{"id":19334,"date":"2007-09-26T12:38:49","date_gmt":"2007-09-26T12:38:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19334"},"modified":"2007-09-26T12:38:49","modified_gmt":"2007-09-26T12:38:49","slug":"o-vencimento-das-concessoes-da-tv-globo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19334","title":{"rendered":"O vencimento das concess\u00f5es da TV Globo"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O dia 5 de outubro ter&aacute; enorme significado para todos os que lutam contra a ditadura da m&iacute;dia no pa&iacute;s e pela democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Nesta data vence o prazo das concess&otilde;es p&uacute;blicas de v&aacute;rias emissoras privadas da televis&atilde;o brasileira, entre elas de cinco transmissoras da Rede Globo &ndash; S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro, Bras&iacute;lia, Recife e Belo Horizonte. A Coordena&ccedil;&atilde;o dos Movimentos Sociais (CMS), que re&uacute;ne as principais entidades populares e sindicais do pa&iacute;s, j&aacute; decidiu aproveitar o simbolismo desta data para realizar manifesta&ccedil;&otilde;es em todo o pa&iacute;s contra as ilegalidades existentes no processo de concess&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o das outorgas de televis&atilde;o no Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, a concess&atilde;o p&uacute;blica de TV tem validade de 15 anos. Para que ela seja renovada, o governo precisa encaminhar pedido ao Senado, que pode aprov&aacute;-lo com o voto de 3\/5 dos senadores. No caso de rejei&ccedil;&atilde;o, a vota&ccedil;&atilde;o &eacute; mais dif&iacute;cil. A proposta do governo deve ser submetida ao Congresso Nacional, que pode acatar a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o da emissora com os votos de 2\/5 dos deputados e senadores. Antes da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, esta decis&atilde;o cabia exclusivamente ao governo federal. A medida democratizante, por&eacute;m, n&atilde;o superou a verdadeira &ldquo;caixa-preta&rdquo; vigente neste processo, sempre feito na surdina e sem transpar&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>Baixarias e lixo importado<\/p>\n<p><\/strong>Como explica o professor e jornalista Hamilton Oct&aacute;vio de Souza, &ldquo;os processos de concess&atilde;o e de renova&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m conseguido, ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, uma tramita&ccedil;&atilde;o silenciosa e aparentemente tranq&uuml;ila, com acertos apenas nos bastidores &ndash; especialmente porque muitos dos deputados e senadores tamb&eacute;m s&atilde;o concession&aacute;rios p&uacute;blicos da radiodifus&atilde;o, s&oacute;cios e afiliados das grandes redes e defendem o controle do sistema de comunica&ccedil;&atilde;o nas m&atilde;os de empres&aacute;rios conservadores e das oligarquias e caciques pol&iacute;ticos regionais &ndash; os novos &lsquo;coron&eacute;is&rsquo; eletr&ocirc;nicos&rdquo;. Na pr&aacute;tica, Executivo e Legislativo n&atilde;o levam em conta nem as pr&oacute;prias normas constitucionais.<\/p>\n<p>Entre outros itens, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 pro&iacute;be a monopoliza&ccedil;&atilde;o neste setor, mas as principais redes atuam como poderosos oligop&oacute;lios privados. Al&eacute;m disso, exige que a comunica&ccedil;&atilde;o social promova a produ&ccedil;&atilde;o da cultura nacional e regional e a difus&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o independente, mas as redes &ndash; em especial a Globo &ndash; imp&otilde;em uma programa&ccedil;&atilde;o centralizada e importada da ind&uacute;stria cultural estrangeira. Ela tamb&eacute;m exige que a TV tenha finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas, mas as emissoras produzem e veiculam programas que n&atilde;o atendem esse preceito constitucional. &ldquo;Elas despejam em cima da popula&ccedil;&atilde;o programas de baixaria e o lixo importado, que nada t&ecirc;m a ver com a identidade, os valores e a cultura nacional&rdquo;, observa Hamilton.<\/p>\n<p><strong>Manipula&ccedil;&atilde;o e deforma&ccedil;&atilde;o da sociedade<\/p>\n<p><\/strong>Al&eacute;m de deformar comportamentos, com efeitos danosos na psicologia social, a m&iacute;dia &eacute; hoje um instrumento pol&iacute;tico a servi&ccedil;o dos interesses das corpora&ccedil;&otilde;es capitalistas. Como decorr&ecirc;ncia do intenso processo de monopoliza&ccedil;&atilde;o do setor, ela se tornou um verdadeiro &ldquo;partido do capital&rdquo;, conforme a cl&aacute;ssica s&iacute;ntese do intelectual italiano Antonio Gramsci. Ela manipula informa&ccedil;&otilde;es, utilizando requintadas t&eacute;cnicas de edi&ccedil;&atilde;o, com o intento de satanizar seus inimigos de classe e endeusar os aliados. A defesa do &ldquo;ca&ccedil;ador de maraj&aacute;s&rdquo; Fernando Collor, a cumplicidade diante dos crimes de FHC e a oposi&ccedil;&atilde;o ferrenha ao governo Lula confirmam esta brutal manipula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Estas e outras aberra&ccedil;&otilde;es da m&iacute;dia &ndash; monopolizada, desnacionalizada e manipuladora &ndash; ficaram patentes no ano passado. V&aacute;rios institutos independentes de pesquisa provaram que a cobertura da sucess&atilde;o presidencial foi distorcida, &ldquo;partidarizada&rdquo;. O livro &ldquo;A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006&rdquo;, organizado pelo professor Ven&iacute;cio de Lima, apresenta tabelas demonstrando que ela beneficiou o candidato da direita liberal, Geraldo Alckmin, ao editar tr&ecirc;s vezes mais not&iacute;cias negativas contra o candidato Lula. &ldquo;A grave crise pol&iacute;tica de 2005 e a elei&ccedil;&atilde;o presidencial de 2006 marcam uma ruptura na rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica entre a grande m&iacute;dia e a pol&iacute;tica eleitoral no Brasil&rdquo;, afirma Ven&iacute;cio.<\/p>\n<p><strong>Tentativa de golpe na elei&ccedil;&atilde;o <\/p>\n<p><\/strong>Neste violento processo de manipula&ccedil;&atilde;o caiu a m&aacute;scara da TV Globo &ndash; que at&eacute; ent&atilde;o ainda iludia alguns ing&ecirc;nuos, inclusive no interior do governo Lula. A sua cobertura na reta final das elei&ccedil;&otilde;es foi decisiva para levar o pleito ao segundo turno. Conforme demonstrou hist&oacute;rica reportagem da revista Carta Capital, uma opera&ccedil;&atilde;o foi montada entre o delegado da Pol&iacute;cia Federal Edmilson Bruno e a equipe da Rede Globo para criar um fact&oacute;ide pol&iacute;tico na v&eacute;spera do primeiro turno. Ap&oacute;s vazar ilegalmente fotos do dinheiro apreendido na tentativa desastrada de compra do dossi&ecirc; da &ldquo;m&aacute;fia das sanguessugas&rdquo;, que incriminava o partido de Geraldo Alckmin, o policial corrupto ordenou que a difus&atilde;o das imagens fosse feita no Jornal Nacional da noite anterior ao pleito.<\/p>\n<p>A criminosa negocia&ccedil;&atilde;o foi gravada, mas a TV Globo preferiu ocult&aacute;-la. Al&eacute;m disso, escondeu o tr&aacute;gico acidente com o avi&atilde;o da Gol para n&atilde;o ofuscar sua opera&ccedil;&atilde;o contra o candidato Lula. Para Marcos Coimbra, diretor do instituto de pesquisas Vox Populi, a solerte manipula&ccedil;&atilde;o desnorteou todas as sondagens eleitorais, que davam a folgada vit&oacute;ria de Lula, o que evitou sua reelei&ccedil;&atilde;o j&aacute; no primeiro turno. &ldquo;Os eleitores brasileiros foram votar no dia 1&ordm; de outubro sob um bombardeio que nunca tinha visto, nem mesmo em 1989&#8230; Em nossa experi&ecirc;ncia eleitoral, n&atilde;o t&iacute;nhamos visto nada parecido em mat&eacute;ria de interfer&ecirc;ncia da m&iacute;dia&rdquo;, garante o veterano Coimbra.<\/p>\n<p><strong>Um debate estrat&eacute;gico<\/p>\n<p><\/strong>Diante deste e de tantos outros fatos tenebrosos, que aviltam a democracia e mancham a hist&oacute;ria do pr&oacute;prio jornalismo, ficam as perguntas: &eacute; justa a renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o p&uacute;blica da poderosa TV Globo? Ela ajuda a formar ou a deformar a sociedade brasileira? Ela informa ou manipula as informa&ccedil;&otilde;es? Ela atende os preceitos constitucionais que pro&iacute;be o monop&oacute;lio da m&iacute;dia e exige que a comunica&ccedil;&atilde;o social promova a produ&ccedil;&atilde;o da cultura nacional e regional e a difus&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o independente e que tenha finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas? Estas e outras quest&otilde;es estar&atilde;o em debate nas semanas que antecedem o simb&oacute;lico 5 de outubro. <\/p>\n<p>&Agrave; CMS caber&aacute; levar esta discuss&atilde;o estrat&eacute;gica &agrave;s suas bases. J&aacute; o governo e o parlamento, que devem zelar pela Constitui&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o poder&atilde;o ficar omissos diante deste tema. &ldquo;Antes de propor a renova&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica da concess&atilde;o, os &oacute;rg&atilde;os de governo deveriam proceder &agrave; an&aacute;lise cuidadosa dos servi&ccedil;os prestados, com a devida divulga&ccedil;&atilde;o para a sociedade. Antes de votar novos per&iacute;odos de concess&atilde;o, o Senado Federal deveria, em primeiro lugar, estabelecer o impedimento &eacute;tico aos parlamentares envolvidos com a radiodifus&atilde;o e, em segundo lugar, s&oacute; aprovar a renova&ccedil;&atilde;o que esteja de acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o, a come&ccedil;ar pelo fim do oligop&oacute;lio &ndash; j&aacute; que o objetivo maior deve ser o da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o social&rdquo;, pondera o professor Hamilton de Souza.<\/p>\n<p><em>* Altamiro Borges &eacute; jornalista, membro do Comit&ecirc; Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro &ldquo;As encruzilhadas do sindicalismo&rdquo; (Editora Anita Garibaldi).<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 5 de outubro ter&aacute; enorme significado para todos os que lutam contra a ditadura da m&iacute;dia no pa&iacute;s e pela democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. 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