{"id":19440,"date":"2007-10-08T20:21:17","date_gmt":"2007-10-08T20:21:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19440"},"modified":"2007-10-08T20:21:17","modified_gmt":"2007-10-08T20:21:17","slug":"concessoes-no-espirito-santo-a-barbarie-que-nao-passa-nos-radios-e-tvs-capixabas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19440","title":{"rendered":"Concess\u00f5es no Esp\u00edrito Santo: a barb\u00e1rie que n\u00e3o passa nos r\u00e1dios e TVs capixabas"},"content":{"rendered":"<p><span>No dia 05 de outubro venceram as concess&otilde;es p&uacute;blicas de diversas emissoras de televis&atilde;o do pa&iacute;s. <\/span>Esta foi a data escolhida para o lan&ccedil;amento da Campanha por Democracia e Transpar&ecirc;ncia nas Concess&otilde;es de R&aacute;dio e TV, que aconteceu em 16 capitais brasileiras. No Esp&iacute;rito Santo, um ato em frente &agrave; TV Gazeta de Linhares, que est&aacute; na lista das centenas de emissoras com a concess&atilde;o vencida, foi um marco na rela&ccedil;&atilde;o entre a sociedade capixaba e as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o do Estado. <\/p>\n<p>Para obter o direito de transmitir sinais de TV e r&aacute;dio &eacute; preciso que um grupo empresarial receba uma concess&atilde;o p&uacute;blica. Cabe portanto ao Estado conceder, por um determinado tempo, o direito de utiliza&ccedil;&atilde;o de um bem que &eacute; p&uacute;blico, ou seja, pertencente ao conjunto dos cidad&atilde;os deste pa&iacute;s. Contraditoriamente, essa informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; de conhecimento geral da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Qual emissora de TV ou de r&aacute;dio tem como h&aacute;bito transmitir essa informa&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o? Esta omiss&atilde;o deliberada ajuda a construir a imagem de que n&atilde;o cabe ao Estado e a sociedade construirem um processo de avalia&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es p&uacute;blicas de r&aacute;dio e TV e de se posicionarem quando do momento de sua renova&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As concess&otilde;es comerciais de r&aacute;dio t&ecirc;m dura&ccedil;&atilde;o de 10 anos, enquanto na TV o prazo &eacute; de 15 anos. Ap&oacute;s este per&iacute;odo as concess&otilde;es podem ou n&atilde;o ser renovadas. Infelizmente, historicamente o processo de renova&ccedil;&atilde;o destas concess&otilde;es &eacute; autom&aacute;tico e sem qualquer debate p&uacute;blico e fiscaliza&ccedil;&atilde;o por parte do Estado e da sociedade. Sabe-se que jamais na hist&oacute;ria deste pa&iacute;s uma concess&atilde;o p&uacute;blica de r&aacute;dio e TV n&atilde;o foi renovada. E pior, centenas de emissoras de r&aacute;dio e TV est&atilde;o com suas concess&otilde;es vencidas h&aacute; anos. No Esp&iacute;rito Santo o quadro, sem qualquer visibilidade p&uacute;blica, &eacute; de total descontrole. <\/p>\n<p>Das 14 concess&otilde;es de TV em funcionamento no Estado, tr&ecirc;s (21,4%) est&atilde;o vencidas: TV Gazeta (2005), TV Gazeta Linhares (maio de 2007), e TVE (1991). Entre as emissoras de r&aacute;dio FM, das 54 outorgadas existem 24 vencidas (44,4%). J&aacute; entre as 23 r&aacute;dios AM existem 16 vencidas (69,5%). Atrav&eacute;s das chamadas &quot;autoriza&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias&quot; estas emissoras continuam a operar normalmente. Em muitos casos o processo de renova&ccedil;&atilde;o pode ter dura&ccedil;&atilde;o de at&eacute; sete anos. Ou seja, ao longo deste per&iacute;odo, que legalmente deveria ser de poucos meses, a emissora continua operando com uma concess&atilde;o p&uacute;blica vencida e nada acontece.&nbsp;<\/p>\n<p>Nunca houve um processo amplo, transparente e democr&aacute;tico de debate na sociedade sobre o papel desempenhado por uma emissora ao longo do tempo em que esta deteve a concess&atilde;o p&uacute;blica. Audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas para que o cidad&atilde;o possa emitir sua opini&atilde;o sobre a programa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o realizadas. As emissoras comerciais n&atilde;o promovem programas que tratem deste assunto. As mesmas emissoras n&atilde;o realizam ao longo dos anos semin&aacute;rios para que a sociedade possa constantemente avali&aacute;-las. Como no Brasil, diferentemente de outros pa&iacute;ses, um mesmo grupo comercial pode controlar TV&#39;s, r&aacute;dios, jornais e Internet, h&aacute; um sil&ecirc;ncio autorit&aacute;rio sobre o tema. <\/p>\n<p>&Eacute; importante destacar que a Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira estabelece que as emissoras de TV e r&aacute;dio atender&atilde;o aos seguintes princ&iacute;pios: prefer&ecirc;ncia a finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas; promo&ccedil;&atilde;o da cultura nacional e regional e est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente que objetive sua divulga&ccedil;&atilde;o; regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e jornal&iacute;stica; respeito aos valores &eacute;ticos e sociais da pessoa e da fam&iacute;lia. Quem liga a TV e o r&aacute;dio no Brasil percebe que muitas vezes estes princ&iacute;pios n&atilde;o s&atilde;o cumpridos por conta de interesses comerciais. <\/p>\n<p>In&uacute;meras outras irregularidades acontecem em detrimento do interesse p&uacute;blico. A Constitui&ccedil;&atilde;o estabelece que nenhum parlamentar pode ter rela&ccedil;&atilde;o direta com