{"id":19378,"date":"2007-10-02T11:30:24","date_gmt":"2007-10-02T11:30:24","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19378"},"modified":"2007-10-02T11:30:24","modified_gmt":"2007-10-02T11:30:24","slug":"norma-do-minc-vai-regulamentar-cineclubes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19378","title":{"rendered":"Norma do Minc vai regulamentar Cineclubes"},"content":{"rendered":"<p><span>Espera-se para esta semana a publica&ccedil;&atilde;o da Instru&ccedil;&atilde;o Normativa da Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema (Ancine) que institui a figura jur&iacute;dica dos Cineclubes novamente na burocracia brasileira. Sim, apesar de praticamente qualquer um saber o que &eacute; um cineclube, ao menos por aproxima&ccedil;&atilde;o, h&aacute; 18 anos n&atilde;o existe no Brasil a regulamenta&ccedil;&atilde;o da atividade, um registro das institui&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o cineclubes, ou sequer uma conceitua&ccedil;&atilde;o do que seriam cineclubes.<\/p>\n<p><\/span><span>A Instru&ccedil;&atilde;o Normativa (IN), que deve ser aprovada em reuni&atilde;o da Diretoria Colegiada neste dia 2 de outubro, tem como preceito b&aacute;sico delimitar os cineclubes como espa&ccedil;os de exibi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-comercial de obras audiovisuais nacionais e estrangeiras e de atividades correlatas. Por isso, os cineclubes s&atilde;o entidades constitu&iacute;das sob a forma de sociedade civil, sem fins lucrativos, que t&ecirc;m como objetivos serem espa&ccedil;os para a multiplica&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blico e forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o para o setor audiovisual. A IN abre ainda a possibilidade do registro de entidades que se pretendem cineclubes junto &agrave; Ancine, facultativo e com dura&ccedil;&atilde;o de dois anos, com emiss&atilde;o de um certificado de registro.<\/p>\n<p><\/span><span>Na &ldquo;Exposi&ccedil;&atilde;o de Motivos&rdquo;, documento com o objetivo de justificar o projeto da IN, foi destacado ainda o papel dos cineclubes na universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave;s obras audiovisuais, em especial as nacionais, e a possibilidade de permitir &agrave; Ag&ecirc;ncia o acompanhamento desse segmento de mercado &#8211; na pr&aacute;tica, desconhecido -, e tamb&eacute;m de como disciplin&aacute;-lo e distingu&iacute;-lo das salas de exibi&ccedil;&atilde;o comercial. A constru&ccedil;&atilde;o da Exposi&ccedil;&atilde;o e da IN envolveu, de acordo com seu proponente, o diretor Leopoldo Nunes, todas as inst&acirc;ncias t&eacute;cnicas da Ag&ecirc;ncia e a participa&ccedil;&atilde;o popular, atrav&eacute;s do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC).<\/p>\n<p><\/span><span>Para Nunes, este momento representa a retomada de um exerc&iacute;cio de formaliza&ccedil;&atilde;o da atividade, e at&eacute; por isso &eacute; interessante que as entidades tenham a op&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o faz&ecirc;-lo. &ldquo;&Eacute; um processo iniciado numa Proposta de A&ccedil;&atilde;o que vem sendo discutida desde minha entrada, com debate e problematiza&ccedil;&atilde;o pensados para permitir seu amadurecimento. Na Consulta P&uacute;blica, surgiram de 800 a 900 contribui&ccedil;&otilde;es, a maioria apoios integrais ao texto, al&eacute;m de altera&ccedil;&otilde;es gramaticais ou de ordens de artigos, todas j&aacute; consolidadas pela nossa ouvidoria, ap&oacute;s uma longa discuss&atilde;o que durou seis meses&rdquo;, diz. A Consulta P&uacute;blica esteve aberta at&eacute; 15 dias atr&aacute;s, por um per&iacute;odo de aproximadamente um m&ecirc;s.<\/p>\n<p><\/span><span>O gestor problematiza a quest&atilde;o: &ldquo;Essa regulamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria para voc&ecirc; definir o que &eacute; o espa&ccedil;o n&atilde;o-comercial. Se n&atilde;o &eacute; regulamentado, tudo come&ccedil;a a fazer parte da mesma regra: a regra comercial. O cineclube n&atilde;o &eacute; uma estrutura comercial, tem explora&ccedil;&atilde;o diferente, associativa\/cultural, e sem fins lucrativos. Outra coisa muito relevante, do ponto de vista cultural, &eacute; voc&ecirc; pegar filmes que n&atilde;o fizeram carreira comercial &#8211; alguns consagrad&iacute;ssimos, dos melhores j&aacute; foram produzidos no pa&iacute;s &#8211; e que passaram a pertencer &agrave; cinematografia brasileira atrav&eacute;s do movimento cineclubista. O Cineclube existe e deve ser definido para n&atilde;o gerar um atrito violento com estruturas como a Ancine&rdquo;, diz Nunes.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>De um passado nebuloso &agrave; a&ccedil;&atilde;o do movimento<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Embora com um movimento cineclubista reconhecido, em especial entre os anos 70 e 80, do qual fizeram parte cineastas como o pr&oacute;prio Leopoldo Nunes, os cineclubes sofreram com o &ldquo;desmonte&rdquo; do cinema, ocorrido no final da d&eacute;cada de 1980. Desregulamentada, a atividade foi tamb&eacute;m desarticulada, e sem entidades ou mesmo uma legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica ficou relegada &agrave;s iniciativas particulares. No final da d&eacute;cada de 90 o movimento retomou o f&ocirc;lego, com a realiza&ccedil;&atilde;o de diversas jornadas de Cineclubes, e a constitui&ccedil;&atilde;o, em 2004, do CNC, que tem organizado assembl&eacute;ias e apoiado projetos do atual governo, como o Programadora Brasil e o Programa Cultura Viva.