel ao projeto com um substitutivo que atualmente aguarda para ser votado na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor.&nbsp;<span>O substitutivo prev&ecirc; a proibi&ccedil;&atilde;o de propaganda de produtos e servi&ccedil;os dirigidos &agrave; crian&ccedil;a entre as 7h e 21h, al&eacute;m de determinar regras para a publicidade infantil e san&ccedil;&otilde;es administrativas se houver descumprimento da lei. Caso aprovado na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor, o projeto segue para a Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o, Justi&ccedil;a e Cidadania e, em seguida, para vota&ccedil;&atilde;o em plen&aacute;rio.<\/span><\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;O Projeto de Lei poder&aacute; dar maior efetividade &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o da publicidade voltada ao p&uacute;blico infantil<\/span><span>.<\/span><span> <\/span><span>C<\/span><span>ontudo, acreditamos que <\/span><span>o texto ainda pode ter <\/span><span>alguns reparos, inclusive em rela&ccedil;&atilde;o ao substitutivo da relatora&rdquo;, afirma Isabella. Segundo ela, o Instituto Alana ap&oacute;ia o projeto, mas acredita que o mais correto seria a proibi&ccedil;&atilde;o de qualquer publicidade voltada &agrave;s crian&ccedil;as. &ldquo;A publicidade de produtos infantis pode ser veiculada desde que dirigida ao p&uacute;blico adulto&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O princ&iacute;pio de garantia de autonomia para as fam&iacute;lias sobre os conte&uacute;dos aos quais as crian&ccedil;as est&atilde;o expostas foi o mesmo considerado para a ado&ccedil;&atilde;o da portaria n&ordm; 1.220, de julho de 2007, do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, que trata da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa de obras audiovisuais. &ldquo;O sistema se construiu para que a informa&ccedil;&atilde;o qualificada empoderasse a fam&iacute;lia&rdquo;, afirma Jos&eacute; Eduardo Elias Rom&atilde;o, diretor do Departamento de Classifica&ccedil;&atilde;o, T&iacute;tulos e Qualifica&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo Rom&atilde;o, o MJ tem acompanhado a veicula&ccedil;&atilde;o de todo o conte&uacute;do da TV aberta no hor&aacute;rio protegido, ou seja, das 8h &agrave;s 20h. &ldquo;Nesses &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses, n&atilde;o houve descumprimento de hor&aacute;rio pelas emissoras&rdquo;, afirma. No entanto, segundo ele, &ldquo;aumentou bastante o volume de pessoas que passam a questionar a classifica&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Anteriormente n&atilde;o se questionava a qualidade da informa&ccedil;&atilde;o produzida, mas o hor&aacute;rio em que era veiculado&rdquo;, explica. Tais reclama&ccedil;&otilde;es se referem a programas exibidos no hor&aacute;rio adequado, por&eacute;m com uma classifica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o condiz com seu conte&uacute;do. Para Rom&atilde;o, isso &eacute; um sinal de que esta informa&ccedil;&atilde;o &eacute; inadequada e n&atilde;o cumpre o papel de empoderar a fam&iacute;lia. Ele cita como exemplo o programa A Grande Fam&iacute;lia da Rede Globo, que foi questionado, pois, ainda que exibido ap&oacute;s as 20h, &eacute; apresentado como livre pela emissora. Nestes casos, ser&aacute; feita a reclassifica&ccedil;&atilde;o por meio de um ato do Minist&eacute;rio para ajustar o programa &agrave;s normas da portaria. <\/p>\n<p><\/span><span>Na batalha da classifica&ccedil;&atilde;o, o Minist&eacute;rio conta com entidades que lutam pelos direitos da crian&ccedil;a e do adolescente e pela democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Canela, da ANDI, ressalta a necessidade de acompanhamento das normas da classifica&ccedil;&atilde;o por parte da popula&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; importante que a sociedade esteja atenta &agrave;s normas e seus prazos&rdquo;, afirma. Segundo Ricardo Moretzsonh, a Campanha pela &Eacute;tica na TV vai monitorar a auto-classifica&ccedil;&atilde;o das emissoras. &ldquo;A sociedade civil precisa agir em rela&ccedil;&atilde;o a isso tamb&eacute;m&rdquo;, diz.<\/span><span>&nbsp;<\/span>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as s\u00e3o alvo priorit\u00e1rio das propagandas na televis\u00e3o. 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