{"id":19448,"date":"2007-10-09T13:16:35","date_gmt":"2007-10-09T13:16:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19448"},"modified":"2007-10-09T13:16:35","modified_gmt":"2007-10-09T13:16:35","slug":"a-nova-era-dos-festivais-via-lei-rouanet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19448","title":{"rendered":"A nova era dos festivais via Lei Rouanet"},"content":{"rendered":"<p><span>Com o surgimento das tecnologias digitais (softwares, mp3, 4 e 5; Youtube; Myspace, etc), que tornaram poss&iacute;vel o barateamento da produ&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o da m&uacute;sica e outros meios, uma nova realidade come&ccedil;ou a ser constru&iacute;da a partir de 2001. Novas bandas obtiveram visibilidade e, na esteira dessa democratiza&ccedil;&atilde;o, grandes Festivais de M&uacute;sica Independente come&ccedil;aram a ser realizados de norte a sul do pa&iacute;s. Essa a&ccedil;&atilde;o da cultura alternativa, que teceu uma nova rede de produ&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento cultural, acaba de ser contemplada com o patroc&iacute;nio da Petrobr&aacute;s de R$ 2.500.000, atrav&eacute;s da Lei Rouanet.<\/p>\n<p><\/span><span>Fabr&iacute;cio Nobre, presidente da Abrafin &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Festivais Independentes, criada em dezembro de 2005 com o apoio do Sebrae (GO) e do Minist&eacute;rio do Trabalho atrav&eacute;s do SENAES (Secretaria Nacional da Economia Solid&aacute;ria), explica como se deu o processo: &ldquo;Conseguimos esse patroc&iacute;nio via edital p&uacute;blico, num concurso p&uacute;blico entre todos os tipos de festivais de m&uacute;sica independente no pa&iacute;s. O MinC, IMS e Petrobr&aacute;s reconheceram os festivais independentes de m&uacute;sica como fato transformador do cen&aacute;rio da m&uacute;sica brasileira, um verdadeiro espa&ccedil;o para nossos artistas e para tradi&ccedil;&otilde;es &agrave;s vezes esquecidas pela m&uacute;sica de mercado&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Nobre acredita que essa conquista prova que o mercado alternativo movimenta a produ&ccedil;&atilde;o, tem p&uacute;blico crescente, gera postos de trabalho, descentraliza a produ&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o e constr&oacute;i um novo circuito, ou novo paradigma. &ldquo;O patroc&iacute;nio vai favorecer festivais como Abril Pro Rock (PE), Bananada (GO), Goi&acirc;nia Noise Festival (GO), Do Sol (RN), Por&atilde;o do Rock (DF), Demo Sul (PR), MADA (RN), Ru&iacute;do (RJ), Eletronika (MG), Senhor Festival (DF), Calango (MT), Grito Rock (MT), BoomBahia (BA), Evidente (RJ), Jambolada (MG) e Varadouro (AC)&rdquo;, explica Fabr&iacute;cio.<\/p>\n<p><\/span><span>Esses Festivais s&atilde;o uma alternativa para romper com os v&iacute;cios e manipula&ccedil;&otilde;es da ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica como o jab&aacute;, a trilha da novela e a MTV, como j&aacute; se tentou no passado, mas nunca com tanto sucesso. Atrav&eacute;s deles grupos como M&oacute;veis Colonias de Acaj&uacute;; Ecos Falsos; Macaco Bong; Violins; Cooper Cabras e tantos outros podem mostrar seus trabalhos e obter visibilidade nacional. Especialmente porque, existe tamb&eacute;m uma m&iacute;dia alternativa mostrando esses p&oacute;los de cultura.