{"id":19361,"date":"2007-09-29T13:57:11","date_gmt":"2007-09-29T13:57:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19361"},"modified":"2007-09-29T13:57:11","modified_gmt":"2007-09-29T13:57:11","slug":"creative-commons-uma-solucao-criativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19361","title":{"rendered":"Creative Commons: uma solu\u00e7\u00e3o criativa"},"content":{"rendered":"<div class=\"BLOG_POST_TITLE\">O Creative Commons &eacute; um projeto de licenciamento baseado integralmente na legisla&ccedil;&atilde;o vigente sobre os direitos autorais. As licen&ccedil;as do Creative Commons permitem que criadores intelectuais possam gerenciar diretamente os seus direitos, autorizando &agrave; coletividade alguns usos sobre sua cria&ccedil;&atilde;o e vedando outros. Ele &eacute; um projeto volunt&aacute;rio: cabe a cada autor decidir por seu uso e qual licen&ccedil;a adotar. Existem v&aacute;rias modalidades de licenciamento, desde mais restritas at&eacute; mais amplas. A licen&ccedil;a mais utilizada do Creative Commons n&atilde;o permite o uso comercial da obra. A obra pode circular legalmente, mas quando utilizada com fins comerciais (por exemplo, quando toca no r&aacute;dio ou na televis&atilde;o comerciais), os direitos autorais devem ser normalmente recolhidos. Essa licen&ccedil;a possibilita a ampla divulga&ccedil;&atilde;o da obra, mas mant&eacute;m o controle sobre sua explora&ccedil;&atilde;o comercial.<\/p>\n<p>O projeto tem sido criticado recentemente por representantes das sociedades que fazem a arrecada&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de direitos autorais, como a UBC (Uni&atilde;o Brasileira dos Compositores) ou o Ecad. Tais cr&iacute;ticas s&atilde;o compreens&iacute;veis. Essas sociedades vivem h&aacute; muito tempo uma crise de legitimidade de duas naturezas: interna e externa. Interna porque precisam conviver com a insatisfa&ccedil;&atilde;o permanente de seus pr&oacute;prios membros. Apesar do aumento significativo da arrecada&ccedil;&atilde;o do Ecad (de 112 milh&otilde;es em 2000 para 260 milh&otilde;es de reais em 2006), esses recursos ainda n&atilde;o chegam adequadamente &agrave; maioria dos autores.Quando chegam, isso ocorre ap&oacute;s a dedu&ccedil;&atilde;o de taxas de administra&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o s&atilde;o estabelecidas pelo mercado, mas arbitradas, j&aacute; que o Ecad det&eacute;m o monop&oacute;lio sobre sua fun&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A segunda crise de legitimidade &eacute; externa. Com o surgimento da cultura digital, o n&uacute;mero de pessoas que passaram a criar obras intelectuais multiplicouse enormemente. Enquanto isso, todas as sociedades arrecadadoras do mundo, quando reunidas, representam menos de 3 milh&otilde;es de autores. &Eacute; muito pouco. Esse baixo n&uacute;mero de representados contrasta com o crescente n&uacute;mero de novos criadores na era digital, ansiosos por modelos inovadores de gest&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o das suas obras.<\/p><\/div>\n<div class=\"BLOG_POST_TITLE\">O Creative Commons ajuda a atender parte desses anseios e por isso &eacute; criticado. J&aacute; as sociedades arrecadadoras, por sua vez, permanecem com um grave dilema institucional. Ao verificar o estatuto do Ecad, por exemplo, nota-se que o poder de voto dentro da institui&ccedil;&atilde;o &eacute; dado de acordo com o volume de recursos arrecadados por suas sociedades-membro no ano imediatamente anterior. Ou seja, quem arrecada mais dinheiro tem mais voto. &Eacute; uma representatividade n&atilde;o de pessoas, mas de poder econ&ocirc;mico (em vez de democracia, plutocracia). Isso praticamente inviabiliza o surgimento de novas associa&ccedil;&otilde;es de autores. Especialmente associa&ccedil;&otilde;es que re&uacute;nam a nova gera&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sicos, por natureza arredios &agrave; inefici&ecirc;ncia, &agrave; burocracia e &agrave; aus&ecirc;ncia de transpar&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Quando um artista licencia sua obra atrav&eacute;s do Creative Commons, ele n&atilde;o abdica de maneira alguma dos direitos sobre ela. Ele permanece a todo momento como dono da totalidade dos direitos sobre a sua cria&ccedil;&atilde;o. Essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; diferente, por exemplo, do modelo em que criadores intelectuais transferem a totalidade dos seus direitos para um intermedi&aacute;rio. Nessa situa&ccedil;&atilde;o, sim, o criador deixa de ser o dono de sua obra. A partir desse momento, nada mais pode fazer com ela. &Eacute; ineg&aacute;vel que autores e criadores t&ecirc;m o direito de optar sobre como explorar sua obra. Mas &eacute; claramente do seu interesse poder conjugar a manuten&ccedil;&atilde;o dos seus direitos com a distribui&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o de suas obras. Quando um grupo musical como o Momboj&oacute; licencia suas m&uacute;sicas atrav&eacute;s do Creative Commons, isso n&atilde;o impede &mdash; se o grupo assim desejar &mdash; o lan&ccedil;amento de disco com essas m&uacute;sicas por uma gravadora. Ao contr&aacute;rio, maximiza o alcance da sua cria&ccedil;&atilde;o, legalmente, enquanto preserva o controle sobre sua explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Esse &eacute; apenas um dos caminhos que os criadores da nova gera&ccedil;&atilde;o est&atilde;o interessados em trilhar. O desafio &eacute; inventar novos modelos, gerando formas de sustentabilidade econ&ocirc;mica mais eficientes e democr&aacute;ticas para a cria&ccedil;&atilde;o intelectual, mais adequados &agrave; nova realidade digital. Trata-se de um desafio para toda a sociedade.O Minist&eacute;rio da Cultura tem sido elogiado no Brasil e no mundo por ter abra&ccedil;ado essa discuss&atilde;o, incentivando a busca de solu&ccedil;&otilde;es criativas para seus impasses. Por causa desse pioneirismo, o ministro Gilberto Gil realizou o discurso de abertura da assembl&eacute;ia geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Propriedade Intelectual em Genebra no ano passado, convite raro para autoridades brasileiras.<\/p>\n<p>O Creative Commons responde apenas por permitir algumas possibilidades de experimenta&ccedil;&atilde;o, que j&aacute; foram adotadas por muitos artistas zelosos de seus direitos. Apesar de volunt&aacute;rio, hoje existem cerca de 150 milh&otilde;es do obras licenciadas atrav&eacute;s do projeto. Ao mesmo tempo, seu escopo vai muito al&eacute;m das obras musicais. Um dos seus aspectos mais importantes &eacute; o chamado Science Commons, que fortalece e amplia a dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico. Assim, o Creative Commons demonstra que, nesta &eacute;poca de grande autonomia gerada pela tecnologia digital, &eacute; poss&iacute;vel que o direito autoral seja exercido diretamente, e com grande facilidade e praticidade, pelos autores e criadores, e n&atilde;o apenas atrav&eacute;s de intermedi&aacute;rios.<\/p>\n<p>* Ronaldo Lemos&nbsp;&eacute; diretor do Creative Commons no Brasil<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Creative Commons &eacute; um projeto de licenciamento baseado integralmente na legisla&ccedil;&atilde;o vigente sobre os direitos autorais. As licen&ccedil;as do Creative Commons permitem que criadores intelectuais possam gerenciar diretamente os seus direitos, autorizando &agrave; coletividade alguns usos sobre sua cria&ccedil;&atilde;o e vedando outros. Ele &eacute; um projeto volunt&aacute;rio: cabe a cada autor decidir por seu &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19361\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Creative Commons: uma solu\u00e7\u00e3o criativa<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[443],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19361"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19361\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}