{"id":19465,"date":"2007-10-10T13:04:57","date_gmt":"2007-10-10T13:04:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19465"},"modified":"2007-10-10T13:04:57","modified_gmt":"2007-10-10T13:04:57","slug":"edicao-de-medida-provisoria-para-criar-tv-publica-gera-polemica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19465","title":{"rendered":"Edi\u00e7\u00e3o de Medida Provis\u00f3ria para criar TV p\u00fablica gera pol\u00eamica"},"content":{"rendered":"<p>Ap&oacute;s um processo democr&aacute;tico que envolveu estudos, debates, um f&oacute;rum nacional que reuniu grande parte do setor e a sociedade civil organizada em torno do assunto, a nova TV p&uacute;blica nacional &ndash; TV Brasil &ndash; teve seu &ldquo;esqueleto&rdquo; desenhado e editado na forma de medida provis&oacute;ria. O documento dever&aacute; ser encaminhado nos pr&oacute;ximos dias ao Congresso Nacional. Para um projeto que foi constru&iacute;do em grande parte de forma compartilhada, o desfecho parece contradit&oacute;rio. O governo justifica.<\/p>\n<p>A medida provis&oacute;ria (MP) que cria a TV Brasil ser&aacute; enviada ao Congresso pelo presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva nos pr&oacute;ximos dias. &Eacute; resultado de mais de um ano de discuss&otilde;es e estudos acerca da rede p&uacute;blica de televis&atilde;o no Brasil, um processo que deveria culminar em projeto de lei para ser encaminhado ao Legislativo. A decis&atilde;o pela MP provocou a indigna&ccedil;&atilde;o de alguns parlamentares, que qualificaram o encaminhamento como uma atitude autorit&aacute;ria. <\/p>\n<p>O motivo principal alegado pelo governo para fazer uso de uma MP &eacute; a urg&ecirc;ncia em fixar a estrutura de pessoal. Conforme explica&ccedil;&atilde;o de Eduardo Castro, assessor especial do ministro da Comunica&ccedil;&atilde;o Social Franklin Martins, se fosse enviado agora um projeto de lei (PL) para o Congresso, levaria de seis meses a um ano para tramitar, contendo a id&eacute;ia de que as duas empresas (Radiobr&aacute;s e Acerp) ser&atilde;o extintas. &ldquo;Isso causaria problemas de continuidade nos trabalhos, apreens&atilde;o nos funcion&aacute;rios. S&atilde;o 2,5 mil fam&iacute;lias que n&atilde;o saberiam o que iria acontecer com eles&rdquo;, justifica Castro. Basicamente, segundo o assessor, este &eacute; o motivo pelo qual o governo optou por uma medida provis&oacute;ria. &ldquo;N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel deixar as duas institui&ccedil;&otilde;es num limbo, numa expectativa sobre quando ir&aacute; tramitar no Congresso&rdquo;, completou. <\/p>\n<p>O senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi um dos parlamentares a criticar, durante a semana passada, a decis&atilde;o do governo. Ele declarou que a grande id&eacute;ia (TV p&uacute;blica) foi transformada em ato rid&iacute;culo. &ldquo;Uma TV que vai nascer com aspecto autorit&aacute;rio, de cima para baixo&quot;, criticou. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) tamb&eacute;m reclamou, dizendo que era preciso um tempo longo de discuss&atilde;o porque &eacute; um projeto de longo alcance. &ldquo;Seria melhor decidir por projeto de lei&quot;, avaliou.<\/p>\n<p>Medida provis&oacute;ria &eacute; um instrumento criado pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 (no t&iacute;tulo IV, art. 62) para ser utilizado em caso de relev&acirc;ncia e urg&ecirc;ncia. &ldquo;O Presidente da Rep&uacute;blica poder&aacute; adotar medidas provis&oacute;rias, com for&ccedil;a de lei, devendo submet&ecirc;-las de imediato ao Congresso Nacional&rdquo;, diz o texto constitucional. A pr&aacute;tica, por&eacute;m, tem sido outra no pa&iacute;s. A agilidade em implantar decis&otilde;es do Executivo mesmo antes de passar pelo Congresso torna a MP um recurso bastante utilizado pelos sucessivos governos. A vantagem do uso das medidas &eacute; que o Executivo pode desenvolver suas atribui&ccedil;&otilde;es, fun&ccedil;&otilde;es e compet&ecirc;ncias sem ficar na depend&ecirc;ncia do Legislativo. Isso existe em todo mundo, com varia&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s para outro na forma de sua aplica&ccedil;&atilde;o, prazo, forma; em quais quest&otilde;es pode haver a elabora&ccedil;&atilde;o de uma medida. <\/p>\n<p>At&eacute; o ano passado (em 18 anos, desde a Constitui&ccedil;&atilde;o), os cinco presidentes da Rep&uacute;blica &#8211; Jos&eacute; Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz In&aacute;cio Lula da Silva &#8211; editaram 917 medidas provis&oacute;rias e reeditaram 5.491, segundo levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).