{"id":19294,"date":"2007-09-20T19:11:48","date_gmt":"2007-09-20T19:11:48","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=19294"},"modified":"2007-09-20T19:11:48","modified_gmt":"2007-09-20T19:11:48","slug":"abril-e-telefonica-a-falta-de-transparencia-no-setor-de-comunicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=19294","title":{"rendered":"Abril e Telef\u00f4nica: a falta de transpar\u00eancia no setor de comunica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>A aus&ecirc;ncia de transpar&ecirc;ncia nas transa&ccedil;&otilde;es comerciais envolvendo as aquisi&ccedil;&otilde;es, fus&otilde;es e joint ventures de empresas concession&aacute;rias dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; um fato novo. S&atilde;o in&uacute;meras as possibilidades de burlar as poucas restri&ccedil;&otilde;es que a confusa legisla&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e e raramente chega ao conhecimento p&uacute;blico o que de fato &eacute; realizado e quais os interesses &ndash; outros que n&atilde;o o interesse p&uacute;blico &ndash; servidos.<\/p>\n<p>No final de 2006, a rea&ccedil;&atilde;o da TV Bandeirantes a suspeitas levantadas com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia de um acordo com o governo para bancar a PlayTV fizeram vir a p&uacute;blico que tanto o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a quanto a Justi&ccedil;a Criminal de S&atilde;o Paulo estavam investigando a &quot;transfer&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es entre duas empresas que pertencem ao Grupo Abril, a Tevecap, que controla as empresas de TV a cabo, e a AbrilCom&quot; e &quot;a venda de 30% das a&ccedil;&otilde;es da Editora Abril para o grupo sul-africano Naspers&quot;.<\/p>\n<p>Como sempre acontece, dias depois o assunto desapareceu da grande m&iacute;dia e, aparentemente, as pend&ecirc;ncias legais foram solucionadas.<\/p>\n<p>Recentemente, em circunst&acirc;ncias politicamente contaminadas &ndash; o processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Congresso Nacional &ndash;, voltaram a surgir suspeitas de que ilegalidades estariam sendo cometidas na transfer&ecirc;ncia de controle e outorgas de empresas de televis&atilde;o paga do Grupo Abril para o Grupo Telef&ocirc;nica (Telesp). Voto contr&aacute;rio &agrave; transa&ccedil;&atilde;o do conselheiro Pl&iacute;nio de Aguiar J&uacute;nior, apresentado na 443&ordf;. Reuni&atilde;o do Conselho Diretor da Anatel (<a href=\"http:\/\/www.anatel.gov.br\/Portal\/documentos\/202162.pdf?numeroPublicacao=202162&amp;assuntoPublicacao=null&amp;caminhoRel=Cidadao-Sobre%20a%20Anatel%20Sobre%20o%20Conselho%20Diretor\">dispon&iacute;vel aqui<\/a>) passou a circular publicamente. <\/p>\n<p>O assunto mereceu iniciativa parlamentar de instala&ccedil;&atilde;o de uma CPI (ainda n&atilde;o decidida), notas p&uacute;blicas de esclarecimento das empresas envolvidas, lobby pesado junto a parlamentares e avalia&ccedil;&otilde;es a priori de analistas que se deixaram influenciar pelas circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas em que o assunto veio a p&uacute;blico.<\/p>\n<p><strong>Ata indispon&iacute;vel<br \/><\/strong><br \/>A proposta de instala&ccedil;&atilde;o de uma CPI na C&acirc;mara dos Deputados para investigar eventuais irregularidades na transa&ccedil;&atilde;o comercial entre o Grupo Abril e a Telef&ocirc;nica (Telesp) provocou rea&ccedil;&otilde;es que consideraram a iniciativa, sem mais, apenas como despropositada e vingativa, al&eacute;m, &eacute; claro, de um &quot;atentado &agrave; liberdade de imprensa&quot;.