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Eras de festivais<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Ao recordar a hist&oacute;ria dos festivais no Brasil, &eacute; preciso divid&iacute;-la, pois sempre existiram os eventos comandados pelo mainstreain e os alternativos. Os festivais apoiados por gravadoras surgiram atrav&eacute;s da extinta TV Excelsior paulista &#8211; em 1965 &#8211; e prosseguiram com a produ&ccedil;&atilde;o da TV Record &ndash; de 1966 at&eacute; 1968 &#8211; em seu per&iacute;odo de grande audi&ecirc;ncia, quando apareceram artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes, por exemplo. Grandes festivais foram produzidos pela TV Rio &ndash; 1966 &#8211; e prosseguiram at&eacute; sua extin&ccedil;&atilde;o nos anos 80, com as suas transmiss&otilde;es geradas pela TV Globo &ndash; de 1966 at&eacute; 1985. O Festival de &Aacute;guas Claras &#8211; SP que foi realizado em 1975, 1981, 1984 e 1985 &ndash; foi considerado o Wojosdireitoacotock brasileiro e projetou artistas do porte de Raul Seixas; Almir Sater; Walter Franco; Jorge Mautner; Tutti Frutti, entre outros. Em 1980 a TV Cultura de S&atilde;o Paulo revelou o saudoso Itamar Assump&ccedil;&atilde;o; Arrigo Barnab&eacute; e as cantoras Suzana Salles e Tet&ecirc; Espind&ocirc;la, em seu Festival Universit&aacute;rio. Esses dois &uacute;ltimos (&Aacute;guas Claras e da TV Cultura) tinham um cunho alternativo e de contra cultura. <\/p>\n<p><\/span><span>Num pa&iacute;s onde a cultura ainda n&atilde;o faz parte do desenho de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em 42,1% dos munic&iacute;pios e apenas 4,2% dos munic&iacute;pios contam com secretarias exclusivas de cultura, o patroc&iacute;nio deve impulsionar n&atilde;o apenas a m&uacute;sica, mas outras manifesta&ccedil;&otilde;es culturais que acontecem durante os festivais. Fabr&iacute;cio &eacute; enf&aacute;tico ao afirmar que os festivais n&atilde;o s&atilde;o apenas festinhas de fim de semana. &ldquo;Existe todo um cen&aacute;rio local e nacional em volta: m&uacute;sica, desenhistas, videomakers, engenheiros de som, pintores, poetas e cartunistas&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>O presidente da Associa&ccedil;&atilde;o lembra que, no Goi&acirc;nia Noise Festival &#8211; http:\/\/www.goianianoisefestival.com.br &#8211; fora toda a parte de m&uacute;sica, que envolve bandas, diferentes selos, produtores e t&eacute;cnicos, existe um grande incentivo a outras manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas. &ldquo;Este ano, estamos trabalhando com o cartunista Galv&atilde;o (vidabesta.com) e o nitrocorpz(.com), um grupo de designers que est&aacute; fazendo o site e as pe&ccedil;as gr&aacute;ficas. Vamos fazer uma mostra de designers e tamb&eacute;m vai ser produzida uma mostra de v&iacute;deo independente, que &eacute; fruto da TRASH (Mostra Goiana de V&iacute;deo Independente) que acontece anualmente. E ainda stands de camisetas de produ&ccedil;&atilde;o local e nacional, lojas de livros com escritores ligados &agrave; cena, fot&oacute;grafos e a produ&ccedil;&atilde;o de um document&aacute;rio do Festival. S&atilde;o infinitas as possibilidades!&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>Mas, em termos de mudan&ccedil;as estruturais, como o patroc&iacute;nio da Lei Rouanet altera os Festivais na quest&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o, log&iacute;stica, caches, divulga&ccedil;&atilde;o, etc? De acordo com o presidente da Abrafin &ldquo;os contemplados com certeza v&atilde;o ter uma estrutura mais complexa e pagar melhor os envolvidos. Pela primeira vez vamos conseguir ajuda de custo para todas as bandas no Goi&acirc;nia Noise, por exemplo. Al&eacute;m de melhores acomoda&ccedil;&otilde;es, melhor equipamento, talvez shows maiores, com pre&ccedil;os mais justos, interc&acirc;mbio internacional, etc. &Eacute; bem