<\/p>\n<p><strong>Perdas e ganhos<\/strong><\/p>\n<p>O assessor jur&iacute;dico da Assembl&eacute;ia Legislativa do Rio Grande do Sul, Edson Melo Rosa, analisa que um dos problemas &eacute; o governo ficar editando MPs sucessivamente e ir legislando assim, sem que o Congresso realize a an&aacute;lise necess&aacute;ria e a medida se transforme em lei. &ldquo;Dependendo do tema, a medida provis&oacute;ria compromete a inten&ccedil;&atilde;o, por melhor que seja a proposta. &Eacute; sempre melhor que o assunto seja discutido num f&oacute;rum adequado.&rdquo; <\/p>\n<p>Rosa ressalta que o Legislativo tem a fun&ccedil;&atilde;o primeira de fazer lei. Ent&atilde;o, quando &eacute; feita uma MP, ou mesmo um decreto pelo Executivo, &eacute; s&oacute; um poder que esta tratando da quest&atilde;o, que n&atilde;o foi amplamente apresentada e discutida pelo Legislativo e pela sociedade, &ldquo;pelos v&aacute;rios atores que devem participar do processo democr&aacute;tico, num pa&iacute;s que tem na Constitui&ccedil;&atilde;o o ditame de que a forma de participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas por representa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m por participa&ccedil;&atilde;o direta&rdquo;, salienta o advogado.<\/p>\n<p>A cineasta Berenice Mendes, membro da coordena&ccedil;&atilde;o executiva do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), avalia que, efetivamente, uma MP n&atilde;o &eacute; o melhor encaminhamento para a TV p&uacute;blica. Um projeto de lei no Congresso seria, segundo ela, mais uma oportunidade da sociedade debater melhor a quest&atilde;o. Por outro lado, pondera Berenice, as quest&otilde;es de ordem t&eacute;cnica apontadas pelo governo podem ser, sim, uma justificativa para a medida. &ldquo;&Eacute; not&oacute;rio, neste momento, que qualquer coisa que entra no Congresso est&aacute; se tornando moeda de troca dos partidos para conseguirem cargos&rdquo;, ressaltou. A cineasta acredita que se a medida for bem amparada legalmente, ainda que n&atilde;o seja a melhor forma, pode ser uma das maneiras de encaminhar o processo, de &ldquo;transpassar o bloqueio a qualquer projeto do governo que chega no Congresso&rdquo;, justificou.<\/p>\n<p>Eduardo Castro, assessor do ministro Franklin Martins, ressalta que a id&eacute;ia &eacute; evitar maiores sobressaltos em rela&ccedil;&atilde;o ao pessoal que trabalha nas institui&ccedil;&otilde;es que se fundir&atilde;o criando a TV Brasil. Nesse sentido, ele destaca: &ldquo;N&atilde;o h&aacute; determina&ccedil;&atilde;o de demiss&atilde;o em massa. Ali&aacute;s, esse &eacute; um comando do presidente da Rep&uacute;blica j&aacute; reiterado pelo ministro Franklin Martins&rdquo;. Castro lembra, por&eacute;m, que isso n&atilde;o significa que todos os fucion&aacute;rios t&ecirc;m garantia de perman&ecirc;ncia, pois haver&aacute; um processo de migra&ccedil;&atilde;o. Por motivos legais, os funcion&aacute;rios que fizeram concurso para entrar na Radiobr&aacute;s ser&atilde;o recebidos na nova empresa de forma imediata. &ldquo;Os funcion&aacute;rios da Acerp n&atilde;o foram selecionados por concurso, mas a gente sabe que a expertise deles em fazer televis&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o &eacute; algo que se encontra na rua. Por isso, foi feita uma regra de transi&ccedil;&atilde;o.&rdquo; A MP foi encaminhada ao Conselho Pol&iacute;tico e a reestrutura&ccedil;&atilde;o ser&aacute; feita ao longo deste semestre, esclareceu o assessor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap&oacute;s um processo democr&aacute;tico que envolveu estudos, debates, um f&oacute;rum nacional que reuniu grande parte do setor e a sociedade civil organizada em torno do assunto, a nova TV p&uacute;blica nacional &ndash; TV Brasil &ndash; teve seu &ldquo;esqueleto&rdquo; desenhado e editado na forma de medida provis&oacute;ria. 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