<\/p>\n<p><\/span><span>Antonio Claudino Jesus, presidente do CNC e vice-presidente da federa&ccedil;&atilde;o internacional do setor, conta que a proposta da IN saiu dos f&oacute;runs da entidade, em 2006, e foi proposta no come&ccedil;o deste ano &agrave; Ancine., junto da diretoria coordenada pelo Leopoldo Nunes. &ldquo;Essa IN foi provocada pelo conselho, que se mobilizou para que ela existisse&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Um novo audiovisual?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Apesar das conjecturas da Ancine e do CNC acerca da import&acirc;ncia deste momento para a estrutura&ccedil;&atilde;o das salas de exibi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-comerciais, n&atilde;o se sabe ao certo quantas, quais e como s&atilde;o estas salas, nem o que s&atilde;o as redes que formam &#8211; se &eacute; que h&aacute; redes j&aacute; formadas. O projeto tem tamb&eacute;m este fator pol&iacute;tico, de auxiliar o cadastro destas entidades e consolidar o CNC como entidade articuladora dos cineclubes em n&iacute;vel nacional, realizando suas iniciativas e apoiando outras. Mas &eacute; fato que, entre Pontos de Cultura, escolas, clubes e entidades afins, pouco se sabe acerca de quem &eacute; ou n&atilde;o cineclube hoje.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;A id&eacute;ia &eacute; justamente acabar com este vazio institucional, e formar uma identidade para os cineclubes para al&eacute;m da legisla&ccedil;&atilde;o que h&aacute; hoje. Cineclube &eacute; uma entidade, sem fins lucrativos, formada em torno do cinema, com o objetivo de formar e organizar um p&uacute;blico para debates sobre o cinema ou a partir do cinema, e com isso fomentar tamb&eacute;m a cidadania&rdquo;, coloca Jesus. Ele tamb&eacute;m frisa a import&acirc;ncia de entender que estes espa&ccedil;os podem existir dentro de outras institui&ccedil;&otilde;es, como escolas, sindicatos ou igrejas, ou mesmo ser clubes de intelectuais debatendo t&eacute;cnicas cinematogr&aacute;ficas.<\/p>\n<p><\/span><span>Membro do cineclube da associa&ccedil;&atilde;o de moradores do seu bairro, Jesus aponta que, apesar de pouco organizados, os cineclubes s&atilde;o hoje plurais. Cerca de 100 cineclubes filiados formalmente ao CNC, mas j&aacute; h&aacute; mais de 300 mapeados pa&iacute;s afora. Exibe-se, hoje, de salas estruturadas, com ilumina&ccedil;&atilde;o e isolamento ac&uacute;stico at&eacute; velas de pescadores no nordeste ou paredes de conjuntos habitacionais nas periferias de S&atilde;o Paulo. Tal diversidade e capilaridade, por sua vez, aproximam os cineclubes de propostas como o Programa Cultura Viva, e muitos cineclubes t&ecirc;m se tornado Pontos de Cultura &#8211; uma forma de se organizarem melhor e crescerem, sem enfrentar tantas dificuldades burocr&aacute;ticas. E muitos deles t&ecirc;m come&ccedil;ado a produzir suas pr&oacute;prias experi&ecirc;ncias em audiovisual.<\/p>\n<p><\/span><span>Outro exemplo deste &ldquo;momento de milit&acirc;ncia&rdquo; foi o Primeiro F&oacute;rum de Experi&ecirc;ncias Populares em Audiovisual, de onde saiu a &ldquo;Carta da Mar&eacute;&rdquo;, realizado em junho deste ano. Foram reunidos 42 grupos, que levaram suas propostas ao Minist&eacute;rio da Cultura. Entre elas, estender as pol&iacute;ticas de financiamento, distribui&ccedil;&atilde;o e exibi&ccedil;&atilde;o das produ&ccedil;&otilde;es para fomentar o audiovisual popular; criar editais p&uacute;blicos adequados aos &ldquo;n&uacute;cleos populares&rdquo; de forma&ccedil;&atilde;o audiovisual e regionalizados; divulgar as produ&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas atrav&eacute;s da TV p&uacute;blica e do Programadora Brasil; fomentar a co-produ&ccedil;&atilde;o com TVs p&uacute;blicas e comerciais; integrar as universidades p&uacute;blicas, institui&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e o poder p&uacute;blico a estas pol&iacute;ticas; e o desenvolvimento de pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o audiovisual em conjunto com a sociedade civil.<\/p>\n<p><\/span><span>Apesar da aprova&ccedil;&atilde;o prevista para esta semana, a IN dos cineclubes ter&aacute; ainda um lan&ccedil;amento simb&oacute;lico, previsto para a Pr&eacute;-jornada de Cineclubes, em Vit&oacute;ria, e que deve ocorrer at&eacute; o come&ccedil;o de novembro. Para Nunes, &ldquo;&eacute; um evento muito importante, e vamos procurar estar l&aacute;, firmando este canal com o movimento&rdquo;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espera-se para esta semana a publica&ccedil;&atilde;o da Instru&ccedil;&atilde;o Normativa da Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema (Ancine) que institui a figura jur&iacute;dica dos Cineclubes novamente na burocracia brasileira. 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