{"id":19346,"date":"2007-09-27T16:18:10","date_gmt":"2007-09-27T16:18:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19346"},"modified":"2014-09-07T02:54:10","modified_gmt":"2014-09-07T02:54:10","slug":"tereza-cruvinel-do-jornal-o-globo-vai-presidir-nova-emissora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19346","title":{"rendered":"Tereza Cruvinel, do jornal O Globo, vai presidir nova emissora"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>Governo mant&eacute;m proposta para modelo de gest&atilde;o da futura empresa mantenedora da TV Brasil, que ter&aacute; conselho indicado pelo Executivo federal. Tereza Cruvinel, jornalista da Globo h&aacute; vinte anos, ser&aacute; a primeira presidente da empresa, que ter&aacute; sede no Rio de Janeiro.<br \/><\/em><br \/>Em dois dias, o governo federal voltou a decepcionar as organiza&ccedil;&otilde;es que atuam no campo das comunica&ccedil;&otilde;es, repetindo erros anteriores, como no abandono do projeto da Ancinav (Ag&ecirc;ncia Nacional do Audiovisual), na manuten&ccedil;&atilde;o da repress&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias e nas decis&otilde;es acerca da implementa&ccedil;&atilde;o da TV digital. Na ter&ccedil;a, 25\/09, em encontro reservado &agrave;s entidades representativas das emissoras do campo p&uacute;blico (educativas, legislativas, universit&aacute;rias e comunit&aacute;rias), a Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (Secom) apresentou o modelo de gest&atilde;o da empresa que nascer&aacute; da fus&atilde;o da Radiobr&aacute;s e da TVE. No dia seguinte, jornais e blogs anunciavam que a presid&ecirc;ncia da empresa ser&aacute; exercida por Tereza Cruvinel, colunista do jornal O Globo e funcion&aacute;ria da fam&iacute;lia Marinho h&aacute; vinte anos.<\/p>\n<p>Pelo modelo de gest&atilde;o apresentado &agrave;s entidades do campo p&uacute;blico, a Secom manteve a ess&ecirc;ncia da proposta anteriormente divulgada por este Observat&oacute;rio, em que o conselho curador da nova empresa ser&aacute; indicado diretamente pelo presidente da Rep&uacute;blica, sem a necessidade de aprova&ccedil;&atilde;o por &oacute;rg&atilde;o independente. A diretoria-executiva da empresa tamb&eacute;m ser&aacute; indicada pelo chefe do Poder Executivo federal, igualmente sem a necessidade de referendo por inst&acirc;ncia aut&ocirc;noma em rela&ccedil;&atilde;o ao governo.<\/p>\n<p><\/span><span>Com a consolida&ccedil;&atilde;o da proposta, que deve ser publicada no Di&aacute;rio Oficial em forma de Medida Provis&oacute;ria (MP) na pr&oacute;xima semana, o governo despreza integralmente as propostas de diversas organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, que no final de agosto divulgaram manifesto com cr&iacute;ticas ao modelo de gest&atilde;o anunciado pela Secom. Segundo o texto [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=19041\">que pode ser acessado clicando aqui<\/a>], &ldquo;com um conselho indicado pelo presidente, a TV pode j&aacute; nascer sem autonomia e independ&ecirc;ncia, objetivo maior de uma emissora que se pretende p&uacute;blica. N&atilde;o &eacute; a mera exist&ecirc;ncia de um &oacute;rg&atilde;o gestor que confere &agrave; emissora este car&aacute;ter. &Eacute; preciso que ele seja plural e representativo, preservando a independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a governos e ao mercado, funcionando com base na gest&atilde;o democr&aacute;tica e participativa&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>O conselho da nova empresa <\/span><span>ter&aacute; 19 membros e um presidente, sendo 15 deles indicados pelo presidente da Rep&uacute;blica, quatro membros natos dos minist&eacute;rios da Educa&ccedil;&atilde;o, Cultura, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e Secom, e um representante dos funcion&aacute;rios da empresa. Ainda n&atilde;o est&atilde;o claras quais ser&atilde;o as atribui&ccedil;&otilde;es do conselho e se o &oacute;rg&atilde;o ter&aacute; realmente poder para interferir na gest&atilde;o da empresa. Segundo assessores da Secom, a partir da primeira renova&ccedil;&atilde;o do conselho haver&aacute; um mecanismo de &quot;consulta p&uacute;blica &quot;, mas ainda n&atilde;o est&aacute;&nbsp;decidido como esta consulta ser&aacute; feita e se seus resultados ser&atilde;o meramente indicativos ou se ter&atilde;o incid&ecirc;ncia real na indica&ccedil;&atilde;o dos novos membros do conselho.