qualquer empresa concession&aacute;ria p&uacute;blica. Entretanto, um em cada tr&ecirc;s senadores &eacute; concession&aacute;rio de r&aacute;dio e TV. Na C&acirc;mara dos Deputados 15% dos parlamentares s&atilde;o radiodifusores. Na Assembl&eacute;ia Legislativa do Esp&iacute;rito Santo existem pelo menos tr&ecirc;s deputados (10%) que mant&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o com emissoras de r&aacute;dio: Guerino Zanon (PMDB), Luciano Pereira (PSB) e Giuliano dos Anjos (DEM). Esta rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica entre as emissoras de r&aacute;dio e TV e parlamentares contribui decisivamente para a falta de transpar&ecirc;ncia e fiscaliza&ccedil;&atilde;o no setor al&eacute;m de possibilitar a utiliza&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es p&uacute;blicas para fins pol&iacute;ticos partid&aacute;rios. <\/p>\n<p>No que diz respeito &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias capixabas esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; muito semelhante. Um estudo realizado pelos pesquisadores Ven&iacute;cio Lima e Cristiano Lopes apontou que entre as 35 autoriza&ccedil;&otilde;es concedidas pelo Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es entre 1999 e 2004, 22 (63%) mant&ecirc;m v&iacute;nculo com pol&iacute;ticos e duas (6%) com entidades religiosas. Um caso de conhecimento p&uacute;blico na capital capixaba &eacute; a presen&ccedil;a do vereador licenciado Jos&eacute; Carlos Lyrio Rocha (PSDB) no controle da R&aacute;dio Comunit&aacute;ria da Praia do Canto. <\/p>\n<p>Foram essas e outras irregularidades no processo de autoriza&ccedil;&atilde;o, renova&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es p&uacute;blicas de r&aacute;dio e TV que motivaram o Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, a Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT) e a Uni&atilde;o Nacional dos Estudantes (UNE) a protocolarem no Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, no &uacute;ltimo dia 05, um pedido de informa&ccedil;&atilde;o sobre as centenas de concess&otilde;es p&uacute;blicas vencidas em todo pa&iacute;s, incluindo as emissoras capixabas. Outras a&ccedil;&otilde;es judiciais ser&atilde;o utilizadas para que a barb&aacute;rie no setor n&atilde;o permane&ccedil;a. <\/p>\n<p>Sil&ecirc;ncio na m&iacute;dia capixaba. No &uacute;ltimo dia 05, cerca de 300 pessoas da Via Campesina e da Rede Alerta contra o Deserto Verde realizaram em frente &agrave; TV Gazeta em Linhares um j&uacute;ri popular durante o qual a emissora foi acusada de criminalizar os movimentos sociais, principalmente as comunidades ind&iacute;genas de Aracruz e as comunidades quilombolas do Sap&ecirc; do Norte que lutam pela retomada de suas terras. Pela decis&atilde;o popular do j&uacute;ri, a Rede Globo e a Rede Gazeta foram condenadas a n&atilde;o terem suas concess&otilde;es renovadas. <\/p>\n<p>A Campanha Nacional por Democracia e Transpar&ecirc;ncia nas Concess&otilde;es P&uacute;blicas de R&aacute;dio e TV reivindica ainda a convoca&ccedil;&atilde;o de uma Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o ampla e democr&aacute;tica para a constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de um novo marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es ( www.proconferencia.com.br). Outra exig&ecirc;ncia &eacute; a instala&ccedil;&atilde;o de comiss&otilde;es de acompanhamento da programa&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias, com participa&ccedil;&atilde;o efetiva da sociedade civil, para avalia&ccedil;&atilde;o e elabora&ccedil;&atilde;o de pareceres que subsidiem a renova&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o das concess&otilde;es.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos meses os mais diversos setores e grupos sociais v&ecirc;m construindo um processo cont&iacute;nuo e muito bem qualificado de questionamento ao oligop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. Pesquisas apontam a perda de credibilidade e audi&ecirc;ncia das grandes redes de comunica&ccedil;&atilde;o. A cr&iacute;tica &agrave; m&iacute;dia est&aacute; na ordem do dia para aqueles e aquelas que n&atilde;o v&ecirc;em o pluralismo presente na sociedade brasileira representado nos meios, e para os que compreendem que para uma efetiva transforma&ccedil;&atilde;o da realidade social, pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica brasileira &eacute; preciso que haja uma profunda democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o neste pa&iacute;s. <\/p>\n<p>No Esp&iacute;rito Santo, os desafios s&atilde;o os mesmos. Por isso precisamos do envolvimento de todos e todas neste processo para que possamos romper o sil&ecirc;ncio e construirmos juntos mecanismos de avalia&ccedil;&atilde;o e acompanhamento das concess&otilde;es p&uacute;blicas de R&aacute;dio e TV do Estado.&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Fl&aacute;vio Gon&ccedil;alves &eacute; jornalista e integrante do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social<font size=\"3\"><\/font><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 05 de outubro venceram as concess&otilde;es p&uacute;blicas de diversas emissoras de televis&atilde;o do pa&iacute;s. Esta foi a data escolhida para o lan&ccedil;amento da Campanha por Democracia e Transpar&ecirc;ncia nas Concess&otilde;es de R&aacute;dio e TV, que aconteceu em 16 capitais brasileiras. 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