<\/p>\n<p>As suspeitas ilegalidades envolvidas na transa&ccedil;&atilde;o referiam-se &agrave; contrariedade da Lei do Cabo (Lei 8.977\/1995) em pelo menos tr&ecirc;s pontos: <\/p>\n<p>1. o Grupo Abril estaria repassando &agrave; Telef&ocirc;nica o controle de 86,7% da Comercial Cabo (S&atilde;o Paulo) e 91,5% da TVA Sul (Curitiba, Foz do Igua&ccedil;u, Florian&oacute;polis e Cambori&uacute;); <\/p>\n<p>2. de que um Acordo de Acionistas da Comercial Cabo deixaria a opera&ccedil;&atilde;o e o gerenciamento da operadora a cargo da Telef&ocirc;nica (Telesp); e<\/p>\n<p>3. de que estaria sendo desrespeitada a proibi&ccedil;&atilde;o de que uma operadora de telefonia (Telesp) detenha tamb&eacute;m, na mesma &aacute;rea, concess&atilde;o de TV a Cabo.<\/p>\n<p>O Ato n. 66.085 de 18\/7\/2007 do Conselho Diretor da Anatel (dispon&iacute;vel aqui) concordou previamente com as transa&ccedil;&otilde;es, mas, em seu Par&aacute;grafo &Uacute;nico, estabeleceu:<\/p>\n<p><em>&quot;A anu&ecirc;ncia pr&eacute;via constante do caput deste artigo, no tocante &agrave; opera&ccedil;&atilde;o envolvendo a outorga para presta&ccedil;&atilde;o do Servi&ccedil;o TV a Cabo na &aacute;rea de S&atilde;o Paulo, no Estado de S&atilde;o Paulo, detida pela empresa COMERCIAL CABO TV S&Atilde;O PAULO S.A., fica condicionada &agrave; comprova&ccedil;&atilde;o, no prazo de at&eacute; 30 (trinta) dias, contado da publica&ccedil;&atilde;o deste Ato, da elimina&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de controle vedadas pela regulamenta&ccedil;&atilde;o, decorrentes da aplica&ccedil;&atilde;o do Regulamento aprovado pela Resolu&ccedil;&atilde;o n&ordm; 101, de 4 de fevereiro de 1999, mediante a apresenta&ccedil;&atilde;o de novo acordo de acionistas envolvendo a empresa COMERCIAL CABO TV S&Atilde;O PAULO S.A.&quot;<\/em><\/p>\n<p>Curiosamente, a Ata da 443&ordf; Reuni&atilde;o do Conselho Diretor da Anatel, que tomou esta decis&atilde;o, n&atilde;o est&aacute; dispon&iacute;vel no site da ag&ecirc;ncia, embora as Atas das reuni&otilde;es anteriores e posteriores l&aacute; estejam (acesso em 16\/9\/2007). N&atilde;o se conhece, portanto, os detalhes da decis&atilde;o que n&atilde;o acolheu o voto contr&aacute;rio do conselheiro Pl&iacute;nio de Aguiar J&uacute;nior.<\/p>\n<p><strong>Exig&ecirc;ncias democr&aacute;ticas<\/p>\n<p><\/strong>Por outro lado, os atos autorizando as transfer&ecirc;ncias das empresas de televis&atilde;o paga em MMDS do Grupo Abril para a Telef&ocirc;nica (Telesp) j&aacute; foram publicados no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o (13\/9\/2007). Ao que se sabe, a Anatel preferiu adiar a decis&atilde;o final sobre as empresas de televis&atilde;o paga a cabo, na esperan&ccedil;a de um clima politicamente mais favor&aacute;vel.<\/p>\n<p>O que fica claro em mais esse epis&oacute;dio, todavia, &eacute; que a transpar&ecirc;ncia &eacute; uma exig&ecirc;ncia da pr&aacute;tica democr&aacute;tica que deve valer para todas as institui&ccedil;&otilde;es. Certamente, deve valer para o governo, as ag&ecirc;ncias reguladoras, as institui&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o concession&aacute;rias de servi&ccedil;o p&uacute;blico e, em especial, os grupos de comunica&ccedil;&otilde;es. Da mesma forma, a demanda por transpar&ecirc;ncia, n&atilde;o pode, in limine, ser descartada como &quot;atentado &agrave; liberdade de imprensa&quot;.<\/p>\n<p>Ser&aacute; democr&aacute;tico aplicar-se as exig&ecirc;ncias da democracia apenas em certas circunst&acirc;ncias e para certas institui&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p><font size=\"3\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/politica_publicacoes\/c_invertido_pq.png\" alt=\"Active Image\" width=\"15\" height=\"15\" \/>&nbsp;<\/font>Observat&oacute;rio da Imprensa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aus&ecirc;ncia de transpar&ecirc;ncia nas transa&ccedil;&otilde;es comerciais envolvendo as aquisi&ccedil;&otilde;es, fus&otilde;es e joint ventures de empresas concession&aacute;rias dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; um fato novo. 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