<\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; a gest&atilde;o cotidiana da empresa ser&aacute; exercida por uma diretoria operacional, indicada pelo diretor-presidente e pelo diretor-geral, estes, por sua vez, escolhidos pelo presidente da Rep&uacute;blica. A diretoria ser&aacute; composta por at&eacute; seis membros, dentre eles um diretor de conte&uacute;do, um de jornalismo e um administrativo-financeiro. A sede da empresa ser&aacute; no Rio de Janeiro, com emissoras tamb&eacute;m em S&atilde;o Paulo, Maranh&atilde;o e Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Repercuss&atilde;o negativa<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Algumas das principais organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil criticam duramente o an&uacute;ncio de que a gest&atilde;o da nova empresa ser&aacute; feita exclusivamente por pessoas indicadas pelo Executivo federal. Para o FNDC (F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o), o modelo de gest&atilde;o compromete a ess&ecirc;ncia da TV p&uacute;blica, al&eacute;m de ser uma ruptura com a Carta de Bras&iacute;lia aprovada no F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas. &ldquo;N&atilde;o quer dizer que a iniciativa n&atilde;o seja importante e que n&atilde;o possa vir a ser uma alternativa &agrave;s TVs comerciais, mas compromete a ado&ccedil;&atilde;o de uma gest&atilde;o verdadeiramente democr&aacute;tica. Um conselho de &lsquo;not&aacute;veis&rsquo; vai contra a hist&oacute;ria recente da esquerda que &eacute; de inclus&atilde;o dos movimentos nos espa&ccedil;os institucionais. As &lsquo;personalidades&rsquo; podem at&eacute; ser pessoas &iacute;ntegras, mas a proposta reproduz uma l&oacute;gica negativa&rdquo;, afirma o coordenador da entidade, Celso Schr&ouml;der.<\/p>\n<p><\/span><span>Para o Intervozes, a ado&ccedil;&atilde;o de um conselho de not&aacute;veis indicado pelo presidente da Rep&uacute;blica consolida a percep&ccedil;&atilde;o de que a TV Brasil est&aacute; se tornando uma reforma do sistema estatal, e n&atilde;o a efetiva promo&ccedil;&atilde;o do embri&atilde;o de um sistema p&uacute;blico, aut&ocirc;nomo em rela&ccedil;&atilde;o ao governo. &ldquo;N&atilde;o &eacute; a exist&ecirc;ncia de um &oacute;rg&atilde;o curador o que confere &agrave; emissora um car&aacute;ter p&uacute;blico. &Eacute; preciso que ele seja plural e representativo. A id&eacute;ia de um governo que indica, em nome da sociedade, quem a representa, &eacute; paternalista e anti-democr&aacute;tica, independentemente de quem sejam estes indicados&rdquo;, afirma Jo&atilde;o Brant, um dos coordenadores da organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>A Abepec (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Emissoras P&uacute;blicas, Educativas e Culturais) foi a &uacute;nica a manifestar apoio &agrave; proposta do governo. Por meio de sua p&aacute;gina na Internet, a entidade afirma que seus representantes no encontro &ldquo;receberam com satisfa&ccedil;&atilde;o o resultado de todo o processo de consultas e a estrutura jur&iacute;dica e conceitual da nova televis&atilde;o p&uacute;blica nacional&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; os representantes da ABTU (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&atilde;o Universit&aacute;ria) e da Astral (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&otilde;es e R&aacute;dios Legislativas), afirmam n&atilde;o estarem satisfeitos tanto com a proposta do governo quanto com a forma como foi conduzido o processo pela Secom. Ambas as organiza&ccedil;&otilde;es dizem que n&atilde;o foi poss&iacute;vel discutir com o governo as quest&otilde;es essenciais da cria&ccedil;&atilde;o da nova empresa. Segundo os dirigentes das entidades, somente quest&otilde;es de menor import&acirc;ncia foram colocadas em debate pela Secom, como a poss&iacute;vel remunera&ccedil;&atilde;o dos conselheiros e a presen&ccedil;a de um representante do conselho curador no conselho administrativo.