poss&iacute;vel que outros festivais sejam criados na expectativa da realiza&ccedil;&atilde;o com um suporte maior. Tenho certeza que essa a&ccedil;&atilde;o piloto da Petrobr&aacute;s vai gerar &oacute;timos frutos para todos, e tudo indica uma continuidade&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Bem diferente do cen&aacute;rio inicial, quando os formadores deste circuito, antes de tudo realizadores, trabalhadores da cultura, se viravam como podiam, conta Fabr&iacute;cio, e diz mais: &ldquo;Sempre trabalhamos duro com pouco. Mesmo os que trabalham com m&uacute;sica erudita ou folcl&oacute;rica. Realiza&ccedil;&otilde;es de shows, produ&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sica, discos, conte&uacute;do, tudo independente sem suporte institucional ou financeiro. Fazemos parte da verdadeira rede de cultura alternativa. Agora, com mais reconhecimento de m&iacute;dia, dos governos e at&eacute; de empresas privadas. As coisas t&ecirc;m melhorado. Est&aacute; tudo em desenvolvimento, estamos chegando a um bom momento&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Bom Momento<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A Petrobras est&aacute; investindo R$ 2.500.000,00 (dois milh&otilde;es e quinhentos mil reais) e a Cervejaria Sol mais 500 mil. Os governos estaduais tamb&eacute;m t&ecirc;m se interessado por a&ccedil;&otilde;es do tipo. O p&uacute;blico cresce a cada dia. Devagar, mas cresce. A Abrafin re&uacute;ne desde festivais com mais 10 anos de realiza&ccedil;&atilde;o a eventos iniciantes. Juntos, estes festivais re&uacute;nem cerca de 300 mil pessoas e movimentam uma quantia superior a 5 milh&otilde;es de reais por ano, al&eacute;m de gerar pelo menos 5.000 empregos fixos e outros tempor&aacute;rios, em 26 festivais, que devem chegar a 30 at&eacute; o final do ano.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;A Abrafin est&aacute; fazendo um estudo junto com a SENAES &ndash; MTE para levantar todos os n&uacute;meros com exatid&atilde;o e teremos isso at&eacute; o final de 2008&rdquo;, diz Fabr&iacute;cio Nobre. Preocupado com a perenidade e a consolida&ccedil;&atilde;o dos Festivais de M&uacute;sica Independente como p&oacute;los de gera&ccedil;&atilde;o de cultura alternativa, Fabr&iacute;cio se mostra bem focado para o futuro: &ldquo;Temos que nos organizar associativamente para poder mostrar articula&ccedil;&atilde;o e volume, temos trabalhadores como em qualquer outro tipo de ind&uacute;stria, s&oacute; que ainda n&atilde;o polu&iacute;mos. Proporcionamos conhecimento, divers&atilde;o, aumento de autoestima para todos. Movimentamos muito dinheiro e temos pouco incentivo, t&aacute; na hora disso mudar. Vamos levantar n&uacute;meros e nos mostrar para os governos, minist&eacute;rios e etc. Mostrar que vale a pena o investimento em cultura alternativa, m&uacute;sica independente. Que isso traz benef&iacute;cios &agrave;s cidades, pessoas, ao pa&iacute;s. Ficar chorando ou reclamando n&atilde;o &eacute; pol&iacute;tica da Abrafin, nossa politica &eacute; realiza&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o, e mostrar o que somos capazes com um pouco mais de suporte&rdquo;, conclui.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o surgimento das tecnologias digitais (softwares, mp3, 4 e 5; Youtube; Myspace, etc), que tornaram poss&iacute;vel o barateamento da produ&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o da m&uacute;sica e outros meios, uma nova realidade come&ccedil;ou a ser constru&iacute;da a partir de 2001. 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