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo o presidente da ABTU, Gabriel Priolli, em mensagem enviada ao blog de Jorge da Cunha Lima, &ldquo;o processo foi limitado, falho e meramente referendat&oacute;rio de decis&otilde;es tomadas intra-Governo. E a estrutura [da TV Brasil], embora tenha avan&ccedil;os, est&aacute; longe de atender aos anseios por uma efetiva televis&atilde;o p&uacute;blica&rdquo;. J&aacute; o vice-presidente da entidade, Cl&aacute;udio Magalh&atilde;es, contesta a aus&ecirc;ncia, no conselho gestor, das entidades representativas e &ldquo;o n&uacute;mero excessivo de indicados pelo pr&oacute;prio governo&rdquo;. Segundo Magalh&atilde;es, &ldquo;o formato original do F&oacute;rum [de TVs P&uacute;blicas] tinha a f&oacute;rmula h&iacute;brida de entidades e profissionais e, pelo seu sucesso, n&atilde;o havia motivo para n&atilde;o ser repetida&rdquo;. Rodrigo Lucena, presidente da Astral, &eacute; ainda mais enf&aacute;tico: &ldquo;o que desanima &eacute; a sensa&ccedil;&atilde;o de termos sido usados para respaldar a cria&ccedil;&atilde;o da TV do Lula, por meio do F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Cruvinel na Presid&ecirc;ncia<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span><strong><br \/><\/strong><\/span><span>N&atilde;o foi s&oacute; o an&uacute;ncio do modelo de gest&atilde;o que deixou as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil com a impress&atilde;o de que os rumos do projeto iniciado com a realiza&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Nacional de TVs P&uacute;blicas est&atilde;o sendo desprezados pelo governo federal. A escolha pelo presidente Lula de Tereza Cruvinel, colunista de O Globo e comentarista da Globonews, segundo as organiza&ccedil;&otilde;es, simboliza que a inten&ccedil;&atilde;o da Secom n&atilde;o &eacute; criar uma empresa de comunica&ccedil;&atilde;o que implemente um projeto diferenciado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s emissoras comerciais.<\/p>\n<p><\/span><span>De acordo com Brant, do Intervozes, &ldquo;n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel de antem&atilde;o dizer o que ser&aacute; a gest&atilde;o de Tereza Cruvinel &agrave; frente da empresa, mas d&aacute; para dizer o que essa escolha simboliza. O governo demonstra n&atilde;o ter a menor inten&ccedil;&atilde;o de que a TV p&uacute;blica rompa com um modelo consolidado pela m&iacute;dia comercial, e busca refer&ecirc;ncias num modelo de jornalismo que &eacute; muito diferente do que acredit&aacute;vamos que poderia ser adotado&rdquo;. Ainda segundo Brant, &ldquo;o fato de a nova presidente da TV p&uacute;blica ser uma jornalista que por vinte anos trabalhou nas Organiza&ccedil;&otilde;es Globo nos parece muito representativo do que pretende o governo com a nova TV p&uacute;blica&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Schr&ouml;der, do FNDC, classifica a escolha de Cruvinel como lament&aacute;vel, &ldquo;n&atilde;o pelo nome em si e apesar de seu poss&iacute;vel alinhamento pol&iacute;tico com as Organiza&ccedil;&otilde;es Globo, mas em fun&ccedil;&atilde;o da origem da proposta, centralizada e vertical&rdquo;. Segundo ele, &ldquo;&eacute; ruim a escolha de profissionais da grande m&iacute;dia, n&atilde;o por motivos ideol&oacute;gicos, mas pelos v&iacute;cios que trazem. A escolha deveria contar com outros crit&eacute;rios, n&atilde;o s&oacute; a notoriedade&rdquo;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Governo mant\u00e9m proposta para modelo de gest\u00e3o da futura empresa mantenedora da TV Brasil, que ter\u00e1 conselho indicado pelo Executivo federal. 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